{"id":20984,"date":"2022-08-01T11:12:32","date_gmt":"2022-08-01T14:12:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/?p=20984"},"modified":"2022-08-01T11:18:34","modified_gmt":"2022-08-01T14:18:34","slug":"lembrancas-de-uma-juventude-na-cidade-de-uma-avenida-so","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/lembrancas-de-uma-juventude-na-cidade-de-uma-avenida-so\/","title":{"rendered":"Lembran\u00e7as de uma juventude na cidade de uma avenida s\u00f3"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#ededed\">Na movida dos anos 1980, um dos pontos de parada do rock ga\u00facho era a faixa, via expressa da cidade de Cachoeirinha, regi\u00e3o metropolitana. Acompanhe aqui a cr\u00f4nica-reportagem, produzida para a disciplina Jornalismo e Cultura em 2021, que rememora a Sociedade Esportiva Cachoeirinha, local que celebrou a cultura juvenil e a rebeldia musical da \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px\"><em>*Por: Felipe Pereira Pacheco<br>*Foto: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/groups\/870001870248522\/posts\/983637238884984\">Grupo Cachoeirinha do Passado no Facebook<\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cachoeirinha \u00e9 considerada por muitos a cidade de uma \u00fanica avenida. General Flores da Cunha &#8211; ou \u201cfaixa\u201d, como \u00e9 por muitos referida &#8211; \u00e9 o nome que resume a cidade, visto que corta o munic\u00edpio e concentra todo o seu \u201ccentro\u201d. Todo o resto \u00e9 s\u00f3 expans\u00e3o residencial, <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">lugares que os habitantes encontram para intermediar suas rotinas entre trabalho e vida social. At\u00e9 2020 essa ideia era ainda mais forte, uma vez que o ped\u00e1gio de Gravata\u00ed, na BR 101, fazia com que os moradores da cidade vizinha utilizassem Cachoeirinha como uma fuga para a tarifa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje a cidade tem uma imagem interiorana para a juventude local, que v\u00ea nas cidades vizinhas a fuga do t\u00e9dio e da in\u00e9rcia. Mas nem sempre foi assim. A cidade de uma avenida j\u00e1 teve autossufici\u00eancia quando o assunto era movimenta\u00e7\u00e3o noturna, sendo uma das sedes para a efervesc\u00eancia dos anos 1980, sobretudo como parada obrigat\u00f3ria para as bandas de rock ga\u00facho. Na d\u00e9cada das discotecas, dos hits inesquec\u00edveis e das propagandas badaladas de cigarro, Cachoeirinha oferecia um espa\u00e7o f\u00e9rtil para a rebeldia dos jovens e adolescentes que encontravam ali uma vasta oferta de lugares para se divertir e fomentar a cultura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Havia um lugar em especial que se tornou o anfitri\u00e3o das bandas ga\u00fachas e at\u00e9 mesmo do rock nacional dos oitenta: a Sociedade Esportiva de Cachoeirinha, ou a SEC, ou o que passou a ser conhecido como \u201cO Cachoeirinha\u201d, espa\u00e7o que passou a representar mais o nome da cidade do que o pr\u00f3prio munic\u00edpio. Com origem nos anos 40, esta sociedade se iniciou como um clube. A ideia foi crescendo e se tornou um espa\u00e7o que promovia, al\u00e9m dos eventos, um esp\u00edrito de comunidade, principalmente nas atividades esportivas. A instala\u00e7\u00e3o das piscinas se tornou o principal foco da sociedade no ver\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, n\u00e3o foram as piscinas que tornaram Cachoeirinha uma parada obrigat\u00f3ria para o movimento rebelde da juventude dos anos 80. A rela\u00e7\u00e3o da SEC com a m\u00fasica foi evoluindo desde as d\u00e9cadas de 60 e 70, passando da Jovem Guarda da d\u00e9cada de 50 e 60, com grupos tocando por cinco horas nas festas de finais de semana, at\u00e9 as reuni\u00f5es dan\u00e7antes e as pistas iluminadas de Dancin\u2019 Days. Mas foi no auge da chamada d\u00e9cada perdida que a cultura jovem invadiu Cachoeirinha, e encontrou na SEC o seu lar. Grandes nomes do rock ga\u00facho marcaram presen\u00e7a no palco do Cachoeirinha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8211; \u201cTodas as bandas ga\u00fachas passavam obrigatoriamente pelo Cachoeirinha!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim enfatizou um dos Diretores Sociais da hist\u00f3ria da SEC, Jos\u00e9 Fialho, o Zeca. Ele foi um dos principais respons\u00e1veis pela movimenta\u00e7\u00e3o do rock ga\u00facho na cidade. Mas ele foi al\u00e9m e fez com que at\u00e9 nomes de express\u00e3o nacional, como a banda Ira! registrasse sua presen\u00e7a num dos espa\u00e7os mais importantes para a Gera\u00e7\u00e3o X cachoeirense. Bandas como a TNT eram quase que da casa. S\u00f3 a minha m\u00e3e, esteve em mais de quatro shows do grupo no Cachoeirinha. Al\u00e9m deles, os Engenheiros do Hawaii, Os Cascavelletes, Os Replicantes, todos esses foram assistidos por ela. Os Replicantes, a banda punk mais reconhecida do Rio Grande do Sul, sempre deu o que falar em suas apresenta\u00e7\u00f5es. E na sua passagem pelo Cachoeirinha n\u00e3o foi diferente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Minha m\u00e3e lembra que n\u00e3o conhecia a banda quando foi no primeiro show deles na SEC. Esperando algo mais pr\u00f3ximo do <em>rockabilly<\/em>, blues e rock platino, ela acabou se deparando com um bando de punks com moicanos, coturnos e roupas verde milico. Estando no in\u00edcio da sua adolesc\u00eancia ainda, l\u00e1 pelos 14, 15 anos, ficou apavorada com os chutes, as rodas punk e os gritos do Wander Wildner vindos do palco. O resultado da loucura foi o encerramento do show: a festa foi fechada ap\u00f3s uma briga no p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Zeca tamb\u00e9m recorda do impacto que Os Replicantes causavam nos seus shows na SEC.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8211; \u201cEle era maluco da cabe\u00e7a\u201d, se refere ao <em>frontman<\/em> da banda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8211; \u201cEra rock n\u2019 roll raiz!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Era esse o esp\u00edrito que movia a juventude nos anos 80 em Cachoeirinha, tendo a SEC como um dos seus templos. As festas superlotadas n\u00e3o comportavam todos dentro do sal\u00e3o. Chegaram a colocar mais de duas mil pessoas em alguns eventos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse tipo de descuido, consequ\u00eancia em parte da falta de preocupa\u00e7\u00e3o geral com a seguran\u00e7a, algo comum na \u00e9poca, foi um dos motivos da ru\u00edna da SEC ao longo dos anos. O auge foi nos anos 80 e, ap\u00f3s essa d\u00e9cada, a sociedade entrou em decad\u00eancia. A trag\u00e9dia ocorrida em uma festa nas piscinas, que resultou na morte de uma pessoa, fez com que o fim do Cachoeirinha fosse acelerado. Esse fato tamb\u00e9m foi acompanhado pelos problemas de gest\u00e3o interna, d\u00edvidas e in\u00fameros processos judiciais, motivos que for\u00e7aram o encerramento das atividades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje o local abriga uma escola de patina\u00e7\u00e3o, aulas de artes marciais e at\u00e9 uma churrascaria. A movimenta\u00e7\u00e3o juvenil e a celebra\u00e7\u00e3o da cultura local n\u00e3o est\u00e3o mais l\u00e1. Mas a aura de um dos principais lugares onde a cultura e a juventude cachoeirense foram celebradas permanece viva na mem\u00f3ria de cada um que viveu um pouco dessa hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity is-style-dots\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na movida dos anos 1980, um dos pontos de parada do rock ga\u00facho era a faixa, via expressa da cidade de Cachoeirinha, regi\u00e3o metropolitana. Acompanhe aqui a cr\u00f4nica-reportagem, produzida para a disciplina Jornalismo e Cultura em 2021, que rememora a Sociedade Esportiva Cachoeirinha, local que celebrou a cultura juvenil e a rebeldia musical da \u00e9poca. *Por: Felipe Pereira Pacheco*Foto: Grupo Cachoeirinha do Passado no Facebook Cachoeirinha \u00e9 considerada por muitos a cidade de uma \u00fanica avenida. General Flores da Cunha &#8211; ou \u201cfaixa\u201d, como \u00e9 por muitos referida &#8211; \u00e9 o nome que resume a cidade, visto que corta o munic\u00edpio e concentra todo o seu \u201ccentro\u201d. Todo o resto \u00e9 s\u00f3 expans\u00e3o residencial, lugares que os habitantes encontram para intermediar suas rotinas entre trabalho e vida social. At\u00e9 2020 essa ideia era ainda mais forte, uma vez que o ped\u00e1gio de Gravata\u00ed, na BR 101, fazia com que os moradores da cidade vizinha utilizassem Cachoeirinha como uma fuga para a tarifa. Hoje a cidade tem uma imagem interiorana para a juventude local, que v\u00ea nas cidades vizinhas a fuga do t\u00e9dio e da in\u00e9rcia. Mas nem sempre foi assim. A cidade de uma avenida j\u00e1 teve autossufici\u00eancia quando o assunto era movimenta\u00e7\u00e3o noturna, sendo uma das sedes para a efervesc\u00eancia dos anos 1980, sobretudo como parada obrigat\u00f3ria para as bandas de rock ga\u00facho. Na d\u00e9cada das discotecas, dos hits inesquec\u00edveis e das propagandas badaladas de cigarro, Cachoeirinha oferecia um espa\u00e7o f\u00e9rtil para a rebeldia dos jovens e adolescentes que encontravam ali uma vasta oferta de lugares para se divertir e fomentar a cultura. Havia um lugar em especial que se tornou o anfitri\u00e3o das bandas ga\u00fachas e at\u00e9 mesmo do rock nacional dos oitenta: a Sociedade Esportiva de Cachoeirinha, ou a SEC, ou o que passou a ser conhecido&#8230; <\/p>\n<p><a class=\"readmore\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/lembrancas-de-uma-juventude-na-cidade-de-uma-avenida-so\/\">Leia mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20985,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_ppma_block_editor_authors":""},"categories":[356,105],"tags":[],"ppma_author":[685],"class_list":["post-20984","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-laboratorio-fabico","category-uncategorized"],"authors":[{"term_id":685,"user_id":0,"is_guest":1,"slug":"curso-de-jornalismo-fabico-ufrgs","display_name":"Curso de Jornalismo Fabico\/UFRGS","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/?s=96&d=mm&r=g","author_category":"","user_url":"","last_name":"","first_name":"","job_title":"","description":""}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20984","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20984"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20984\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20991,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20984\/revisions\/20991"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20985"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20984"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20984"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20984"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=20984"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}