Archive for julho, 2009

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UFRGS adia reinicio das aulas

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul decidiu hoje adiar o início das atividades letivas do segundo semestre para o dia 17 de agosto, quando o assunto será reavaliado pela reitoria. O calendário acadêmico será adaptado ao adiamento, sem prejuízo de conteúdos. A portaria 3.995, de 29 de julho de 2009, assinada pelo reitor em exercício Rui Vicente Oppermann foi baseada em recomendação do Comitê de Acompanhamento, Prevenção e Pesquisa da gripe Influenza, da Faculdade de Medicina e Hospital de Clínicas de Porto Alegre. As atividades administrativas da universidade estão mantidas, mas a orientação aos docentes, servidores técnico-administrativos e alunos é de que procurem seguir as recomendações do Ministério da Saúde em caso de suspeita de gripe H1N1.

http://www6.ufrgs.br/portaldenoticias/noticias.php?id=1496

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Cursos Pagos

Hoje ao entrarmos do site da UFRGS lemos a notícia que o Supremo Tribunal Federal suspendeu a decisão que proibia cursos de especialização oferecidos pela UFRGS. A decisão do presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, em caráter liminar, atende reclamação encaminhada pela Procuradoria-Geral da Universidade que teve os cursos suspensos por decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4).

Assim o DAECA vem esclarecer que por ora, a UFRGS poderá abrir novos cursos pagos mas a decisão é liminar, foi proferida pelo, já conhecido e polêmico, Min. Gilmar Mendes porque o STF está em recesso (julho) e, nesse período, o presidente despacha os casos urgentes. A relatora é a Min. Ellen Gracie e o processo ainda terá de ser julgado por todos os ministros.

Assim, enfatizamos que a decisão é liminar e apenas de um ministro, que, aliás, foi vencido quando o STF decidiu a respeito de tais cursos anteriormente. É o plenário (com os 11 ministros) que decidirá sobre o caso.

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A novela do currículo

Não é só por aqui que passamos por uma reforma curricular. Vejam a série de cartazes sobre a reforma da UFSC, produzidos pelo CALE:

O currículo no Caminho da Ínguas I

O currículo no Caminho da Ínguas II

O currículo no Caminho da Ínguas III

Previna-se I

Previna-se II

Previna-se III

Previna-se IV

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Sobre os manuais

Texto do Centro Acadêmico Livre de Economia da UFSC sobre o uso dos manuais no ensino de economia:

O Pensamento Manualesco no Ensino de Economia e seus

Riscos Para a Formação do Economista

Um processo de Reforma Curricular que seja histórico, isto é, identificado com uma determinada realidade social, e também político, ou seja, inserido em uma disputa entre a ocultação e a denúncia da dinâmica do desenvolvimento desta realidade, deve englobar aspectos da formação de um economista que a mera discussão a respeito da grade curricular e conteúdo programático não contempla.

De fato, o que se percebe em nosso – e o “nosso” já evidencia aqui uma profunda cisão entre os estudantes, que desde 2005 estão organizados em torno de uma proposta que vincule o ensino de Economia da UFSC ao real, e os professores, mais interessados em apenas uma redefinição conservadora do currículo, sem maiores transformações, não obstante a realidade alterar-se aos nossos olhos – atual processo de Reforma Curricular é uma elevação da consciência estudantil, que tem conseguido avançar de uma análise sobre o currículo até uma interpretação mais ampla e totalizante da Universidade, sua estrutura e forma de reprodução. Da distância do currículo em relação à realidade brasileira, chegou-se ao tema do colonialismo intelectual. A materialização deste em nossas salas de aula não poderia ser mais clara e objetiva que sob a forma dos manuais.

O uso dos manuais parece corresponder a um despreparo intelectual dos professores, como se fossem incapazes de apresentar aos estudantes algo minimamente atrativo sobre os autores ditos clássicos e imprescindíveis para o estudo da Economia. Além disso, é como se obedecesse a um silencioso pacto entre estudantes e professores que, não à vontade diante do desafio de estudar a realidade, fazem o mais cômodo: debruçam-se sobre modelos e neles constroem suas religiões, seus castelos de cartas.

Não é de causar surpresa, portanto, o enorme espaço conquistado pelos manuais no curso de Economia. Vestidos de uma roupagem moderna – pois em profunda sintonia com as últimas teorias e modelos econômicos – e dotados de uma forma interna de conteúdo absolutamente fragmentária e “fisicalista”, os manuais inseriram na formação do economista um suposto domínio de conceitos e ferramentas, ao mesmo tempo em que aproximaram estudantes e professores do centro dinâmico do saber científico: as indústrias do conhecimento de onde emanam estes alfarrábios. Ninguém melhor que a própria realidade para fazer ruir este castelo, já que o aparato analítico destes manuais não tem qualquer identificação com a realidade brasileira (a crise pela qual passa a profissão de economista é reflexo desta incapacidade teórica e prática) e a pretensa sintonia entre a origem destes manuais e o público colonial que o consome revela-se, em realidade, mais uma relação assentada na alienação da capacidade de pensamento crítico que um desenvolvimento teórico.

É por estas precisas razões que se associam, na consciência estudantil do processo de Reforma Curricular, elementos desta estrutura alienante do ensino de Economia na UFSC: as viagens à campo não só não existem, como não devem existir, pois representariam o maior dos contrapontos ao currículo obsoleto, a saber, o grito silencioso de uma realidade estranha aos manuais. É este antagonismo que a proposta dos professores não pretende superar.

O que os manuais abortam da formação do economista é aquilo de que ele mais necessita quando chamado a atuar profissionalmente: o pensamento transformador, a análise rigorosa da realidade, o entendimento profundo de sua economia nacional e da posição desta no mundo. Em suma, a inteligência (de fato, muitas são as passagens de manuais que destoam e duvidam desta inteligência e enumerá-las requereria um espaço muito maior).

Segundo o filósofo venezuelano Ludovico Silva, a função dos manuais é a de construir receitas que retirem do estudante a criatividade intelectual, o seu poder de pensar e alterar a economia. Caio Prado Jr., por sua vez, identifica nos manuais um dogmatismo científico e uma teorização às avessas: diante de um modelo estranho, a realidade é que passa a estar errada. No seio de ambas as interpretações está o fato de que a crítica aos manuais não se resume à sua forma: “o problema não é escrever manuais [...], o problema é ter um pensamento manualesco”, considerou Ludovico. Certamente, o uso manualesco do conhecimento corresponde a uma necessidade dos professores quando a teoria não condiz com a realidade e as práticas didáticas lhes são insuficientes! Superar o pensamento manualesco – que transgride o processo de ensino e aprendizagem desvincula a teoria da realidade, afasta a sala de aula do mercado de trabalho, infantiliza os estudantes e os aliena de sua condição pensante, aprofunda o colonialismo intelectual, pelo qual pagamos o altíssimo preço em termos de fuga de cérebros, de pagamentos de royalties e de baixíssimos níveis de registro de patentes – requer antes superação imediata dos manuais! E que seu lugar passe a ser ocupado pelos escritos originais, pois os estudantes têm a capacidade de entendê-los.

Desde o fim da Idade Média a Igreja não tem mais o monopólio sobre a bíblia. Em nosso curso de Economia, porém, Pindick’s, Blanchard’s e Krugman’s – apenas para citar os mais ordinários – continuam a gozar do monopólio sobre a obra de muitos que os antecederam. Seria engraçado (os guardiões da modernidade desempenhando uma prática medieval) se não fosse trágico: os estudantes deixando de pensar por si próprios, comprometendo o desenvolvimento científico e tecnológico de seu país.

É por esta realidade que a questão dos manuais tem de ser pensada muito mais seriamente. Não se trata somente de facilitar a análise (argumento principal dos manualescos, que acabam não percebendo que com isso desvalorizam sua aula e sua função enquanto professor); trata-se, na verdade, de inviabilizá-la, corrompê-la, desviá-la, ocultá-la do essencial: a formação de um economista crítico e competente.

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Reunião de Planejamento

Neste sábado, dia 01/08, faremos a reunião de planejamento do DAECA para o 2º semestre. Aqueles que tiverem interesse em participar podem entrar em contato pelo e-mail daeca.ufrgs@gmail.com

Na plenária final do ENECO foi aprovada que a próxima sede do evento será a Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa (ou cidade da Parahyba, como preferem os organizadores). A proposta, defendida pelos representantes do Centro Acadêmico da UFPB, é composta pelo projeto acadêmico Celso Furtado e pelo projeto cultural Jackson do Pandeiro. O tema ainda será discutido pela Federação Nacional de Estudantes de Economia, mas deve estar relacionado com a Economia Brasileira.

Em breve divulgaremos mais informações.

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Carta de Florianópolis

Carta aprovada na plenária final do XXXV Encontro Nacional de Estudantes de Economia:

Passamos atualmente por uma das maiores crises da história do capitalismo, e para nós da Federação Nacional de Estudantes de Economia, é extremamente preocupante que em um momento em que o mundo está desabando e diversos pressupostos sendo derrubados, não haja um debate sério e difundido por todas as faculdades de economia do país.

O fato de a maioria dos professores não promoverem um real debate sobre a crise revela muito mais do que a incapacidade de muitos deles em fazê-lo. Revela a apatia e o comodismo que toma conta das faculdades.

Este comodismo é resultado de uma estrutura universitária que não aceita a crítica. Uma universidade que não produz nem forma profissionais para o povo, capazes de entenderem as contradições da realidade que os cercam. Uma universidade meritocrática: apenas os “melhores” são escolhidos, seja no vestibular, nas provas de graduação ou em concursos para professores. Os melhores em que? Em reproduzir esta lógica de alienação intelectual.

Nós, estudantes, temos um papel fundamental: o de promover a mudança. Só através do protagonismo estudantil é que conseguiremos mudar a universidade. Tal mudança não vira do corpo docente, que funciona como reprodutor dessa lógica alienante. Para isso temos que nos reorganizar. Devemos articular as regionais, devemos auxiliar cada CA na luta pela crítica e por um curso melhor localmente, trazendo as diversas experiências para um debate nacional.

Através dessa reorganização é que conseguiremos nos articular enquanto um movimento estudantil de economia e lutar nacionalmente em prol da melhoria na formação do economista, por melhores critérios de avaliação e por uma melhor estrutura para o aprendizado.

É preciso também lutar para que os prejuízos acumulados pelo sistema financeiro não sejam socializados, defender uma distribuição de renda igualitária. O governo brasileiro deve se preocupar menos com os interesses dos banqueiros internacionais e mais com os interesses do povo brasileiro de forma que assuntos como a dívida externa, o desenvolvimento econômico e a integração entre as nações latino-americanas sejam amplamente debatidos.

Desse modo, chamamos a todos os estudantes de economia a se juntarem nesse novo projeto de federação. É através da troca de experiência que se fortalecerá a consciência.

Florianópolis, 24 de julho de 2009

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