{"id":60,"date":"2020-08-25T20:57:58","date_gmt":"2020-08-25T23:57:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/darq\/?page_id=60"},"modified":"2020-08-26T17:04:23","modified_gmt":"2020-08-26T20:04:23","slug":"pagina-inicial","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/darq\/","title":{"rendered":"&#8220;\u00c9 \u00e0 exist\u00eancia desta materialidade da l\u00edngua na discursividade do arquivo que \u00e9 urgente se consagrar&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<h6 class=\"has-text-align-left wp-block-heading\"><strong>Michel P\u00eacheux, Ler o arquivo hoje (1982)<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-rounded\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/darq\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/DbyLy7KXcAAZ40H-edited.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-110\" width=\"415\" height=\"415\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/darq\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/DbyLy7KXcAAZ40H-edited.jpg 332w, https:\/\/www.ufrgs.br\/darq\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/DbyLy7KXcAAZ40H-edited-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/darq\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/DbyLy7KXcAAZ40H-edited-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 415px) 85vw, 415px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\">Em \"<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/issuu.com\/editoraunicamp\/docs\/gestos_de_leitura\" target=\"_blank\">Ler o arquivo hoje<\/a>\", <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.persee.fr\/doc\/hel_0247-8897_1982_num_2_1_3328\" target=\"_blank\">publicado no ano de 1982<\/a>, Michel P\u00eacheux lan\u00e7a as bases de um programa de investiga\u00e7\u00e3o ousado. N\u00e3o se trata apenas de um projeto de pesquisa situado no campo j\u00e1 posto das disciplinas formalmente instituidas no espa\u00e7o acad\u00eamico. Trata-se, <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/ponteseditores.com.br\/loja\/index.php?route=product\/product&amp;product_id=302\" target=\"_blank\">como bem formulou Denise Maldidier<\/a>, de um <strong>manifesto <\/strong>em dire\u00e7\u00e3o a uma compreens\u00e3o radicalmente singular da <strong>leitura de arquivo<\/strong> e das rela\u00e7\u00f5es entre <strong>l\u00edngua <\/strong>e <strong>hist\u00f3ria<\/strong>. \n\nRejeitando a rarefa\u00e7\u00e3o da materialidade da l\u00edngua nos projetos de leitura de arquivo, Michel P\u00eacheux produz uma <strong>mudan\u00e7a de terreno<\/strong> que descarta qualquer tentativa de integra\u00e7\u00e3o. Ou seja, n\u00e3o basta \"historicizar a l\u00edngua\" ou \"semiologizar a hist\u00f3ria\". \u00c9 preciso, diz P\u00eacheux, <strong>resistir \u00e0 disciplinariza\u00e7\u00e3o do trabalho com o arquivo<\/strong>, evitando os \"dispositivos (de classifica\u00e7\u00e3o, de indexa\u00e7\u00e3o etc.), que derivam mais da gest\u00e3o administrativa e do sonho logicista de l\u00edngua ideal que da pesquisa cient\u00edfica fundamental\" (P\u00eacheux, 2010, p. 59)\n\n\u00c9 nesse ponto que a afirma\u00e7\u00e3o de que \"o <em>fato da l\u00edngua<\/em> foi, e permanece, consideravelmente subestimado em todos os projetos de leitura de arquivo\" (P\u00eacheux, 2010, p. 58) invoca tanto linguistas quanto historiadores a interrogarem a sua rela\u00e7\u00e3o com as suas pr\u00e1ticas de leitura. Para os que subestimam <em>o fato da l\u00edngua<\/em>, a sua materialidade \"n\u00e3o ter\u00e1 sido (na melhor das hip\u00f3teses) sen\u00e3o um meio transparente, ou (na pior) a vidra\u00e7a empoeirada atrav\u00e9s da qual se incita a espreitar 'as pr\u00f3prias coisas'\" (P\u00eacheux, 2010, p. 58). <em>Subestimar a l\u00edngua<\/em> \u00e9, portanto, abstrtair a sua materialidade em nome de uma compreens\u00e3o empirista que a considera mero <strong>ve\u00edculo <\/strong>de <strong>mensagens<\/strong>, <strong>informa\u00e7\u00f5es <\/strong>e <strong>conte\u00fados<\/strong>.\n\nNessa encruzilhada, o conceito de <strong>discurso <\/strong>interv\u00e9m de maneira decisiva. \u00c9 porque \u201c<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.edufscar.com.br\/analise-do-discurso-politico-o-discurso-comunista-enderecado-aos-cristaos\" target=\"_blank\">o discursivo representa exatamente no interior do funcionamento da l\u00edngua os efeitos da luta ideol\u00f3gica<\/a>\u201d (Courtine, 2009, p. 191) que o arquivo deixa de ser compreendido como <strong>reposit\u00f3rio de um conte\u00fado<\/strong> ou <strong>express\u00e3o textual do acontecimento<\/strong> para figurar como uma <strong>materialidade discursiva<\/strong>, como o <strong>resultado de m\u00faltiplas determina\u00e7\u00f5es<\/strong>.<\/pre>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u00c9 esta rela\u00e7\u00e3o entre <strong>l\u00edngua <\/strong>como sistema sint\u00e1tico intrinsecamente pass\u00edvel de jogo, e a <strong>discursividade <\/strong>como inscri\u00e7\u00e3o de efeitos lingu\u00edsticos materiais na hist\u00f3ria, que constitui o n\u00f3 central de um trabalho de leitura de arquivo.<\/p><cite>P\u00eacheux, 2010, p. 58<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\">A cr\u00edtica aguda que Michel P\u00eacheux dirige tanto aos linguistas quanto aos historiadores se inscreve em uma tradi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica recente, mas poderosa e que produziu efeitos no campo historiogr\u00e1fico. J\u00e1 na d\u00e9cada de 70, a historiadora R\u00e9gine Robin insistia no <strong>car\u00e1ter constitutivamente lingu\u00edstico-hist\u00f3rico do arquivo<\/strong>, convocando os historiadores para uma reflex\u00e3o sobre os modos de ler sob a forma de um <strong>alerta<\/strong>: \"Trata-se de mostrar aos historiadores que a \u2018leitura\u2019 de um texto e de um conjunto de textos traz \u00e0 baila problemas tais como a produ\u00e7\u00e3o do sentido, que certas regi\u00f5es da Lingu\u00edstica podem ser-lhes de grande aux\u00edlio, contanto que n\u00e3o se tornem superposi\u00e7\u00e3o, aplica\u00e7\u00e3o pouco razo\u00e1vel ou falsa interdisciplinaridade\u201d (Robin, 1977, p. 11).\n\n\u00c9 em torno das inquieta\u00e7\u00f5es postas (e tornadas poss\u00edveis) por essas quest\u00f5es basilares que o <strong>DARQ - Grupo de Pesquisa Discurso e Arquivo<\/strong> se organiza.<\/pre>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>O problema da pr\u00e1tica discursiva, das rela\u00e7\u00f5es entre as forma\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas e as forma\u00e7\u00f5es discursivas, do lugar das pr\u00e1ticas discursivas ao seio de uma forma\u00e7\u00e3o social, desembocava em uma constante pergunta sem resposta, a possibilidade de uma teoria marxista das pr\u00e1ticas discursivas (em particular das pr\u00e1ticas discursivas pol\u00edticas). Esta teoria n\u00e3o est\u00e1 feita. Sua produ\u00e7\u00e3o s\u00f3 poder\u00e1 ser uma obra coletiva. Eis uma das futuras tarefas essenciais da pesquisa marxista. <\/p><cite>Robin, 1977, p. 13<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-rounded\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/darq\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/robin_regine.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-136\" width=\"341\" height=\"367\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"><strong>Refer\u00eancias:\n<\/strong>\nCOURTINE, Jean-Jacques. <em>An\u00e1lise do discurso pol\u00edtico<\/em>: o discurso comunista endere\u00e7ado aos crist\u00e3os. Tradu\u00e7\u00e3o: Cristina Birck, Didier Martin, Maria Meregali, Maria Os\u00f3rio, Sandra Logu\u00e9rcio e Vincent Leclercq (sob a supervis\u00e3o de Patr\u00eda Reuillard). S\u00e3o Carlos: Editora da UFSCAR, 2009.\nMALDIDIER, Denise. <em>A inquieta\u00e7\u00e3o do discurso<\/em>: (re)ler Michel P\u00eacheux hoje. Tradu\u00e7\u00e3o: Eni Orlandi. Campinas, SP: Pontes, 2003.\nP\u00caCHEUX, Michel.<strong> Ler o arquivo hoje<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o: Maria das Gra\u00e7as Lopes Morin do Amaral. <em>In<\/em>: ORLANDI, Eni (Org) <em>Gestos de leitura<\/em>: da hist\u00f3ria no discurso. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2010 (pp. 49-59) \nROBIN, R\u00e9gine. <em>Hist\u00f3ria e lingu\u00edstica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cultrix, 1977.<\/pre>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"><strong>Como citar esse texto:<\/strong>\nBARBOSA FILHO, F\u00e1bio Ramos. \"\u00c9 \u00e0 exist\u00eancia desta materialidade da l\u00edngua na discursividade do arquivo que \u00e9 urgente se consagrar\". <em>DARQ<\/em> <em>- Grupo de Pesquisa Discurso e Arquivo<\/em>, Porto Alegre, agosto de 2020. Dispon\u00edvel em: &lt;www.ufrgs.br\/darq&gt; Acesso em: [data de acesso]<\/pre>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><sub><em>Por F\u00e1bio Ramos Barbosa Filho (barbosa.filho@ufrgs.br)<\/em> | Porto Alegre, agosto de 2020<\/sub><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Michel P\u00eacheux, Ler o arquivo hoje (1982) Em &#8220;Ler o arquivo hoje&#8221;, publicado no ano de 1982, Michel P\u00eacheux lan\u00e7a as bases de um programa de investiga\u00e7\u00e3o ousado. N\u00e3o se trata apenas de um projeto de pesquisa situado no campo j\u00e1 posto das disciplinas formalmente instituidas no espa\u00e7o acad\u00eamico. 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