{"id":1311,"date":"2026-06-26T09:38:41","date_gmt":"2026-06-26T12:38:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/daulab\/?p=1311"},"modified":"2026-06-26T10:17:23","modified_gmt":"2026-06-26T13:17:23","slug":"e-bom-porque-distrai-a-gente-quando-o-tiktok-invade-a-rotina-da-terceira-idade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/daulab\/2026\/06\/26\/e-bom-porque-distrai-a-gente-quando-o-tiktok-invade-a-rotina-da-terceira-idade\/","title":{"rendered":"\u201c\u00c9 bom porque distrai a gente\u201d: quando o Tiktok invade a rotina da terceira idade"},"content":{"rendered":"\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Tempo livre, isolamento social e plataformas projetadas para prender a aten\u00e7\u00e3o s\u00e3o algumas das pe\u00e7as para entender por que idosos passam cada vez mais horas consumindo conte\u00fados curtos<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Por Mariana dos Reis e Pietra Bitencourt<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/daulab\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/capa-reportagem-ciber-1024x576.png\" alt=\"Homem idoso deitado enquanto usa o celular\" class=\"wp-image-1463\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/daulab\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/capa-reportagem-ciber-1024x576.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/daulab\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/capa-reportagem-ciber-300x169.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/daulab\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/capa-reportagem-ciber-768x432.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/daulab\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/capa-reportagem-ciber-1536x864.png 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/daulab\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/capa-reportagem-ciber-2048x1152.png 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Para muitos idosos, o celular funciona como principal ferramenta de lazer e conex\u00e3o social\/Imagem: Pexels<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu fico perdida. Eu fico perdida sem o telefone\u201d. Nara Regina Ferreira da Rocha tem 74 anos, 6 filhos, 11 netos e sempre foi dona de casa. Mesmo tendo crescido em uma \u00e9poca de tecnologias anal\u00f3gicas, ela preenche seus dias com um passatempo totalmente digital: assiste v\u00eddeos curtos no <strong>TikTok<em>.<\/em><\/strong>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nara n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica &#8211; conforme o<a href=\"https:\/\/www.economist.com\/international\/2025\/10\/23\/meet-the-real-screen-addicts-the-elderly\"> <\/a><a href=\"https:\/\/cetic.br\/pt\/tics\/domicilios\/2025\/individuos\/C3\/\">levantamento realizado em 2025 pelo Cetic.br<\/a> (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informa\u00e7\u00e3o), 89% dos <strong>idosos<\/strong> acima de 60 anos utilizam a internet diariamente. O tempo livre, a solid\u00e3o e a falta de letramento digital adequado s\u00e3o alguns dos fatores que podem transformar o lazer dos mais velhos em <strong>depend\u00eancia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u201cS\u00e3o v\u00e1rios mecanismos que trabalham para que as pessoas tenham vontade de assistir cada vez mais\u201d <\/strong>&#8211; Melissa Streck, especialista em Pesquisa de Experi\u00eancia do Usu\u00e1rio<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Doutora em Comunica\u00e7\u00e3o e L\u00edder de Pesquisa de Experi\u00eancia do Usu\u00e1rio, Melissa Streck, estuda sobre a experi\u00eancia digital das pessoas com <strong>mais de 60 anos<\/strong> e explica como as plataformas mant\u00eam os usu\u00e1rios entretidos por longos per\u00edodos de tempo: \u201cAs redes sociais possuem um <strong>design de reten\u00e7\u00e3o de aten\u00e7\u00e3o<\/strong>. S\u00e3o v\u00e1rios mecanismos<strong> <\/strong>que trabalham para que as pessoas tenham vontade de assistir cada vez mais. Parece que nunca \u00e9 suficiente\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em plataformas centradas em <strong>conte\u00fados audiovisuais<\/strong> <strong>curtos<\/strong>, como Tiktok, Kwai e Reels do Instagram, as postagens contam com ganchos, cortes din\u00e2micos e trilhas sonoras fren\u00e9ticas<strong> <\/strong>para prender a aten\u00e7\u00e3o dos usu\u00e1rios. Mas, al\u00e9m das t\u00e9cnicas utilizadas pelos criadores de conte\u00fado, as pr\u00f3prias plataformas s\u00e3o projetadas para maximizar a imers\u00e3o dos consumidores atrav\u00e9s do design sem fric\u00e7\u00e3o (<em>frictionless design<\/em>) e da rolagem infinita (<em>infinite scroll<\/em>).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na pr\u00e1tica, esses recursos reduzem ao m\u00e1ximo os obst\u00e1culos \u00e0 navega\u00e7\u00e3o e criam a sensa\u00e7\u00e3o de que o conte\u00fado \u00e9 infinito. No Tiktok, por exemplo, isso se manifesta na quantidade limitada de movimentos que o usu\u00e1rio precisa fazer com as m\u00e3os para consumir o conte\u00fado<strong> <\/strong>&#8211; ap\u00f3s abrir o aplicativo, basta rolar para cima para ver o pr\u00f3ximo v\u00eddeo &#8211; e no <strong>algoritmo<\/strong>, que continua oferecendo novos v\u00eddeos<strong> <\/strong>mesmo ap\u00f3s horas no aplicativo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u201cEla passava o dia inteiro sentada na mesa vendo TikTok\u201d <\/strong>&#8211; Geovana da Rocha, neta de Nara<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">T\u00e1ticas como essas mant\u00eam o usu\u00e1rio em um fluxo cont\u00ednuo de consumo, limitando sua percep\u00e7\u00e3o sobre o tempo gasto. \u201cEla passava o dia inteiro sentada na mesa vendo TikTok\u201d, relata Geovana da Rocha, neta de Nara. Por conta da falta de familiaridade de muitos idosos com o funcionamento dos algoritmos e das plataformas, eles s\u00e3o ainda mais suscet\u00edveis ao consumo excessivo: \u201cMuitos podem achar que t\u00eam o controle, mas a maioria n\u00e3o tem esse discernimento. Se n\u00e3o houver um limite, um cuidado com o tempo, \u00e9 ainda mais dif\u00edcil de sair\u201d, conta Melissa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O celular vira companhia<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, a falta de letramento digital \u00e9 apenas uma das pe\u00e7as desse cen\u00e1rio. A psic\u00f3loga Simone Burmeister, especializada no atendimento de idosos, afirma que o isolamento social e a solid\u00e3o frequentemente exercem um papel ainda mais central na rela\u00e7\u00e3o desse grupo com as telas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/sbgg.org.br\/saude-mental-populacao-60-merece-atencao-afirma-sbgg\/\">Dados do IBGE<\/a> (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica) citados pela SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia) indicam que os idosos constituem a faixa et\u00e1ria mais afetada pela <strong>depress\u00e3o<\/strong>. Entre as pessoas de 60 a 64 anos, 13% convivem com a doen\u00e7a. Mudan\u00e7as associadas ao envelhecimento &#8211; como a aposentadoria, a perda de familiares e amigos, as limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e as altera\u00e7\u00f5es na rotina &#8211; podem favorecer sentimentos de tristeza, ansiedade e solid\u00e3o. A psic\u00f3loga explica: \u201cMuitas vezes aquele idoso que est\u00e1 com dificuldade de locomo\u00e7\u00e3o permanece dentro de casa. Ele fica isolado e acaba mais deprimido, porque n\u00e3o pode mais sair na rua sozinho\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As <strong>restri\u00e7\u00f5es de mobilidade<\/strong> fazem parte da realidade de Nara. \u201cEla tem problemas nas m\u00e3os e nas pernas. Nessa situa\u00e7\u00e3o, lavar a lou\u00e7a e andar fica dif\u00edcil. Pra ela, \u00e9 mais confort\u00e1vel ficar mexendo no celular do que fazer alguma coisa que vai causar mais dor\u201d, conta a neta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Simone tamb\u00e9m aponta que a falta de estruturas de acessibilidade nos espa\u00e7os urbanos contribui para manter muitas pessoas idosas dentro de casa. \u201c\u00c9 mais ou menos como acontece com pessoas com defici\u00eancia, que tamb\u00e9m precisam de rampas e cal\u00e7adas lineares. Tudo isso traz dificuldades, o que faz com que a pessoa prefira ficar dentro de casa e se conectar com o mundo atrav\u00e9s do celular.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sensa\u00e7\u00e3o de <strong>inseguran\u00e7a <\/strong>\u00e9 outro elemento relevante. Segundo a psic\u00f3loga, o receio da viol\u00eancia urbana &#8211; frequentemente refor\u00e7ada pelo notici\u00e1rio e at\u00e9 por familiares preocupados com o bem estar do idoso &#8211; pode desestimular sa\u00eddas e atividades externas. Como consequ\u00eancia, parte das intera\u00e7\u00f5es sociais e do lazer se restringem ao espa\u00e7o dom\u00e9stico e acabam migrando para o ambiente digital.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Distra\u00e7\u00e3o ou v\u00edcio?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 bom porque distrai a gente\u201d, diz Nara sobre os conte\u00fados que assiste no TikTok. A busca por entretenimento encontra nos v\u00eddeos curtos um fluxo cont\u00ednuo de est\u00edmulos e recompensas. Um <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S1053811921004134?via%3Dihub\">estudo publicado na revista cient\u00edfica NeuroImage<\/a> em 2021, conduzido por pesquisadores da Universidade Zhejiang, identificou que v\u00eddeos desse formato ativam \u00e1reas do c\u00e9rebro associadas ao sistema de recompensa, gerando rapidamente sensa\u00e7\u00f5es de prazer e satisfa\u00e7\u00e3o. O mecanismo de gratifica\u00e7\u00e3o imediata \u00e9 semelhante ao observado em outras depend\u00eancias e tende a refor\u00e7ar o h\u00e1bito de consumo, criando um ciclo vicioso que pode ser dif\u00edcil de romper.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em situa\u00e7\u00f5es mais extremas, esse comportamento pode evoluir para um quadro de <strong>nomofobia <\/strong>&#8211; termo derivado do ingl\u00eas <em>no mobile phone phobia<\/em> &#8211; que descreve a depend\u00eancia e o medo patol\u00f3gico de ficar sem o celular. \u201cEssa ansiedade de ficar sem eletr\u00f4nicos \u00e9 generalizada. Mas, apesar de estarem t\u00e3o vinculados, os jovens ainda t\u00eam vida social na rua. Os idosos n\u00e3o. A \u00fanica fonte de recompensa deles \u00e9 essa\u201d, informa Simone.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A especialista acrescenta que, quando o aparelho deixa de funcionar ou o acesso \u00e9 restringido pela fam\u00edlia, o sofrimento dos idosos tende a ser maior. Nara concorda: \u201cEu n\u00e3o consigo ficar sem o telefone. Se estraga hoje, amanh\u00e3 pe\u00e7o para algu\u00e9m sair e comprar um novo pra mim. Eu n\u00e3o consigo ficar sem\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Lazer desigual<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar das semelhan\u00e7as entre indiv\u00edduos da mesma gera\u00e7\u00e3o, os mais de 32 milh\u00f5es de idosos no Brasil &#8211; conforme dados do \u00faltimo<a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-noticias\/2012-agencia-de-noticias\/noticias\/38186-censo-2022-numero-de-pessoas-com-65-anos-ou-mais-de-idade-cresceu-57-4-em-12-anos\"> censo do IBGE<\/a> &#8211; evidenciam que a terceira idade est\u00e1 longe de ser um grupo homog\u00eaneo. Simone reconhece que, ao falar sobre essa faixa et\u00e1ria, \u00e9 necess\u00e1rio levar em conta recortes sociais, como classe e escolaridade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com o estudo <a href=\"https:\/\/datareportal.com\/reports\/digital-2026-brazil\">Digital 2026: Brazil<\/a>, do DataReportal, os brasileiros passam, em m\u00e9dia, 53 horas e 30 minutos por semana em m\u00eddias digitais. Entre a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda, esse tempo tende a ser ainda mais significativo, uma vez que o acesso a outras alternativas de lazer, como a pr\u00e1tica de esportes e a participa\u00e7\u00e3o em eventos culturais, costuma ser mais limitado em compara\u00e7\u00e3o com grupos de remunera\u00e7\u00e3o elevada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Limitados ao celular como principal forma de lazer, idosos com menos recursos financeiros tamb\u00e9m podem apresentar maior resist\u00eancia em aceitar ajuda psicol\u00f3gica. Para Simone, o estigma em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 <strong>sa\u00fade mental<\/strong> j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o presente nessa faixa et\u00e1ria: \u201cInsisto em dizer que esse tabu tem mais a ver com as quest\u00f5es culturais e educacionais\u201d. A especialista argumenta: \u201cO idoso com renda e escolaridade mais baixas muitas vezes desconhece os benef\u00edcios do tratamento de sa\u00fade mental e tamb\u00e9m possui mais dificuldade para acessar os servi\u00e7os. Isso se torna um ciclo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Telas, aten\u00e7\u00e3o e decl\u00ednio<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O<strong> decl\u00ednio<\/strong> <strong>cognitivo <\/strong>em idosos \u00e9 um fen\u00f4meno natural do envelhecimento, mas diversos fatores &#8211; como gen\u00e9tica, estilo de vida e comorbidades &#8211; podem agravar esse processo. Um <a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.1177\/20552076251343989#con1\">estudo publicado pela revista Digital Health<\/a>, em 2025, indica que o uso passivo de telas pode estar entre eles. Embora o uso de tecnologias digitais possa trazer benef\u00edcios cognitivos quando envolve intera\u00e7\u00e3o, aprendizado e socializa\u00e7\u00e3o, o consumo passivo &#8211; como assistir v\u00eddeos curtos por longos per\u00edodos de tempo &#8211; est\u00e1 associado a piores resultados de mem\u00f3ria e cogni\u00e7\u00e3o global.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No consult\u00f3rio, Simone percebe reflexos desses comportamentos. Ela relata que muitos pacientes reclamam de falta de aten\u00e7\u00e3o e esquecimento. \u201cPor qu\u00ea? Porque o idoso fica t\u00e3o focado naquela quest\u00e3o do celular que ele esquece as outras coisas no entorno.\u201d Al\u00e9m da perda de mem\u00f3ria, a psic\u00f3loga tamb\u00e9m nota uma desorienta\u00e7\u00e3o nos seus pacientes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A substitui\u00e7\u00e3o de atividades cognitivamente estimulantes por horas de consumo passivo preocupa especialistas. Conversar com familiares e amigos, atividades em grupos, ler, aprender novas habilidades ou caminhar s\u00e3o pr\u00e1ticas associadas \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es cognitivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Geovana relata a afli\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia sobre a av\u00f3: \u201cEla deixa de dar uma caminhada, de comer alguma coisa nos hor\u00e1rios importantes de comer. Ela n\u00e3o aproveita de outro jeito. O jeito de aproveitar \u00e9 ficar ali vendo os v\u00eddeos curtos.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>E agora?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme o<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mdh\/pt-br\/centrais-de-conteudo\/pessoa-idosa\/estatuto-da-pessoa-idosa.pdf\/view\"> Estatuto da Pessoa Idosa<\/a> \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, da comunidade, da sociedade e do poder p\u00fablico assegurar os direitos \u00e0 dignidade, \u00e0 liberdade, \u00e0 cultura e ao lazer. Em caso de depend\u00eancia do meio digital, o apoio familiar \u00e9 fundamental para a recupera\u00e7\u00e3o do idoso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, Simone alerta que \u00e9 necess\u00e1rio refletir sobre at\u00e9 que ponto a fam\u00edlia deve interferir, por se tratar de uma pessoa l\u00facida e dona de si pr\u00f3pria. A psic\u00f3loga explica: \u201cUma das quest\u00f5es que a gente fala muito no atendimento de pessoas idosas \u00e9 a n\u00e3o infantiliza\u00e7\u00e3o. Simplesmente proibir \u00e9 uma coisa que se faz com crian\u00e7a. \u00c9 isso o que gera irrita\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia nos idosos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a especialista, a abordagem deve se basear no di\u00e1logo e na <strong>conscientiza\u00e7\u00e3o <\/strong>sobre os riscos do consumo excessivo de v\u00eddeos curtos para a sa\u00fade mental. Simone ressalta, por\u00e9m, que a quest\u00e3o n\u00e3o depende apenas da vontade da fam\u00edlia: \u201cDe novo a gente volta para aspectos sociais. O indiv\u00edduo que n\u00e3o tem uma boa condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica vai ter mais dificuldade de se inserir socialmente\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela observa que muitas fam\u00edlias incentivam o idoso a sair de casa e participar de outras atividades, mas nem sempre encontram op\u00e7\u00f5es vi\u00e1veis ou disp\u00f5em de tempo para acompanh\u00e1-lo, o que limita as possibilidades de intera\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante desse cen\u00e1rio, Simone defende que o enfrentamento do problema deve envolver tamb\u00e9m o suporte de <strong>pol\u00edticas p\u00fablicas<\/strong> e de profissionais especializados. \u201cO ideal seria a participa\u00e7\u00e3o de assistentes sociais, psic\u00f3logos e m\u00e9dicos que pudessem orientar a fam\u00edlia e a pr\u00f3pria pessoa idosa de como lidar com essa situa\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia digital \u201d, argumenta a psic\u00f3loga.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Melissa compartilha dessa perspectiva e destaca a necessidade da amplia\u00e7\u00e3o de redes de apoio e conviv\u00eancia para a terceira idade: \u201cDeveriam existir espa\u00e7os de acolhimento para que eles possam ter autonomia e entender que o celular \u00e9 uma ferramenta bacana, com muitos conte\u00fados relevantes, mas tamb\u00e9m \u00e9 poderoso e pode te levar para um outro lado, o lado do v\u00edcio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo livre, isolamento social e plataformas projetadas para prender a aten\u00e7\u00e3o s\u00e3o algumas das pe\u00e7as para entender por que idosos 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