No dia 17 de abril de 2021 foi oferecida aos professores do Curso Pré-vestibular Popular Liberato, a formação da acessibilidade educacional em tempos de pandemia. Conduziram o encontro Mariana Baierle, jornalista, mestre em Letras e consultora em audiodescrição, e José Maurício da Rosa da Silva, psicólogo e consultor em acessibilidade, ambos deficientes visuais e ativistas das causas relacionadas à Pessoa Com Deficiência (PCD).
Mariana relatou ser entusiasta sobre os assuntos relacionados à inclusão e à acessibilidade. A jornalista referiu que muitos dos problemas relacionados à falta de acessibilidade não ocorrem devido às barreiras físicas, mas sim das barreiras atitudinais, ou seja, comportamentos preconceituosos e estereótipos que produzem a discriminação e impedem o acesso aos ambientes, bem como os relacionamentos e convívio das pessoas com deficiência na sociedade. Destacou também as barreiras tecnológicas e as condições de superá-las por meio de softwares e as comparou com as barreiras humanas e comportamentais as quais, segundo ela, são tão significativas quanto às restrições ao uso de tecnologias.
José Maurício falou que quando são superadas as barreiras atitudinais e comunicacionais é possível transitar por um processo de inclusão mais equânime. Ele acredita na possibilidade de formação de uma cultura sobre acessibilidade e que encontros como esse de formação de professores são oportunidades de diálogo que contribuem nesse sentido. Os dois convidados reforçaram a ideia de que é conversando diretamente com a pessoa com deficiência, perguntando a ela quais seriam suas necessidades específicas, que se aprende como auxiliá-la, sobre como conduzi-la (caso haja dificuldade para mobilidade) ou se é preciso providenciar algum material adaptado ou ferramenta tecnológica. Isso porque cada pessoa é única e diferente, assim como as suas demandas também são, por isso frisaram que a conversa sempre é o melhor caminho. Sempre respeitando a privacidade e a intimidade das pessoas, ou seja, falando sobre sua deficiência e sobre suas demandas somente se a pessoa com deficiência se identificar como tal e se pedir algum auxílio. José Maurício salientou que a deficiência é uma característica do corpo, ou seja, faz parte da intimidade da pessoa, e ela decide falar ou não sobre sua condição. Assim como não se exige aos demais alunos falarem sobre suas características particulares, não se deve exigir à pessoa com deficiência que fale das suas.
Mariana comentou que uma via interessante é se pensar em aulas baseadas no Desenho Universal da Aprendizagem (DUA), um conceito que prevê o planejamento pedagógico voltado à aprendizagem de todos, sem exceção e sem diferenciações que muitas vezes excluem o aluno com deficiência em sala de aula. Se trataria de proporcionar um ambiente pleno voltado à aprendizagem de todos de forma inclusiva, onde a pessoa com deficiência deixa de ter sua deficiência em questão. Por exemplo, ao invés de somente o aluno cego ter sua prova traduzida em Braille, todos na turma aprenderiam esse sistema de escrita com pontos em relevo e poderiam se comunicar também nesse formato.
Mariana contou sobre alguns preconceitos que a pessoa com baixa visão sofre no seu dia a dia, por possuir certa independência. Relatou que algumas vezes é abordada como sendo mentirosa ou estar fingindo ter deficiência, por conseguir ver um pouco. Relatou que a pessoa com baixa visão causa muito estranhamento do senso comum e é alvo de piadas e ironias, porque localiza-se no que ela define como zona de limbo do ponto de vista da inclusão. Nesse sentido, os convidados explicaram que existe um movimento voltado à utilização de bengalas de cores diferentes, conforme o grau de deficiência visual. A Bengala Branca sinaliza a pessoa cega, perda total da visão; Bengala Verde sinaliza pessoas com baixa visão, não são cegas, apenas enxergam com maior dificuldade, possui visão parcial; Bengala Branca e Vermelha sinaliza as pessoas que são surdas e cegas.
José Maurício comentou sobre a questão do uso de imagens em sala de aula e como é importante torná-las mais acessíveis aos deficientes visuais. Comentou sobre o uso das hashtags #ParaCegoVer e #ParaTodosVerem, as quais são colocadas antes da audiodescrição de imagens, que mais do que permitir que cegos ou pessoas com baixa visão saibam do que se trata a imagem em questão, representam um movimento voltado à promoção da reflexão sobre o tema. Mariana complementou explicando sobre o conceito de audiodescrição e sua importância. Por fim, os dois convidados destacaram a importância de o professor buscar promover uma educação mais inclusiva e que o Desenho Universal da Aprendizagem pode ser uma ótima via para isso, porque considera a diversidade presente na turma. Mariana finalizou dizendo que é preciso construir rampas na mente das pessoas.

