O esporte carrega em seu sentido a união, uma forma de agregar pessoas e diferentes culturas. Um ambiente pensado dentro de uma perspectiva acessível, diversa e inclusiva. O futebol insere-se nesse contexto. Contudo, é um ambiente que não está livre de preconceitos estruturais. O machismo é um deles, que prevaleceu por muitos anos fazendo com que as mulheres acreditassem que não podiam viver sua participação no futebol com a mesma intensidade que os homens. A tentativa de exclusão, o apagamento histórico e as barreiras enfrentadas por elas ao longo dos últimos anos estão alicerçadas nessa visão machista. Um exemplo é a luta pela visibilidade do futebol feminino.
Boa parte dos debates, produções historiográficas e bibliográficas que reconstitui a história social do futebol foi realizada sob a perspectiva dos homens, num universo eminentemente masculino. Atualmente, ainda podemos dizer que o futebol é uma das modalidades que mais resistiu, e ainda resiste, ao ingresso de mulheres como jogadoras, torcedoras, profissionais no comando técnico, gestoras e demais cargos e posições que envolvam visibilidade, decisão, liderança e poder. Elas podem ter a mesma formação técnica e intelectual para ocuparem as posições dentro de um Clube de futebol, mas essa inserção é atravessada por uma naturalização que vai além de um espaço apenas esportivo, mas, sobretudo, sociocultural, com valores nele embutidos e dele derivados, que estabelecem limites e a consequente manutenção da ordem tão presente atual.
Buscando debater essas e outras questões, teremos o quinto encontro do Ciclo de Debates “Esporte e Opressões”, tendo machismo como tema. O evento será transmitido ao vivo, dia 13 de setembro, às 19h, pelo canal do DEDS-UFRGS no Youtube, no link: https://youtu.be/RW9fAuFSvjc (clique no link para ativar o lembrete!).
Estarão no debate Aira Bonfim, mestra em História e pesquisadora sobre a iniciação das brasileiras no futebol no início do século XX; Janaina Pinto, Historiadora e vice-presidenta da Força Feminina Colorada; Victória Maciel Farias, estudante de Administração Pública e Social (UFRGS), torcedora antifascista do Grêmio e integrante do Elis Vive; Gustavo Andrada Bandeira, doutor em Educação (UFRGS) e autor do livro Uma história do torcer no presente: elitização, racismo e heterossexismo no currículo de masculinidades dos torcedores de futebol.
O Ciclo é uma parceria do Nuances – Grupo pela Livre Expressão Sexual, Departamento de Educação e Desenvolvimento Social (DEDS/UFRGS) e Museu da UFRGS, com apoio de torcedores e torcedoras que lutam pelo respeito e o acolhimento da diversidade no meio esportivo, principalmente, do futebol.


