{"id":1146,"date":"2021-05-17T21:59:00","date_gmt":"2021-05-18T00:59:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/wp-deds\/?p=1146"},"modified":"2022-02-23T22:00:49","modified_gmt":"2022-02-24T01:00:49","slug":"formacao-para-educadores-do-cpvpl-acessibilidade-educacional-em-tempos-de-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/deds\/formacao-para-educadores-do-cpvpl-acessibilidade-educacional-em-tempos-de-pandemia\/","title":{"rendered":"Forma\u00e7\u00e3o para educadores do CPVPL: acessibilidade educacional em tempos de pandemia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No dia 17 de abril de 2021 foi oferecida aos professores do Curso Pr\u00e9-vestibular Popular Liberato,&nbsp; a forma\u00e7\u00e3o da acessibilidade educacional em tempos de pandemia. Conduziram o encontro Mariana Baierle, jornalista, mestre em Letras e consultora em audiodescri\u00e7\u00e3o, e Jos\u00e9 Maur\u00edcio da Rosa da Silva, psic\u00f3logo e consultor em acessibilidade, ambos deficientes visuais e ativistas das causas relacionadas \u00e0 Pessoa Com Defici\u00eancia (PCD).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mariana relatou ser entusiasta sobre os assuntos relacionados \u00e0 inclus\u00e3o e \u00e0 acessibilidade. A jornalista referiu que muitos dos problemas relacionados \u00e0 falta de acessibilidade n\u00e3o ocorrem devido \u00e0s barreiras f\u00edsicas, mas sim das barreiras atitudinais, ou seja, comportamentos preconceituosos e estere\u00f3tipos que produzem a discrimina\u00e7\u00e3o e impedem o acesso aos ambientes, bem como os relacionamentos e conv\u00edvio das pessoas com defici\u00eancia na sociedade.&nbsp; Destacou tamb\u00e9m as barreiras tecnol\u00f3gicas e as condi\u00e7\u00f5es de super\u00e1-las por meio de softwares e as comparou com as barreiras humanas e comportamentais as quais, segundo ela, s\u00e3o t\u00e3o significativas quanto \u00e0s restri\u00e7\u00f5es ao uso de tecnologias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jos\u00e9 Maur\u00edcio falou que quando s\u00e3o superadas as barreiras atitudinais e comunicacionais \u00e9 poss\u00edvel transitar por um processo de inclus\u00e3o mais equ\u00e2nime. Ele acredita na possibilidade de forma\u00e7\u00e3o de uma cultura sobre acessibilidade e que encontros como esse de forma\u00e7\u00e3o de professores s\u00e3o oportunidades de di\u00e1logo que contribuem nesse sentido. Os dois convidados refor\u00e7aram a ideia de que \u00e9 conversando diretamente com a pessoa com defici\u00eancia, perguntando a ela quais seriam suas necessidades espec\u00edficas, que se aprende como auxili\u00e1-la, sobre como conduzi-la (caso haja dificuldade para mobilidade) ou se \u00e9 preciso providenciar algum material adaptado ou ferramenta tecnol\u00f3gica. Isso porque cada pessoa \u00e9 \u00fanica e diferente, assim como as suas demandas tamb\u00e9m s\u00e3o, por isso frisaram que a conversa sempre \u00e9 o melhor caminho. Sempre respeitando a privacidade e a intimidade das pessoas, ou seja, falando sobre sua defici\u00eancia e sobre suas demandas somente se a pessoa com defici\u00eancia se identificar como tal e se pedir algum aux\u00edlio. Jos\u00e9 Maur\u00edcio salientou que a defici\u00eancia \u00e9 uma caracter\u00edstica do corpo, ou seja, faz parte da intimidade da pessoa, e ela decide falar ou n\u00e3o sobre sua condi\u00e7\u00e3o. Assim como n\u00e3o se exige aos demais alunos falarem sobre suas caracter\u00edsticas particulares, n\u00e3o se deve exigir \u00e0 pessoa com defici\u00eancia que fale das suas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mariana comentou que uma via interessante \u00e9 se pensar em aulas baseadas no Desenho Universal da Aprendizagem (DUA), um conceito que prev\u00ea o planejamento pedag\u00f3gico voltado \u00e0 aprendizagem de todos, sem exce\u00e7\u00e3o e sem diferencia\u00e7\u00f5es que muitas vezes excluem o aluno com defici\u00eancia em sala de aula. Se trataria de proporcionar um ambiente pleno voltado \u00e0 aprendizagem de todos de forma inclusiva, onde a pessoa com defici\u00eancia deixa de ter sua defici\u00eancia em quest\u00e3o. Por exemplo, ao inv\u00e9s de somente o aluno cego ter sua prova traduzida em Braille, todos na turma aprenderiam esse sistema de escrita com pontos em relevo e poderiam se comunicar tamb\u00e9m nesse formato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mariana contou sobre alguns preconceitos que a pessoa com baixa vis\u00e3o sofre no seu dia a dia, por possuir certa independ\u00eancia. Relatou que algumas vezes \u00e9 abordada como sendo mentirosa ou estar fingindo ter defici\u00eancia, por conseguir ver um pouco. Relatou que a pessoa com baixa vis\u00e3o causa muito estranhamento do senso comum e \u00e9 alvo de piadas e ironias, porque localiza-se no que ela define como zona de limbo do ponto de vista da inclus\u00e3o. Nesse sentido, os convidados explicaram que existe um movimento voltado \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de bengalas de cores diferentes, conforme o grau de defici\u00eancia visual. A Bengala Branca sinaliza a pessoa cega, perda total da vis\u00e3o; Bengala Verde sinaliza pessoas com baixa vis\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o cegas, apenas enxergam com maior dificuldade, possui vis\u00e3o parcial; Bengala Branca e Vermelha sinaliza as pessoas que s\u00e3o surdas e cegas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jos\u00e9 Maur\u00edcio comentou sobre a quest\u00e3o do uso de imagens em sala de aula e como \u00e9 importante torn\u00e1-las mais acess\u00edveis aos deficientes visuais. Comentou sobre o uso das hashtags #ParaCegoVer e #ParaTodosVerem, as quais s\u00e3o colocadas antes da audiodescri\u00e7\u00e3o de imagens, que mais do que permitir que cegos ou pessoas com baixa vis\u00e3o saibam do que se trata a imagem em quest\u00e3o, representam um movimento voltado \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da reflex\u00e3o sobre o tema. Mariana complementou explicando sobre o conceito de audiodescri\u00e7\u00e3o e sua import\u00e2ncia. Por fim, os dois convidados destacaram a import\u00e2ncia de o professor buscar promover uma educa\u00e7\u00e3o mais inclusiva e que o Desenho Universal da Aprendizagem pode ser uma \u00f3tima via para isso, porque considera a diversidade presente na turma. Mariana finalizou dizendo que \u00e9 preciso construir rampas na mente das pessoas.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 17 de abril de 2021 foi oferecida aos professores do Curso Pr&eacute;-vestibular Popular Liberato,&nbsp; a forma&ccedil;&atilde;o da acessibilidade educacional em tempos de pandemia. 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