A sensibilização do olhar através do método fotográfico pinhole é tema de oficina no Centro Cultural

 

O projeto Poéticas Urbanas e Artivismo dá continuidade à sua programação no Centro Cultural da UFRGS com a oficina Sensibilização do Olhar, ministrada por Leandro Anton, nos dias 8 e 9 de julho, das 14h às 18h. Durante o encontro, o fotógrafo e educador popular apresenta o processo fotográfico pinhole como um dispositivo pedagógico e artístico, além de compartilhar sua experiência com esse trabalho que desenvolve desde 2009 no Quilombo do Sopapo.

A escolha das câmeras pinhole tem como finalidade aproximar os participantes da fotografia em um tempo lento, para estimular a percepção da espacialidade a partir do olho, e não da tela, como é recorrente na tecnologia digital. “Na verdade, é um processo de aproximação e sensibilização para a fotografia, se valendo de tecnologias analógicas rudimentares. Não é uma apologia a uma fotografia analógica em detrimento da digital, absolutamente. É estabelecer um diálogo, partindo de um processo mais lúdico e de processos que te permitam um tempo mais lento, de diálogo”, explica Leandro Anton, em conversa com a equipe do Departamento de Difusão Cultural da UFRGS.

Na atividade proposta pelo fotógrafo, os participantes poderão experimentar as câmeras que utilizam como filme a chapa de raio-x, no caso da lata, e o filme 35mm, no caso das caixas de fósforo, por meio de registros de espaços do Centro Cultural da UFRGS. “Vai ser para experimentar esse caminhar, um processo silencioso e, ao mesmo tempo, de relação de diálogo com as escolhas, os espaços e o uso da técnica. Isso vai ficar como um registro ou até mesmo poderá funcionar como uma espécie de exposição virtual oriunda do resultado das fotografias no Centro Cultural”, reforça Anton.

O fotógrafo explica que o público não poderá ver o resultado da oficina no mesmo dia, já que não será possível instalar o laboratório no mesmo local. Por isso, estende o convite aos que quiserem acompanhar o processo no Quilombo do Sopapo, para onde ele levará as latas e caixas de fósforo e realizará o processo fotográfico em laboratório.

O trabalho de Leandro Anton com a fotografia pinhole vai além do encontro de 8 de junho. Há dez anos, o Quilombo do Sopapo desenvolve a fotografia como memória social e processo de territorialização no bairro. Neste período, a comunidade constituiu o coletivo fotográfico Imagens Faladas, focado principalmente no público jovem, do qual o fotógrafo é fundador e um dos educadores participantes.

Neste sentido, a ideia da oficina de Sensibilização do Olhar é fazer um intercâmbio entre o Centro Cultural e o Quilombo do Sopapo, por meio da experiência do fotógrafo desenvolvida nos últimos anos naquela comunidade. Para isso, a fotografia servirá como um ato político e [como uma] ferramenta para a valorização do pensamento crítico. Segundo Anton, “a ideia é ter a fotografia como um método de ativismo e de construção poética com o meio urbano. […] A oficina Sensibilização do Olhar busca contribuir com uma reflexão crítica e com o potencial fundamental que a imagem tem para se comunicar também textualmente”.

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