Celso Loureiro Chaves debate a importância da sistematização das políticas culturais no próximo Conferências

Professor do Instituto de Artes da UFRGS, compositor, pianista e integrante do grupo fundador do Unimúsica, Celso Loureiro Chaves é o próximo palestrante do Conferências UFRGS. O encontro acontece na quarta-feira, 28 de agosto, às 19h, na Sala Ipê do Centro Cultural da UFRGS. O evento é gratuito, porém é necessário realizar a inscrição por meio do formulário online.

Em conversa com a equipe do DDC-UFRGS, Celso contou qual recorte sobre políticas culturais realizará na conferência, lembrou da importância – para a universidade e para ele – do Unimúsica e refletiu sobre o papel do fazer cultural dentro da UFRGS. Confira:

DDC-UFRGS- O que o senhor abordará na conferência de 28 de agosto? O que o público presente pode esperar do encontro?

Celso Loureiro Chaves- A conferência vai ter duas partes – não necessariamente simétricas. A primeira é uma parte descritiva, ou seja, vou descrever coisas que eu experimentei aqui dentro [da universidade], coisas nas quais eu trabalhei, das quais eu propus. Na segunda parte, vou propor o que seria, na minha opinião, o caminho para uma política cultural da UFRGS em música.

DDC-UFRGS- Nessa primeira parte, o senhor pensa em falar sobre o seu envolvimento na criação do Unimúsica? É possível traçar um paralelo entre o projeto em seu início e o projeto agora, na sua 38ª edição?

C.L.C- Certamente. O Unimúsica, na minha visão, tem dois momentos. O primeiro é de exposição, quando ele era visto mais como uma mostra de diferentes trabalhos. O projeto era ou semanal ou mensal. Mas ainda assim somente uma amostra. A partir de um certo momento, o Unimúsica passou a ter o que chamo de curadoria, então ele passa a ser um projeto curatorial. Eu creio que é aí que ele assume o seu caráter plenamente universitário, no sentido de ser um projeto com uma curadoria e que, a cada edição, se propõe a cumprir um objetivo estabelecido. Fica muito claro para quem está assistindo qual é o sentido do Unimúsica naquele ano. Então, eu vejo esses dois momentos: o de amostragem e o curatorial. Evidentemente que, mesmo eu tendo sido um dos fundadores do projeto, eu gosto muito da forma como o Unimúsica se tornou adulto.

DDC-UFRGS- Tem alguma edição do Unimúsica que foi mais emocionante para você?

C.L.C- Tem duas. Uma é o Unimúsica nº 100[i], há mais de trinta anos. Foi um Unimúsica que nós tivemos o Nei Lisboa com uma orquestra e, naquela época, não era comum fazer essa junção de música urbana com música de orquestra. Não era nada comum! Então, essa foi uma edição que me marcou. Já a outra edição foi quando eu estive no palco, há cinco anos. Eu e a Mirna Spritzer [professora do Instituto de Artes da UFRGS] tocamos músicas de concerto de compositores do início do século XX de Porto Alegre, junto com a poesia dos poetas modernistas daquela época. Modestamente, acho que foi muito bonito. Modesto no melhor sentido, em que havia somente duas pessoas no palco tocando piano. Ficou muito bonito e foi muito tocante para mim.

DDC-UFRGS- Professor, qual é a importância da universidade ter uma política cultural estabelecida e um setor específico para cuidar do fazer cultural?

C.L.C- Eu diria que é impossível fazer uma política cultural e qualquer manifestação de cultura e de arte sem um setor ou equipamento específicos. Então, é claro que essa política cultural pode ser pensada e desenhada a partir do setor que se ocupa disso, inclusive do pensar desta política cultural. Sem isso, é um bate cabeça. Se faz – e se fez – mas, talvez, como vai ficar claro na conferência, são coisas muito pontuais, porém não são sistemáticas. Esse que é o problema.

DDC-UFRGS- A música tem esse lugar de aproximação entre comunidade e universidade. De alguma forma, os jovens são também responsáveis por construir essa ponte, a partir da vontade e do entusiasmo de criar, fazer diferente, desenvolver e produzir cultura. Então, o que o senhor observa dessa geração quanto ao que os alunos vêm trazendo para a sala de aula?

C.L.C- Nós tivemos um momento fundamental dentro do Departamento de Música que foi a criação do curso de música popular. Evidentemente que hoje nós temos – aliás, como sempre tivemos – muita participação destes alunos tocando no Unimúsica. Também temos a participação dos três departamentos do Instituto de Artes em iniciativas culturais [Departamento de Artes Dramáticas, Departamento de Música e Departamento de Artes Visuais]. Essa é uma diferença importante em relação a anos anteriores. Nós temos essa inserção e participação. Não que não tivesse antes, mas, de novo, essa participação se tornou sistemática.


[i] O Unimúsica, em seu início, tratava cada concerto com um número, de maneira esporádica, sem um calendário fixo. Hoje em dia, as séries são anuais.

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