Uma homenagem ao cinema feito com o olhar para os detalhes. Sem grandes produções ou vultosas somas para gastar. A mostra online CineMacaRio exalta o arguto trabalho do cineasta carioca Macario neste ciclo que demonstra a beleza negra e exibe o cotidiano da simplicidade e dos choques entre classes.

Com filmes disponibilizados gratuitamente entre os dias 4 e 15 de novembro, o CineMacaRio tem nove curtas realizados entre 2015 e 2020. Com uma câmera na mão e boas ideias, a Sala Redenção exibe parte da já envolvente obra do jovem – porém experiente – cineasta de 30 anos. Confira a programação abaixo.

CINEMACARIO

4 a 15 de novembro

O que você pensa sobre cinema? Como se faz? É fácil ou é difícil? Existem no Brasil um número enorme de produções audiovisuais, não é de hoje, desde os clássicos do Cinema Novo, como Glauber Rocha, que deu voz e vida para as histórias fundadoras da nossa cultura, até o tardiamente reconhecido Zózimo Bulbul, que com uma produção reduzida ao mínimo conseguiu jogar luz nas questões raciais que permeiam tanto o meio cinematográfico quanto a sociedade em que vivemos. Até os mais esclarecidos intelectuais, muitos deles de uma classe social burguesa, são atingidos pelo choque dessas produções ditas precárias. Estou falando de cinema feito sem grandes e pomposas produções, sem inúmeros assistentes, sem grandes estaleiros sendo alugados, sem inúmeros aparatos tecnológicos.

Um cinema feito com vontade, amor e acima de tudo dedicação. Sem muito apego a preciosismos, mas com muito cuidado, um cinema sobre o que acontece na vida, nada parecido com aquele clássico comercial de margarina que passa nesse país tropical e que só é estrelado por pessoas brancas, ricas, de olhos azuis, como o que acontece na televisão. Cinema que tem cor e vibração, um cinema que mostra coragem e raiz. Uma das últimas mostras de um ano repleto de ciclos online que discutiram as diferentes potências e limitações dos cinemas do nosso tempo, o CineMacaRio mostra que a produção audiovisual pode ser executada multiplamente, dentro de todas as realidades e possibilidades, o conceito de uma câmera na mão e uma ideia na cabeça da forma mais íntegra possível.

O diretor carioca, Macário, mostra para o público da Sala Redenção um pouco da sua visão e vivência nos seus filmes. Macário tem 30 anos. Iniciou sua carreira profissional aos 15 anos na rede de cinema Cinemark como menor aprendiz. Aos 18, foi para a Europa, onde viajou por cinco anos pelos países do Mar Mediterrâneo, tais como, Itália, Turquia, Grécia, Espanha e França. Estudou ‘Fotografia para Cinema’ e ‘História da Arte’ na França. Com 23 anos, quando regressou ao Brasil, estudou nas escolas Darcy Ribeiro, PUC e Centro Afro Carioca de Cinema. Diretor de mais de dez filmes de diferentes linguagens, sua obra abarca a representatividade negra, vídeo-dança, documentários e vídeo-arte.

Macário também é produtor da página “Viagem em Preto e Branco“, a qual também assume direção e edição de vídeos e fotografias. A página está relacionada a cultura afro brasileira contemporânea no Rio de Janeiro e Salvador. É apresentador e curador do CineMacaRio, que além de programa online, é também o cineclube onde exibe sua filmografia, filmes africanos e da nova geração do Cinema do Possível.

por Nicolas Collar, bolsista da Sala Redenção e curador da mostra

PROGRAMAÇÃO

SANKOFA
(dir. Macário | Brasil | 2015 | 38 min)

O documentário apresenta algumas manifestações culturais afro-brasileiras do Rio de Janeiro à partir do olhar de um jovem negro. Enfoca seu trabalho fotográfico incluindo depoimentos e imagens de grupos de Samba, Jongo, Coco, Maracatu, Capoeira, Dança Afro, Artes Plásticas, Teatro, Música, dentre outros segmentos. Tem como objetivo facilitar o acesso global à informação com o intuito de disseminar cultura e arte. Resgatar valores da ancestralidade de um povo. 

Assista: https://www.youtube.com/watch?v=MpHvd9jLVYA&feature=youtu.be

AFOKNAS
(dir. Macário, Hud Figueiredo | Brasil | 2016 | 5 min)

No futuro, a população negra do planeta Terra é obrigada a fazer uma viagem planetária e chega no planeta AFOKNAS. Anos depois da ocupação, um jovem volta ao tempo e chega na Terra em busca de respostas para salvar seu povo no novo planeta. 

Assista: https://www.youtube.com/watch?v=udu2ZAHdiDE&feature=youtu.be

UMZIMBA
(dir. Macário, Larissa Melo | Brasil | 2016 | 5 min)

O corpo pelo corpo, até o corpo, para o corpo. Um mapeamento do corpo em busca de trazer um olhar corpóreo permeado pela sensibilidade de ancestralidade, sagrado e profano.

Assista: https://www.youtube.com/watch?v=fJRyNYqd-JU&feature=youtu.be

DOCES SONHOS
(dir. Macário, Arthur Pereira | Brasil | 2017 | 20 min)

Abandonando a posição de objeto para (re)tomar o seu lugar de locutor-narrador de sua própria vivência, o documentário aborda a relação de mãe e filho e as dificuldades de subsistência de famílias pretas periféricas geográfica ou socialmente.

Assista: https://www.youtube.com/watch?v=FUwJWbXePJo&feature=youtu.be

DESAMOR
(dir. Macário | Brasil | 2018 | 5 min)

Abandonando a posição de objeto para (re)tomar o seu lugar de locutor-narrador de sua própria vivência, o documentário aborda a relação de mãe e filho e as dificuldades de subsistência de famílias pretas periféricas geográfica ou socialmente. 

Assista: https://www.youtube.com/watch?v=vogW-9RApqc&feature=youtu.be

PEQUENA ÁFRICA
(dir. Macário, Arthur Pereira | Brasil | 2018 | 7 min)

Em 1830, por preponderância da Inglaterra, surge a conhecida “Lei Para Inglês Ver” da qual inutilmente proíbe o tráfico negreiro em um país que se considera independente. Em 1845 os navios começam a ser multados, mas ainda assim, o tráfico só é extinto em 1850. A perda e retirada de seus laços afetivos após serem transportados e atracados em dor, molda uma nova relação de afeto e zelo pós travessia do Atlântico, ancorando aqui uma nova forma de viver, criar e pensar uma Pequena África.

Assista: https://www.youtube.com/watch?v=pFdzuhO8CLw&feature=youtu.be

CORPO PRETO, MOVIMENTO
(dir. Macário, Eliete Miranda | Brasil | 2020 | 12 min)

Antes mesmo de discutir o corpo, a relação entre o corpo negro e o movimento se dá desde que fomos gerados como patrimônio da genética. A partir dessa observação, descobrimos que somos negros. Ao longo de nossas vidas somos constantemente confrontados com preconceito, racismo e falta de amor. O ‘Corpo Preto, Movimento’ é uma prática que tem se fortalecido pela Identidade, Movimento e Resistência, trazendo o corpo como código, experiência e criação de diálogos e reflexão.

Assista: https://www.youtube.com/watch?v=uWsONbAAAs4

ÁGUAS CLARAS
(dir. Macário, Ricardo Boa Sorte | Brasil | 2020 | 7 min)

Ela representa o Rio e a Beleza. Certo dia ela se apaixona pela Floresta. Um príncipe nasce desse relacionamento. Ela consulta o Ifá para descobrir seu destino. E descobre que seu filho corre perigo.

Assista: https://www.youtube.com/watch?v=eXbGQNwHinc&t=13s

QUARENTENA NOIR
(dir. Macário | Brasil | 2020 | 10 min)

Retrata os surtos de Macário durante a Quarentena causada pelo Corona Vírus. O filme é cheio de suspense e adrenalina com elementos da técnica Noir, expressão francesa atribuída a um subgênero do cinema policial, influenciado pelo expressionismo alemão, que teve seu auge nos Estados Unidos entre os anos 30 e 50.

Assista: https://www.youtube.com/watch?v=PDmhMWmn27o&t=315s

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