COISAS ESSENCIAIS

DA VIDA

A frase ‘coisas essenciais da vida’, mote da Série Depoimentos desenvolvida pelo Departamento de Difusão Cultural em 2002 e 2003, foi inspirada na obra Walden, do escritor americano Henry Thoreau, publicada em 1854.

Nesse texto, o autor conta como viveu isolado durante dois anos. Ao deixar a cidade afastando-se do convívio social, Thoreau buscava, antes de mais nada, uma radical reflexão sobre o sentido de viver bem a vida. Naquele momento, marcado por uma rápida urbanização e industrialização, em que a tensão entre os confortos e os desconfortos do mundo moderno começava a surgir, Thoreau questionava a ideia de que uma vida bem vivida é sinônimo de acúmulo excessivo de bens materiais.

A partir da obra de Henry Thoreau, concebemos o projeto ‘coisas essenciais da vida’, que tinha como proposta central o questionamento sobre o que pode ser considerado essencial na vida de hoje, marcada não só pelo excesso – e pelo desperdício – de tudo que é palpável, como alimentos e objetos, mas também pelo excesso de estímulos e informações. O consumo exacerbado, de um lado, e uma aguda carência, de outro, perceptível também no que se refere aos bens culturais, às produções simbólicas, tornava fundamental a possibilidade de um pensamento plural sobre o estado das coisas no mundo contemporâneo.

Artistas e pensadores das mais diferentes áreas foram convidados a dar o seu testemunho sobre o tema em encontros mensais em diferentes espaços da universidade. Participaram da Série Depoimentos: ‘coisas essenciais da vida’ o cineasta Beto Brant, cujo depoimento esteve associado à pré-estreia de seu último filme, O Invasor; o filósofo Nelson Brissac, criador do Arte/Cidade; o pesquisador e professor da ECA-USP, Teixeira Coelho; as artistas plásticas Elida Tessler e Maria Lucia Cattani; o psicanalista Contardo Calligaris; o jornalista Ruy Carlos Ostermann; e o escritor Armindo Trevisan. Em 2003, ano em que a programação voltou-se para a produção realizada por mulheres, participaram a cantora Elza Soares (acompanhada pelo compositor e professor e ensaísta Zé Miguel Wisnik), a poeta Alice Ruiz (acompanhada pela compositora Alzira Espíndola), as cineastas Liliana Sulzbach e Ana Luiza Azevedo, a filósofa Olgária Matos, a psicanalista Maria Rita Kehl e a diretora teatral Maria Helena Lopes.

Hoje, passados mais de quinze anos, o tema continua atual e urgente. Por isso, neste contexto de pandemia, relançamos o projeto através de nova campanha e novas ações – todas online.

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