Com bom humor, Monja Coen oferece lições sobre aspectos da vida e rebate preconceitos

Em meio ao séquito de admiradores, monges (e aspirantes a tal) e da equipe de produção de sua palestra, a Monja Coen Röshi, uma das principais lideranças do zen-budismo no Brasil, chegou aos bastidores do Salão de Atos com a serenidade e o bom humor conquistado em 36 anos de estudos profundos de meditação e filosofia zen. Com uma pontualidade oriental, a sensei Röshi começou a sua fala com um exercício de respiração coletiva com o público que lotou as dependências do Salão de Atos da UFRGS neste domingo, 6 de outubro, às 16h30. 

Em meio ao exercício, a monja descreveu a importância da inspiração e da expiração para a qualidade de vida, assim como da postura e da necessidade de firmar os pés, sentindo o ambiente a volta com os olhos entreabertos. O silêncio se fez presente no auditório. “Podemos ouvir o silêncio, não é mesmo?”, indagou a monja, trazida a UFRGS através de uma parceria entre o Sesc-RS e o Departamento de Difusão Cultural da UFRGS. 

Ex-jornalista e com um espírito agudo de crítica social, a Monja discutiu os problemas do preconceito ao comentar uma história de uma sala de aula nos Estados Unidos, onde uma professora fez uma experiência curiosa para demonstrar o racismo, inclusive nos mais jovens. “Essa professora colocou todos os alunos brancos de olhos claros no centro da sala e os demais sentados ao redor deles. Ela perguntou aos caucasianos: ‘vocês não prefeririam ser negros de olhos escuros?’. Uma das alunas ficou irritada e rebateu dizendo que não e que aquilo era um absurdo. Tentou sair da sala. A professora a questionou: ‘se você quiser, pode sair da sala, mas você sabia que as pessoas que nasceram diferentes de você não podem sair da própria pele?'”.

As ideias progressistas da líder do zen-budismo no Brasil seguiram com críticas à sociedade patriarcal. Alguns homens, segundo ela, ainda não entenderam o seu papel na sociedade moderna, em meio a tantas mudanças do papel da mulher. “Hoje, a mulher trabalha, estuda, chega tarde e não tem tempo. A mulher virou dona de si mesma”, afirmou. Conforme a Monja Coen, esse tipo de mudança – brusca, para alguns – causa desconforto nos relacionamentos e na tentativa de certos homens de manterem os antigos atributos de provedores do lar com reações agressivas. Um exemplo disso seria o fato de haver tanta violência doméstica por alguns não aceitarem o rompimento de seus relacionamentos. Para Röshi, a pessoa deve aceitar a felicidade da companheira se a ama de verdade, e emendou: “não é necessário ficar desesperado porque a parceira escolheu outro, pois a fila anda”, provocando gargalhadas da plateia. 

A monja discutiu ainda problemas como a depressão, ansiedade e a morte. Comentou histórias de sua passagem de 12 anos pelo Japão, onde estudou em um mosteiro. Ao final, agradeceu ao público presente com a saudação zen-budista Gassho. Por uma hora, cerca de 1100 pessoas saíram mais serenas do espaço e felizes com o bom humor demonstrado por essa figura que já conheceu algumas das mais importantes personalidades do Brasil e do mundo. A palestra celebrou os 20 anos do Salão de Extensão da UFRGS. 

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