Diante da impossibilidade de tomar o campus central da Universidade com uma maratona de atividades culturais em meio à pandemia de COVID-19, o Dia da Cultura leva quinze horas de programação até a casa das pessoas. A ação anual, realizada pelo Departamento de Difusão Cultural (DDC) da Pró-Reitoria de Extensão (PROREXT) da UFRGS, ganhará uma edição virtual no dia 27 de fevereiro, sábado, a partir das 10h, com transmissão pelo YouTube do DDC.

Conheça abaixo a programação de Dança do Dia da Cultura 2021!

A partir das 10h do dia 27 de fevereiro, acompanhe as 15 horas de programação do Dia da Cultura 2021 no canal do YouTube do DDC-UFRGS!

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PROGRAMAÇÃO

 

Coisas Essenciais da Vida, com Eva Schul

A frase “coisas essenciais da vida”, mote da Série Depoimentos desenvolvida pelo Departamento de Difusão Cultural (DDC) em 2002 e 2003, foi inspirada na obra “Walden”, do escritor americano Henry Thoreau, publicada em 1854. Nela o autor conta que viveu isolado durante dois anos, buscando uma radical reflexão sobre o sentido de viver bem a vida. Em meio à pandemia de COVID-19, o DDC retoma esse questionamento sobre o que pode ser considerado essencial na vida de hoje, marcada não só pelo excesso – e pelo desperdício – de tudo que é palpável, como alimentos e objetos, mas também pelo excesso de estímulos e informações. Nesta edição especial para o Dia da Cultura, a bailarina e professora da UFRGS Luciana Paludo conversa sobre o tema, por videoconferência, com a bailarina e coreógrafa Eva Schul. 

Solitude, com Luciana Paludo

“Solitude” é uma coreografia de Eva Schul, criada no final dos anos 1980, quando ela residia em Curitiba. Foi dançada pela bailarina Débora de Lara. Na ocasião, Luciana Paludo cursava sua graduação em Dança e assistiu à performance na plateia do Teatro Guaíra. Em 1995 Luciana entrou em contato com Eva e adquiriu a coreografia para sua então aluna Isabel Bebel Ferreira dançar. Ajudou a remontar e ensaiar. Bebel se mudou para Salvador, para fazer graduação em Dança na Ufba; dançou na companhia de dança do Teatro Villa Velha e no Teatro Castro Alves. 

Em 2010, Mônica Dantas propôs o projeto “Dar carne à memória” e convidou Luciana Paludo para dançar a coreografia. Para a remontagem, além da direção da Eva, Bebel Ferreira ajudou a recuperar o “espírito” da obra. Luciana estreou “Solitude” naquele ano e, desde então, de tempo em tempo, traz de volta em seu corpo.

“Solitude” tem inspiração num poema de Pablo Neruda: “Uma gota de neve chora e chora à minha porta mostrando o seu vestido claro e desatado de pequeno cometa que me procura e soluça”. A música de Eric Satie complementa a ideia do trabalho.

Cenas Mínimas apresenta P E Ç A, com Rita Lendê

[Recomendação etária: 16 anos. Exibição às 20h30, através de link a ser divulgado no chat da transmissão do Dia da Cultura no YouTube do DDC-UFRGS.]

Rita Rosa, artista negra Sul/Brasileira, propõe ao público uma maneira abstrata de entendimento sem tradução posterior ao que se percebe em cena. P E Ç A é sobre o corpo com cor, o corpo humano e a/na arte contemporânea. Performance que questiona a expectativa cultural lançada sobre o corpo da mulher negra em estado artístico poético. P E Ç A divide o corpo em pedaços, como um corpo mutilado socialmente pela estrutura do racismo, do machismo e da misoginia. P E Ç A traz uma corporeidade dividida em partes, reiterando a possibilidade única de uma marginalização e de um discurso de dor, P E Ç A evoca a subjetividade e a liberdade do corpo de uma mulher negra, que só quer ser/viver sua cor e sua liberdade de ser o que quiser ser de maneira literal.
P E Ç A questiona “será que essa possibilidade existe”?

Partituras VooDoo, com Luciano Tavares

Partituras Voodoo é uma inspiração poética-performática baseada na cultura Voodoo de OUIDAH, Benin/África. Voodoo são os quatro elementos da natureza, terra, fogo, água e vento, em que se se compreende e se respeita seus princípios fundamentais, para isso, a releitura dessa ancestralidade africana é trazida a um corpo negro brasileiro disapórico. O acesso a uma memória corporal ancestral. O solo propõe um passeio pelos símbolos imagéticos daquele ritual, onde os sons dos tambores intermitentes, cantos, vozes fazem um pano de fundo para as partituras de movimentos.

VazioViraVesso, com Ballet da UFRGS

O Ballet da UFRGS apresenta “VazioViraVesso”, uma videodança realizada a partir das percepções e experiências das e dos artistas participantes desse projeto, refletindo as angústias e agonias compartilhadas neste contexto pandêmico.

A obra convida a leitura da realidade de cada artista que se envolveu e foi envolvido pelo processo e intui a chance de um confrontamento e confluência das experiências e da diversidade de cada individualidade que inevitavelmente é afetada pela realidade do instante vigente instaurado.

Frequentamos os espaços, os espaços nos frequentam. Nos construímos a partir das trocas e do afeto, pela necessidade intrínseca do outro. 

Entrelaçamo-nos entre linhas virtuais para tecer um diálogo coletivo com a comunidade sobre o(s) vazio(s) latente(s), sobre aquilo que existe de mais concreto e fixo, mas que não diz respeito tão somente às ausências e às invisibilidades. Vazio, ainda que abstrato e particular, se apropriando e refletindo arte ao avesso.

I am/We are: New Old Bodies

A coreografia I AM / WE ARE: NEW OLD BODIES surgiu da necessidade de continuar a dançar, reconhecendo nossas incapacidades e aceitando nossas precariedades. É resultado de uma amizade e de encontros de um coletivo que se visita há mais de trinta anos em cena, entre muitas idas e vindas de troca, de amor e de arte. Como integramos danos e fragilidade à nossa dança?

I AM / WE ARE: NEW OLD BODIES é o encontro de cinco artistas com mais de 50 anos, dando voz e imagem a novos velhos corpos dançantes em Porto Alegre. Suzi Weber (56) e Monica Dantas (53) convidaram a coreógrafa Eva Schul (73), os bailarinos e coreógrafos Eduardo Severino (59) e Robson Duarte (58) e a fotógrafa e bailarina Lu Trevisan (51) para um ensaio fotográfico a fim de refletir sobre idade, longevidade e vulnerabilidade na dança a partir de suas narrativas pessoais. Depois do ensaio fotográfico, vieram duas coreografias e, em 2020, os vídeos. Mostrar a passagem do tempo em nossos corpos nos permite testar a dimensão somática do corpo, na perspectiva de um eu vivido. Corpos mais velhos, que acumulam experiência, corpos maduros repletos de contradições: nossos corpos oscilam constantemente entre a força e a vulnerabilidade, entre a perícia do movimento e as dores e limites físicos do corpo. Nos sentimos desejantes e desejados, prontos para o combate da arte e da vida. Nossa visão é que promover a dança em corpos amadurecidos constitui um ato político. 

Espiral, com Rui Moreira

A convite do Festival de Inverno da UFMG em sua quinquagésima segunda edição (2020), no contexto pandêmico, completamente realizada de forma virtual, foi desenvolvida uma vídeo-performance de dança a partir do tema Mundos possíveis: culturas em pensamento. Assim como a vida, a espiral a partir de um eixo projeta-se para o infinito e aparentemente não tem fim. A performance reforça a mensagem subjetiva sobre a relatividade da importância dos fatos históricos da humanidade.

Rui Moreira é artista da dança e investigador de culturas. Atua como intérprete criativo e criador. É ativista social em prol da vida, discente da licenciatura em Dança ESEFID/UFRGS e diretor artístico do projeto de extensão Ballet da UFRGS. 

Possibilidades de se dançar Maracatus Nação, com Carol Marques

A oficina de dança “Possibilidades de se dançar Maracatus Nação”, ministrada por Caroline Marques, estudante de Licenciatura em Dança pela UFRGS e integrante do Grupo Maracatu Truvão de Porto Alegre, tem como objetivo fazer uma passagem pelos movimentos históricos, sócio-culturais e corporais da tradição viva e resistente que é o Maracatu Nação. A ministrante irá compartilhar alguns passos básicos e variações dessa dança e musicalidade popular e afro-brasileira aprendidos a partir de vivências com Mestras e Mestres de Baque Virado de Pernambuco, com o grupo que forma parte e, também, com outras referências da cultura popular brasileira. Todos os corpos podem participar e se movimentar!

Sugestões: usar roupas confortáveis, tênis ou pés descalços, além de ter água por perto para hidratação.