Vigilantes uma do trabalho da outra, Teresa Poester e Edith Derdyk compartilham uma devoção ao desenho. Permeiam, durante uma parcela de hora, por vidas inteiras de duas artistas que amam dançar sobre o papel. Em ‘Elogio ao Desenho’, mini-série de vídeos idealizada por Teresa, a convidada Edith estreia com inteligência e paixão a conversa guiada por reflexões acerca do desenhar. Os que compartilham do mesmo gosto serão envolvidos pelo diálogo, disponível no nosso canal do Youtube, a partir de sexta-feira, 21. 

A interseção dos caminhos que antecede essa união foi cruzada na capital gaúcha, ao final da década de 1990. Edith lançava seu livro Linha de Costura (1997), no Espaço Cultural Torreão. “Você precisa conhecer a Teresa”, eram os pedidos de visitantes do local a Edith. Surgiu, então, o desejo e a curiosidade por se conhecerem. Para Teresa, a referência teórica que acompanhava suas aulas há alguns anos. Para Edith, a artista que era tão amante do desenho quanto ela. De fato, o encontro aconteceu, 22 anos depois. Agora, com a tranquilidade para se debruçarem sobre o assunto que as unem. 

O início do afeto de Edith pelo desenho começou como qualquer criança que descobre essa possibilidade – rabiscando. Eram nas pontas dos dedos, de um corpo de apenas dois anos, que o gosto por desenhar forjou a intimidade. “O corpo inteiro vira ponta do lápis”, exclama ardente, fazendo referência à afinidade biológica que Edith conta ter com as linhas. 

Foi aos oito anos que esse relacionamento criou bases sólidas no Ateliê Infantil de Arte, em São Paulo. Ainda que a intenção dos pais de Edith fosse sossegar a criança agitada que, misteriosamente, acalmava desenhando, a sensibilidade pela arte despertou e nunca mais dormiu. No sul do país, na mesma época, a Escolinha de Artes da UFRGS  foi a solução encontrada, por outro lado, para a tímida Teresa de 9 anos. A mudança de Bagé para a capital ofuscou a alegria infantil pela arte. A menina ganhou coragem através dos traços no papel. 

O vínculo artístico criado por ambas, nos laboratórios de arte infantil que frequentaram, assemelha-se, entre outros aspectos, pela referência de mulheres-cupidos. Edith cita Paulina Rabinovitch; Teresa faz menção à Iara Rodrigues. Elas flecharam em suas mentes e corações o fascínio pela liberdade e possibilidade convidativa do desenho. São traços que marcam suas produções como um todo. Ainda que reservadas as distinções, ambas artistas têm em suas obras a assinatura do acaso como co-autor. 

Os percursos de descobertas e experimentações do desenho de Edith e Teresa dialogam. São linhas de conversa paralelas de duas artistas que acompanharam juntas as mudanças dos cenários artísticos e políticos do país. Como pano de fundo os acontecimentos da década de 1980, a liberdade expandiu-se ao papel. “A linha pôde começar a sonhar”, revisita Edith às memórias de um capítulo histórico sobre autonomia – tanto da arte, quanto dos direitos civis. Viveram a mudança da perspectiva do desenho não mais como um suporte visual de outra linguagem – ele agora é sua própria linguagem soberana.

As artistas remontam seus trajetos e enxergam uma a outra em suas histórias-desenhos. Convidam o público para imergir nos relatos, com uma coletânea de fotos que ilustram os episódios por elas contados. As telas de computador não conseguem reter o entusiasmo que transborda nas falas. Conversam sobre suas experimentações íntimas e coletivas com o desenho; entendem-se na linguagem de quem estuda as linhas há uma vida. É um tempo dedicado ao afeto, ao Elogio do Desenho.

Serviço

Elogio ao Desenho: uma conversa entre Edith Derdyk e Teresa Poester 

Série de vídeos que integra o projeto Percurso do Artista

Acesse o canal do Youtube, onde vai ser vinculado o vídeo, por aqui.

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