Inspirada nas ilusões ópticas e no impossível, performance com videodança encerra o Cenas Mínimas deste ano

A impossibilidade é um tema constante na arte. Os tempos, os espaços e as formas impossíveis são matérias-primas desejadas no processo de criação artística, afinal, desafiar o que é dito impossível é sondar e provocar os limites do que já existe. Maurits Cornelis Escher foi um artista gráfico belga que no final do século 19 soube fazer justamente isso, ao apresentar, por meio de xilogravuras com ilusões ópticas, construções impossíveis, explorando a ideia do infinito gerada pela repetição de padrões geométricos.

Inspirados pelo mesmo desejo de explorar a impossibilidade, porém pela via do corpo, os bailarinos Luciano Tavares, Renata de Lélis e Viviane Lencina apresentam a última edição do ano do projeto Cenas Mínimas. Nos dias 18 e 19 de novembro, às 19h, o trio leva à Sala Pitangueira do Centro Cultural da UFRGS a performance Cross-Cap.

A performance Cross-cap deriva da videodança Cross-Cap, uma realização audivisual que Luciano, Renata e Viviane trabalharam em 2018, ao lado da diretora de fotografia Lícia Arosteguy, e que já foi exibida em sete países da América Latina e Europa. Foi buscando extrapolar as ideias que estão nesta videodança – linguagem artística contemporânea que mistura a imagem em movimento e a dança – que os artistas pensaram na performance que será apresentada no próximo Cenas Mínimas. O vídeo estará presente na apresentação, mas a proposta é ir além dele.

“Queremos que esse corpo que está na imagem, que está no virtual, não fique só no virtual. Se não, qual é a função do artista? A tela por mais bonita que seja, não permite ir além. O ao vivo faz toda a diferença”, provoca Viviane Lencina.

Com os corpos ‘duplicados’ – uma versão virtual, no vídeo, e uma versão real -, os artistas pretendem brincar com os limites do corpo e do impossível, a partir da dança, da videodança e do improviso. O próprio conceito que dá nome ao trabalho, o cross-cap, é importante para compreender a performance. Cross-cap, uma estrutura geométrica unilateral, também conhecida como ‘asfera’, já foi utilizada por áreas como a filosofia e a psicanálise, pois, diferentemente das formas geométricas mais conhecidas, ela altera as noções do que está dentro e fora. Ela é considerada um ponto particular na superfície, e faz uma sobreposição sobre si mesmo. É assim, tensionando as fronteiras do dentro/fora, do eu/outro, do corpo presente/corpo virtual, que o Cenas Mínimas encerra 2019.

Ficha Técnica da videodança Cross-cap

Performers: Luciano Tavares, Renata de Lélis e Viviane Lencina

Direção: Lícia Arosteguy

Performers/criadores: Luciano Tavares, Renata de Lélis, Viviane Lencina

Direção de Fotografia: Lícia Arosteguy

Trilha Sonora Original e Sound Design: Caio Amon (Eroica Conteúdo)

VFX: Fernando Branco (Bardanha)

Montagem e Color Grading: Lícia Arosteguy

Produção: Lícia Arosteguy, Renata de Lélis, Viviane Lencina

Serviço

CENAS MÍNIMAS | CROSS-CAP COM LUCIANO TAVARES, RENATA DE LÉLIS E VIVIANE LENCINA

Data: 18 e 19 de novembro, às 19h

Local: Sala Pitangueira | Centro Cultural da UFRGS (Av. Luiz Englert, 333)

Ingresso: Contribuição espontânea diretamente para os artistas

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