Mulheres protagonizam nova edição do Grafite de Giz com traços da cultura kaingáng

A sexta ilustração do projeto Grafite de Giz no painel da recepção do Centro Cultural convida todos os frequentadores do espaço para imergir no universo do povo Kaingáng, interligado às referências da natureza e da cerâmica. A performance realizada nesta terça-feira, 24, foi coordenada pela professora do Instituto de Artes da UFRGS, Cláudia Zanatta, ao lado de um grupo composto apenas por mulheres artesãs: Yasmine Maggi, Cerise Gomes, Laís Roman e a indígena Susana Kaingáng, responsável por agregar traços e simbologias de sua etnia à obra. A curadoria do projeto é encabeçada pela ilustradora e artista visual, Laura Castilhos.

O objetivo do grupo formado nas aulas de cerâmica da UFRGS é aproximar a realidade de cada uma através da identificação do público com suas subjetividades. O grafismo do painel inspira-se nos traçados kaingáng, que carregam nas suas estruturas a cultura do povo. As marcas abertas remetem ao ancestral Kame, representante da força e da guerra. Já as linhas fechadas equivalem ao segundo irmão, Kanhru, o líder espiritual. “A irmandade fundamenta a divisão da comunidade indígena, porém, é entendida como um elemento único e dependente da cooperação de ambas as metades para que o corpo social funcione harmonicamente. Sobre esse contexto cultural, o grafite representa a união dos irmãos e, a partir dela, uma perspectiva singular de ilustrar a realidade”, explica Susana Kaingáng.

“A representatividade da cultura kaingáng é vital, não somente pelo momento político que se vive, mas pela sua riqueza e sutileza, que envolve o abstrato e elementos simbólicos”, explica a professora de Artes Visuais, Cláudia Zanatta. A docente ressalta ainda que “o painel é intercultural, de modo que todos os traços e paixões artísticas conversem numa mesma língua”, complementa.

O sol, o bambu, os cestos e as mulas-mancas: todos esses elementos ilustrados a giz no painel remetem ao cotidiano da realidade particular de cada mulher que realiza a obra. Susana reforça a importância da ilustração em captar sensações dos espectadores do grafite, seja para despertar curiosidade ou para gerar identificação com aquela realidade. “A expectativa da ilustração é trazer para a Universidade o olhar. Para outras culturas, para visões de mundo divergentes que devem ser valorizados no meio acadêmico. O olhar para o diferente”, finaliza.

 

Sobre o projeto 

O projeto Grafite de Giz, com curadoria de Laura Castilhos, tem na sua programação do ano de 2019 nove ilustrações feitas com giz em um quadro negro de 6m x 3m, no Centro Cultural da UFRGS. A proposta conta com a participação de artistas oriundos do Instituto de Artes: Caju Galon, Kelvin Koubik, Teresa Poester, Téti Waldraff, Adriane Hernandez, Jéssica Becker, Marilice Corona, Lilian Maus e Helena Kanaan.

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