O desenho e o íntimo: próximo Confraria da Ilustração discute a relação do pensar gráfico com o afeto

Depois de discutir a existência (ou não) de uma ilustração feminina, a partir do trabalho de Aline Daka, o projeto Confraria da Ilustração convida o artista visual e pesquisador Alexandre Copês para a conversa“Desejar, idear: o desenho como prática do íntimo“. O encontro acontece no dia 17 de outubro, às 19h, no Centro Cultural da UFRGS e propõe uma visita às produções*, desenhos, projetos e objetos gráficos do artista, a fim de tensionar os possíveis lugares que o desenho ocupa em seu trabalho e em seu universo afetivo.

Mestrando do Instituto de Artes da UFRGS, Alexandre desenvolve sua pesquisa buscando o cruzamento do desenho com outras linguagens, como o vídeo e a fotografia. Para o artista, o processo criativo se articula, não a partir do isolamento, mas a partir da formação de uma grande rede. “Enxergo as linguagens no meu trabalho como uma espécie de rede. Eu vou pensar a metodologia como uma tarrafa, como uma rede de pesca, onde tudo tem um nó, um ponto de conexão, mas ao mesmo tempo tem uma distância entre um ponto e outro. De vez em quando se encontram, de vez em quando se afastam. Então, acho que essa ideia de pescar as coisas, à medida que elas acontecem, é pensar um processo de trabalho também aberto, que acontece a medida que se faz”, explica.

Em 2018, Copês apresentou o trabalho “Rito Bruto”, no Instituto Thomie Ohtake, em São Paulo, onde desafiou os limites das formas que o desenho pode assumir. Na ocasião, o desenho também se tornou convite, já que parte do trabalho era construída pelo público, a partir de provocações sobre algumas palavras propostas por Alexandre. O artista levou ao encontro das pessoas uma lista de l40 palavras que estavam vinculadas ao seu processo de criação e convidou o público a construir esse pensamento com ele e a provocar as fronteiras do texto e da imagem. Palavra e imagem se colocaram ali como um só corpo, como expressões do pensamento, como construções de uma narrativa.

A relação do próximo convidado da Confraria com as diferentes linguagens, especialmente com a do desenho, é antiga. Alexandre, ao lado de colegas do Instituto de Artes, foi um dos fundadores do grupo Atelier D43, no ano de 2011. Já no percurso de pesquisa, o artista vem, desde o projeto de conclusão de curso realizado em 2013, pesquisando a relação do desenho com suas vivências íntimas. “Uma questão que é cara para minha pesquisa é pensar o desenho como uma espécie de diário. Eu acho que o desenho entrou como uma questão narrativa que estava conectada com a intimidade, com o plano do íntimo, com os afetos. Os afetos no sentido amplo dessa palavra, os afetos com minha cidade de origem, com a minha família, com os meus amores. Tudo isso começou a ser atravessado pelo desenho.”

Para o artista, desenhar representa a possibilidade de, ao mesmo tempo, organizar e embaralhar o pensamento. É uma forma de expressão que, a partir de seu tom anárquico e afetivo, permite mexer com estruturas das coisas internas e externas, pois, diferente da pintura – que demanda uma espera, um tempo de resposta dos materiais, o desenho consegue acompanhar mais rápido o pensamento, o fluxo dos sentimentos. O encantamento de Alexandre em relação ao criar gráfico também reside na ideia de que o desenho pode ser infinito e que, de alguma forma, mesmo que esteja acabado plasticamente, sempre estará aberto no sentido das possibilidades que gera.

 “O desenho para mim não é algo finalizado, e nunca vai ser. No sentido de que ele sempre tem uma abertura para o que será, tem um certo devir no próprio desenho, que me interessa como processo sempre inacabado, como o próprio pensamento”

*Confira abaixo imagens de produções já realizadas por Alexandre Copês

Serviço

O que: “Desejar, idear: o desenho como prática do íntimo” | Confraria da Ilustração com Alexandre Copês
Data: 17 de outubro, quinta-feira
Horário: 18h30min às 20h30min
Local: Centro Cultural da UFRGS (Rua Eng. Luiz Englert, 333, Campus Central da UFRGS — bairro Farroupilha, Porto Alegre)
Ingresso: entrada franca

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