Pluralidade sonora da música de concerto marca espetáculo do Unimúsica 2019

A terceira apresentação do Unimúsica 2019 marcou a noite da última sexta-feira, 5 de julho, com a pluralidade sonora da música de concerto. As pianistas e professoras do Instituto de Artes da UFRGS, Ana Fridman e Catarina Domenici, receberam, no Salão de Atos, outros 17 artistas para o concerto Notas para Porto Alegre: Sons, Memória e Resistência.

A fala de Catarina Domenici no começo do espetáculo adiantou como seria o encontro de músicos naquela noite: envolvente e emocionante. A pianista lembrou a todos os presentes que a apresentação serviria como uma justa homenagem a dois artistas referência no Rio Grande do Sul, o professor Fernando Mattos (falecido em 2018) e a lenda Dirce Knijnik, pianista que completou 90 anos em janeiro deste ano e, na ocasião, encantou o público com uma performance impecável de cinco valsas de Brahms, digna de aplausos em pé pela plateia.

O concerto contou com a música em suas diversas possibilidades, explorando desde a ópera até os sons eletrônicos. Além dos pianos, a eletroacústica de Felipe Castellani e James Correa também deu ritmo às imagens de Porto Alegre projetadas ao fundo do palco.

A música brasileira foi valorizada em vários momentos do espetáculo, como no chorinho do violonista Daniel Wolff e sua composição própria “Choro da Peste”. A apresentação da canção ainda teve participação especial da percussionista Andressa Ferreira com um pandeiro que fez os espectadores se remexerem nas cadeiras.

Em um dos momentos mais marcantes do concerto, Ana Fridman e Catarina Domenici teceram uma peça improvisada nos pianos, acompanhadas por intervenções eletroacústicas de James Correa e projeções em tempo real, tanto das artistas e suas mãos nas teclas, quanto do interior do instrumentos, mescladas com imagens com diferentes texturas. As artistas, uma de frente para a outra, demonstraram seu domínio dos instrumentos e compartilharam sons pungentes com a plateia.

A noite de 5 de julho não poderia ter encerramento melhor do que com uma estreia mundial de uma compositora mulher, tema também valorizado pelas curadoras do concerto. Ana Fridman apresentou sua canção “AR(TE)*” pela primeira vez ao público, com uma interação entre todo o elenco do espetáculo e a plateia. Neste momento, o Salão de Atos da UFRGS foi preenchido por coro de vozes e salvas de palmas.

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