Programação da Semana: Cinema Universitário exibe 31 vídeos que discutem questões da antropologia

A programação da próxima semana na Sala Redenção trará a Mostra de Videos Etnográficos com 31 produções audiovisuais realizadas em diferentes partes do Brasil e da América do Sul. A mostra é uma das atividades da Reunião de Antropologia do Mercosul, um dos maiores congressos de antropologia da América Latina e que dará início a sua 13ª edição na próxima segunda-feira, 22 de junho, no campus central da UFRGS. Com sessões nos dias 23, 24 e 25 de junho, os videos apresentados transitam por diferentes temáticas estudadas pelas ciências sociais, como os mitos do imaginário gaúcho, a luta indígena por seus territórios, o universo simbólico da fé e as relações das pessoas com os ambientes urbanos.

O primeiro filme a ser exibido no dia 23, terça-feira, é A Poeira do Tempo: figuras e lendas da fundação da terra gaúcha, um documentário audiovisual que reúne registros de narrativas biográficas e da memória coletiva de mulheres e homens durante anos de trabalho de campo em viagens pelo Estado do Rio Grande do Sul e pela região metropolitana de Porto Alegre. Já De Mitos a Bichos, dirigido por  Cinthia Creatini da Rocha e Kátia Klock, será exibido na quinta-feira, 25 de junho, e abordará as narrativas de um líder espiritual Mbyá Guarani sobre o processo de transformação entre “ser gente” e “ser bicho”. Tal transformação retrata valores e características humanas e não-humanas e que são centrais na construção sociocultural dos indígenas. Todas as sessões são gratuitas e abertas ao público

Além dos videos etnográficos, a Sala dá continuidade a Mostra Cinema Pelo Mundo, em que os filmes exibidos tratam sobre relações familiares tensionadas por questões políticas e de convivência. Obras do Uruguai, da França e dos Estados Unidos compõem a programação do ciclo. O Cinema Universitário exibe, ainda, na quarta-feira, 24 de junho, Coco Antes de Chanel, o longa que conta a história da famosa estilista francesa Coco Chanel. A sessão é uma parceria da Sala Redenção com o Zenit-Parque Científico da UFRGS e integra a programação mensal da Mostra Inovação nas Telas, que traz longa sobre pesquisa, inovação e empreendedorismos. Após o filme, o público poderá participar de um debate com integrantes do projeto e convidados. 

 

Programação

Confira a programação (todas as sessões acontecem na Sala Redenção – Rua Luiz Englert, 333, Porto Alegre-RS):

16h: O Filho Uruguaio (Mostra Cinema Pelo Mundo)

Dir. Olivier Peyon | Uruguai | Drama | 2017 | 96 min

Uma mulher francesa embarca numa viagem para Montevidéu, Uruguai, em busca de seu filho, que lhe foi tirado anos atrás.

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19h: Fatima (Mostra Cinema Pelo Mundo)

Dir. Philippe Faucon | França | Drama | 2015 | 79 min

Fatima vive com suas duas filhas Souad e Nesrine, elas são a sua motivação e orgulho, mas também fonte de preocupação. Para garantir às meninas o melhor futuro possível, Fatima trabalha de modo irregular como doméstica. Um dia, ela se acidenta. Enquanto está fora do trabalho, ela começa a escrever textos em árabe para as filhas, dizendo-as tudo o que ela nunca foi capaz de expressar em francês.

9h às 11h : Mostra de videos etnográficos da RAM 

A Poeira do Tempo: figuras e lendas da fundação da terra gaúcha

(Dir. Ana Luiza Carvalho da Rocha | Brasil | 2015 | 49 min)

A duração floresce na personificação dos narradores que fazem parte e constroem o imaginário presente no documentário etnográfico “A Poeira do Tempo – memória coletiva e figurinos do imaginário gaúcho” produzido pela equipe do Banco de Imagens e Efeitos Visuais (BIEV) – Laboratório de Antropologia Social – PPGAS UFRGS – de 1998 a 2011. O documentário audiovisual e hipermídia reúne registros de narrativas biográficas e da memória coletiva de mulheres e homens durante anos de trabalho de campo em viagens pelo Estado do Rio Grande do Sul pela região metropolitana de Porto Alegre. Os encontros etnográficos mediados pelo aparato tecnológico audiovisual ocorreram com verdadeiros guardiões da memória da sociedade gaúcha e, desta forma, tivemos a oportunidade de olhar, ouvir e gravar narrativas sobre seus mitos de fundação plurais e dinâmicos. Foram registrados múltiplas estórias de vidas marcadas pela topologia fantástica onde elementos humanos e não-humanos são parte da vida vivida dos narradores que encontramos: o repertório de lembranças sobre o tempo do mundo gaúcho é mergulhado em um caldo de vida marcado por diversas cosmologias típicas dos pampas. “Causos” de assombrações, estórias de benzedeiras, tesouros escondidos, bruxas e lobisomens fazem parte dos fragmentos etnográficos reunidos neste documentário para sensibilizar acerca do dinamismo das paisagens gaúchas através da poeira do tempo que perdura vibrante na imaginação dos que narram e, agora, dos que assistem.

Nhande Ywy – Nosso Território

(Dir. Ana Lúcia Ferraz | Brasil | 2018 | 32 min)

Nhande Ywy/Nosso Território acompanha a luta do cacique Elpídio Pires, da Retomada Potrero Guassu, no Mato Grosso do Sul; ele nos apresenta sua vida, sua cultura, e seu ponto de vista sobre a questão da terra.

O Som Dos Sinos

(Dir. Marcia Mansur e Marina Thomé | Brasil | 2016 | 70 min)

Uma imersão pelo universo simbólico da fé, do tempo e das cidades onde reverberam o som dos sinos. Pela quantidade e ritmo das badaladas, os moradores sabem o que acontece na cidade, dos horários de missa e trabalho a procissões e anúncios de mortes. Nos dias atuais, a linguagem dos sinos tem sido substituída pelos meios de comunicação contemporâneos, mas ainda se mantém em diversas cidades do interior mineiro.  

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14h às 18h : Mostra de videos etnográficos da RAM 

Abayomi

(Dir. Edlaine de Campos Gomes | Brasil | 2017 | 33 min) 

Em 2017, a Abayomi completou 30 anos de existência. Uma boneca negra confeccionada sem uso de cola ou costura e sem qualquer demarcação facial ou expressiva. A arte de Lena Martins, criadora das bonecas Abayomi, carrega em si uma multiplicidade de afetos e significados, a ausência de marcações faciais na boneca sugere a diversidade de etnias africanas e favorece o reconhecimento destas, conforme as próprias palavras da artesã, integrante do documentário. Os materiais utilizados na confecção do artesanato são reciclados e reaproveitados, como: retalhos, pedaços de pano, linhas e cordas. Inserir no fazer da boneca alguns materiais que seriam, comumente, descartados, sempre esteve nas preocupações de Lena Martins, como apontam as integrantes da Coop Abayomi, em entrevistas realizadas durante a pesquisa. O saber-fazer Abayomi e sua transmissão é compreendido por sua criadora como uma estratégia de militância através da arte e do artesanato, com o intuito de provocar uma sensibilização, principalmente nas mulheres negras. A boneca é reconhecida como um mecanismo de construção e reconstrução das memórias e valorização da autoestima e identidade da população negra. 

Absolvição Imprópria

(Dir. Érica Quinaglia Silva | Brasil | 2018 | 26 min)

A medida de segurança é uma sentença aplicada a pessoas que têm transtornos mentais e que tiveram um conflito com a lei. Trata-se de uma absolvição imprópria, que não deveria visar à punição, mas sim ao tratamento. Na prática, milhares de pessoas no Brasil são confinadas em estabelecimentos de custódia e tratamento psiquiátrico, vulgarmente conhecidos como manicômios judiciários. Lídia Dourado personifica as trajetórias dessa população que, sem tratamento adequado e em condições desumanas, vivencia situações de violência prolongadas e intensificadas sob a égide do Estado em espaços de exclusão e silenciamento. 

Corpos Instáveis

(Dir. Marisol Marini | Brasil | 2018 | 42 min 

Corpos instáveis é um projeto híbrido que alterna entre a linguagem naturalista e a poética visceral. O filme aborda a utilização de dispositivos médicos chamados de corações artificiais, que são tecnologias utilizadas como alternativa ao transplante de órgãos, como forma de prolongar e melhorar a qualidade de vida de pacientes com insuficiência cardíaca grave que aguardam na fila de espera por um transplante de coração. Fruto de uma pesquisa etnográfica iniciada em 2013, o projeto dialoga com a hipótese de que os corações artificiais podem operar como uma pedagogia para a morte e procura abrir espaço para o debate sobre os dilemas em torno do desenvolvimento e utilização desses dispositivos, investigando como é viver com tais tecnologias e lançando questões em torno das transformações nas concepções de corpo, vida/morte e do próprio humano. Na esteira de um movimento no campo documental que busca problematizar as fronteiras entre ficção e realidade, dissolvendo-as ou evidenciando sua porosidade, o filme recorre a linguagens diversas para abordar uma temática profunda, uma sombra existencial que acompanha a humanidade e se expressou de inúmeras formas em diferentes cosmologias. Partindo da defesa de Platão e dos estoicos, Melete thanatou, a respeito da filosofia como um exercício para a morte, inerente à vida, o filme pergunta se somos uma sociedade que cria aparatos, porém emprestando metáforas para lhes dar sentidos? Ou será que podemos considerar que essas tecnologias também sejam dispositivos de reflexão, de pensamento, que nos fazem ruminar sobre grandes questões existenciais?

Epidemia de Cores

(Dir. Mário Eugênio Saretta | Brasil  | 2016 | 70 min) 

Documentário com participantes e coordenadores de uma Oficina de Criatividade localizada em um hospital psiquiátrico que foi hospício. Durante mais de dois anos, o antropólogo e diretor  realizou as filmagens interagindo com os participantes através de uma linguagem audiovisual ética e esteticamente sensível. Um filme sobre arte, loucura e liberdade com a atenção voltada à alteridade, destacando acontecimentos insignificantes aos registros institucionais.  

9h às 11h : Mostra de videos etnográficos da RAM 

Angola Poa: Mestre Churrasco

(Dir. Marco Antonio Saretta Poglia e Magnólia Dobrovolski | Brasil | 2014 | 38 min) 

Mestre Churrasco é um dos mais antigos mestres de capoeira do Rio Grande do Sul e grande referência desta arte no estado. No filme, narra fragmentos da sua vida, desde a infância nas ruas de Porto Alegre, quando viu a capoeira pela primeira vez, passando pelos trabalhos sociais que marcaram a sua atuação na capoeira e pelas temporadas que viveu na Bahia e no Rio de Janeiro em busca de conhecimento. Mestre Churrasco também se dedica à criação artesanal de instrumentos musicais, especialmente o berimbau, o que já lhe rendeu a alcunha de “berimbauzeiro”. O vídeo faz parte do projeto audiovisual Angola Poa: expressões da capoeira angola em Porto Alegre (www.angolapoa.com.br). 

Andar no ar: a nossa experiência de circo social inclusivo

(Dir. Caetano Galione | Uruguai | 2019 | 13 min) 

Este curta-metragem compartilha nossa experiência de oficinas sobre o circo social inclusivo realizado na cidade de Montevidéu, Uruguai pelo Grupo Alas para ‘volar. Falamos do começo do grupo no final de 2015, quando Fabricio Arbío e Valentina Gómez Sóñora desenvolvem um projeto voltado para a antropologia do corpo e o circo social. Apresentam o projeto na União Nacional dos Cegos do Uruguai -UNCU- e na Casa da Filosofia -um espaço cultural aberto a propostas sem fins lucrativos-. O projeto buscou nesse início ensinar e aprender a ensinar circo a um grupo inicial de jovens com deficiência visual. Ambas as instituições colaboram na iniciativa e assim o vôo começou. Aqui “se aprende e se ensina”, diz Sérgio, um dos primeiros membros do Grupo. “Como você vai ensinar a andar no ar a pessoas que não vêem?”, diz uma das facilitadoras contando uma pergunta que alguém lhe fiz no começo da oficina. Esta é uma história onde os medos se vão pro lado e o amor aparece na criação de um método próprio. O vídeo decorre entre uma roda de mate e a intimidade da classe… entre momentos de jogo, treinamento e criação, incluindo histórias sobre o lugar do corpo, a prática corpal e o do Grupo na vida dos seus participantes. O vídeo é uma estratégia para expandir essa experiência e obter alianças para enriquecer o projeto. Nesta oficina, um novo mundo é construído onde a inclusão social é uma realidade.  

A história da Antropologia na Universidade Federal de Santa Catarina

(Dir. Adriana Eidt, Miriam Pillar Grossi, Raquel Mombelli e Suzana Morelo Vergara Martins Costa | Brasil | 2017 | 27 min) 

Este curta-documentário se propõe a contar uma das histórias da Antropologia na Universidade Federal de Santa Catarina. A partir de depoimentos e fotos antigas de acervo busca-se contar a trajetória da Antropologia, desde sua época enquanto disciplina obrigatória até o momento atual de criação do curso em graduação em Antropologia, relatando os feitos e as resistências antropológicas na Universidade Federal de Santa Catarina e no estado de Santa Catarina.  

“Sobre lidas, estudos e escolhas” – A trajetória profissional de dois Trabalhadores Negros no Vale do Sinos

(Dir. Lohran Costa Fagundes | Brasil | 2019 | 14 min) 

Este Documentário trata-se de uma reflexão sobre conflitos sociais, diversidade etnicorracial e trabalho, por meio do estudo de narrativas biográficas de trabalhadores negros da cidade de Novo Hamburgo. O curta apresenta entrevistas que contam as narrativas destes trabalhadores, a fim de compreender a constituição da memória individual e coletiva desses sujeitos e como estas memórias contribuem no delinear de sua trajetória e na organização de projetos individuais e sociais. Este curta é parte de uma pesquisa que resultará outro documentário, com a narrativa de outros dois trabalhadores. Em especial este retrata as trajetórias individuais e coletivas de dois personagens que saídos da mesma região, vieram para Novo Hamburgo em busca de melhores condições de trabalho. Novo Hamburgo com sua memória historiográfica debruçada sobre o mito do progresso e sobre a figura germânica, ambos personagens ficam sobre a tensão da luta contra a invisibilidade e o condicionamento aos costumes brancos para serem aceitos. Tendo iniciado sua vida profissional trabalhando na roça, passando para concursado da Aeronáutica, Sebastião Flores abandona a estabilidade para buscar melhores oportunidades. Ingressa no ramo do calçado através de uma empresa de químicos e materiais de borracha, ele passa conduzir sua trajetória profissional por meio das boas relações que estabeleceu em seus ambientes de trabalho. Já Ester do Nascimento, vem do setor calçadista, em sua cidade natal Montenegro, e vendo oportunidades melhores em Novo Hamburgo resolve se mudar. No município ela inicia sua carreira profissional trabalhando como recepcionista de um hospital da cidade. Contudo ela alimentava o desejo de trabalhar com educação. Mesmo relatando épocas diferentes, ambos trazem em suas falas a dificuldade de ser negro em um município fundado sobre uma mentalidade da organização germânica.

Conexões: etnografia visual de experiências ecosóficas em pesquisa-intervenção

(Dir. Jane M. Mazzarino | Brasil | 2019 | 09 min) 

Um convite a estar só e em silêncio com a natureza e relatar a experiência em um fotolivro. O audiovisual Conexões é um documento etnográfico das experiências provocadas pelo grupo de pesquisa Comunicação, Educação Ambiental e Intervenções (Ceami/CNPq/Univates). Um dos objetivos da investigação é aprofundar estudos científicos nas áreas da comunicação ambiental e da etnografia visual, a fim de identificar modos de aproximação e mútua contribuição entre estas áreas, inovando teórica e metodologicamente na pesquisa científica. Para isso, o Ceami faz misturas metodológicas em um caldeirão de intervenções usando vivências com e na natureza, produção de imagens e técnicas colaborativas. Os processos de intervenção são filmados e geram documentos etnográficos audiovisuais, os quais são material de análise e também registros do imaginário e da memória socioambiental. Estranhamentos e incômodos, ausências e presenças, poros expostos a atravessamentos de paisagens e às conexões, consigo, com o outro e com a natureza são sentidos e narrados por aqueles que aceitaram o convite.  

Crônica audiovisual: Jovens alunos e suas capas de revistas

(Dir. Robson Constante e Ana Luiza Carvalho da Rocha | Brasil | 2016 | 05 min) 

Essa crônica audiovisual é resultado de uma pesquisa/tese de doutorado do autor principal, intitulada: “Movimentos de consumo: Entre as convocações das revistas Atrevida e Todateen e as capas produzidas por jovens alunos”.  O vídeo em questão comtemplou o quarto capítulo da tese, nele utilizamos as fotos realizadas nos encontros, assim como, os áudios dos alunos na montagem deste vídeo. O estudo teve como problematização  as estratégias adotadas pelas revistas Atrevida e Todateen em suas páginas (reportagens, matérias/pautas e anúncios publicitários) para operacionalizar uma cultura de consumo perante suas jovens leitoras. O objetivo geral foi de descrever e analisar a relação consumo e juventude, tendo como foco um conjunto dessas revistas, veiculadas entre outubro de 2014 e março de 2015. Objetivou, também, a realização de uma experiência etnográfica com dois grupos de estudantes do Ensino Médio, e que estavam cursando Técnico em Publicidade e Propaganda, em seis encontros/oficinas, a partir da discussão do material selecionado para a análise, e, posteriormente, a produção de capas de revistas com esses grupos de estudantes. Para as primeiras interpretações, utilizou-se o método de análise de conteúdo e, após encontrar as primeiras evidências, analisaram-se também as convergências e divergências a partir de um exercício etnográfico com os jovens dentro do ambiente escolar por meio de ensaios etnográficos, diários de campos e o uso da fotoetnografia  (ACHUTTI, 1997). 

 

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14h às 18h : Mostra de videos etnográficos da RAM  

LAKITAS en Tarapacá y Pascua de los Negros de La Tirana

(Dir. Pablo Mardones e Miguel Ángel Ibarra | Chile | 2018 | 52 min) 

 Una docena de grupos del género musical lakita de origen aymara habitantes de la Región de Tarapacá (norte de Chile), principalmente de las ciudades, reflexionan que significa interpretar y ser portadores de esta música. A través de un relato musical conocemos cuándo y cómo empezaron a tocar, cual es su vínculo con el origen, que representa tocar en la Pascua de los Negros del pueblo de La Tirana, principal escenario de la práctica lakita, donde cada año se encuentran. La idea es reflejar cómo los lakitas viven, sienten y desarrollan este arte vernáculo en su cotidianidad y de que maneras representan en legado inmaterial de un género propio de la región que hoy, difundido em otras latitudes, se presenta como un sello musical de Tarapacá. Con un paisaje fotográfico y sonoro cuidado pero natural, conocemos varios escenarios donde se desenvuelven los lakitas contemporáneos, constituyéndose en el primer film que relata su historia y su presente.  

Os Castros Vêm Tocar: Fé e festa para São Benedito em Almeirim

(Dir. Luciana Gonçalves de Carvalho | Brasil | 2019 | 35 min) 

Festas de santo, em geral, são celebrações bastante comuns na Amazônia, que mobilizam emoções, tradições e trocas rituais de alto valor para seus participantes. Em Almeirim/PA, tais experiências são propiciadas anualmente, de 20 a 30 de junho, pela centenária festa de São Benedito, também chamada festa do gambá, em alusão à musicalidade que nela ressoa. O gambá, expressão mista de música e dança, se baseia no toque ritualístico de três tambores feitos de madeira e pele de animal, acompanhados por outros instrumentos de percussão como raspadores e milheiros. “Os Castros vêm tocar” apresenta a festividade, seu ciclo ritual, o toque e a dança do gambá que há, pelo menos, quatro gerações são transmitidos e preservados por uma família negra oriunda do rio Paru. Com apoio de amigos e parentes, os Castro mantêm o grupo de foliões e dançarinos responsáveis pela execução dos ritos orais e musicais da festa de São Benedito em Almeirim.  

K ́NDELA. Corpos sem fronteiras

(Dir. Isabel Araya, Lissien Salazar e Pablo Mardones | Chile | 2018 | 61 min) 

 Brian Montalvo, Diarra Conde, Evens Clercema, Rosa Vargas y Yoxelin Rivas tienen algo en común. Todos son afros, migrantes y artistas radicados en Santiago de Chile. A través de un relato coral, manifiestan el desgarro que significó dejar sus países, de cómo se sienten en Chile, del racismo y la xenofobia, de sus anhelos y deseos y de que significa representar el arte y patrimonio cultural afro en este país. Mientras dialogan y se encuentran, se cuestionan sus propias vidas, tomando decisiones que los llevarán a encontrarse profundamente con ellos mismos. 

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19h: Coco antes de Chanel

Dir. Anne Fontaine | França | Drama | 2009 | 105 min

Coco Chanel era uma jovem humilde com talento para costura e trabalhava como cantora em um bar. Sua vida muda quando ela se torna amante e conselheira de modas de um rico herdeiro. Cansada dos chapéus floreados, dos espartilhos apertados e metros de fita que definem a moda feminina, Coco usa as roupas de seu amante como ponto de partida para criar uma elegante e sofisticada linha feminina que a leva para o topo da costura parisiense.

Após a sessão haverá um debate com integrantes do projeto e convidados.

9h às 11h : Mostra de videos etnográficos da RAM  

Saakhelu Kiwe Kame, Oferta à Mãe Terra

(Dir. Mateo Leguizamón Russi | Colombia | 2018 | 25 min) 

El Saakhelu Kiwe Kame es un ritual de los pueblos indígenas Nasa de Colombia, que trata de la revitalización de la madre tierra en el contexto del calentamiento global y de la Colombia post-conflicto. 

Candomblé sur Seine

(Dir. Daniela Antoniassi | França | 2017 | 14 min) 

Em um pequeno teatro dos subúrbios de Paris, um grupo de exilados políticos chilenos reúne-se há 20 anos para praticar o candomblé, uma religião sincrética afro-brasileira. Através da música, do canto, da dança e dos gestos típicos desse ritual performativo, o espectador é convidado a mergulhar no mundo do transe e a questionar a transnacionalização das religiões, os limites entre o teatro e o sagrado e a construção de espaços utópicos como forma de resistência. 

Desejos em Paisagens Serranas

(Dir. Claudia Ribeiro | Brasil | 2018 | 78 min) 

 Protagonizado pelos habitantes de Vila Seca, Criúva, Juá e Cazuza Ferreira, distritos rurais da região dos Campos de Cima da Serra, no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, esse longa metragem é resultante de caminho de conhecimento etnográfico culminado pela tese — Desejos Serranos: a emancipação de uma paisagem nos Campos de Cima da Serra, Rio Grande do Sul, Brasil. Ação vinculada ao projeto Interações entre a Pecuária e o Desenvolvimento Territorial Sustentável no Brasil, por intermédio da partilha generosa das histórias dos agricultores em suas festividades locais e nas tarefas cotidianas agrícolas ligadas à criação semiextensiva de gado em mosaico de campos e florestas autóctones, evidencia a noção de paisagem como bem de uso comum no lugar. As localidades são atravessadas por rede de pequenos arroios, mananciais nos quais Caxias do Sul, a segunda maior cidade do estado busca a água potável para seus usos industriais, comerciais e domésticos. Tal coexistência e vários aspectos da atuação normativa citadina contemporânea aporta uma série de conflitos à vida no lugar. Em contexto de acesso à memória coletiva, o ir e vir entre o fazer etnográfico e o antropológico reconstrói a existência de eventos emancipatórios empreendidos por esses moradores. E o vídeo assim desvela a ética ecumenal local, no interior da qual apreensões de alteridade dizem sobre a continuidade temporal dessa paisagem. 

De Mitos a Bichos

(Dir. Cinthia Creatini da Rocha e Kátia Klock | Brasil | 2015 | 14 min) 

Este documentário registra as narrativas de um líder espiritual Mbyá Guarani sobre o processo de transformação entre “ser gente” e “ser bicho”. Tal transformação retrata valores e características humanas e não-humanas que são centrais na construção sociocultural dos indígenas. Tais histórias são carregadas de sentimentos – alegria, raiva, tristeza, arrependimento, paciência, avareza, preguiça –, valores éticos e morais que condicionam às pequenas crianças guarani a vida terrena. Entre animações de desenhos feitos por artistas guarani e a centralidade dos bichinhos entalhados em madeira, o filme apresenta uma estética intrigante que nos leva a um mergulho profundo sobre o olhar sensível da poética e estética Mbyá Guarani. 

Pascual Toro, flauteiro

(Dir. María Eugenia Domínguez | Paraguai | 2019 | 21 min) 

“Pascual Toro, flautero” é um documentário etnográfico gravado no Chaco boreal paraguaio entre 2016 e 2018.  Músico indígena, Pascual Toro herdou o conhecimento da tradição musical associada ao ritual Arete Guasu do seu pai, quem, como muitos outros guarani e isosenhos, migrou da Bolívia ao Paraguai após a Guerra do Chaco (1932-1935).  Neste vídeo, e através da voz do músico indígena, conhecemos parte da história do seu povo, da importância do Arete Guasu na sua comunidade e dos conhecimentos associados à habilidade para ser um bom flautero. Ele refere também às fontes do poder para ter um som potente e fazer com que muitas pessoas dancem na festa. Assim como as habilidades para “curar” o talento musical esta, nesta cosmologia, pautado pelo domínio de relações com forças do inframundo. O vídeo apresenta também a sequência de temas musicais que compõem a estrutura ritual do Arete Guasu tal como acontece nos dias de hoje na comunidade guarani de Santa Teresita, Boquerón, Chaco paraguaio. 

Tambores do Rosário: a festa de Nossa Senhora do Rosário

(Dir. Dragoss Ouédraogo | Brasil | 2017 | 18 min) 

A comunidade Quilombola de Boa Vista dos Negros, localizada na cidade de Parelhas, no Rio Grande do Norte/ Brasil, celebra todos os anos, no mês de outubro, a Festa da Irmandade dos Negros de Nossa Senhora do Rosário. As irmandades negras do Rosário são formas de associações religiosas oriundas do período colonial, com a presença marcante do Seridó potiguar a partir do final do Século XVIII. A Festa é um espaço de sociabilidade, solidariedades e resistência. Este filme é um registro da festa no ano de 2017, e mostra desde a preparação da festa (preparação da comida, ensaio da banda) até os e os momentos de sociabilidade na festa. 

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14h às 18h : Mostra de videos etnográficos da RAM   

Uso inteligente da cidade

(Dir. Bender Arruda | Espanha | 2014 | 04 min) 

Uso inteligente da cidade é um culto ao homem da cidade, o urbano e ao homem NA cidade que segundo Robert Park e Le febvre jogam luz em suas obras. Então, esse vídeo investiga pela vivência do artista e pesquisador Bender Arruda de que forma o homem citadino se comporta, se relaciona e como intervem na Cidade contemporânea para aproveita-la ainda mais, assim rompendo e esticando com as barreiras impostas a ele para alargar e expandir o cesto de direitos. Então, quem é este homem? O que busca? O que deseja? Quais são seus anseios? Como ele usa a cidade?  

Passagens de “NiUnaMenos” –  Da solidão à massa

(Dir. Silvia Citro e Salvador Batalla | Argentina | 2018 | 19 min) 

Este video documenta un proceso colectivo de investigación desarrollado en 2017 por integrantes del Equipo de Antropología del Cuerpo y la Performance de la Universidad de Buenos Aires, en colaboración con el Colectivo de Imágenes Ojo Dentado, sobre las “Marchas del Ni Una Menos” en la ciudad de Buenos Aires. La marcha del Ni una Menos del 3 de junio de 2015, fue la primera marcha auto-convocada contra la violencia de género que adquirió un carácter tan masivo, abriendo una nueva etapa de la historia de la lucha por los derechos de las mujeres en Argentina. A partir del registro fotográfico, audiovisual y etnográfico de las performances de las marchas, iniciamos una indagación y creación performática colaborativa. Posteriormente, propusimos instalaciones y talleres participativos, para explorar colectivamente con los participantes estas problemáticas. Este proceso es parte de las recientes metodologías transdisciplinarias de performance-investigación desarrolladas por nuestro Equipo, las cuales intentan recuperar el potencial poético-epistemológico-político de las corporalidades-materialidades-sonoridades frente al predominio logocéntrico de las prácticas académicas. Así, planteamos que estas metodologías permiten no solo la reflexión crítica sobre los regímenes de desigualdad social y violencia, sino también la emergencia de prácticas colectivas que potencien su transformación. 

Matica, à espera de trabalho

(Dir. Germano Lopes Ângelo e Olendina de Carvalho Cavalcante | Brasil | 2018 | 03 min) 

Fredy, como tantos outros imigrantes que chegam diariamente na cidade de Boa Vista capital do estado de Roraima no Brasil, seja a pé, de taxi ou de carona, vão sobreviver do trabalho temporário, isto em decorrência dos procedimentos burocráticos para serem contratados com carteira assinada. Desta maneira os migrantes optam pelo modelo de trabalho temporário, para isso, aguardam a oferta de trabalho, nas esquinas das ruas, avenidas, nos semáforos e sob as árvores, as maticas. Matica é uma categoria nativa dos migrantes venezuelanos quando se referem ao espaço dado pela sombra de uma ou várias árvores. Este trabalho etnográfico teve como objetivo a compreensão das dinâmicas sociais que ocorrem na matica do bairro Cidade Satélite, esta matica é a principal do bairro, pois nela se aglomeram diariamente em torno de trinta migrantes. Estes migrantes chegam as cinco da manhã para participar do sorteio que vai designar a ordem de cada um dos mesmos quando solicitados pelos empregadores. Quando convocados acontece uma breve negociação entre o solicitante e o solicitado, ao fechar acordo os migrantes são levados para o espaço onde realizaram a atividade pela qual foram contratados, muitos ganham refeições quando trata de uma diária e quando é meia diária dificilmente tem este benefício. As diárias oscilam entre trinta e cinquenta reais, muitas vezes a volta dos migrantes é bancado pelos próprios e outras o empregador os traz de volta à matica ou os levam para sua residência. 

Na Quinta com Kelly

(Dir. Otavio Raposo | Portugal | 2019 | 27 min) 

Todas as semanas, Kally e Ema percorrem as ruas da Quinta do Mocho para mostrar aos visitantes as obras de uma das maiores galerias de arte urbana ao ar livre da Europa. O bairro, considerado “problemático”, soube dar a volta aos estereótipos e tornou-se um exemplo da riqueza cultural das periferias de Lisboa. Aproveitando-se da boleia da street art, os seus moradores são os principais responsáveis por esse processo de requalificação discursiva. São eles que impulsionam as visitas guiadas, compõem canções de intervenção e criam coletivos culturais que valorizam o bairro.  O filme mostra como a vida de Kally, Ema e o filho está interligada com a reinvenção da Quinta do Mocho. Acompanhamos o quotidiano dessa família que, ao dinamizar um projeto de visitas ao bairro, também o afirma como um ativo celeiro de produção cultural.

O Rei Não Se Enforcou

(Dir. Maria da Conceição Cardoso da Silva | Brasil | 2018 | 30 min) 

Este trabalho é um resumo da pesquisa de campo realizada durante o carnaval 2018 pra elaboração de TCC e busca conhecer o conceito d cultura durante a maior manifestação d cultura popular do país. Visa analisar como os itans (cosmologia) afros são apresentados nas músicas cantadas pelo afoxé ALAFIN OYÓ (OLINDA/PE). E como esse processo d transmissão oral através da cultura popular, utilizando a música, influencia na construção da identidade das pessoas (negras), constituindo um patrimônio imaterial. O Afoxé é uma manifestação q tem profunda vinculação com as manifestações religiosas dos terreiros de candomblé e seus mitos. Composto por três termos: a, prefixo nominal; fo, significa dizer, pronunciar; xé, significa realizar-se. No iorubá significa “a fala que faz” ou “o enunciado que faz acontecer”, sendo um símbolo da cultura africana e foi a primeira manifestação negra a desfilar pelas ruas da Bahia (1885) com o afoxé Embaixada da África. Os mitos são narrativas de origem sobre algo. Em conjunto com as lendas e contos populares, sempre foram vias de acesso ao inconsciente de um povo. A palavra Ítán, refere-se à transmissão oral dos contos afro, especialmente as histórias dos tempos imemoriais ou mitos. Todavia, podemos observar q os afoxés também denominados “candomblé de rua” utilizam muitos dos itans para construir as letras de suas músicas cantadas fora dos terreiros, sendo uma forma de visibilizar a cosmologia afro e reforçar a construção afirmativa da identidade negra.  

A vida é sempre um mistério

(Dir. Calvin Da Cas Furtado | Brasil | 2019 | 17 min) 

Entre reflexões e performances, filosofias de vida propõe paralelos lúdicos com elementos da natureza. Um filme sobre o suicídio, a sexualidade, a liberdade, a loucura e o equilíbrio. A trajetória de uma missão. Um retrato de quatro integrantes do Movimento Nacional da População de Rua. (17 min). 

O que seus olhos não veem

(Dir. Julieta Pestarino | Argentina/Equador | 2018 | 08 min) 

partir de un viejo álbum fotográfico sobre Quito encontrado en um archivo de Buenos Aires, Julieta investiga la vida de André Roosevelt: um enigmático cineasta, fotógrafo, empresario, y aventurero franco-americano. Ante la múltiple y contradictoria evidencia de sus andanzas en diversos destinos del mundo, el trabajo se transforma en una colección interminable de datos que, en lugar de construir a su protagonista, lo alejan cada vez más. ¿Quién fue André Roosevelt? ¿Por qué fue a Ecuador? ¿Vale la pena responder a estas preguntas? 

A Utopia do Corpo Indisciplinado

(Dir. Michel de Paula Soares | Brasil | 2018 | 10 min) 

“A utopia do corpo indisciplinado” apresenta, de forma poética, experimental e musical, narrativas viscerais sobre a linguagem corporal da prática pugilística, desde a rotina das academias aos torneios e competições. Histórias de vida, corpos em metamorfose, olhares e gestos que representam, como mímica da violência, a postura da agressividade, se entrelaçam no limite entre o fantástico e o cotidiano. O filme é resultado da pesquisa de mestrado em Antropologia Social intitulada “A Nobre Arte e o bairro negro de São Paulo”, onde parti de meu próprio engajamento na construção do corpo boxeador como método etnográfico, “esporte ultra-individual, cuja aprendizagem é totalmente coletiva” (Wacquant, 2002, p.120). Filmado em preto-e-branco, parte de um modelo observacional “de perto e de dentro” (Magnani, 2012), buscando construir uma experiência sensorial. Boxe é “matemática”, “dor”, “sacrifício”, “amor”, “dança”, “é sério”, é “pensar com as pernas”, é “roubar no olho”, é para “existir em outro lugar”, é “ritmo, tempo e barulho”. O mundo do boxe envolve uma emaranhada e complexa trama política-social, justapondo masculinidades conflitantes e contraditórias, utopias e reterritorializações, significados sobre racismo e violência, disciplina e sacrifício, espaços urbanos e fronteiras simbólicas, resultando em dinâmicas históricas singulares e carregadas de significação para as pessoas envolvidas.

Domingo

(Dir. Paulo Mendel e Vitor Grunvald | Brasil | 2019 | 26 min) 

Um colorido e barulhento encontro com a Família Stronger, um coletivo LGBTQIA+ da periferia de São Paulo. Através de uma tela dividida, Domingo retrata um único dia no qual o coletivo se une para um animado almoço de família e, então, segue para as ruas em um dos protestos contra as forças conservadoras que culminaram no golpe de 2016. A câmera se move livremente entre o tempestuoso grupo, captando os gracejos espirituosos dessa família LGBT e a força de sua vontade política contra um estado que busca oprimir suas vozes.  

16h: Fatima (Mostra Cinema Pelo Mundo)

Dir. Philippe Faucon | França | Drama | 2015 | 79 min

Fatima vive com suas duas filhas Souad e Nesrine, elas são a sua motivação e orgulho, mas também fonte de preocupação. Para garantir às meninas o melhor futuro possível, Fatima trabalha de modo irregular como doméstica. Um dia, ela se acidenta. Enquanto está fora do trabalho, ela começa a escrever textos em árabe para as filhas, dizendo-as tudo o que ela nunca foi capaz de expressar em francês.

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19h: Irmã (Mostra Cinema Pelo Mundo)

Dir. Zach Clark | Estados Unidos | Comédia | 2016 | 91 min

Após um trauma envolvendo a sua mãe, a jovem Colleen decidiu abandonar o lar e se tornar freira, cortando totalmente o contato com a família. Um dia, recebe um e-mail anunciando que seu irmão está em casa após voltar da guerra do Iraque, com sequelas no corpo. Ela decide que é hora de visitar novamente a família e resgatar seu passado, quando era metaleira, gótica, num lar liberal e excessivo.

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