Nascida em Bagé, Teresa Poester vivia as inquietudes de uma criança desejosa de respostas para seus porquês. Aos 10 anos, encontrou seu rumo numa escola de artes na capital gaúcha. Hoje, vive outras inquietudes a 70 km de Paris, em Éragny-sur-Epte, onde dá continuidade a sua carreira de artista, não interrompida pela sua aposentadoria de professora do Instituto de Artes da UFRGS. Nesta trajetória, a artista agregou experiências e produções ao seu currículo de vida. Sua coleção de memórias artísticas e pessoais será compartilhada com o público no próximo catálogo do projeto Percurso do Artista. O lançamento da obra está previsto para ocorrer até o final de maio deste ano.

Transcendendo a importância pessoal em reviver sua jornada, a homenagem à Teresa Poester significa uma vitória feminina: será o primeiro Percurso do Artista protagonizado por uma mulher.”Espero estar inaugurando uma leva de mulheres”, anseia a homenageada.A produção pioneira conta com textos da crítica de arte Luísa Kiefer e de Eduardo Veras, curador da exposição Até que meus dedos sangrem, além de organizador do catálogo.

A proposta do livro realizado pelo Departamento de Difusão Cultural da UFRGS é celebrar a arte local e seus autores. Olhando para trás, Teresa transgride suas lembranças para interligar os trabalhos do início de sua carreira com os atuais. A desenhista acredita que cada obra é o resultado da soma de aprendizagens, e deseja transmitir essa perspectiva no livro. A linha cronológica idealizada por Teresa, então, dá as boas-vindas com obras da exposição realizada para o Percurso do Artista e finaliza com o começo de sua jornada artística, na década de 1970.

Em mais de quinze páginas de entrevista cedida para Veras, elaborada ao longo de um ano, Teresa abriu as portas do seu acervo e do seu íntimo para expor trabalhos e recordações. A fim de ilustrar os seus 65 anos de vida e 40 dedicados à arte, o catálogo retrata uma cronologia de fatos e fotos que distanciam sua personalidade da frieza de um currículo. Teresa compartilha também, em texto autoral, as experiências vividas na França por 45 dias com o grupo Atelier D43. Revela, na publicação, o vínculo que foi estabelecido a partir deste trabalho com o coletivo de arte.

A simbologia do catálogo vermelho – cor que predomina na capa, no conteúdo e na sua exposição – é um singelo modo de reafirmar as concepções de Teresa: intensidade, crítica política e provocação. Comprimindo toda sua complexidade, o catálogo convida para uma imersão no mar de arte e subjetividade de uma das personagens da história artística do Estado – e da Universidade.

Serviço 

Exposição Até que meus dedos sangrem | Percurso do Artista 

Horário: de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h, pela manhã, e das 14h às 17h pela tarde. 

Local: Sala Fariohn (Av. Paulo Gama, 110 –  2º andar do prédio da Administração Central, na Reitoria)

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