Simone Rasslan finaliza temporada do Núcleo da Canção propondo uma nova forma de pensar e ouvir o silêncio

 

Para encerrar o ano repleto de encontros que discutiram a canção por diversas perspectivas e ritmos, a artista e professora Simone Rasslan apresenta, na última edição desta temporada do Núcleo da Canção, uma proposta singular e provocativa acerca do silêncio e da escuta como elementos essenciais da subjetividade humana. Contextualizando e adequando suas reflexões em âmbito pedagógico, a educadora musical sugere na sua pesquisa de doutorado, A escuta, a canção e o silêncio: matéria da educação, uma análise sobre o tema através de uma coleção de canções da música popular brasileira. A palestra-performance acontece dia 21 de novembro, às 19h, no Centro Cultural da UFRGS e conta com a mediação de Carol Abreu e Lígia Petrucci

Com o intuito de relacionar o pensar a educação como arte e/ou atualizar os sentidos da educação, a pesquisadora selecionou sete músicas que lhe serviram de objeto e método de pesquisa para analisar o “silêncio cantado”. A base do pensamento foucaultiano, somada a ditos populares e textos filosóficos, sustentam a ideia de constituição de si – os desdobramentos do próprio eu – que percorre toda a produção acadêmica de Simone.  Os versos e melodias de Cala a boca, Bárbara, de Chico Buarque, contemplam um capítulo voltado para o silêncio no corpo e no ser mulher. A letra do cancionista da MPB se encontra com a proposta da tese para, então, gerar um questionamento: o que é o silêncio no corpo feminino e o que ele representa? A partir de uma interpretação voltada para o seu eu interior, Simone provoca o autoconhecimento através de um olhar e escuta pacientes, ultrapassando a constituição do silêncio na mulher para outras esferas. 

Numa tentativa de ressignificar a agonia que por vezes o silêncio causa, a autora sugere o oposto, uma fonte de aprendizado através da escuta e do ensinamento sem palavras. O estudo do silêncio rompe com as concepções pré-dispostas de escrita e de música, ressaltando ainda mais a necessidade de fazê-lo, revela a educadora. “A educação não trabalha com a hipótese de silêncio, mas do barulho”, lamenta Simone. “Nas escolas, a gente pede silêncio aos berros”, ironiza, ao contar sobre as contradições e desconhecimentos acerca do poder e potencialidade do silêncio. 

Tematizando, também, os “furtos na arte”, conceito que a autora utiliza para definir intertextualidade, Simone fala sobre a riqueza das trocas e “roubos” de produções artísticas. “Tanto o roubado, quanto o ladrão saem mais ricos”, metaforiza. Em sintonia com essa ideia, a artista regravou a coleção de canções selecionadas para a pesquisa, com interpretação autoral e um arranjo diferenciado, dando ênfase ao silêncio que percorre a escrita e a música, como também produziu sete textos ensaísticos. Ambas produções serão compartilhadas com o público na noite do dia 21. “Percebo, como professora de música e como artista, que o fazer musical, ao reconhecer o silêncio como sua produção intrínseca, exercita a invenção de sujeitos determinados”, conclui. Assim, Simone convida todos para uma aula sobre as ressignificações do silêncio na canção e na educação, um convite para “desprender-se de si, com toda agonia que esse movimento exige”. 

Sobre a artista

Simone Rasslan é doutora em Educação pela UFRGS. Formada em Música – bacharel em Regência Coral (UFRGS) e em Pedagogia –Orientação Educacional (UFMS). É instrumentista, compositora e educadora musical, citada como referência pelo competente trabalho de preparação musical para atores. Fez a preparação musical dos últimos cinco espetáculos dirigidos por Felipe Hirsch. Considerada uma das cantoras mais conhecidas de Porto Alegre, criou, ao lado de Adriana Marques e Hique Gomez, o espetáculo Rádio Esmeralda que ficou em cartaz durante 9 anos. Recebeu cinco prêmios por trilhas sonoras para teatro. Em música, foi premiada como cantora revelação em 1999 e seu álbum, Xaxados e Perdidos, é o grande vencedor do Prêmio Açorianos de Música em 2012, levando quatro troféus: de melhor arranjador (para Álvaro RosaCosta, Beto Chedid e Simone Rasslan), melhor intérprete MPB para Simone, melhor Disco MPB e o mais esperado, Disco do Ano. Integra o espetáculo A Sbørnia Kontratacka, ao lado de Hique Gomez.

Serviço

Núcleo da CançãoA escuta, a canção e o silêncio: matéria da educação, com Simone Rasslan| Mediação de Carol Abreu e Lígia Petrucci

Data: 21 de novembro, às 19h

Local: Sala Araucária do Centro Cultural da UFRGS (Av. Luiz Englert, 333)

Entrada franca

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