Teresa Poester reflete sobre Percurso do Artista: “um encerramento como professora, mas não como artista”

Convidada para o próxima edição do projeto Percurso do Artista – organizado pelo Departamento de Difusão Cultural da UFRGS e interrompido desde 2014, a artista visual Teresa Poester vive atualmente em Éragny-sur-Epte, a cerca de 70 km de distância de Paris e antigo lar do famoso pintor impressionista Camille Pissarro (1830-1903). Professora aposentada do Instituto de Artes da UFRGS, Teresa, além do desenho, trabalha com ferramentas tecnológicas, como programas de edição de vídeo e fotos.

Em conversa com a equipe do DDC-UFRGS, a agora artista multimídia explica que utilizará elementos em vermelho na exposição que homenageará a sua trajetória de décadas de carreira de 30 de setembro a maio de 2020 na Sala João Fahrion, no 2º andar do prédio da Reitoria da UFRGS, intitulada Até que meus dedos sangrem. Além da parte multimídia (com vídeos feitos em colaboração com Vagner Cunha, Vado Vergara e James Zortéa) para a exposição, Teresa Poester vai montar obras especialmente para o Percurso do Artista com tons desenhados com lápis de cor sobre papel e traços com canetas esferográficas.

Em 7 de setembro, a artista realizou, junto com outros 25 colaboradores do campo das artes, a performance também intitulada Até que meus dedos sangrem, com canetas BIC vermelha. A obra produzida no dia será exibida na exposição regular a partir do dia 30. Confira a entrevista com a artista:

 

DDC-UFRGS – O que você poderia falar sobre o projeto Percurso do Artista? Quão importante é o projeto voltar após cinco anos desde a última edição?

Teresa Poester – Eu conheço bastante o projeto porque fui professora do Instituto de Artes durante todo meu percurso de professora aqui na UFRGS e acompanhei os meus colegas que já participaram. O último foi o artista visual [Luiz] Gonzaga, que já estava aposentado há algum tempo. Agora, é a minha vez, já que me aposentei no ano passado. Então para mim é como se fosse um encerramento de um percurso de professor, não um encerramento de um percurso de artista.

DDC – Essa era justamente uma questão que tínhamos… O que você vai mostrar na exposição Até que meus dedos sangrem? Será feita alguma retrospectiva de trabalhos antigos?

TP – Nós [o curador da exposição, Eduardo Veras, e eu] optamos por apresentar o trabalho que fiz na França nesses últimos dois anos desde que me aposentei. Tem também alguma coisa de vídeo que comecei em 2017, mas que nunca foi mostrado. Então, basicamente, a maior parte do trabalho foi feito lá na França, em Éragny-sur-Epte, onde eu moro e tenho um ateliê. Fica a uma hora de Paris, é uma cidade no campo, na região dos impressionistas, perto da Normandia. Estou montando uma exposição especificamente para esse Percurso do Artista na Sala Fahrion (2º andar da prédio da Reitoria da UFRGS). Nela, utilizarei elementos diversos, mas como base a cor vermelha.

DDC – Como a mudança de um ambiente urbano como Porto Alegre para uma cidade rural e bucólica como Éragny-sur-Epte afetou o seu trabalho como artista?

TP – Realmente mudou muito meu trabalho depois que comecei a viver neste lugar. Faz vinte anos que eu vivo entre lá e aqui, então não é algo recente, mas quando comecei a ir… aquele espaço entrou em mim. Meu trabalho se tornou mais ligado à natureza, e através dessa paisagem natural ele também acabou se tornando mais abstrato.

DDC – Você falou que tem trabalhado com vídeos. Qual é a inserção das tecnologias neste trabalho que será apresentado na Sala Fahrion?

TP – Bom, há muito tempo eu trabalho com desenho, desenho puro, lápis, papel e materiais básicos do desenho como caneta, lápis de cor e grafite. Eu faço um tipo de desenho que não é de contorno… é de campos e texturas. Muitas vezes, eu misturo o desenho com outras linguagens, como, por exemplo, impressão, gravura, manipulação digital no computador, fotografia e vídeo. Trabalho muito com vídeo e desenho de ação. Aqui na universidade, eu formei em 2011 um grupo que se chama Atelier D43 e que continua até hoje. Nós inauguramos aquele projeto do Centro Cultural do quadro negro [projeto Grafite de Giz]. Na época, eu estava longe, então participei com os alunos à distância e eles foram projetando e iam trabalhando em cima. Enfim, tenho esse trabalho coletivo e o individual. Tenho também um mais recente que vou mostrar aqui – de vídeo animação. É uma animação dos meus desenhos, mas de uma forma experimental. Não é uma animação com as técnicas tradicionais. Meu trabalho é muito experimental. Eu não sei o que vai acontecer. Eu experimento, experimento, experimento e acabo descobrindo caminhos.

DDC – E como é esse processo de animação?  

TP – Eu uso vários aplicativos. Uso o [Adobe] Premiere, o Photoshop, o After Effects, mas eu não desenho com o computador. Eu uso meus próprios desenhos e retrabalho. Vou descobrindo maneiras de fazer algo que acho interessante. Não gosto muito das coisas que sejam só tecnológicas, acho muito frio. Gosto de misturar. Teve, por exemplo, um vídeo que eu fiz que demorou dois anos até encontrar o jeito para fazer. Trabalho também com músicos. Na exposição vou mostrar dois vídeos com dois músicos que considero excelentes. Um deles é o Wagner Cunha, que é daqui e vai fazer uma performance no dia da abertura. O outro é franco-brasileiro, o Januíbe Tejera, que tem um trabalho bem interessante e experimental.

Serviço

Exposição Até que meus dedos sangrem – Percurso do Artista de Teresa Poester

Data: 30/09/19 a maio de 2020
Horário de visitação: 9h às 12h e das 14h às 18h de segunda a sexta-feira (exceto feriados)
Abertura: 30 de setembro de 2019 – 18h30
Local: Sala João Fahrion – 2º andar do prédio da Reitoria da UFRGS (Av. Paulo Gama, 110)

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