{"id":5595,"date":"2019-06-24T17:58:15","date_gmt":"2019-06-24T20:58:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/difusaocultural\/?p=5595"},"modified":"2020-11-27T15:37:06","modified_gmt":"2020-11-27T18:37:06","slug":"proximo-convidado-do-conferencias-ufrgs-2019-francisco-marshall-debate-a-producao-cultural-como-uma-experiencia-de-linguagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/difusaocultural\/proximo-convidado-do-conferencias-ufrgs-2019-francisco-marshall-debate-a-producao-cultural-como-uma-experiencia-de-linguagem\/","title":{"rendered":"Convidado do Confer\u00eancias UFRGS 2019, Francisco Marshall debate a produ\u00e7\u00e3o cultural como uma experi\u00eancia de linguagem"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quando a gente fala em pol\u00edtica cultural, a gente est\u00e1 pensando em como realizar, como fazer florescer e, logo, como comunicar&#8221;. Esse foi um dos assuntos abordados por Francisco Marshall, professor do Departamento de Hist\u00f3ria e do Instituto de Artes da UFRGS, em entrevista \u00e0 equipe do DDC*. Nesta quarta-feira, 26 de junho, \u00e0s 19h, o professor participa do <em><strong>Confer\u00eancias UFRGS 2019 &#8211; Cultura: para uma pol\u00edtica cultural da UFRGS <\/strong><\/em>(<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/difusaocultural\/conferencias-ufrgs-2019\/\">veja como se inscrever<\/a>) e fala sobre a produ\u00e7\u00e3o cultural como uma experi\u00eancia de linguagem e comunica\u00e7\u00e3o. O evento \u00e9 o quinto de dez encontros que acontecem at\u00e9 o final do ano no Centro Cultural da UFRGS. Confira a entrevista abaixo:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Difus\u00e3o Cultural &#8211; O que ser\u00e1 discutido durante a sua participa\u00e7\u00e3o no Confer\u00eancias UFRGS? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Francisco Marshall<\/strong> &#8211; A proposta das Confer\u00eancias UFRGS 2019 \u00e9 pensarmos pol\u00edticas culturais para a UFRGS. A minha confer\u00eancia formula os princ\u00edpios epistemol\u00f3gicos e metodol\u00f3gicos com que se pode realizar a comunica\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Falar sobre princ\u00edpios epistemol\u00f3gicos significa decidir qual a teoria do conhecimento que ser\u00e1 utilizada para determinar o objeto cultural examinado. (&#8230;) E segundo, a comunica\u00e7\u00e3o. Quando a gente fala em pol\u00edtica cultural, a gente est\u00e1 pensando em como realizar, como fazer florescer e, logo, como comunicar. Ent\u00e3o, vou examinar v\u00e1rios cen\u00e1rios em que pode ocorrer a comunica\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e apontar ali os desafios de linguagem disso, usando alguns modelos da teoria da comunica\u00e7\u00e3o que pensam a produ\u00e7\u00e3o, a codifica\u00e7\u00e3o, a transmiss\u00e3o, a decodifica\u00e7\u00e3o, a recep\u00e7\u00e3o, o feedback, ou seja, a din\u00e2mica do m\u00e9todo. Isso implica tamb\u00e9m, \u00e9 claro, em examinar pr\u00e1ticas tradicionais e em verificar a compatibilidade delas com o que \u00e9 objetivamente cultura acad\u00eamica, uma cultura que visa a forma\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>DDC &#8211; O que voc\u00ea acredita que a universidade deve realizar em termos de pol\u00edticas culturais?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>FM &#8211;<\/strong> A comunica\u00e7\u00e3o cultural depende da cria\u00e7\u00e3o de linguagens criativas que integrem transversalmente v\u00e1rios campos. Esse \u00e9 o grande desafio. Isso pode ser induzido institucionalmente e favorecido por pol\u00edticas, ambientes, programas, metas. \u00c9 preciso que os interessados na comunica\u00e7\u00e3o cultural possam ter ambientes de encontro, di\u00e1logo e cria\u00e7\u00e3o cooperativa.  <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>DDC &#8211; Voc\u00ea realizou uma aula p\u00fablica no centro de Porto Alegre em outubro do ano passado. Como podemos expandir o conceito e a ideia destas aulas? A universidade pode ampliar sua comunica\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico em geral e utilizar a cultura como ponte para esse di\u00e1logo? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>FM &#8211; <\/strong>Bom, eu vejo a comunica\u00e7\u00e3o cultural acad\u00eamica como o melhor cen\u00e1rio para a intera\u00e7\u00e3o criativa. Ent\u00e3o, ela requer que todos os campos de pensamento criativo participem da elabora\u00e7\u00e3o de um outro fen\u00f4meno de linguagem, que \u00e9 diferente de uma sala de aula, de uma apresenta\u00e7\u00e3o em um congresso, pois vai ao encontro de um outro olhar, outro corpo, uma outra sensibilidade. \u00c9 importante, por\u00e9m, que n\u00e3o se abra m\u00e3o dos conceitos, pois s\u00e3o o fundamento. \u00c9 preciso, nesse caso, entender que n\u00e3o \u00e9 apenas uma aula realizada no ambiente p\u00fablico, mas uma experi\u00eancia de linguagem realizada junto ao outro p\u00fablico. O formato permite uma abertura para o di\u00e1logo que n\u00e3o h\u00e1 na sala de aula e, para isso, \u00e9 necess\u00e1rio um planejamento dramat\u00fargico, coreogr\u00e1fico, musical, ret\u00f3rico. H\u00e1 uma produ\u00e7\u00e3o similar \u00e0 uma produ\u00e7\u00e3o teatral, com diferen\u00e7a que o teatro \u00e9 um espet\u00e1culo e est\u00e1 destacado do cotidiano, est\u00e1 l\u00e1 naquele palco ficcional. J\u00e1 a aula, tem os elementos da fic\u00e7\u00e3o teatral, por\u00e9m \u00e9 aberta. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>DDC &#8211; Neste sentido, qual o papel do Departamento de Difus\u00e3o Cultural da UFRGS quando se trata da comunica\u00e7\u00e3o cultural?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>FM &#8211; <\/strong>O DDC tem a seu favor a possibilidade de congregar os recursos, chamar,&nbsp; aproximar, oferecer ambientes de encontro e de cria\u00e7\u00e3o, que depois v\u00e3o ajudar a projetar para fora. \u00c9 como uma experi\u00eancia de linguagem em que precisamos usar a carga de conhecimentos que n\u00f3s temos \u00e0 favor de uma intensidade criativa. Nesse sentido, claro, estamos concorrendo com as cinzas do cotidiano, com o torpor da sociedade midi\u00e1tica atual em que h\u00e1 um bombardeio de informa\u00e7\u00f5es, com os elementos angustiantes da crise que n\u00f3s vivemos e com uma heterogeneidade cognitiva-cultural do nosso destinat\u00e1rio. Isso tudo s\u00e3o desafios. N\u00e3o se trata apenas de fazer uma aula p\u00fablica, de realizar uma aula. \u00c9 uma esp\u00e9cie de aula espet\u00e1culo, que tem que ter uma radar sobre o mundo em que vivemos. Onde est\u00e1 o ponto quente? Onde est\u00e1 a car\u00eancia? \u00c9 ali que a gente tem que incidir. Com serenidade, consist\u00eancia, boas qualidades, sem comprar convic\u00e7\u00f5es baratas. Devemos traduzir o que for poss\u00edvel para um ambiente de conceitos, de reflex\u00e3o, de conhecimento e de mudan\u00e7as. E isso, voltando ao ponto de partida, \u00e9 compat\u00edvel com o que vou apontar nessa confer\u00eancia, relativo \u00e0 linguagem acad\u00eamica e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o cultural como uma experi\u00eancia de linguagem. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>DDC &#8211; Como professor do Instituto de Artes, o que vem sendo produzido por seus alunos? Tem alguma inciativa ou trabalho recente, feito por esses jovens artistas, que voc\u00ea gostaria de compartilhar? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>FM &#8211; <\/strong>Agora, na Pinacoteca Bar\u00e3o de Santo \u00c2ngelo &#8211; o espa\u00e7o expositivo do Instituto de Artes &#8211; tem uma exposi\u00e7\u00e3o de acad\u00eamicos chamada Balb\u00fardia. Essa exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 uma resposta muito r\u00e1pida \u00e0 uma agress\u00e3o feita por ningu\u00e9m menos que o ministro da Educa\u00e7\u00e3o, tentando denunciar o que ele acha que \u00e9 indevido, e que na verdade \u00e9 uma virtude da universidade, a sua capacidade de contesta\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria do universo e que nos fundamenta, que \u00e9 o universo de jovens como voc\u00eas. Se houverem jovens conformados reproduzindo os modelos passivamente acabou a humanidade, quem dir\u00e1 a universidade que deve ser um cen\u00e1rio de acolher. Ent\u00e3o, essa \u00e9 uma resposta interessante, que mostra com ironia, uma atividade criativa recente, pegando rapidamente uma palavra que estava em circula\u00e7\u00e3o e dando um troco com conte\u00fado em um espa\u00e7o central da cidade, expositivo, p\u00fablico, aberto. O papel das artes e da comunica\u00e7\u00e3o como um todo \u00e9 o mais importante, que \u00e9 aquele que aparece, mobiliza, seduz e envolve.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">* Entrevista realizada pelas estudantes de jornalismo da UFRGS e bolsistas, Joyce Rocha e Anna Ortega, sob supervis\u00e3o de Jo\u00e3o Vitor Novoa. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Quando a gente fala em pol\u00edtica cultural, a gente est\u00e1 pensando em como realizar, como fazer florescer e, logo, como comunicar&#8221;. 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