{"id":8811,"date":"2019-11-14T15:39:19","date_gmt":"2019-11-14T18:39:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/difusaocultural\/?p=8811"},"modified":"2021-06-24T16:59:49","modified_gmt":"2021-06-24T19:59:49","slug":"exposicao-nosso-lugar-ao-sol-propoe-discutir-a-fetichizacao-e-a-censura-ao-corpo-feminino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/difusaocultural\/exposicao-nosso-lugar-ao-sol-propoe-discutir-a-fetichizacao-e-a-censura-ao-corpo-feminino\/","title":{"rendered":"Exposi\u00e7\u00e3o Nosso Lugar ao Sol prop\u00f5e discutir a fetichiza\u00e7\u00e3o e a censura ao corpo feminino"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"8811\" class=\"elementor elementor-8811\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-88a2836 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default wpr-particle-no wpr-jarallax-no wpr-parallax-no wpr-sticky-section-no wpr-column-slider-no wpr-equal-height-no\" data-id=\"88a2836\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-7a67c72\" data-id=\"7a67c72\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-d167c84 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"d167c84\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Desenvolvida em tr\u00eas eixos, a exposi\u00e7\u00e3o <strong><em>Nosso Lugar ao Sol<\/em><\/strong> discute uma nova leitura das imagens que ser\u00e3o exibidas a partir de 29 de novembro no <strong>Centro Cultural da UFRGS<\/strong>. Por meio das dualidades juventude e imperman\u00eancia; natural e artificial; desejo e consuma\u00e7\u00e3o; ef\u00eamero e permanente; e vida e morte, a mostra tra\u00e7ar\u00e1 uma perspectiva dos trabalhos desenvolvidos pela fot\u00f3grafa <strong>Rochele Zandavalli<\/strong> (Garibaldi, RS, 1980), buscando tamb\u00e9m dialogar sobre a fetichiza\u00e7\u00e3o e outros aspectos do corpo feminino.<\/p><p>O primeiro eixo da exposi\u00e7\u00e3o ter\u00e1 como mote a s\u00e9rie <em>Todos esses novos adoradores do sol<\/em>, projeto desenvolvido desde 2013 com os princ\u00edpios da dualidade mencionados e que retratam imagens de um jovem que perambula em meio \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o, observando tudo atrav\u00e9s de uma lupa. No caso, a lupa \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o da c\u00e2mera fotogr\u00e1fica. Outra s\u00e9rie que abordar\u00e1 a tem\u00e1tica ser\u00e1 <em>Morangos<\/em>\u00a0<i>mofam<\/i>.<\/p><p>A quest\u00e3o em torno da fetichiza\u00e7\u00e3o da mulher girar\u00e1 em torno da apropria\u00e7\u00e3o de fotografias antigas e de uma sequ\u00eancia de interven\u00e7\u00f5es nas imagens, como incis\u00f5es, cortes, bordados, justaposi\u00e7\u00e3o a suportes como pequenas toalhas de croch\u00ea, al\u00e9m de utilizar esmaltes de unhas como recursos imag\u00e9ticos. A partir dessas representa\u00e7\u00f5es, Zandavalli indaga ao espectador o motivo de certos objetos serem valorizados, ao passo que s\u00e3o usados especialmente para embelezar tecidos mortos, como as unhas. Nas palavras da artista, unhas lixadas e pintadas aludem, simbolicamente, \u00e0s \u201cgarras civilizadas\u201d: \u201cUma camada de falso verniz, um artif\u00edcio superficial e fr\u00e1gil, que domestica nossas presas animais\u201d, explica.<\/p><p>Em seu \u00faltimo n\u00facleo, a exposi\u00e7\u00e3o penetra ainda mais na discuss\u00e3o sobre o corpo feminino, atrav\u00e9s da reprodu\u00e7\u00e3o do v\u00eddeo <em>Freethenipple<\/em>, um coment\u00e1rio cr\u00edtico \u00e0 censura imposta aos mamilos femininos em redes de compartilhamento de imagens. Produzido a partir da capta\u00e7\u00e3o de centenas de imagens censuradas nas plataformas digitais, o v\u00eddeo evidencia como o corpo da mulher vem sendo constantemente violentado. \u201cAs interven\u00e7\u00f5es censurantes utilizadas para garantir a circula\u00e7\u00e3o das fotografias s\u00e3o muitas, desde poses e objetos em frente aos seios, passando por tarjas, riscos, emojis, pixeis, blur, at\u00e9 o ponto de ocorrer a completa retirada digital do mamilo. Resta um seio artificializado, ultrajado e negado. E isso significa muito\u201d, ilustra Zandavalli.<\/p><p><em>Nosso lugar ao sol<\/em> conta com a curadoria da professora do Instituto de Artes <strong>Paula Ramos<\/strong> e com realiza\u00e7\u00e3o do <strong>Departamento de Difus\u00e3o Cultural da UFRGS<\/strong>. O vernissage ocorre em 28 de novembro de 2019, \u00e0s 19h, com entrada livre. A visita\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico inicia no seguinte e segue at\u00e9 fevereiro de 2020 de segunda a sexta-feira das 9h \u00e0s 19h no Centro Cultural da UFRGS. A mostra \u00e9 uma iniciativa desenvolvida atrav\u00e9s do projeto Unifoto, do Departamento de Difus\u00e3o Cultural da UFRGS.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-8626f11 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default wpr-particle-no wpr-jarallax-no wpr-parallax-no wpr-sticky-section-no wpr-column-slider-no wpr-equal-height-no\" data-id=\"8626f11\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-34105fb\" data-id=\"34105fb\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-403d68c elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"403d68c\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Rochele Zandavalli (Garibaldi, RS, 1980) \u00e9 artista visual, graduada em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da UFRGS, com mestrado em Po\u00e9ticas Visuais pelo PPGAV-UFRGS. Professora junto \u00e0 Unisinos, atuando nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica em Fotografia e Cinema e Realiza\u00e7\u00e3o Audiovisual. Fot\u00f3grafa da Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o da UFRGS. Foi extensionista do N\u00facleo de Fotografia da mesma Universidade, pesquisando, em especial, aspectos da Fotoqu\u00edmica.<\/p><p>Tamb\u00e9m atua como professora na Fluxo \u2013 Escola de Fotografia Expandida. Possui obras na Cole\u00e7\u00e3o Joaquim Paiva, em comodato com o MAM Rio; na Cole\u00e7\u00e3o Pierre Bessard, em Paris; nos acervos do Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (Margs), do Museu de Arte Contempor\u00e2nea do Rio Grande do Sul (MAC RS) e da Funda\u00e7\u00e3o Vera Chaves Barcellos. Sua produ\u00e7\u00e3o em fotografia destaca-se pelo investimento na materialidade do suporte, na mistura entre t\u00e9cnicas e na coexist\u00eancia entre tecnologias, operando muitas vezes com processos anal\u00f3gicos em laborat\u00f3rio e processos experimentais.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-c3530c8 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default wpr-particle-no wpr-jarallax-no wpr-parallax-no wpr-sticky-section-no wpr-column-slider-no wpr-equal-height-no\" data-id=\"c3530c8\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-9c0793c\" data-id=\"9c0793c\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-866ae5c elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"866ae5c\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Abertura<\/span><\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Data: 28 de novembro de 2019<\/li>\n<li>Hor\u00e1rio: 19h<\/li>\n<li>Local: Centro Cultural da UFRGS<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Visita\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Per\u00edodo: 29\/11\/2019 a 25 de mar\u00e7o de 2020<\/li>\n<li>Hor\u00e1rios: de segunda a sexta-feira das 9h \u00e0s 19h<\/li>\n<li>Local: Centro Cultural da UFRGS<\/li>\n<\/ul>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-494294d elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default wpr-particle-no wpr-jarallax-no wpr-parallax-no wpr-sticky-section-no wpr-column-slider-no wpr-equal-height-no\" data-id=\"494294d\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-3594692\" data-id=\"3594692\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-908ba7d elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"908ba7d\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Em algum momento de sua juventude, a mulher com cabelos crespos e vestido estampado posou diante de uma paisagem n\u00e3o t\u00e3o esmaecida, com sua garrafa de bebida, talvez j\u00e1 vazia, para uma pessoa dotada de equipamento fotogr\u00e1fico. Provavelmente confiante na capacidade do dispositivo tecnol\u00f3gico de n\u00e3o apenas fixar aquele momento de regozijo, mas de vencer o tempo, ela distendeu o corpo, peso apoiado nos bra\u00e7os, pernas semiabertas, em ineg\u00e1vel bem-estar; tamb\u00e9m inclinou a cabe\u00e7a e lan\u00e7ou o olhar ao longe, desviando tanto do observador presente, por tr\u00e1s da objetiva em prontid\u00e3o, como do hipot\u00e9tico espectador futuro, diante da c\u00f3pia em papel. Em seu rosto, o semblante de contentamento e deleite.<\/p>\n<p>Adiante, em algum momento de sua pesquisa po\u00e9tica, a artista se deparou com essa imagem e estabeleceu um di\u00e1logo \u00edntimo com a mo\u00e7a de postura e express\u00e3o prazenteiras, que insistia em lhe sorrir. Empregando esmalte vermelho, delicadamente insuflou a imagina\u00e7\u00e3o quanto \u00e0s cores do vestido e, por extens\u00e3o, \u00e0 personalidade da mulher, ao mesmo tempo em que inseriu um elemento novo e perturbador: uma forma dourada que rasga a composi\u00e7\u00e3o em diagonal, incidindo sobre a figura feminina. Raio de sol ou rel\u00e2mpago? Carga ou descarga de energia? Fen\u00f4meno f\u00edsico ou interven\u00e7\u00e3o divina? \u00canfase ou aniquilamento?<\/p>\n<p>Diversas tens\u00f5es atravessam as obras de Rochele Zandavalli e, em especial, as que integram esta exposi\u00e7\u00e3o. Tens\u00f5es entre suportes, materiais e suas cargas simb\u00f3licas; tens\u00f5es entre procedimentos, tecnologias e temporalidades; tens\u00f5es entre formas e figuras, suas sobreposi\u00e7\u00f5es e camadas de sentido; tens\u00f5es em torno dos clich\u00eas relacionados \u00e0 mulher, seu corpo e seu comportamento; tens\u00f5es entre o que se revela e o que parece ser. Reconhecida por se apropriar e ressignificar fotografias antigas e em preto e branco de pessoas an\u00f4nimas, majoritariamente mulheres, Rochele insere formas, cores, bordados e (mais raramente) palavras, \u00e0s vezes exclui partes, ao mesmo tempo em que elege materiais e procedimentos que sutilmente indicam suas provoca\u00e7\u00f5es. Na s\u00e9rie <em>A primeira a sumir <\/em>(2017), por exemplo, contrap\u00f5e aos retratos fotogr\u00e1ficos recortados e em processo de desaparecimento \u2013 seja pela debilidade da emuls\u00e3o qu\u00edmica ou pela fragilidade imposta pela pr\u00f3pria artista, ao retalhar a imagem \u2013 toalhinhas em croch\u00ea, linhas douradas e brincos, elementos tradicionalmente associados ao feminino. Investindo em engenhoso desconforto, ela critica os estere\u00f3tipos, ao mesmo tempo em que parece perguntar: o que efetivamente permanece?<\/p>\n<p>O uso de esmalte para unhas como mat\u00e9ria de pintura \u00e9 dominante na s\u00e9rie que d\u00e1 t\u00edtulo \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o. Em <em>Nosso lugar ao sol <\/em>(2019), pequenas imagens exibindo grupos de mulheres em poses estudadas e fei\u00e7\u00f5es sorridentes, novamente com incis\u00f5es, s\u00e3o cobertas por camadas desse verniz \u00edndice inequ\u00edvoco de vacuidade. Associado ao artif\u00edcio e uma vez mais ao feminino, o esmalte tem, para a artista, um significado carregado de ironia: \u201cEle domestica nossas presas animais. As unhas coloridas s\u00e3o nossas garras civilizadas e inofensivas\u201d. Simbolicamente, o esmalte dociliza a mulher, ao mesmo tempo em que lhe reveste de caracter\u00edsticas socialmente desej\u00e1veis. Afinal, uma \u201cverdadeira dama\u201d n\u00e3o exibe cut\u00edculas, ri de forma comedida, cobre-se de cores e maquiagem para tornar-se desej\u00e1vel aos olhos dos outros e jamais constrange a sociedade insinuando ou exibindo, por exemplo, seus mamilos.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a pauta de <em>Freethenipple <\/em>(2018), coment\u00e1rio arguto \u00e0 censura imposta aos mamilos femininos em redes sociais. Associando-se ao movimento mundial que clama a liberdade da mulher de exibir os seios, denunciando a objetifica\u00e7\u00e3o sexual e defendendo a igualdade de g\u00eanero, o v\u00eddeo \u00e9 resultado da apropria\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o de dezenas de fragmentos de imagens que Rochele acessou em seu instagram, todas bloqueando mamilos femininos, identificados como pornografia. As interven\u00e7\u00f5es passam pelo uso de tarjas, riscos, emojis e pixels, at\u00e9 seu apagamento completo. Nesse processo, restam imagens de seios artificializados, ultrajados, negados. Por extens\u00e3o, mulheres artificializadas, ultrajadas, negadas.<\/p>\n<p>Natural e artificial, corpo e natureza e, uma vez mais, vacuidade. Desenvolvida desde 2013, a s\u00e9rie <em>Todos esses novos adoradores do sol <\/em>insinua a narrativa de um jovem que cruza um m\u00edstico portal, perambula em meio \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o e passa a observar tudo atrav\u00e9s de uma lupa. \u00c9 a lupa \u2013 met\u00e1fora da pr\u00f3pria c\u00e2mera fotogr\u00e1fica \u2013 que lhe revela novas formas e camadas de realidade, num caminho at\u00e9 a quase abstra\u00e7\u00e3o, sugerindo tamb\u00e9m o processo de pertencimento e comunh\u00e3o com o \u201csagrado universal\u201d representado pela natureza: o corpo humano encontrando-se nos corpos das mat\u00e9rias mineral e vegetal. As imagens exibem uma dualidade constante: juventude e imperman\u00eancia, simulacro e experi\u00eancia, desejo e consuma\u00e7\u00e3o, vida e morte. Aspectos similares atravesssam a s\u00e9rie <em>Oculto <\/em>(2009), em que as peles\/camadas humana (performativa), vegetal (projetiva) e fotogr\u00e1fica (t\u00e9cnica) amalgam-se na imagem, assim como, em especial, na s\u00e9rie <em>Morangos mofam <\/em>(2019), <em>vanitas <\/em>por excel\u00eancia, escancarando no <em>close-up <\/em>a en\u00e9rgica e incontorn\u00e1vel a\u00e7\u00e3o do tempo, macera\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria, da energia, da beleza e, por que n\u00e3o, da imagem.<\/p>\n<p>Em obras diminutas e delicadas ou gritantes e expl\u00edcitas; em obras calcadas na narrativa ou sugestivas em sua forma e mat\u00e9ria; em obras que dialogam com grandes g\u00eaneros art\u00edsticos ou que questionam clich\u00eas em torno do g\u00eanero feminino&#8230; em todas elas, Rochele convida o espectador a olhar com vagar, fugindo das percep\u00e7\u00f5es ligeiras e das interpreta\u00e7\u00f5es prontas; em todas elas, reclama o direito \u00e0 express\u00e3o, \u00e0 liberdade, \u00e0 luz e ao sol, que tornam real a mat\u00e9ria primeira da fotografia e a nossa pr\u00f3pria exist\u00eancia. \u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-92d851b elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default wpr-particle-no wpr-jarallax-no wpr-parallax-no wpr-sticky-section-no wpr-column-slider-no wpr-equal-height-no\" data-id=\"92d851b\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-621ae7e\" data-id=\"621ae7e\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-bfa2990 elementor-arrows-position-inside elementor-pagination-position-outside elementor-widget elementor-widget-image-carousel\" data-id=\"bfa2990\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;slides_to_show&quot;:&quot;1&quot;,&quot;navigation&quot;:&quot;both&quot;,&quot;autoplay&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;pause_on_hover&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;pause_on_interaction&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;autoplay_speed&quot;:5000,&quot;infinite&quot;:&quot;yes&quot;,&quot;effect&quot;:&quot;slide&quot;,&quot;speed&quot;:500}\" data-widget_type=\"image-carousel.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-image-carousel-wrapper swiper\" role=\"region\" aria-roledescription=\"carousel\" aria-label=\"Carrossel de imagens\" dir=\"ltr\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-image-carousel swiper-wrapper\" aria-live=\"off\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"swiper-slide\" role=\"group\" aria-roledescription=\"slide\" aria-label=\"1 de 4\"><a data-elementor-open-lightbox=\"yes\" data-elementor-lightbox-slideshow=\"bfa2990\" data-elementor-lightbox-title=\"Todos esses novos adoradores do sol - Rochele Zandavalli (11)\" data-e-action-hash=\"#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6ODg0NSwidXJsIjoiaHR0cHM6XC9cL3d3dy51ZnJncy5iclwvZGlmdXNhb2N1bHR1cmFsXC93cC1jb250ZW50XC91cGxvYWRzXC8yMDE5XC8xMVwvVG9kb3MtZXNzZXMtbm92b3MtYWRvcmFkb3Jlcy1kby1zb2wtUm9jaGVsZS1aYW5kYXZhbGxpLTExLXNjYWxlZC5qcGciLCJzbGlkZXNob3ciOiJiZmEyOTkwIn0%3D\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/difusaocultural\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Todos-esses-novos-adoradores-do-sol-Rochele-Zandavalli-11-scaled.jpg\"><figure class=\"swiper-slide-inner\"><img decoding=\"async\" class=\"swiper-slide-image lazyload\" data-src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/difusaocultural\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Todos-esses-novos-adoradores-do-sol-Rochele-Zandavalli-11-1024x679.jpg\" alt=\"Todos esses novos adoradores do sol - Rochele Zandavalli\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 1024px; 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