{"id":1,"date":"2016-06-14T13:05:21","date_gmt":"2016-06-14T13:05:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/divulgacaodaciencia\/?p=1"},"modified":"2016-07-04T12:13:07","modified_gmt":"2016-07-04T12:13:07","slug":"do-dialogo-a-psicoterapia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/divulgacaodaciencia\/2016\/06\/14\/do-dialogo-a-psicoterapia\/","title":{"rendered":"Do Di\u00e1logo \u00e0 Psicoterapia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/divulgacaodaciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/dodialogo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-16 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/divulgacaodaciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/dodialogo-300x180.jpg\" alt=\"dodialogo\" width=\"300\" height=\"180\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/divulgacaodaciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/dodialogo-300x180.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/divulgacaodaciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/dodialogo.jpg 700w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><span style=\"margin-left: 28px;\">Historicamente,<\/span> aprendemos a recorrer a pessoas para adquirirmos informa\u00e7\u00f5es. A pr\u00e1tica cultural de buscar algu\u00e9m mais \u201cexperiente\u201d, por exemplo, \u00e9 algo que foi passado atrav\u00e9s das gera\u00e7\u00f5es devido \u00e0 sua praticidade e utilidade. Durante a nossa cria\u00e7\u00e3o, em diversas circunst\u00e2ncias nossos familiares nos indicaram o nome, a posi\u00e7\u00e3o e a fun\u00e7\u00e3o de um determinado objeto. As crian\u00e7as normalmente ouvem de seus pais certas \u201cregras\u201d sobre como o mundo funciona e o que se deve fazer diante de um contexto X ou Y. O que temos aqui \u00e9 o efeito que uma conversa pode ter sobre o comportamento.<br \/>\nExistem diversos transtornos mentais e problemas psicol\u00f3gicos que podem nos levar ao tratamento, sendo que todos eles envolvem um sofrimento significativo. Nestas horas, recorrer a amigos e familiares pode n\u00e3o ser suficiente ou ser ben\u00e9fico apenas a curto prazo. Isto acontece porque muitas das pessoas que confiamos est\u00e3o sob o efeito da <em>desejabilidade social<\/em>, ou seja, est\u00e3o suscet\u00edveis a falar aquilo que elas sabem que queremos ouvir, o que nem sempre nos ajuda a descobrir a causa de nossos problemas. \u00c9 importante mantermos amizades e estarmos pr\u00f3ximos daqueles que amamos, entretanto, \u00e0s vezes precisamos conhecer melhor nossos problemas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>O que \u00e9 a Psicoterapia?<\/strong><\/em><br \/>\n<span style=\"margin-left: 28px;\">Diferente<\/span> de uma conversa com uma pessoa pr\u00f3xima, a psicoterapia n\u00e3o funciona apenas como um aconselhamento. O terapeuta est\u00e1 menos suscet\u00edvel \u00e0 <em>desejabilidade social<\/em> e, portanto, n\u00e3o busca falar algo para o paciente apenas \u201cse sentir melhor\u201d. O terapeuta tamb\u00e9m n\u00e3o busca resolver os problemas do paciente por ele. O que ocorre na psicoterapia \u00e9 diferente.<br \/>\n<span style=\"margin-left: 28px;\">No<\/span> Brasil, a psicoterapia \u00e9 praticada por <em>Psic\u00f3logos Cl\u00ednicos e Psiquiatras<\/em>. Ela pode ser classificada como um tratamento com base em uma <em>teoria psicol\u00f3gica do desenvolvimento e do comportamento humano<\/em>. Existem v\u00e1rias <em>abordagens de psicoterapia<\/em>: comportamental; psicanal\u00edtica\/psicodin\u00e2mica; humanista; cognitivo-comportamental; dentre outras. Cada uma delas \u00e9 baseada em um modelo te\u00f3rico que busca explicar quest\u00f5es como: Por que o indiv\u00edduo se comporta? Quais s\u00e3o as causas do comportamento? O que \u00e9 sofrimento? Como modificamos o comportamento? E o que \u00e9 um comportamento saud\u00e1vel\/n\u00e3o-saud\u00e1vel? Para responder cada uma destas quest\u00f5es, os pesquisadores interessados na psicoterapia utilizam de m\u00e9todos cient\u00edficos de investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Como ela \u00e9 investigada?<\/strong><\/em><br \/>\n<span style=\"margin-left: 28px;\">No<\/span> in\u00edcio das psicoterapias a \u00fanica maneira de saber se um tratamento funcionava era atrav\u00e9s da <a href=\"http:\/\/link.springer.com\/chapter\/10.1007%2F978-3-7091-1382-0_3\" target=\"_blank\">observa\u00e7\u00e3o cl\u00ednica<\/a>. Conforme o tratamento acontecia, o psicoterapeuta observava as rea\u00e7\u00f5es do paciente e os sinais de melhora. Tudo que era observado deveria ser escrito e divulgado a outros terapeutas para que estes compreendessem o que acontecia no tratamento e contribu\u00edssem com suas observa\u00e7\u00f5es.<br \/>\n<span style=\"margin-left: 28px;\">Com<\/span> o passar do tempo, os estudos mudaram. Um psic\u00f3logo e te\u00f3rico da personalidade chamado Hans Eysenck publicou, em <a href=\"http:\/\/psychclassics.yorku.ca\/Eysenck\/psychotherapy.htm\" target=\"_blank\">1952<\/a>, um artigo que afirmava que o efeito dos tratamentos psicoter\u00e1picos da \u00e9poca n\u00e3o era melhor do que a passagem do tempo. Ou seja, o passar do tempo foi considerado mais terap\u00eautico do que a terapia. Muitos pesquisadores duvidaram dos resultados de Eysenck e decidiram estudar o efeito das psicoterapias atrav\u00e9s de m\u00e9todos mais rigorosos de investiga\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<span style=\"margin-left: 28px;\">Alguns<\/span> dos novos m\u00e9todos empregados foram os <em>Estudos de Dose-Efeito<\/em>, os <em>Ensaios Cl\u00ednicos Randomizados<\/em> e os <em>Estudos de Processo<\/em> da psicoterapia. Nos estudos de <a href=\"http:\/\/psycnet.apa.org\/psycinfo\/1986-17818-001\" target=\"_blank\"><em>Dose-Efeito<\/em><\/a>, os pesquisadores se perguntavam, por exemplo, quantas sess\u00f5es de uma psicoterapia X eram necess\u00e1rias para que houvesse melhoras nos sintomas de depress\u00e3o.<br \/>\n<span style=\"margin-left: 28px;\">O<\/span> que se sabe atualmente, considerando revis\u00f5es sobre o tema, \u00e9 que quanto maior o n\u00famero de sess\u00f5es, maior a chance de melhora. Nos <a href=\"http:\/\/link.springer.com\/chapter\/10.1007\/978-3-7091-1382-0_26#page-1\" target=\"_blank\"><em>Ensaios Cl\u00ednicos-Randomizados<\/em><\/a>, os pesquisadores comparam a <em>efic\u00e1cia da psicoterapia<\/em> com outros tipos de tratamento ou com pacientes em uma lista de espera. Nestes estudos, \u00e9 poss\u00edvel verificar que diversos tipos de psicoterapia s\u00e3o mais eficazes do que listas de espera e tamb\u00e9m se pode mensurar qual abordagem de psicoterapia \u00e9 mais eficaz para um transtorno espec\u00edfico. J\u00e1 os<a href=\"http:\/\/link.springer.com\/chapter\/10.1007\/978-3-7091-1382-0_9#page-1\" target=\"_blank\"><em> Estudos de Processo<\/em> <\/a>avaliam todo o andamento da psicoterapia para saber quais s\u00e3o os principais fatores que levam \u00e0 melhora de um determinado sintoma ou transtorno. \u00c9 poss\u00edvel verificar <em>os efeitos do comportamento do terapeuta sobre o paciente e vice-versa<\/em>. Estudos de processo revelam o que \u00e9 efetivo no tratamento e mostram, por exemplo, que apesar de existirem diversas abordagens de psicoterapia, terapeutas com muita experi\u00eancia tendem a agir de maneira semelhante no tratamento.<br \/>\n<span style=\"margin-left: 28px;\">Ao<\/span> contr\u00e1rio do que Eysenck divulgou, as psicoterapias s\u00e3o eficazes e efetivas para uma s\u00e9rie de transtornos. Muitas das psicoterapias s\u00e3o consideradas <a href=\"http:\/\/www.apa.org\/about\/policy\/resolution-psychotherapy.aspx\" target=\"_blank\"><em>tratamentos baseados em evid\u00eancia<\/em><\/a>, o que quer dizer que estas s\u00e3o eficazes enquanto tratamentos psicol\u00f3gicos. Existem grupos de pesquisadores como a Sociedade pela Pesquisa em Psicoterapia (do ingl\u00eas, <a href=\"http:\/\/www.psychotherapyresearch.org\/\" target=\"_blank\"><em>Society for Psychotherapy Research<\/em><\/a>) que est\u00e3o interessados na divulga\u00e7\u00e3o e no reconhecimento da psicoterapia como um tratamento necess\u00e1rio para a sa\u00fade mental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Al\u00e9m do Di\u00e1logo<\/strong><\/em><br \/>\n<span style=\"margin-left: 28px;\">Recorrer<\/span> a pessoas importantes em um momento de sofrimento \u00e1 algo que aprendemos ao longo de nosso desenvolvimento. Ao buscarmos psicoterapia estamos entrando em um processo de terapia com objetivos e tarefas que s\u00e3o criadas atrav\u00e9s do <a href=\"http:\/\/link.springer.com\/chapter\/10.1007\/978-3-7091-1382-0_16\" target=\"_blank\"><em>v\u00ednculo do terapeuta com seu paciente<\/em><\/a>. Este v\u00ednculo n\u00e3o est\u00e1 preso a julgamentos morais sobre o que \u00e9 certo ou errado, mas est\u00e1 ligado a perspectivas \u00e9ticas que consideram o que \u00e9 psicologicamente saud\u00e1vel ou n\u00e3o saud\u00e1vel para o paciente em tratamento. As teorias utilizadas pelo psicoterapeuta fazem com que ele tenha mais facilidade em identificar, em conjunto com o paciente, as causas dos problemas deste. As t\u00e9cnicas e interven\u00e7\u00f5es utilizadas ao longo do tratamento s\u00e3o baseadas em uma ampla gama de estudos que mostra o quanto elas podem ser efetivas para os diversos transtornos mentais conhecidos.<br \/>\n<span style=\"margin-left: 28px;\">Por<\/span> fim, conversas podem ser agrad\u00e1veis e fazem parte de nossas rela\u00e7\u00f5es sociais. No entanto, quando estamos em um sofrimento significativo, aconselhamentos e trocas de informa\u00e7\u00f5es podem n\u00e3o nos auxiliar. Nestes momentos, podemos recorrer ao tratamento psicoter\u00e1pico para que possamos conhecer a origem de nosso desconforto e construir, em conjunto com o terapeuta, objetivos que nos levem \u00e0 autonomia e \u00e0 sa\u00fade mental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Texto por: Gibson Weydmann<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Historicamente, aprendemos a recorrer a pessoas para adquirirmos informa\u00e7\u00f5es. A pr\u00e1tica cultural de buscar algu\u00e9m mais \u201cexperiente\u201d, por exemplo, \u00e9 algo que foi passado atrav\u00e9s das gera\u00e7\u00f5es devido \u00e0 sua praticidade e utilidade. 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