{"id":49,"date":"2016-07-04T12:19:00","date_gmt":"2016-07-04T12:19:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/divulgacaodaciencia\/?p=49"},"modified":"2016-07-04T12:40:02","modified_gmt":"2016-07-04T12:40:02","slug":"quatro-mitos-relacionamentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/divulgacaodaciencia\/2016\/07\/04\/quatro-mitos-relacionamentos\/","title":{"rendered":"Quatro mitos sobre relacionamentos de casal e o que a ci\u00eancia tem a dizer sobre eles"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/divulgacaodaciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/duvida.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-51 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/divulgacaodaciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/duvida.jpg\" alt=\"duvida\" width=\"120\" height=\"101\" \/><\/a><span style=\"margin-left: 28px;\">Diversos<\/span> mitos sobre \u201cencontrar um companheiro(a)\u201d e o que \u00e9 \u201cser casal\u201d circulam entre as pessoas. Esses mitos podem ser encontrados, por exemplo, na m\u00eddia ou em prov\u00e9rbios populares, mas nem sempre correspondem \u00e0 realidade e, algumas vezes, s\u00e3o conflitantes entre si. Essas ideias podem ser \u00fateis para dar significado a fatos dif\u00edceis de serem explicados ou compreendidos, por\u00e9m, algumas vezes se tornam cren\u00e7as err\u00f4neas que prejudicam os relacionamentos. Vejamos alguns desses mitos e o que as pesquisas t\u00eam a dizer sobre eles.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Casais s\u00e3o \u201cduas metades da laranja\u201d ou \u201cos opostos se atraem\u201d?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/divulgacaodaciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/metadelar.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-52 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/divulgacaodaciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/metadelar-300x225.jpg\" alt=\"metadelar\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/divulgacaodaciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/metadelar-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/divulgacaodaciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/metadelar.jpg 580w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><span style=\"margin-left: 28px;\">Na<\/span> cultura popular h\u00e1 duas ideias distintas sobre as caracter\u00edsticas que cada um dos parceiros deve ter para alcan\u00e7ar um relacionamento feliz. Por um lado, h\u00e1 o ditado de que cada pessoa possui uma \u201ccara metade\u201d ou que um casal \u00e9 como \u201cduas metades da mesma laranja\u201d, ou seja, somente quando encontramos a parte que nos falta, nos tornamos completos. De acordo com essa ideia, como os c\u00f4njuges s\u00e3o parte de um mesmo todo, quanto mais parecidos s\u00e3o os parceiros, mais feliz ser\u00e1 o relacionamento. De outro lado, h\u00e1 a ideia de que \u201cos opostos se atraem\u201d, de que os parceiros devem ter caracter\u00edsticas que complementem um ao outro. Embora haja pessoas que se posicionem ao lado de uma ou outra dessas ideias, quando estudamos a qualidade dos relacionamentos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s caracter\u00edsticas de cada c\u00f4njuge vemos que as coisas n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o simples.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"margin-left: 28px;\">De<\/span> fato, algumas pesquisas sobre o tema mostram que h\u00e1 mais chances de que o relacionamento seja satisfat\u00f3rio quando as pessoas envolvidas t\u00eam caracter\u00edsticas parecidas, como por exemplo: personalidade, cren\u00e7as e valores. <em>Um estudo realizado com <a href=\"http:\/\/spr.sagepub.com\/content\/24\/4\/479.abstract\" target=\"_blank\">137 casais na Holanda<\/a><\/em>, por\u00e9m, demonstrou que essa situa\u00e7\u00e3o pode variar de acordo com as circunst\u00e2ncias em que o relacionamento iniciou. Nesse estudo, casais que j\u00e1 se conheciam antes do envolvimento amoroso tinham caracter\u00edsticas mais parecidas entre si, sendo que essa similaridade estava associada com um relacionamento mais satisfat\u00f3rio. Por\u00e9m, entre aqueles que n\u00e3o tinham conhecimento pr\u00e9vio das caracter\u00edsticas do outro, e que se apaixonaram \u201c\u00e0 primeira vista\u201d, os parceiros eram mais diversos entre si. Apesar disso, \u00e9 interessante notar que esses \u00faltimos <strong>n\u00e3o<\/strong> apresentaram menor qualidade conjugal em rela\u00e7\u00e3o aos primeiros, ou seja, o fato de os parceiros possu\u00edrem caracter\u00edsticas semelhantes n\u00e3o esteve, necessariamente, associado a estar em um melhor relacionamento. Outros estudos tamb\u00e9m mostram que, em algumas circunst\u00e2ncias, como <a href=\"http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/18179287\" target=\"_blank\"><em>em casais de meia idade que est\u00e3o em relacionamentos longos<\/em><\/a>, e <a href=\"http:\/\/guilfordjournals.com\/doi\/abs\/10.1521\/soco.2013.31.1.1\" target=\"_blank\"><em>em casais em que cada parceiro tem uma maneira diferente de perseguir seus objetivos<\/em><\/a> (por exemplo, de maneira incisiva, entusi\u00e1stica ou de forma atenta e cautelosa), as diferen\u00e7as entre os c\u00f4njuges podem trazer benef\u00edcios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"margin-left: 28px;\">Dessa<\/span> forma, percebemos que <strong>tanto as similaridades como as diferen\u00e7as podem servir como ferramentas em relacionamentos amorosos<\/strong>. As similaridades podem ser \u00fateis para construir uma rela\u00e7\u00e3o de intimidade, e para encontrar interesses e atividades em comum, que aproximam o casal. J\u00e1 as diferen\u00e7as podem auxiliar na divis\u00e3o de tarefas entre os parceiros, contribuir para diversificar as estrat\u00e9gias de busca de objetivos e resolu\u00e7\u00e3o de problemas quando necess\u00e1rio, e, de maneira geral, enriquecer o relacionamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Marido e mulher devem ser melhores amigos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O casamento \u00e9 fonte de toda a nossa felicidade.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/divulgacaodaciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/bestf.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-56 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/divulgacaodaciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/bestf-300x200.jpg\" alt=\"bestf\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/divulgacaodaciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/bestf-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/divulgacaodaciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/bestf.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><span style=\"margin-left: 28px;\">Algumas<\/span> pessoas acreditam que marido e mulher devem ser melhores amigos, e que a intimidade entre o casal cria uma esp\u00e9cie de conex\u00e3o, em que \u00e9 poss\u00edvel at\u00e9 mesmo adivinhar os gostos e os desejos do(a) companheiro(a). Por causa disso, um v\u00ednculo conjugal forte \u201caguenta tudo\u201d, e permite que os parceiros compartilhem todos os aspectos de suas vidas. Afinal, \u00e9 no casamento que encontramos nossa felicidade. Ser\u00e1 que \u00e9 assim mesmo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante ter em mente que um casal \u00e9 formado por duas pessoas que t\u00eam caracter\u00edsticas, gostos, expectativas e pensamentos diferentes uma da outra. Embora parte de uma uni\u00e3o, \u00e9 fundamental que cada membro do casal mantenha aspectos de sua individualidade. Isso quer dizer que \u00e9 imposs\u00edvel adivinhar o que outra pessoa pensa e deseja \u2013 e, por isso mesmo, n\u00e3o parece sensato acreditar que outra pessoa possa magicamente saber o que queremos, o que nos magoa e o que esperamos que essa pessoa fa\u00e7a. Al\u00e9m disso, casais que compartilham absolutamente tudo, abdicando de sua individualidade, correm o risco de sobrecarregar o relacionamento. Preservar as individualidades e os contatos sociais, como os amigos, pode ser uma boa forma de evitar que isso aconte\u00e7a<em>. <a href=\"http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/25485674\" target=\"_blank\">Uma pesquisa realizada por Allen Barton e colegas<\/a><\/em>, na Universidade da Georgia, Estados Unidos, traz resultados interessantes nesse sentido. Os pesquisadores entrevistaram 492 pessoas casadas, que responderam a perguntas sobre satisfa\u00e7\u00e3o no casamento, sa\u00fade financeira, integra\u00e7\u00e3o social e densidade populacional do local onde moravam. Os resultados mostraram que, <strong>para casais pouco integrados socialmente, os problemas financeiros e a urbaniza\u00e7\u00e3o tinham um impacto negativo na satisfa\u00e7\u00e3o com o relacionamento. Por\u00e9m, para casais com maior integra\u00e7\u00e3o na comunidade, esses efeitos eram atenuados ou at\u00e9 mesmo inexistentes.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> <span style=\"margin-left: 28px;\">Assim,<\/span><strong>os relacionamentos amorosos s\u00e3o uma parte importante, mas apenas uma parte, de nossas vidas<\/strong>. Esquecer de outras rela\u00e7\u00f5es e de outros aspectos de nossas vidas que nos fazem ser quem n\u00f3s somos pode ser t\u00e3o prejudicial para a vida de casal quanto adotar uma postura ego\u00edsta e descomprometida com o relacionamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Casais felizes n\u00e3o brigam. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/divulgacaodaciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/casal.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-57 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/divulgacaodaciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/casal-300x200.jpg\" alt=\"casal\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/divulgacaodaciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/casal-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/divulgacaodaciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/casal-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/divulgacaodaciencia\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/casal.jpg 973w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><span style=\"margin-left: 28px;\">Se<\/span> duas pessoas se amam, escolhem viver juntas e querem o bem uma da outra, faz sentido que elas vivam em harmonia, sem brigas e desentendimentos, certo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"margin-left: 28px;\">Errado!<\/span>Como vimos acima, um casal \u00e9 composto por dois indiv\u00edduos que constroem uma determinada maneira de se relacionar e um espa\u00e7o de conviv\u00eancia em comum. Nesse contexto, as caracter\u00edsticas e interesses individuais dos parceiros \u2013 que s\u00e3o formados por prefer\u00eancias pessoais, valores, experi\u00eancias pr\u00e9vias com a fam\u00edlia e amigos, entre outros \u2013 algumas vezes entram em conflito e acabam gerando desentendimentos. Por isso, dizemos que <strong>os conflitos s\u00e3o inerentes \u00e0s rela\u00e7\u00f5es humanas, incluindo o relacionamento de casal<\/strong>. Mas, se os conflitos s\u00e3o normais e esperados nos relacionamentos, por que alguns casais brigam tanto que acabam se separando, e outros conseguem contornar as desaven\u00e7as?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> <span style=\"margin-left: 28px;\">O<\/span> impacto dos conflitos no relacionamento depende de alguns fatores, como os temas de desentendimento \u2013 alguns conflitos s\u00e3o mais sens\u00edveis e dif\u00edceis de resolver do que outros \u2013, da intensidade das brigas, da frequ\u00eancia com que ocorrem e, principalmente, da maneira como s\u00e3o resolvidas as desaven\u00e7as do dia-a-dia. De maneira geral, as <a href=\"http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC3777640\/\" target=\"_blank\"><em>pesquisas<\/em><\/a>\u00a0mostram que a forma mais efetiva de resolver os conflitos \u00e9 negociando e tentando chegar a um acordo que atenda minimamente \u00e0s necessidades de ambos os c\u00f4njuges. Em contrapartida, evitar temas sens\u00edveis aos conflitos, guardando os sentimentos para si mesmo ou esperando que o tempo resolva os problemas n\u00e3o faz com que eles desapare\u00e7am, e sim retornem com mais intensidade em outro momento. Entretanto, as coisas n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o simples. <a href=\"http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC2845983\/\" target=\"_blank\"><em>Uma pesquisa conduzida por James McNulty e Michelle Russell<\/em><\/a>, que acompanhou 207 casais americanos durante oito meses, constatou que a negocia\u00e7\u00e3o foi resolutiva a curto prazo. Por\u00e9m, quando os problemas conjugais eram mais s\u00e9rios, formas mais diretas e confrontativas de resolver os conflitos mostraram ser ben\u00e9ficas para o relacionamento a longo prazo. Assim,  <strong>apesar da import\u00e2ncia de aprender a negociar, \u00e9 importante ter flexibilidade e contar com um amplo leque de alternativas ao resolver os problemas<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"margin-left: 28px;\">Analisando<\/span> tudo isso, percebemos que os mitos que circulam sobre como se formam e como devem ser os relacionamentos podem nos levar a procurar por algo que n\u00e3o existe, como o parceiro ideal, ou a ter expectativas exageradas ou equivocadas sobre a rela\u00e7\u00e3o de casal. Relativizar essas ideias \u00e9 um passo importante para encarar as situa\u00e7\u00f5es do dia-a-dia de casal de forma mais realista e ter um relacionamento mais saud\u00e1vel.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Marina Zanella Delatorre<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Doutoranda em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diversos mitos sobre \u201cencontrar um companheiro(a)\u201d e o que \u00e9 \u201cser casal\u201d circulam entre as pessoas. Esses mitos podem ser encontrados, por exemplo, na m\u00eddia ou em prov\u00e9rbios populares, mas nem sempre correspondem \u00e0 realidade e, algumas vezes, s\u00e3o conflitantes entre si. 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