ESTRUTURAS COLABORATIVAS | |
Interessa-nos pensar como Olga Pombo, em seu artigo “A interdisciplinaridade como problema epistemológico e exigência curricular”, que a tendência para a segmentação do conhecimento e a tendência para a unidade do conhecimento são, simultaneamente, opostas e convergentes. Também é significativo assinalar que o próprio desenvolvimento que deu origem à segmentação do conhecimento, hoje é fundante da interdisciplinaridade. Por outro lado, oposição e convergência também marcam a relação entre a ciência e a arte. Mia Couto, em Fronteiras do Pensamento, afirmou que “Não há infinito sem linha do horizonte”, possibilitando uma imagem que remete para a ligação intrínseca entre arte e ciência.
Interessa-nos buscar e disponibilizar os modelos ou os padrões que estão sendo utilizados em cada área do conhecimento, as chaves conceituais, as metodologias e os processos de ensino-aprendizagem, para tornar possível a tradução e a relação em simultaneidade à separação e definição de cada área. Nesse sentido, as estruturas colaborativas estão sendo propostas como estratégias para tornar visíveis as potências interdisciplinares que se escondem nos espaços escolares e acadêmicos. Como sinais de trânsito, que tornam possível o próprio trânsito, o desdobramento das estruturas em atividades presenciais e atividades à distância, está sendo organizado com a intenção de gerar visibilidade, e possibilitar o “trânsito” no compartilhamento de processos significativos aos três segmentos envolvidos: aluno de iniciação à docência, professor da Escola Básica e professor do Ensino Superior. Pensar em estruturas colaborativas pode também ser um princípio para o exercício da interdisciplinaridade necessário à educação contemporânea. O trabalho interdisciplinar, previsto na legislação para o desenvolvimento da Escola Básica, tem enfrentado desafios que, se mostram, por vezes, como muralhas intransponíveis. Por um lado, têm-se os planejamentos pedagógicos disciplinares, por outro, a indisponibilidade dos professores, que se encontram submergidos ou evadidos no/de seu cotidiano escolar. Embora seja necessário ressaltar que esta evasão, talvez, seja, justamente, para evitar a submersão em um cotidiano adverso, que tem reiteradamente impossibilitado experiências de autoria. Pensar na construção da interdisciplinaridade na Escola Básica pode ser pensar em um sistema de educação que inclui a formação inicial e a formação continuada, articulando o professor em exercício à formação do futuro professor, em um encaminhamento para a pesquisa implementada pela criação de pontes, cuja atuação se poderia associar, metaforicamente, às pontes de tungstênio, que, entre perdas energéticas transformadas em calor, em bifurcações tem iluminado o conjunto criado, com uma resistência ainda não superada. Estruturar espaços e tempos com novas formas de habitar os currículos, criando laços através de passagens até então inexistentes, pode ser provocar rodas de conversa entre distintas áreas de conhecimento, ou transformar a docência através da colaboração do professor da escola na formação do futuro professor, acreditando em uma formação expandida pela extensão e a iniciação à pesquisa, que também promova a aproximação de professores e formadores em projetos autorais compartilhados. | |
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