{"id":293,"date":"2021-06-28T15:36:35","date_gmt":"2021-06-28T18:36:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/e-psico\/?page_id=293"},"modified":"2021-06-28T15:36:36","modified_gmt":"2021-06-28T18:36:36","slug":"como-e-observado","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/e-psico\/index.php\/como-e-observado\/","title":{"rendered":"Como \u00e9 Observado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os mecanismos de defesa s\u00e3o, de certa forma, uma prote\u00e7\u00e3o do ego contra as exig\u00eancias pulsionais. Todas as pessoas possuem mecanismos de defesa atuando em seu comportamento e pensamentos. O excesso desses mecanismos podem ser a indica\u00e7\u00e3o de sintomas neur\u00f3ticos ou at\u00e9 de sintomas psic\u00f3ticos, nesse segundo caso, principalmente, o excesso dos mecanismos de proje\u00e7\u00e3o, nega\u00e7\u00e3o da realidade e divis\u00e3o do eu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPodemos perceber que h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o importante entre defesa e divis\u00e3o do eu. A constitui\u00e7\u00e3o do sujeito como neur\u00f3tico ou como psic\u00f3tico, isto \u00e9, a estrutura constituinte, estaria relacionada ao modo como se operou primordialmente essa defesa do eu: essa seria a cis\u00e3o constituinte\u201d (D&#8217;agord, 2004). O que \u00e9 referido a\u00ed s\u00e3o os dois processos pelo qual se inscreve o Nome-do-Pai no sujeito. \u201cTratando-se da neurose, o que est\u00e1 em jogo \u00e9 o recalcamento, cujo retorno se constitui num sintoma; j\u00e1, no caso do desmentido ou da recusa, estrat\u00e9gia do sujeito da pervers\u00e3o, o retorno \u00e9 o fetiche; e o mecanismo de defesa da psicose \u00e9 a foraclus\u00e3o, tendo a alucina\u00e7\u00e3o como aquilo que retorna\u201d (Arag\u00e3o &amp; Ramirez, 2004, p-101), ou seja, no caso da foraclus\u00e3o o retorno \u00e9 no real.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No presente trabalho, defendemos a hip\u00f3tese de que Leo \u00e9 um sujeito psic\u00f3tico, defendendo tamb\u00e9m a\u00ed, a hip\u00f3tese de que Leo foracluiu o Nome-do-pai.. Como podemos ver elementos no filme que nos deem ind\u00edcios que esse mecanismo de defesa \u201cprim\u00e1rio\u201d tenha operado no personagem? Pelo fato de Leo negar sua origem paterna &#8211; e a\u00ed temos um outro mecanismo de defesa operando: a nega\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o se identificando com nenhuma das caracter\u00edsticas do seu pai e n\u00e3o aceitando o nome (sobrenome) que viria a corroborar essa origem, ele nos d\u00e1 pistas de que a fun\u00e7\u00e3o paterna n\u00e3o tenha sido exercida por esse pai, que parece incapaz de entrar, interditando a rela\u00e7\u00e3o dual de Leo com a sua m\u00e3e, acaba assim se dando a foraclus\u00e3o do Nome-do-pai.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nega\u00e7\u00e3o aparece, como mencionamos acima, na hist\u00f3ria de Leo quando ele, para solucionar a quest\u00e3o do seu nascimento, nega sua origem como advinda de seu pai real, criando assim uma hist\u00f3ria em que seu pai \u00e9 um siciliano que se masturbava atr\u00e1s de uma caixa de tomates que iam para a Am\u00e9rica. \u201cO desenvolvimento gradativo do ego e do princ\u00edpio de realidade refor\u00e7a a experi\u00eancia e a mem\u00f3ria, lentamente enfraquecendo a tend\u00eancia \u00e0 nega\u00e7\u00e3o\u201d (Fenichel, 1981, p. 134). Na inf\u00e2ncia, essa nega\u00e7\u00e3o tem um car\u00e1ter importante, contemplada nos jogos infantis com um car\u00e1ter l\u00fadico e fant\u00e1stico; nos adultos \u00e9 s\u00f3 quando est\u00e1 severamente transtornada a fun\u00e7\u00e3o de ju\u00edzo da realidade \u00e9 que se mostram vitoriosas as nega\u00e7\u00f5es s\u00e9rias e importantes. Se pensarmos que Leo, ainda adulto, permanece negando sua origem, assim como fazia quando era crian\u00e7a, ele provavelmente esteja, a partir do que foi dito acima, com o ju\u00edzo de realidade bem afetado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Leo usa tamb\u00e9m o mecanismo da proje\u00e7\u00e3o em sua inf\u00e2ncia. Quando ele vai ao hospital visitar a sua fam\u00edlia inteira que est\u00e1 internada, presume-se que quem verdadeiramente est\u00e1 internado no hospital \u00e9 Leo e que a sua concep\u00e7\u00e3o n\u00e3o passa de uma proje\u00e7\u00e3o. \u201cNa proje\u00e7\u00e3o as emo\u00e7\u00f5es ou excita\u00e7\u00f5es que o ego tenta rejeitar s\u00e3o \u201ccuspidas\u201d e depois sentidas como estando fora do ego\u201d (Fenichel, 1981, p. 136). Isso s\u00f3 ocorre quando n\u00e3o se demarca com nitidez a linha que separa o ego e o n\u00e3o-ego, o que \u00e9 pr\u00f3prio das psicoses e dos primeiros anos da inf\u00e2ncia<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sublima\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um mecanismo de defesa propriamente dito, ou melhor, ela pode ser considerada um mecanismo de defesa bem sucedido, onde, segundo Fenichell (1981), sob influ\u00eancia do ego, a finalidade ou objeto se transformam sem bloquear a descarga adequada. \u201cNa sublima\u00e7\u00e3o cessa o impulso original pelo fato de que a respectiva energia \u00e9 retirada em beneficio da catexia de seu substituto\u201d (Fenichell, 1981, p. 131-132). Poder\u00edamos dizer que Leolo usa o mecanismo da sublima\u00e7\u00e3o na medida que usa escrita como uma forma de escapar de sua loucura. Como podemos ver, atuavam em Leo diversos tipos de mecanismos de defesa de uma maneira que fica marcado o seu fraco princ\u00edpio de realidade como, por exemplo, na proje\u00e7\u00e3o, onde o personagem deixa bem marcado a sua n\u00e3o divis\u00e3o n\u00edtida entre o eu e o n\u00e3o-eu. Podemos perceber que os principais mecanismos de defesa que atuam em Leo s\u00e3o aqueles que mencionamos acima como os que, em demasia, caracterizam as estruturas psic\u00f3ticas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os mecanismos de defesa s\u00e3o, de certa forma, uma prote\u00e7\u00e3o do ego contra as exig\u00eancias pulsionais. 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