Editora da UFRGS e Instituto de Letras lançam os primeiros livros do selo Ipsis Litteris

Criado em conjunto, o selo Ipsis Litteris contempla obras ligadas às áreas de estudos literários, estudos linguísticos e estudos de tradução e seus desdobramentos no ensino e nas práticas sociais.

A Editora da UFRGS e o Instituto de Letras da universidade lançam os quatro primeiros livros do selo Ipsis Litteris, uma iniciativa dedicada à publicação de obras relacionadas a literatura, linguística e tradução. As quatro primeiras publicações do selo, disponíveis em formato digital no LUME – Repositório Digital da UFRGS, têm como temas a construção de espaços em obras literárias escritas por mulheres; representações literárias no Brasil e em Portugal do imaginário que envolve a Segunda Guerra Mundial; o estágio de docência e a experiência docente na formação de professor de Língua Portuguesa; e uma coletânea de poemas dos autores estudantes que participaram do projeto Laboratório Literatura, voltado ao estudo da função da literatura e de experimentação criativa em torno da escrita e da difusão do texto literário.

A seleção de originais para o selo Ipsis Litteris ocorre por meio de editais, em consonância com os padrões editoriais exigidos pela Editora, e as propostas são analisadas por pareceristas, que compõem junto com os membros da Comissão Editorial o Conselho Editorial do Selo. “A expertise da Editora da UFRGS contribui para a disseminação quantitativa e qualitativa dessas publicações e temáticas no debate contemporâneo”, comenta a diretora da editora, Luciane Delani.

A expressão latina Ipsis Litteris significa “pelas mesmas letras” ou “literalmente”. O logo do Selo enfatiza as iniciais I  e L  e apresenta no seu centro a imagem da flor de lis, associada à área de Letras. Para a coordenadora da Comissão de Publicações do Instituto de Letras, Ana Lúcia Liberato Tettamanzy, “é mais do que oportuna a indicação, implícita no nome do Selo, de tomar cuidado com as palavras, para os usos que distorcem a compreensão da realidade e banalizam tanto a vida quanto a morte. Se a linguagem já não comunica palavras e sentidos partilhados, a sociedade e as liberdades se fragilizam”. 

 Conheça os primeiros livros:

Configurações do espaço na literatura de autoria feminina, Cinara Ferreira, Cristina Forli (Org.)

É uma coletânea de estudos que, por diferentes perspectivas críticas e teóricas, analisam a construção de espaços em obras literárias escritas por mulheres. Pensar esses espaços é pensar na dimensão, no sentido e na relevância que essa categoria ocupa em universos ficcionais arquitetados por escritoras; é pensar também o inverso, o espaço que a literatura de autoria feminina ocupa nos atuais estudos literários. 

A pluralidade de espaços que perpassam as obras dessas mulheres, quais sejam, Brasil, Portugal, Moçambique, Chile, Estados Unidos ou Coreia do Sul, o público ou o privado, as roupas ou a cidade, o eu ou o outro, o presente ou o passado, o colonialismo ou as migrações contemporâneas, a prosa ou o verso, evidencia o alcance da coletânea, que articula uma pluralidade de vozes que conferem diferentes sentidos ao espaço, porém articulados sob a mesma ótica da vivência e configuração deste pelo feminino. 

Estágio de Docência: percursos de uma experiência docente na formação de professor de Língua Portuguesa, Jane Naujorks, Lucia Rottava, Izadora Chagas Troian, Luiza Laguna Rodrigues (Org.) 

Busca contribuir para uma reflexão mais ampla a respeito do Estágio de Docência de Língua Portuguesa, desenvolvido no curso de Letras, nos anos finais do Ensino Fundamental em escolas públicas. Trata-se de um momento importante para a formação do professor que articula a teoria à prática. Os diferentes conhecimentos teóricos vivenciados desde o início do curso, incluindo conhecimentos de linguística geral, linguística textual, sociolinguística, concepções de gramática, entre outras dimensões, assim como a literatura e as reflexões pedagógicas são, nesta etapa da formação, necessários para a prática de sala de aula. Diferentes instâncias de formação estão envolvidas: a universidade, a escola pública e o aluno graduando. 

A obra está organizada em duas partes. A primeira, denominada Os caminhos da teoria e da prática, traz reflexões teóricas a partir das orientações para o planejamento inicial do Estágio de Docência, seguidas da operacionalização teórico-prática e, finalmente, das reflexões de professores que acompanham a prática em sala de aula. A segunda parte do livro, denominada Os Caminhos de planejamento, consta dos relatos das experiências dos professores em formação no Estágio de Docência.

Sob as cores da barbárie: o imaginário da Segunda Guerra Mundial no horizonte literário brasileiro e português, de Christini Roman de Lima.

Discute como Brasil e Portugal abordam em suas representações literárias o imaginário que envolve a Segunda Guerra Mundial. No ângulo brasileiro, o olhar volta-se para o pracinha como combatente, ou seja, para o homem que se afasta do país a fim de lutar em solo italiano; na óptica portuguesa, busca-se a trajetória do refugiado que teve de abandonar sua terra natal, vítima das perseguições antissemitas, encontrando — de algum modo — guarida em território português. O conflito mundial, nos dois contextos, configura-se como o ponto de ruptura desses indivíduos. Portanto, a guerra e o seu desdobramento, o mote do exílio, caracterizam os pontos de partida norteadores desta obra. 

Para tanto, procede-se ao exame das obras de Boris Schnaiderman, Guerra em surdina, e de Roberto de Mello e Souza, Mina R, no âmbito brasileiro. As narrativas analisadas no panorama português são “Nasci com passaporte de turista” e O cavalo espantado, de Alves Redol, “O mundo perdido”, de Joaquim Paço d’Arcos, e Sob céus estranhos, de Ilse Losa. De um lado, vislumbra-se a guerra em funcionamento, apontada nos romances brasileiros através da experiência coletiva e da experiência individual dos soldados (agentes e vítimas do aparato da guerra). De outro lado, apontam-se as consequências da guerra por meio dos desterrados que chegaram a Portugal e assumiram a voz narrativa para relatar suas trajetórias, o que se compreende como “a escrita do refugiado”. 

Laboratório Literatura: dez experimentos poéticos, Isadora Dutra (Org.)

Laboratório Literatura é um projeto de extensão dedicado ao estudo da função da literatura e de experimentação criativa em torno da escrita e da difusão do texto literário. Teve sua primeira edição no segundo semestre de 2018 com a coordenação da professora Isadora Dutra, na época docente substituta no Instituto de Letras da UFRGS.

A obra reúne uma sequência de poemas dos autores que participaram do projeto, a partir de dez experimentos temáticos de criação: maçã, guarda-chuva, asa, abismo, primavera, guerra, areia, mar, copo e antídoto. Os poemas resultaram da vivência dinâmica e do exercício criativo literário do grupo que, durante encontros semanais, produziu experimentos de escrita criativa a partir de temas e discussões em torno de obras literárias e de outras artes. À medida que a produção foi acontecendo, os participantes foram desenvolvendo diálogos entre os textos e também entre as questões de debate político que ocorriam no período das eleições do ano de 2018.