No dia 11 de junho de 2025, a Faculdade de Educação (FACED) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) sediou um encontro emblemático, reunindo estudantes, docentes e egressos da Licenciatura em Educação do Campo – Ciências da Natureza, da Faculdade de Educação(FACED) e da Faculdade de Agronomia(FAGRO). O evento, integrado à série “Qu4rtas na FACED”, marcou as comemorações pelos 10 anos de existência da Educação do Campo na instituição, consolidando-se como um marco na história recente da Educação Superior voltada para os Povos do Campo (Agricultores Familiares, Extrativistas, Pescadores Artesanais, Povos da Floresta, Indígenas, Quilombolas, conforme consta na resolução 342 do Conselho Estadual de Educação de 11 de abril de 2018.) que constituem um conjunto bastante diverso de populações que têm em comum a condição de viver, trabalhar ou se vincular cultural e economicamente aos territórios campesinos de nosso País.
A mesa de abertura foi composta por professoras e professores que acompanharam o curso desde seus primeiros passos. Em suas falas, os docentes realizaram um breve levantamento histórico, relembrando o contexto político, social e educacional que motivou a criação da Licenciatura. Compararam o processo de implementação da Licenciatura em Educação do Campo a uma longa travessia, em que cada etapa exigiu negociações institucionais, mobilização comunitária e adequações curriculares às especificidades do campo, cenário frequentemente marginalizado nas políticas públicas educacionais brasileiras.
Além de alguns docentes pioneiros, o evento contou com a participação ativa de egressos e estudantes atualmente matriculados, que compartilharam depoimentos carregados de emoção e significado. Muitos relataram como o curso transformou não apenas suas trajetórias profissionais, mas também suas identidades enquanto sujeitos do campo, reforçando a dimensão social e cultural da Educação do Campo como área estratégica para a promoção da justiça social e da inclusão educacional.
As narrativas evidenciaram que, para além da formação técnica e científica, a Educação do Campo se tornou espaço de pertencimento e fortalecimento das raízes culturais dos estudantes, aspecto frequentemente esquecido em outras licenciaturas mais urbanocêntricas.
O clima de reencontros e partilhas trouxe à tona belas recordações, mas também discussões profundas sobre os desafios contemporâneos enfrentados pelas Licenciaturas em Educação do Campo de todo o País. Entre as preocupações destacadas estiveram questões como acesso, permanência estudantil, o financiamento das políticas públicas de ações afirmativas e das políticas públicas voltadas para os Povos do Campo, as dificuldades logísticas impostas pelo regime de alternância — característico da Educação do Campo — e as demandas pedagógicas de territórios com realidades tão heterogêneas.
Apesar das dificuldades levantadas, o tom predominante foi de esperança e compromisso. Professores e estudantes reafirmaram a importância de fortalecer a Licenciatura como instrumento de transformação social, capaz de formar educadores que compreendam a importância das ciências da natureza como prática social vinculas às comunidades dos Povos do Campo, suas culturas e saberes tradicionais.
O evento concluiu-se com a perspectiva de novos encontros e projetos conjuntos. O mais recente destaque está no sucesso da implementação dos Núcleos Comunitários de Educação do e no Campo, nos Municípios de Capivari do Sul, Nova Santa Rita e Eldorado do Sul sinalizando que, assim como a própria Natureza, a Educação do Campo segue em constante movimento, renovando seus ciclos de crescimento e reafirmando o papel da Universidade Pública na construção de um País mais justo e inclusivo.


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