{"id":7948,"date":"2025-02-25T12:57:04","date_gmt":"2025-02-25T15:57:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/eenfsc\/?p=7948"},"modified":"2025-02-25T12:57:05","modified_gmt":"2025-02-25T15:57:05","slug":"eenfsc-participa-de-audiencia-publica-contra-violencia-na-enfermagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/eenfsc\/eenfsc-participa-de-audiencia-publica-contra-violencia-na-enfermagem\/","title":{"rendered":"EENFSC participa de audi\u00eancia p\u00fablica contra viol\u00eancia na Enfermagem"},"content":{"rendered":"\n<p>Relatos de viol\u00eancia f\u00edsica e ass\u00e9dio moral marcaram a audi\u00eancia p\u00fablica \u201cBasta de Viol\u00eancia na Enfermagem\u201d. O evento promovido pelos Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e Conselho Regional de Enfermagem (Coren-RS) ocorreu na \u00faltima quarta-feira (19), no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul (AL-RS). Representando a Escola de Enfermagem e de Sa\u00fade Coletiva (EENFSC) da UFRGS estavam a diretora Virginia Moretto e o presidente do DAEE (Diret\u00f3rio Acad\u00eamico dos Estudantes de Enfermagem) \u00c2ntoni Koboldt.<\/p>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia contra esses profissionais no ambiente de trabalho vem sendo considerada uma epidemia pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) desde 2000. Segundo artigo da revista Ci\u00eancia e Sa\u00fade Coletiva (outubro de 2023), \u201cas equipes sofrem agressividade e viol\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o usu\u00e1ria (verbal ou f\u00edsica), fruto da invisibilidade e n\u00e3o reconhecimento social pleno do seu trabalho\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela import\u00e2ncia do assunto, o evento em Porto Alegre marca o primeiro de uma s\u00e9rie de encontros promovidos pelo Cofen em todo o Pa\u00eds para discutir a situa\u00e7\u00e3o. A soci\u00f3loga Dra. Maria Helena Machado e a procuradora do trabalho Dra. Amanda Fernandes Ferreira Broecker foram as palestrantes na audi\u00eancia. Elas apresentaram para o p\u00fablico (composto em sua maioria por enfermeiros, t\u00e9cnicos de enfermagem, sindicalistas, estudantes entre outros), dados e pesquisas sobre viol\u00eancia no ambiente de trabalho da Sa\u00fade. As palestras foram seguidas de relatos e discuss\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua manifesta\u00e7\u00e3o, a diretora da EENFSC parabenizou os conselhos pela coragem de fazer uma audi\u00eancia p\u00fablica sobre viol\u00eancia na Enfermagem no Estado do Rio Grande do Sul. \u201c\u00c9 preciso coragem para expor e debater situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia na Enfermagem, porque s\u00e3o v\u00e1rios os motivos, e o primeiro \u00e9 a quest\u00e3o de g\u00eanero, porque somos em maioria mulheres. Sem d\u00favida que este \u00e9 um dos fatores. Outros n\u00e3o est\u00e3o relacionados ao cuidado da enfermagem, mas concatenados \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de trabalho e com as rela\u00e7\u00f5es de poder das institui\u00e7\u00f5es e de outros profissionais.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O argumento da diretora Virginia sobre g\u00eanero \u00e9 amparado pelas pesquisas. Os dados colhidos pela Dra. Maria Helena revelam que dos 3,2 milh\u00f5es de enfermeiros no Brasil, mais de 80% s\u00e3o mulheres, dado que se repete no RS. Ainda segundo o estudo, \u201ca enfermagem se destaca tamb\u00e9m no cen\u00e1rio nacional como uma categoria profissional com um extraordin\u00e1rio percentual de pessoas pretas e pardas, representando uma express\u00e3o racial a ser considerada nas quest\u00f5es que evocam discrimina\u00e7\u00e3o e viola\u00e7\u00e3o de direitos sociais, de igualdade e de cidadania plena\u201d. No Rio Grande do Sul, por\u00e9m, \u201cocorre o inverso: pretos e pardos s\u00e3o minoria (20%), o que torna ainda mais desafiador essa quest\u00e3o racial e supera\u00e7\u00e3o dos preconceitos e discrimina\u00e7\u00e3o<strong>\u201d.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As dimens\u00f5es sociol\u00f3gicas da viol\u00eancia no trabalho tamb\u00e9m foram pontos de discuss\u00e3o, tais como instabilidade do emprego, precariza\u00e7\u00e3o dos v\u00ednculos trabalhistas, viol\u00eancia no ambiente de trabalho: onde a maioria dos estabelecimentos hospitalares n\u00e3o oferecem estruturas apropriadas e saud\u00e1veis para o descanso. Conforme Maria Helena, o resultado dessa viol\u00eancia sistem\u00e1tica contra auxiliares, t\u00e9cnicos e enfermeiros \u00e9 um problema grave que compromete a sa\u00fade f\u00edsica e mental dos trabalhadores, al\u00e9m de impactar negativamente o atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A procuradora Amanda esclareceu sobre ass\u00e9dio moral e sexual no trabalho, a responsabiliza\u00e7\u00e3o de empregadores, e os canais de den\u00fancia. Ela orientou que sejam buscados, a ouvidoria, a Comiss\u00e3o Interna de Preven\u00e7\u00e3o de Acidentes (CIPA), o Servi\u00e7o Especializado em Seguran\u00e7a e Medicina do Trabalho (Sesmt), o MPT, o Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (MTE) e os sindicatos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de diretora da EENFSC, Virginia integra a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Enfermeiros Obstetras e Obstetr\u00edcias (ABENFO-RS). Nesta condi\u00e7\u00e3o, denunciou o impedimento ao trabalho das enfermeiras obstetras. \u201cO RS tem um modelo de assist\u00eancia ao parto e nascimento hospitaloc\u00eantrico e m\u00e9dicocentrado, mesmo com todas as evid\u00eancias cient\u00edficas provando que os melhores resultados maternos e perinatais est\u00e3o relacionados diretamente&nbsp; \u00e0 assist\u00eancias das enfermeiras no parto e nascimento.\u201d Segundo ela, o hospital &nbsp;Concei\u00e7\u00e3o \u00e9 o \u00fanico local, como institui\u00e7\u00e3o, no RS, em que enfermeiras assistem partos. \u201cMas a cada dia \u00e9 uma pedreira e temos que quebrar essa pedreira. Todos os dias elas (as enfermeiras obstetras) resistem o enfrentamento perverso e podemos dizer, \u00e0s vezes malicioso de sindicatos e de conselhos que defendem supremacia e dom\u00ednio dessa assist\u00eancia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Como diretora da mais antiga escola de enfermagem da regi\u00e3o Sul do Brasil, Virginia destacou a import\u00e2ncia da forma\u00e7\u00e3o dos profissionais. \u201cPrecisamos formar profissionais cr\u00edticos e conhecedores do exerc\u00edcio profissional no que compete \u00e0s suas pr\u00e1ticas com \u00e9tica e sempre acompanhado de conhecimento cient\u00edfico&nbsp; baseado nas melhores e atuais evid\u00eancias cient\u00edficas. O conhecimento destruiu mito nesse Pa\u00eds e continua destruindo e inverdades tamb\u00e9m. Na forma\u00e7\u00e3o \u00e9 importante o estudante compreender o que se constitui viol\u00eancia e n\u00e3o podemos deixar o estudante entender que&nbsp; se possa naturalizar isso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido tamb\u00e9m alertou as institui\u00e7\u00f5es de enfermagem Aben, Coren, sindicatos, associa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas diversas para combater a enfermagem EAD.<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente do DAEE corrobora o ponto de vista da diretora. \u201cOs estudantes precisam ter pensamento cr\u00edtico. Esse tema \u00e9 mais que apenas viol\u00eancia f\u00edsica. Estamos falando tamb\u00e9m da viol\u00eancia de g\u00eanero, da viol\u00eancia econ\u00f4mica e do descumprimento dos direitos dos trabalhadores. \u00c9 preciso um f\u00f3rum permanente de fiscaliza\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis pelo combate e puni\u00e7\u00e3o dessa viol\u00eancia\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p>Texto: Fabiane Morais\/Nosso N\u00facleo de Comunica\u00e7\u00e3o EENFSC<\/p>\n\n\n\n<p>Foto: Vanessa Drehmer\/Coren-RS<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Relatos de viol\u00eancia f\u00edsica e ass\u00e9dio moral marcaram a audi\u00eancia p\u00fablica \u201cBasta de Viol\u00eancia na Enfermagem\u201d. 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