{"id":473,"date":"2025-10-25T16:54:55","date_gmt":"2025-10-25T19:54:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/encontrodiscenteppgas2025\/?page_id=473"},"modified":"2025-10-26T17:01:48","modified_gmt":"2025-10-26T20:01:48","slug":"gt04-as-religioes-em-sua-diversidade","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/encontrodiscenteppgas2025\/gt04-as-religioes-em-sua-diversidade\/","title":{"rendered":"GT04: As religi\u00f5es em sua diversidade"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-ast-global-color-6-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-1 wp-block-paragraph\"><strong>Coordena\u00e7\u00e3o:&nbsp;<\/strong>Rafael Cristaldo (UFRGS) e Taiane Naressi Lopes (UFRGS)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-ast-global-color-6-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-2 wp-block-paragraph\"><strong>Debatedores(as):<\/strong>&nbsp;Carlos Henrique Cerezer Machado<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-ast-global-color-6-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-3 wp-block-paragraph\"><strong>Modalidade:&nbsp;<\/strong>Online <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-ast-global-color-6-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-4 wp-block-paragraph\"><strong>Resumo: <\/strong>As religi\u00f5es, sempre acompanharam os humanos \u2013 at\u00e9 mesmo quando s\u00e3o negadas. Este Grupo de Trabalho quer reunir pesquisadoras e pesquisadores que apresentem como as religi\u00f5es, em sua diversidade, se relacionam com emerg\u00eancias clim\u00e1ticas e os discursos ecol\u00f3gicos. Como cada religi\u00e3o explica o que s\u00e3o as cat\u00e1strofes clim\u00e1ticas? Como o discurso ecol\u00f3gico muda e molda as pr\u00e1ticas religiosas? Como as cat\u00e1strofes clim\u00e1ticas e os discursos ecol\u00f3gicos se relacionam com as mitologias? Como que a\u00e7\u00f5es e discursos religiosos nesses planos se fazem presentes no espa\u00e7o p\u00fablico? Convidamos voc\u00ea para compor este espa\u00e7o que visa a escuta e o compartilhar de diferentes enfoques religiosos frente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que est\u00e3o ocorrendo. Juntos, al\u00e9m de ampliarmos as reflex\u00f5es e o conhecimento sobre o que cada vertente religiosa interpreta e aponta como uma via poss\u00edvel, nos fortalecemos enquanto uma \u00e1rea a compreender estes fen\u00f4menos atuais. Ademais, tamb\u00e9m aceitaremos trabalhos que tratem das religi\u00f5es em tem\u00e1ticas diversas, basta intercalar o tema do seu trabalho com a capacidade de antropologia de narrar a vida em outros contextos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"180\" height=\"176\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/encontrodiscenteppgas2025\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-19.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-189\" style=\"width:20px\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-ast-global-color-6-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-5 wp-block-paragraph\"><strong><br>Apresenta\u00e7\u00f5es selecionadas (Ter\u00e7a-feira 11\/11, 8h-12h):<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-ast-global-color-6-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-6 wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"180\" height=\"176\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/encontrodiscenteppgas2025\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-19.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-189\" style=\"width:20px\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-ast-global-color-1-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-7 wp-block-paragraph\"><strong>Deus \u00e9 Tudo em tudo &#8211; a Cosmologia Sufi de Sheikh Nazim al-Haqqani<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-ast-global-color-6-color has-text-color has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Autoria: <\/strong>Rafael Magalh\u00e3es Vasconcelos Maron (UFBA)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-ast-global-color-6-color has-text-color has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Resumo: <\/strong>A presente proposta, vinculada \u00e0 pesquisa de doutorado em andamento, est\u00e1 situada na \u00e1rea tem\u00e1tica de Antropologia da Religi\u00e3o, com foco na religi\u00e3o isl\u00e2mica e em sua vertente m\u00edstica, o sufismo. Com mais de um bilh\u00e3o de praticantes, o Isl\u00e3 possui grande diversidade interna, composta por diferentes escolas jur\u00eddicas, teol\u00f3gicas e propostas espirituais. A principal fonte religiosa, o Alcor\u00e3o, \u00e9 a mesma para todos os praticantes, mas as diferen\u00e7as hermen\u00eauticas em sua interpreta\u00e7\u00e3o d\u00e3o margem aos diversos segmentos dentro da religi\u00e3o. O sufismo, conhecido como a via m\u00edstica do Isl\u00e3, surgiu por volta do s\u00e9culo VIII d.C. Inicialmente uma proposta de um estilo de vida asc\u00e9tico e de pobreza espiritual, o sufismo se desenvolve em uma prol\u00edfica tradi\u00e7\u00e3o de contempla\u00e7\u00e3o m\u00edstica do Divino, organizando-se em ordens sufis (turuq, sing. tariqa), baseadas nos ensinamentos codificados de mestres carism\u00e1ticos e herdados a partir de uma cadeia sucess\u00f3ria. Diferentemente de interpreta\u00e7\u00f5es exeg\u00e9ticas do Alcor\u00e3o, os ensinamentos do sufismo adv\u00eam de experi\u00eancias e vis\u00f5es espirituais dos mestres, o que gerou grande diversidade de cren\u00e7as e pr\u00e1ticas complementares \u00e0s pr\u00e1ticas can\u00f4nicas isl\u00e2micas. A ordem Naqshbandi Haqqani \u00e9 atualmente uma das maiores do mundo, de car\u00e1ter transnacional e presente em pa\u00edses isl\u00e2micos e n\u00e3o isl\u00e2micos. Foi liderada por Sheikh Nazim al-Haqqani (1922-2014), e atualmente \u00e9 conduzida por seu filho, Sheikh Mehmet Adil (1957). Me baseio na abordagem cr\u00edtica de Talal Asad, que desconstr\u00f3i a ideia de religi\u00e3o como uma cren\u00e7a privada, e recorro a alguns de seus conceitos como \u201ctradi\u00e7\u00e3o discursiva\u201d e a rela\u00e7\u00e3o entre religioso e secular. Partindo dessa abordagem, pretendo fazer uma investiga\u00e7\u00e3o etnogr\u00e1fica na sede da ordem em Istambul. O objetivo \u00e9 compreender a rela\u00e7\u00e3o entre seu discurso autoritativo, baseado em uma rela\u00e7\u00e3o pessoal de seu mestre com o plano espiritual e o Divino, e as din\u00e2micas da modernidade e do mundo material e concreto. Como uma tradi\u00e7\u00e3o opera discursivamente suas mudan\u00e7as rituais e subjetivas diante do mundo contingente? Como o trabalho de campo ainda n\u00e3o foi iniciado, o recorte desta proposta de trabalho enfatizar\u00e1 os discursos de Sheikh Nazim al-Haqqani, buscando compreender como se d\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o de sua narrativa cosmol\u00f3gica, que articula os acontecimentos ambientais e geopol\u00edticos do \u00faltimo s\u00e9culo com as tradi\u00e7\u00f5es escatol\u00f3gicas isl\u00e2micas sobre o fim dos tempos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-ast-global-color-6-color has-text-color has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Palavras-chave:<\/strong> Islamismo; Sufismo; Religi\u00e3o; M\u00edstica<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-ast-global-color-6-color has-text-color has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"180\" height=\"176\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/encontrodiscenteppgas2025\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-19.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-189\" style=\"width:20px\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-ast-global-color-1-color has-text-color has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><strong>RELIGI\u00d5ES DE MATRIZ AFRICANA E AFRO-BRASILEIRAS: MULHERES NEGRAS DE TERREIRO EM UMA CIDADE DA FRONTEIRA (BAG\u00c9- RS).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-ast-global-color-6-color has-text-color has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Autoria: <\/strong>H\u00e9len de Oliveira Soares Jardim (UFPEL) e Cl\u00e1udio Baptista Carle (UFPEL)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-ast-global-color-6-color has-text-color has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Resumo: <\/strong>As primeiras manifesta\u00e7\u00f5es religiosas de matriz africana e afro-brasileira no Estado do Rio Grande do Sul (RS) resultam da di\u00e1spora for\u00e7ada de africanos (as) submetidos \u00e0 escraviza\u00e7\u00e3o, estando em permanente transforma\u00e7\u00e3o no transcorrer da hist\u00f3ria (CORR\u00caA, 2016, p. 41). Na cidade de Bag\u00e9 (RS) localizada na fronteira do Brasil com o Uruguai n\u00e3o foi diferente. Contudo, entendo que as pr\u00e1ticas de resist\u00eancia subvertem o pensamento cient\u00edfico euroc\u00eantrico. Sodr\u00e9 (2017) prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o, possibilidades e a elabora\u00e7\u00e3o de uma \u201cfilosofia nag\u00f4\u201d, como uma \u201cforma alternativa de subverter ao pensamento ocidental, excludente e crist\u00e3o. Atenta as cosmopercep\u00e7\u00f5es, narrativas, subjetividades e mem\u00f3rias de mulheres negras produzidas nos terreiros, trago um pequeno recorte da pesquisa em andamento no Doutorado em Antropologia na Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), bem como a inser\u00e7\u00e3o etnogr\u00e1fica junto ao campo afro-religioso atrav\u00e9s dos di\u00e1logos espont\u00e2neos realizados com duas Yalorix\u00e1s: Maria de Oxal\u00e1 e Margareth de Oxum. Estas mulheres s\u00e3o dirigentes de Umbanda e de Quimbanda a mais de 30 anos, e, para ambas, o Batuque passou a fazer parte da sua trajet\u00f3ria religiosa anos mais tarde. A pesquisa dialogar\u00e1 com a ideia de \u201cEscreviv\u00eancia\u201d de Concei\u00e7\u00e3o Evaristo (2016), assumindo meu posicionamento pol\u00edtico-metodol\u00f3gico de (re) exist\u00eancias dentro do campo por ser uma mulher negra adepta dessas religi\u00f5es h\u00e1 quase 30 anos, provocando-me a sentir, vivenciar, presenciar e aprender com\/e\/as interlocutoras da pesquisa. O caminho ainda \u00e9 longo, por\u00e9m, a import\u00e2ncia desta no campo da Antropologia e das Ci\u00eancias Humanas e Sociais, \u00e9 de grande relev\u00e2ncia em prol da diversidade religiosa, principalmente para a compreens\u00e3o dessas manifesta\u00e7\u00f5es religiosas como forma de pertencimento, preserva\u00e7\u00e3o, legitimidade social em um contexto de fronteira, j\u00e1 que \u201cbrasileiros e platinos foram integrados em v\u00e1rias redes de parentesco religioso\u201d nas \u00faltimas d\u00e9cadas (ORO, 1999, p. 92).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-ast-global-color-6-color has-text-color has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Palavras-chave:<\/strong> Religi\u00f5es afro, Mulheres Negras, Resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"180\" height=\"176\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/encontrodiscenteppgas2025\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-19.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-189\" style=\"width:20px\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-ast-global-color-1-color has-text-color has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Rituais que fazem territ\u00f3rio: Wituk, cosmologia e defesa ambiental em Sarayaku<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-ast-global-color-6-color has-text-color has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Autoria: <\/strong>Maria Caroline Franco Valentim (UFC)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-ast-global-color-6-color has-text-color has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Resumo:<\/strong> Analisa-se o wituk, pr\u00e1tica de pintura corporal do povo Kichwa de Sarayaku, como ritual que produz e torna vis\u00edvel o territ\u00f3rio. A quest\u00e3o central \u00e9 como o wituk atua como dispositivo simb\u00f3lico e pol\u00edtico para proteger o territ\u00f3rio diante de press\u00f5es extrativistas, traduzindo desequil\u00edbrios ecol\u00f3gicos em termos cosmol\u00f3gicos e mobilizando a\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<br>Metodologia e status da pesquisa: estudo qualitativo, bibliogr\u00e1fico e documental. A an\u00e1lise baseia-se em rean\u00e1lises de etnografias e estudos sobre Sarayaku e casos an\u00e1logos, em registros audiovisuais comunit\u00e1rios e de m\u00eddia, e em documentos coletivos e manifestos ind\u00edgenas. As interpreta\u00e7\u00f5es apoiam-se na triangula\u00e7\u00e3o de pelo menos duas fontes por afirma\u00e7\u00e3o. A pesquisa encontra-se na fase de sistematiza\u00e7\u00e3o das fontes e elabora\u00e7\u00e3o anal\u00edtica; n\u00e3o houve trabalho de campo in loco.<br>Quadro te\u00f3rico: articula-se uma leitura entre ontologias ind\u00edgenas e rela\u00e7\u00f5es humano\u2013n\u00e3o humano (VIVEIROS DE CASTRO, 2004; DESCOLA, 2005; KOHN, 2013) e produ\u00e7\u00f5es de autorias ind\u00edgenas, especialmente KRENAK (2019) e KOPENAWA; ALBERT (2010). Krenak oferece um enquadre sobre a responsabilidade de adiar o fim do mundo; Kopenawa conecta cosmografia xam\u00e2nica \u00e0 den\u00fancia da destrui\u00e7\u00e3o ambiental. A partir desses aportes, o wituk \u00e9 interpretado como tecnologia de resili\u00eancia: o corpo pintado atua como extens\u00e3o do territ\u00f3rio e a performance ritual reconfigura temporalidades de renascimento e redes de cuidado.<br>Contribui\u00e7\u00f5es esperadas: mostrar que pr\u00e1ticas religiosas ind\u00edgenas operam simultaneamente como cosmologia, cuidado ambiental e estrat\u00e9gia pol\u00edtica, oferecendo elementos anal\u00edticos para a antropologia das religi\u00f5es e propondo caminhos \u00e9ticos e metodol\u00f3gicos para pesquisas colaborativas futuras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-ast-global-color-6-color has-text-color has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><strong> Palavras-chave<\/strong>: Wituk; Sarayaku; pintura corporal; cosmologia ind\u00edgena; defesa territorial<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-ast-global-color-6-color has-text-color has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"180\" height=\"176\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/encontrodiscenteppgas2025\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-19.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-189\" style=\"width:20px\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-ast-global-color-1-color has-text-color has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Depois da proibi\u00e7\u00e3o, o qu\u00ea? Transfus\u00e3o de sangue e o lugar do conhecimento m\u00e9dico-cient\u00edfico nas publica\u00e7\u00f5es da Sociedade Torre de Vigia.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-ast-global-color-6-color has-text-color has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Autoria<\/strong>: Carlos Henrique Cerezer Machado (UFRGS)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-ast-global-color-6-color has-text-color has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Resumo:<\/strong> Desde 1945, as Testemunhas de Jeov\u00e1 t\u00eam recusado integralmente qualquer procedimento m\u00e9dico que envolva a transfus\u00e3o de sangue. Embasadas pela reinterpreta\u00e7\u00e3o de passagens b\u00edblicas que pro\u00edbem seu consumo aliment\u00edcio, o presente trabalho tem como objetivo analisar as consequ\u00eancias que essa doutrina tem tido na maneira em que a Sociedade Torre de Vigia, autoridade centralista da denomina\u00e7\u00e3o, qualifica procedimentos m\u00e9dicos e conhecimentos cient\u00edficos, resultando n\u00e3o no seu silenciamento mas numa prolifera\u00e7\u00e3o de discursos sobre esses artefatos: hemodi\u00e1lise, transplante de \u00f3rg\u00e3os e de medula \u00f3ssea, vacina\u00e7\u00e3o, fracionamento de sangue, doa\u00e7\u00e3o e exame de sangue, cirurgias card\u00edacas, flebotomia, entre muitos outros. A partir de uma an\u00e1lise documental de suas publica\u00e7\u00f5es, argumento que essa doutrina, longe de apenas se estabelecer como uma simples proibi\u00e7\u00e3o, acaba resultando em casu\u00edsticas muito mais complexas do que esperado \u2013\u2013 Aqui, num di\u00e1logo cr\u00edtico com o trabalho de Mary Douglas (2019) sobre as din\u00e2micas sociais e simb\u00f3licas de classifica\u00e7\u00e3o. Assim, acaba envolvendo n\u00e3o apenas rela\u00e7\u00f5es de interdi\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m rela\u00e7\u00f5es de permissibilidade, estabelecendo zonas cinzas caracterizadas por posi\u00e7\u00f5es ambivalentes e, de forma marcante, pela articula\u00e7\u00e3o interessada dos pr\u00f3prios conhecimentos m\u00e9dico-cient\u00edficos como estrat\u00e9gia de legitima\u00e7\u00e3o extra-teol\u00f3gica. Isso possibilita reflex\u00f5es perante o \u201cproblema de demarca\u00e7\u00e3o\u201d epistemol\u00f3gica entre ci\u00eancia e n\u00e3o-ci\u00eancia no contexto da gest\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico por atores religiosos. Assim, se trata de conceber a rela\u00e7\u00e3o religi\u00e3o-medicina, seguindo Lucas Baccetto (2022), como uma rela\u00e7\u00e3o englobante que sujeita a medicina aos par\u00e2metros da teologia, n\u00e3o apenas em termos de oposi\u00e7\u00e3o e\/ou controle mas de depend\u00eancia m\u00fatua. O trabalho apresentado deriva da pesquisa realizada em ocasi\u00e3o do meu trabalho de conclus\u00e3o de curso e, portanto, est\u00e1 num est\u00e1gio bastante inicial, limitado empiricamente pelo seu escopo majoritariamente documental e bibliogr\u00e1fico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-ast-global-color-6-color has-text-color has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Palavras-chave<\/strong>: Religi\u00f5es afro, Mulheres Negras, Resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"365\" height=\"337\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/encontrodiscenteppgas2025\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-removebg-preview-4.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-87\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/encontrodiscenteppgas2025\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-removebg-preview-4.png 365w, https:\/\/www.ufrgs.br\/encontrodiscenteppgas2025\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-removebg-preview-4-300x277.png 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