Entrevistas

8/11/2021

Museu e Arquivo Histórico da Escola de Engenharia: regatando e zelando pela histórica da EE

O Informativo da EE entrevistou Isabel Ferrugem, museóloga do Museu e Arquivo Histórico da Escola de Engenharia (o MAHEE), que participou diretamente da elaboração de diversos produtos para as festividades dos 125 anos da EE comemorado em 10 de agosto de 2021. Além dessa importante atividade nos 125 anos, Isabel destaca algumas passagens nesse trabalho que resgata e zela pela histórica da Escola de Engenharia. Confiram a seguir.

Por Paulo Fernando Zanardini Bueno  Agência de Comunicação da EE

INFORMATIVO DA EE: Como o Museu e Arquivo Histórico da Escola de Engenharia (o MAHEE) se organizou para desenvolver os produtos que integram as festividades dos 125 anos da Escola de Engenharia?

Isabel Ferrugem: A participação foi iniciada em meados do mês de dezembro de 2020, a partir de uma solicitação da direção da Escola de Engenharia para a possibilidade de elaboração de uma Linha do Tempo. Após reunião remota com as equipes do Museu e Arquivo, foi iniciada a etapa de pesquisa bibliográfica. Com a constituição da Comissão responsável pela criação de materiais e atividades comemorativas, o MAHEE participou das reuniões semanais, apresentando ideias de produtos como a Visita Teatralizada, em parceria com o Museu da UFRGS, entre outros, e os resultados pertinentes ao desenvolvimento da pesquisa e das ideias sugeridas.

IEE: Como a equipe do MAHEE realizou a pesquisa das informações que apresentam a linha do tempo da Escola de Engenharia?

IF: Em uma etapa inicial, foi realizada a leitura, por todos os colaboradores do MAHEE, do livro Escola de Engenharia – UFRGS: um século, de autoria de Maria de Nazareth Agra Hassen e Maria Letícia Mazzucchi. Na sequência, foi elaborado um resumo para o levantamento das informações preliminares que dizem respeito ao período de criação da Escola, ocorrida no ano de 1896, até o ano de 1996 – que vieram a compor o eixo narrativo da Linha do Tempo denominado de Tradição, que diz respeito aos  primeiros 100 (cem) anos de trajetória institucional. Já o lapso temporal que compreende os anos de 1997 a 2021, intitulado de Inovação, contempla as conquistas e avanços que aconteceram nos  últimos 25 (vinte e cinco) anos. Foram realizadas pesquisas em Atas da Escola, contando com a colaboração da Gerente Administrativa da Escola de Engenharia, informações, pautadas em documentos, prestadas pelos vários setores, departamentos, laboratórios,  docentes na ativa e aposentados, servidores técnicos e bolsistas, que integram a estrutura organizacional da EE e, ainda, consulta em sites institucionais.

IEE: Como está o trabalho de elaboração do e-book comemorativo dos 125 anos da Escola de Engenharia? E qual o planejamento de lançamento?

IF: Estão sendo finalizadas as etapas de inserção de conteúdos e diagramação. Em breve tempo, será submetido à apreciação da direção da Escola de Engenharia. A ideia de lançamento é para o dia 10 de dezembro de 2021 (dia do engenheiro). Espera-se que o mesmo possa ocorrer presencialmente e, portanto, ser o evento de encerramento desse ano comemorativo que transcorreu de forma tão atípica (por conta pandemia).

IEE: O que mais chamou a atenção da equipe do MAHEE nos trabalhos que investigaram a história da Escola de Engenharia nesse projeto dos 125 anos?

IF: A grandiosidade da Escola de Engenharia, nascida da iniciativa de cinco tenentes-coronéis engenheiros, e que, ao longo do tempo, vem se inovando e se mantendo fiel ao ideal fundador de geração de conhecimentos, formações e contribuições sociais.

IEE: Qual a maior dificuldade nesse trabalho de pesquisa das informações sobre a Escola de Engenharia?

IF: A maior dificuldade foi a falta de acesso às fontes primárias de informações como, por exemplo, documentos históricos. A mesma, teve como causas a ocorrência da pandemia e, ainda, o fato de a massa documental da Escola de Engenharia não estar organizada e sistematizada para consulta. Esse trabalho, que vem sendo paulatinamente realizado desde o ano de 2018, teve o seu andamento interrompido em face do advento do trabalho remoto em substituição ao presencial.

IEE: Como foi a experiência de produzir um conjunto de materiais para uma festividade de uma instituição do porte da Escola de Engenharia?

IF: Foi uma oportunidade de imersão histórica muito enriquecedora e que muito irá contribuir para a realização de futuras atividades do MAHEE, sejam de pesquisas, expositivas e ações educativas. E, também, foi uma experiência muito gratificante poder vivenciar percepções diferenciadas por parte dos integrantes da Comissão.

IEE: Resposta livre. Pode citar materiais de estudo com links de acesso, pode tecer comentários sobre o tema da entrevista, descrever agradecimentos e o que considerar importante deixar registrado.

IF: Impossível não mencionar o grande esforço dos agentes sociais que se envolveram no desafio de elaboração dos materiais comemorativos em um momento de tantas dificuldades, sejam de acesso físico aos espaços de trabalho, casos de COVID, de perdas familiares e de amigos e de inseguranças de toda a ordem. Enumerar todas as pessoas que contribuíram, ao longo de todo esse ano, é incorrer em uma imprecisão, pois os auxílios e contribuições vieram de inúmeras formas. Fica, assim, o agradecimento do MAHEE a todos e todas pela oportunidade de construção e participação nesse evento de tanta relevância para a Escola de Engenharia.

No dia 27/09/2021, em reunião do Conselho da Unidade (CONSUNI), foi aprovada a criação do Museu e Arquivo Histórico da Escola de Engenharia Flávio Luís César de Lima (MAHEE).  A partir dessa data, o Museu teve a sua denominação alterada e passou a integrar o organograma da Escola de Engenharia.

01/11/2021

Acolhimento dos Calouros Reconhecido Internacionalmente: evento de recepção dos novos estudantes foi finalista do Prêmio Lueny Morell 2021

O Informativo da Escola de Engenharia entrevistou a professora Simone Ramires que coordenou o evento de recepção dos novos estudantes da EE, o Acolhimento dos Calouros, iniciado em 2017. Em 2021, o Acolhimento, foi reconhecido internacionalmente e esteve na lista dos 4 projetos finalistas do Prêmio Lueny Morell que destaca as melhores e mais relevantes iniciativas na América Latina que contribuem e impactam o ensino superior. Foram 18 projetos enviados de 4 países. Confere a seguir.

Por Paulo Fernando Zanardini Bueno  Agência de Comunicação da EE

INFORMATIVO DA EE: Como o projeto Acolhimento dos Calouros da Escola de Engenharia chegou ao Prêmio Lueny Morell 2021?

Simone Ramires: O Projeto chegou ao meu conhecimento pelo professor José Roberto Cardoso da Escola Politécnica da USP, que assistiu à apresentação junto ao Congresso Brasileiro de Engenharia – COBENGE sobre o Acolhimento/Desafio e fui informada por esse professor do respectivo edital que fomenta a linha de ação do STEAM (Science, Technology, Engineering, Arts e Mathematics).

IEE: Como recebeu a indicação de finalista dessa premiação?

SR: O prêmio reconhece iniciativa relevante de inovação Docente no âmbito das Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemáticas na Iberoamérica que caracteriza significativa contribuição e impacto na Educação Superior o que para mim teve impacto significativo, pois, acredito fortemente na Engenharia, no impacto que tem para mudanças no âmbito do empreendedorismo, inovação e aplicar os conhecimentos adquiridos, ou seja, torna-los exequíveis, viáveis e serem projetos de grande impacto para a sociedade como um todo.

IEE: O que acredita que tenha influenciado na avaliação para que o Acolhimento dos Calouros estivesse entre os finalistas?

SR:

O projeto Acolhimento dos Calouros da Escola de Engenharia – “Como tornar a UFRGS mais sustentável foi um marco para que houvesse o reconhecimento/indicação para o prêmio, pois, caracteriza-se pela inserção do Calouro de Engenharia em um desafio que visa tornar a Universidade sustentável, sentir-se pertencente da Universidade, entender o que é um projeto, bem como inferir conceitos de inovação e empreendedorismo e, ainda tornar projetos práticos que possam impactar comunidade acadêmica. Além disso, o projeto desenvolve nos calouros experiências vivenciais que permitam a construção de conhecimentos para fomentar a inovação, a criatividade e o espírito empreendedor nos alunos de diferentes cursos de graduação da UFRGS, bem como suscitar o debate acerca das etapas para o empreendimento de um negócio, analisar os elementos influenciadores neste processo e discutir questões de posicionamento em mercados como, por exemplo, verificar o investimento inicial para iniciar o projeto e, também o retorno (payback).

IEE: Quais entidades da área da educação organizam esse prêmio?

SR: O prêmio é organizado pelo IinnovaHiEd Academy em conjunto com a Federação Internacional de Sociedades de Educação em Engenharia (IFEES) e o capítulo latino-americano do Global Engineering Deans Council (GEDC Latam) e quer honrar a memória de sua fundadora Lueny Morell uma mulher que se caracterizou por sua capacidade de conectar pessoas e entidades para melhorias educacional, com um impacto verdadeiramente global.

IEE: Como foi organizar a edição do Acolhimento dos Calouros no modo virtual?

SR: O projeto Acolhimento no modo virtual teve seus desafios, entender plataforma, bem como apresentar o projeto para os Calouros que também encontravam-se em adaptação, mas isso não foi empecilho para que a sua edição tivesse adesão e com isso propostas de projetos que tem como foco a melhoria na Universidade, sempre pensando as questões ambientas, 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Na última edição teve projetos que foram contemplados com bolsa de Empreendedorismo da Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico – Sedetec, bolsas PIBIC/CNPq, BIC/PROPESQ, projetos de extensão.

Os projetos como Fila Virtual – App que trouxe soluções para auxiliar estudantes na fila de espera do restaurante universitário da UFRGS, bem como colaborar com o controle dos alimentos que são desperdiçados diariamente nesses locais, IluminaTchê – iluminação sustentável que tem como objetivo promover postes equipados com placas fotovoltaicas para iluminar o campus, Rysktech que visa atuar diretamente com gerenciamento de riscos ambientais e melhorar ações de sustentabilidade ambiental na Universidade. Todos os citados possuem bolsa de empreendedorismo pela Sedetec, enquanto que o Re-TEC é um projeto de extensão que visa promover a coleta de aparelhos eletrônicos, a fim de consertá-los e destiná-los a alunos com vulnerabilidade socioeconômica na universidade.

Outros projetos de edição anteriores tal como AMEVIL – utilização de contêineres como espaços de convivência e lazer teve bolsa de IC, Árvore Solar na Escola de Engenharia, Naturae Plastic – plástico biodegradável, SOLIS – energia através da fibra óptica.

IEE: Qual o legado que o Acolhimento dos Calouros tem deixado na Universidade e na Escola de Engenharia?

SR: Acredito que tenha impactado diretamente ou indiretamente diversos acadêmicos de Engenharia, bem como outros cursos da Universidade, possibilitando ao acadêmico ver e acreditar no seu potencial, bem como perceber/entender que pode fazer a diferença na Universidade, fazer parte e assim entender o seu papel desde o início, bem como o que é ser Engenheiro e ainda, entender os conceitos de  empreendedorismo e inovação e que pode fazer a diferença na sociedade, aplicar seus conhecimentos para mudanças no contexto ambiental, social e econômico.

É importante salientar que o projeto contribui para aperfeiçoar, refutar ou corroborar as metodologias ativas de aprendizagem, como a Aprendizagem Baseada em Problemas (PBL), a Sala de aula invertida (Flipped Classroom), entre outras que possivelmente são utilizadas na aprendizagem. Enquanto docente acredito na Engenharia, sou uma fã incansável e tenho consciência que o Projeto Acolhimento desenvolveu espírito empreendedor nos acadêmicos e, ainda estimulou a autonomia, contando com suas habilidades de criatividade, trabalho em equipe, colaboração, raciocínio lógico e especialmente o espírito inovador.

25/10/2021

XX Oktoberfórum em 2021 acontece nos dias 4 e 5 de novembro

O Informativo da Escola de Engenharia entrevistou Oscar William Perez Lopez, professor de Engenharia Química e membro em 2021 da Comissão de Organização do XX Oktoberfórum. O Oktoberfórum é um evento que tornou-se tradicional no calendário da Escola de Engenharia e serve de pré-requisito para a defesa das dissertações de mestrado e das teses de doutoramento, e também para os estudantes da pós-graduação apresentarem suas pesquisas e de aproximação da Universidade com as empresas do setor químico. Confere a seguir.

Por Paulo Fernando Zanardini Bueno – Agência de Comunicação da EE

INFORMATIVO DA EE: Qual a proposta do evento Oktoberfórum?

Oscar W. Perez Lopez:

IEE: Como foi a experiência de realizar o evento de modo virtual no ano de 2020?

OWPL: O Oktoberforum é um evento anual organizado pelo Programa de Pós-graduação em Engenharia Química (PPGEQ), que está na vigésima edição em 2021. O objetivo é a apresentação dos trabalhos realizados por alunos de mestrado e doutorado e divulgar as pesquisas que estão sendo desenvolvidas no PPGEQ. Esta atividade é um pré-requisito para a defesa da dissertação ou tese. Os alunos de mestrado e doutorado devem, antes do término do segundo ano de curso, apresentar os resultados parciais de suas pesquisas, perante uma banca examinadora. O evento estimula o desenvolvimento de seus trabalhos auxiliando a respeitar seus cronogramas.

IEE: O que está previsto na programação para a edição de 2021?

OWPL: O maior desafio foi a plataforma online, pois foi necessário conectar um grande número de pessoas simultaneamente. A experiência de realizar o evento de forma virtual foi muito positiva, pois possibilitou a presença de palestrantes de outras universidades de fora do Rio Grande do Sul. Além disso, o evento virtual permitiu a celebração dos 25 anos da fundação do PPGEQ, com a presença de todos os docentes que participaram da criação do programa.

IEE: Quantos trabalhos serão apresentados na edição de 2021?

OWPL:

O XX Oktoberfórum acontecerá nos dias 04 e 05 de novembro de 2021, com início às 13h30. Esta edição também será totalmente virtual e, além da apresentação de trabalhos de mestrandos e doutorando, estão previstas as seguintes palestras;

Palestra 1: Construção de carreira na indústria petroquímica e atuação ABEQ – Guilherme Machado, Eng de processos da Oxiteno e membro da diretoria da ABEQ.

Palestra 2: Simulação na indústria: casos de aplicação – Renan Pereira, Eng de processos e controle, Trisolutions.

Palestra 3: Engenheiro químico na área ambiental: Fiscalização – Marcos Gerchman, Analista ambiental, FEPAM.

A abertura do evento será feita pela Coordenação do PPGEQ e pelos representantes discentes.

IEE: Quais trabalhos mais recentes apresentados no Oktoberfórum estão no mercado como serviço ou produto?

OWPL: Na edição de 2021, serão apresentados um total de 19 trabalhos realizados por alunos de pós-graduação do PPGEQ, sendo 14 trabalhos de mestrandos e 5 trabalhos de doutorandos. Estes trabalhos são desenvolvidos pelos alunos nos diferentes laboratórios que fazem parte das seguintes linhas de pesquisa do PPGEQ:

1) Projeto, Simulação, Controle e Otimização de Processos Químicos e Biotecnológicos;

2) Fenômenos de Transporte e Operações Unitárias;

3) Materiais da Indústria Química: Polímeros e Couro; e

4) Cinética Aplicada, Catálise, Reatores Químicos e Biorreatores.

IEE: Qual o legado do Oktoberfórum para a Universidade e a Escola de Engenharia desde a sua primeira realização em 2002?

OWPL: Esse evento consiste em uma forma de divulgar para a sociedade os trabalhos realizados por alunos de pós-graduação mostrando o que está sendo feito em termos de pesquisa no PPGEQ, visto que o público alvo inclui, além de mestrados, e doutorandos do Programa, alunos da graduação, profissionais da indústria e público em geral. Além disso, o evento permite organizar a vida acadêmica dos alunos de pós-graduação, melhorando o tempo de integralização.

IEE: Resposta livre. Pode citar materiais de estudo com links de acesso, pode tecer comentários sobre o tema da entrevista, descrever agradecimentos e o que considerar importante deixar registrado.

OWPL: Gostaria agradecer a oportunidade de divulgar o evento, convidar a toda a comunidade da Engenharia Química e da Escola de Engenharia e público em geral para participar deste evento. Gostaria também agradecer a todos os membros da Comissão organizadora do XX Oktoberforum.

Link do evento: https://www.ufrgs.br/oktoberforum/

18/10/2021

Desafio Embalagem do Futuro é conquistado por estudante da Escola de Engenharia e a sócia

Por Paulo Fernando Zanardini Bueno – Agência de Comunicação da EE

O Informativo da Escola de Engenharia entrevistou Ricardo Sastre, doutorando em Engenharia de Produção sobre a recente conquista no Desafio Embalagem do Futuro promovido pelas empresas ifood (entrega de comida com pedido por aplicativo) e a Suzano (produtora de papel e celulose). A proposta do concurso é a de desenvolver embalagens sustentáveis para delivery que seja acessível pelo maior número de empresas com matéria-prima de fonte renovável e que não utilizem o plástico. Sastre aplicou o método proposto em sua Tese de doutoramento intitulada “Método de Desenvolvimento de Embalagens Sustentáveis para Circularidade”. Confere a seguir.

INFORMATIVO DA EE: Como surgiu a ideia de apresentar o produto que venceu o Desafio Embalagem do Futuro?

Ricardo Sastre: Recebemos o link de uma empresa parceira sobre o concurso. Atendemos o mercado de food service em nossa empresa, acreditávamos que poderíamos contribuir com nossa experiência teórica e prática. O resultado foi positivo. 

IEE: Como vocês receberam a informação de escolha da Mita como vencedora do Desafio?

RS: Foi muito legal, não tenho o hábito de acompanhar redes sociais, no dia 20 de setembro, ocasionalmente abri o link do Instagram que o ifood encaminhou e lá estava o resultado. Comemoramos muito. 

IEE: Qual o diferencial de sustentabilidade e de produção da Mita (a marmita feita de papel cartão)?

RS: A matéria-prima, papel com revestimento biodegradável; o projeto estrutural enxuto e que gera poucas aparas e a montagem manual, o que evita o uso de cola em seu fechamento. 

IEE: Quais são os planos seus e da sua sócia na Mudrá, a Cristiane Zeni, que participou do Desafio contigo para a introdução da Mita no mercado como alternativa de embalagem?

RS: A embalagem vencedora está nas mãos do Ifood e Suzano papéis, não sabemos quando o projeto será implantado. Na Mudrá design trabalhamos com desenvolvimento de embalagens sustentáveis, temos diversas embalagens projetadas com esta finalidade circulando no mercado. 

IEE: Como é o método que foi utilizado no desenvolvimento da embalagem (a mita) que está trabalhando na sua Tese de Doutorado?

RS: O método utiliza uma ferramenta desenvolvida durante a tese chamada Radar da embalagem, ela é uma compilação teórica de todos os elementos que compõem uma embalagem agrupados em uma única figura em forma de radar. Esta ferramenta torna visual o processo de desenvolvimento de embalagens. O método é baseado no ciclo de vida da embalagem alinhados a partir das etapas projetais do desenvolvimento de embalagens, são elas: Briefing, planejamento, design, implantação e validação. Um dos diferencias deste método é que  se inicia no pós uso da embalagem, ou seja, primeiro verificamos como resolver o problema do descarte e a partir disto iniciamos o desenvolvimento. 

IEE: Como é o seu trabalho na Mudrá e quais são os demais produtos que a empresa produz nessa linha de sustentabilidade?

RS: Trabalhamos desenvolvendo soluções para embalagens com foco em sustentabilidade. Observamos todo o ciclo de vida, analisamos todos os envolvidos no processo, bem como o levantamento e priorização de requisitos. 

IEE: Resposta livre. Pode citar materiais de estudo com links de acesso, pode tecer comentários sobre o tema da entrevista, descrever agradecimentos e o que considerar importante deixar registrado.

RS: Nosso propósito como empresa é aproximar as áreas acadêmica e mercado, este projeto contemplou esta aproximação. Agradecemos ao Programa de Pós Graduação em Engenharia de Produção da UFRGS, aos professores, clientes e parceiros. www.mudradesign.com.br

14/10/2021

O Informativo da Escola de Engenharia entrevistou o professor da Engenharia de Produção, Peter Bent Hansen, sobre a pesquisa “O impacto econômico da pandemia de COVID-19 sobre os MPMEs na América Latina – 2021″.

Por Paulo Fernando Zanardini Bueno – Agência de Comunicação da EE

A pesquisa mapeou temas como as estratégias, as expectativas, as demandas e as dificuldades desse segmento de empresas, e, ao mesmo tempo, destaca a estrutura de produção das MPMEs na América Latina, na Espanha e em Portugal.

O professor Hansen do Departamento de Engenharia de Produção e coordenador do Comitê Nacional do Brasil do Observatório Ibero-Americano de MPMEs, fará a apresentação das informações levantadas no primeiro semestre de 2021 em uma transmissão online pela TV Engenharia, no dia 20 de outubro, às 11h. Confiram a seguir.

Informativo da EE: Qual foi o objetivo do Observatório Ibero-Americano de MPMEs (micro, pequenas e médias empresas)?

Peter Hansen: No segundo semestre de 2020, ocorreu a criação do Observatório Ibero-Americano de MPMEs (micro, pequenas e médias empresas) a partir de uma iniciativa de Aliança de Redes de Pesquisa Internacionais: REUNE – ASCUN, CLADEA, FAEDPYME e MOTIVA.

O Observatório Ibero-Americano de MPMEs destina-se a realizar pesquisas e análises acadêmicas e empresariais, de forma periódica (anual), sobre as estratégias, expectativas, demandas e dificuldades destas empresas, fornecendo informações sobre a estrutura produtiva das MPMEs na América Latina, Espanha e Portugal, buscando atuar como suporte e apoio para as tomadas de decisão principalmente nos campos econômico e estratégico.

A participação do Brasil no Observatório deu-se através do Convênio firmado entre FAEDPYME e UFRGS para atividades de pesquisa conjuntas, intercâmbio de docentes e discentes, formalizado recentemente e através do relacionamento pré-existente entre o pesquisador de pós-doutorado professor Peter Bent Hansen e a própria FAEDPYME.   

IEE: Qual o tema de pesquisa proposto pelo Observatório na edição 2021?

PH: As atividades práticas do Observatório iniciaram-se efetivamente em 2021, com o convite formulado às Universidades Ibero-Americanas para participar da primeira rodada de pesquisas da rede, sobre o tema “o impacto econômico da pandemia de COVID-19 sobre os MPMEs na América Latina – 2021”.

IEE: Quantos países e instituições de ensino superior aderiam ao Observatório?

PH: Aderiram ao Observatório em 2021, pesquisadores de 115 Universidades Ibero-Americanas de 15 diferentes países, estruturadas na forma de Comitês Nacionais coordenadas pelo Comitê Internacional, constituído por representantes das 4 Redes de Pesquisa fundadoras.

IEE: No Brasil, quais instituições de ensino superior e quantos pesquisadores estão participando?

PH: No Brasil, foi criado o Comitê Nacional em 2021, que contou com a participação de 14 Universidades (UNAMA, UFS, PUC Minas, PUC Campinas, ESPM, Mackenzie, UNIP, FGV – EAESP, UNISUL, UNOESC, UFSC, Unisinos, PUCRS, UFRGS), coordenados pelo representante do Núcleo de Economia e Produçaõ (NECOP) do Departamento de Engenharia e Transportes (DEPROT) da Escola de Engenharia, o pesquisador de pós-doutorado e professor Peter Bent Hansen.

IEE: Qual a metodologia está sendo utilizada na pesquisa?

PH: Para realização desta pesquisa foi utilizado um questionário estruturado fechado (respostas objetivas) cujas variáveis e construtos já apresentavam validação estatística em pesquisas anteriores. O questionário foi aplicado de forma on line através de uma plataforma específica criada para a coleta e posterior tratamento dos dados, desenvolvida na FAEDPYME (Espanha). O questionário empregado foi único, vale dizer o mesmo conteúdo para todos os países, apenas com versões do texto em espanhol e em português. Em alguns países, visando alcançar o número desejado de questionários respondidos, houve o apoio do contato telefônico com a empresa para garantir o correto preenchimento do instrumento de pesquisa.

IEE: Quais os resultados preliminares podem ser destacados de como as MPMEs foram impactadas nesse período de pandemia?

PH: Considerando o breve tempo de criação do observatório e o difícil período de pandemia atravessado no Brasil e no mundo, a pesquisa realizada em 2021 pelo Observatório como um todo pode ser considerada como de sucesso, em função do relevante volume de respostas e dados coletados durante o processo. Assim, em termos de pesquisa global foram obtidos cerca de 9.500 questionários respondidos (válidos) pelas MPMEs Ibero-Americanas dos 15 países participantes. Especificamente no caso do Comitê Nacional do Observatório, foram obtidos cerca de 750 questionários respondidos pelas 14 IESs de 6 estados brasileiros. Estes resultados expressivos demonstram o esforço de participação dos pesquisadores e mesmo o interesse dos respondentes, gestores de MPMEs, o que permitiu a obtenção de uma sólida base de dados no tema. Em termos de resultados específicos da pesquisa sobre o impacto da pandemia de COVID 19 sobre as MPMEs no Brasil, algumas questões chamaram a atenção (considerando as MPMEs de todos os segmentos de atividades:

EMPREGO: 32,5% das MPMEs diminuíram o emprego no ano de 2020, 45,2% mantiveram e 22,2% aumentaram.

VENDAS: Quanto à variação das vendas no período de 2019 a 2020 (positiva e negativa) houve redução média das vendas de -11,8%, o que evidencia o impacto negativo da crise nas MPMEs.

NÍVEL DE FATURAMENTO: 51,9% das empresas foram afetadas negativamente, com um grau de importância de 3,16 (numa escala de 1 a 5).

NÍVEL DE RENTABILIDADE: 53,4% das empresas foram afetadas negativamente, com um grau de importância de 3,06 (numa escala de 1 a 5).

REALIZAÇÃO DE INVESTIMENTOS: 44,8% das empresas indicaram ter reduzido os investimentos, com valorização em seu grau de importância de 3,14 (a segunda mais elevada).

ATIVIDADES COM CLIENTES E FORNECEDORES: as empresas tiveram sua cadeia de suprimentos afetadas com todas as consequências.

ATIVIDADES OPERACIONAIS: duas atividades foram avaliadas pelas empresas como aquelas de maior impacto, “as ofertas de produtos / serviços que foram modificadas para atender novas clientes” (3,16 em uma escala de 1 a 5) e “mudanças específicas foram feitas no nível operacional dentro da empresa” (3,02).

ATIVIDADES ESTRATÉGICAS: a percepção é que a crise gerou a necessidade mais intensa de medidas para gerenciar a liquidez da empresa (uma classificação de 3,05 em uma escala de 1 a 5), necessidade de cancelar investimentos que estavam planejados (2,97) e a necessidade de desenvolver planos de gestão de riscos ou contingências (2,49)

IMPACTOS SOBRE A ATIVIDADE INOVADORA: de uma forma geral, a inovação nos sistemas de gestão (processos, estrutura e setores) foi apontada como a mais realizada pelas empresas pesquisadas.

ACESSO A FINANCIAMENTOS: do total de MPMEs participantes deste estudo 31,4% tentaram acessar linhas de financiamento durante o período da pandemia de COVID-19, enquanto que 37% não fizeram a solicitação porque não necessitavam, e 17% não solicitaram por serem autofinanciadas e o restante por acreditarem que não conseguiriam.

INDICADORES DE DESEMPENHO: os indicadores de desempenho mais favoráveis para as MPMEs (participantes do estudo no Brasil) em relação aos seus concorrentes mais diretos são: satisfação do cliente (3,92 em uma escala de 1 a 5) e a qualidade de seus produtos (3,76).

IEE: Após a publicação dos resultados, quais ações em rede o Observatório após essa primeira rodada de pesquisa?

PH: O Observatório, em nível internacional, já existe há diversos anos (desde 2011 em diversos países da América Latina) e deverá manter suas atividades de pesquisa desenvolvidas até hoje. No caso do Comitê Brasileiro do Observatório de MPMEs os objetivos para o próximo ano são:

Consolidar a rede de pesquisa do Observatório no Brasil, com a manutenção dos pesquisadores atuais e suas IESs e a agregação de novas IESs, entidades de classe e órgãos governamentais vinculados ao tema de pesquisa;

Estruturar e consolidar uma equipe de pesquisadores permanentes no assunto de forma a alcançar a especialização no tema, a partir da participação dos parceiros externos;

Realizar as pesquisas previstas para 2022 sobre as MPMEs, cujos temas serão a transformação digital / digitalização das MPMEs e a Sustentabilidade das MPMEs, coletando e analisando os dados e divulgando publicamente os resultados;

Desenvolver uma estrutura de apoio e suporte ao tema de pesquisa com site próprio para divulgação dos dados e resultados, associação com entidades de classe e respectivos temas de interesse, identificação das demandas e necessidades das MPMEs para direcionar as pesquisas, estruturar-se para atuar como base de dados e informações deste segmento de empresas.

IEE: Resposta livre. Pode citar materiais de estudo com links de acesso, pode tecer comentários sobre o tema da entrevista, eventos que irão acontecer, descrever agradecimentos e o que considerar importante deixar registrado.

Ao final do primeiro ano deste projeto, o Observatório Iberoamericano de MiPYMEs (MPMEs), constatamos o sucesso do empreendimento levando em conta todas as dificuldades do período de pandemia da COVID 19 entre março de 2020 e a presente data. O processo de pesquisa em si mostrou-se bastante difícil e complexo. Porém, as empresas demonstraram motivação na participação da pesquisa, parecendo favorável a escolha do tema focalizado.

A ser notado o trabalho colaborativo de pesquisa realizado entre cerca de 30 pesquisadores de diferentes áreas de 14 Instituições de Ensino Superior brasileiras, fato não muito comum em um segmento competitivo como este ao longo das últimas décadas.

Também a ser observado o caráter institucional do Observatório, não vinculado apenas a uma organização ou segmento específico, mas sim com o objetivo de atender os diversos segmentos de forma independente, sem a focalização de uma abordagem única ou de seus interesses associados.

29/09/2021

Projeto da Engenheiros Sem Fronteiras Proporciona Acesso à Água, Saneamento e Higienização

O “Morar Sem Banheiro Não Dá!” beneficia famílias em vulnerabilidade social de Porto Alegre

Por Paulo Fernando Zanardini Bueno – Agência de Comunicação da EE

O Informativo da Escola de Engenharia entrevistou Gabriel Chiele, estudante de Engenharia Civil da UFRGS e membro do Núcleo Porto Alegre da Organização Não-Governamental Engenheiros Sem Fronteiras (EsF). Chiele nos falou sobre mais um dos projetos da EsF, o “Morar Sem Banheiro não Dá!”. Confere a seguir.

INFORMATIVO DA EE: Qual o objetivo do projeto “Morar sem Banheiro não Dá”?

Gabriel Chiele (EsF): Fornecer condições de acesso à água e higienização a famílias em situação de vulnerabilidade social. Os serviços incluídos nas reformas contemplam instalação de caixas d’água, revisão de instalações hidráulicas e instalações elétricas, readequação de espaços internos, construção ou renovação de banheiros, entre outros que se fizerem necessários.

IEE: Quem são os parceiros e apoiadores?

GC (EsF): O projeto é executado em parceria com o escritório AH! Arquitetura Humana e a Associação de Moradores da Vila Pedreira. A Habitat para a Humanidade Brasil financiou a execução de 14 reformas de unidades sanitárias na Vila Pedreira, Cristal/RS, no período de novembro de 2020 até maio de 2021. Além das organizações já citadas, são parceiras do projeto também a Engenheiros Sem Fronteiras Brasil, Memphis, a ACEPAR, a Elétrica Luz, a Deisenhart Engenharia, a SAH Arquitetura e a Daudt Engenharia.

IEE: Qual o público atendido?

GC (EsF): Famílias que possuam membros inseridos na faixa etária de vulnerabilidade social, ou seja, crianças, adolescentes e/ou idosos, famílias que possuam pessoas com deficiência (PcDs), doentes crônicos ou com doenças respiratórias e famílias em que a mulher é considerada o chefe da família.

IEE: Quais as regiões da cidade já receberam a ação do projeto?

GC (EsF): A comunidade beneficiada neste projeto é a Vila Pedreira, que encontra-se localizada na zona sul da cidade de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, fazendo parte da Grande Cruzeiro, região da cidade que concentra um número relevante de assentamentos precários. A formação da Vila Pedreira se deu há mais de 50 anos, em uma área que era considerada propriedade do Jóquei Club de Porto Alegre e estava em situação de abandono, o que permitiu a abertura dos processos de ocupação por quem necessitava de moradia.

IEE: Qual é o passo a passo de avaliação e de execução?

GC (EsF): O trabalho, assim sendo, teve seu início  em setembro de 2020, e contemplou as seguintes etapas: (1) diagnóstico do território; (2) mapeamento de vulnerabilidade social; (3) seleção das famílias; (4) elaboração do projeto, planilha orçamentária e contratação de mão de obra; (5) execução; e (6) avaliação pós-execução. As etapas foram desenvolvidas em conjunto com a Associação de Moradores da Vila Pedreira, sempre os incluindo nas tomadas de decisão importantes para execução do projeto.

IEE: Quais foram os resultados obtidos até o momento?

GC (EsF): No total, executaram-se 15 obras, sendo impactadas 100 pessoas, sendo 65 delas diretamente, e, estima-se um impacto indireto de 35 pessoas. Após as obras finalizadas, mensurou-se a qualidade das entregas a partir da solução das problemáticas de ordem técnica e do grau de satisfação das famílias.

IEE: Existe alguma campanha de arrecadação para o projeto?

GC (EsF): Sim, através da parceria com a startup Moeda do Bem.

Link campanha: https://www.moedadobem.com.br/projetos/Sem_Banheiro

IEE: Resposta livre. Pode citar materiais de estudo com links de acesso, pode tecer comentários sobre o tema da entrevista, descrever agradecimentos e o que considerar importante deixar registrado.

GC (EsF): Indico o acesso ao portfólio do projeto e a publicação de artigo no Congresso Brasileiro dos Engenheiros sem Fronteiras 2021:

Portfólio do projeto – 

https://drive.google.com/file/d/1DqR2EaUHVRDzP2b7FYoTo6jhcfwscXO8/view?usp=sharing 

Artigo CBESF 2021 –

https://drive.google.com/file/d/1HyY74kx6u5Q1wdpLP1CnLpf2ILxnMSno/view?usp=sharing

28/09/2021

Núcleo de Engenharia Organizacional – NEO UFRGS – Firma Parceria com as Nações Unidas

Pesquisa prevê estudos para transformações digitais e da indústria 4.0 em Pequenas e Médias Empresas

Por Paulo Fernando Zanardini Bueno – Agência de Comunicação da EE

O Núcleo de Engenharia Organizacional – NEO UFRGS tornou-se parceiro do Programa de Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU) para realização de estudos sobre transformação digital e indústria 4.0 para pequenas e médias empresas do setor de transformação do Brasil. Conversamos com o diretor do NEO, professor Alejandro G. Frank sobre como o grupo alcançou esta parceria e como será o desenvolvimento dos trabalhos desta importante pesquisa.

INFORMATIVO DA EE: Como o NEO alcançou esta parceria com o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas?

Alejandro G. Frank: Trata-se de uma licitação pública da ONU para o Ministério de Economia do Governo Federal. Tivemos conhecimento do edital mediante as divulgações que aconteceram na esfera das representações nacionais das quais participamos, como o fórum da Câmara Brasileira da Indústria 4.0. Para a candidatura, os participantes tinham que ser capazes de demonstrar experiência na área de Indústria 4.0 e Transformação Digital e isso nos fez sentir confiantes em participar, uma vez que temos desenvolvido diversos projetos aplicados que trariam toda uma bagagem de conhecimento sobre a área que esse edital procura. Também, o NEO já desenvolveu outros estudos setoriais anteriores, como o das profissões emergentes na era digital, junto com a GIZ e o SENAI, dois estudos sobre Indústria 4.0 na ABIMAQ e um sobre Indústria 4.0 na ABINEE e um estudo sobre demonstradores da Indústria 4.0 para a Câmara Brasileira da Indústria 4.0. Todos esses estudos setoriais nos colocam numa posição muito forte para o desenvolvimento de pesquisas setoriais como a pretendida pela ONU. Acredito que isso tenha pesado bastante na avaliação do NEO para a concessão da licitação. 

IEE: Quando iniciam os estudos e qual o prazo de execução?

AGF: Os estudos iniciaram o dia 15 de setembro e serão desenvolvidos em um cronograma de 120 dias. Portanto, está sendo um trabalho muito intenso que a equipe do NEO já está desenvolvendo. Temos que revisar muitos relatórios e publicações, além de realizar entrevistas com representantes de associações e empresas. 

IEE: Qual o segmento empresarial e industrial que serão pesquisados pelo NEO?

AGF: O projeto é para o avanço da transformação digital nas pequenas e médias empresas do setor de transformação. Nesse sentido, o projeto é bastante amplo, pois envolve manufatura, alimentos, setor farmacêutico, moveleiro, dentre outros segmentos que agregam valor mediante a transformação de insumos em produtos acabados.  

IEE: Como a transformação digital pode ser conceituada?

AGF: A transformação digital é um processo de mudança de processos manuais e automatizados para processos inteligentes que utilizam como fundamento quatro tecnologias digitais básicas: internet das coisas, computação em nuvem, big data e inteligência artificial. Assim sendo, o que buscamos são soluções para as empresas que possam ser alavancadas com essas quatro tecnologias básicas. Essas tecnologias básicas podem estar incorporadas em sistemas informáticos (por ex. um sistema de tomada de decisão suportado por inteligência artificial) ou em soluções tecnológicas de hardware (por exemplo, uma impressora 3D que opera graças a um projeto digital conectado à nuvem ou desenvolvido com suporte de inteligência artificial) e oferecem uma conectividade em tempo real e capacidade de análise de dados que só se tornou possível há poucos anos graças ao avanço da digitalização e da internet. 

IEE: De um modo geral, em que nível de desenvolvimento encontra-se o processo de transformação digital na empresas do Rio Grande do Sul e no Brasil?

AGF: Como grupo, conhecemos e acompanhamos bastante da transformação digital nas maiores empresas do Estado. Temos visto um setor empresarial bastante engajado e interessado no assunto e que tem acompanhado a média nacional das empresas que avançam nas implementações. Nesse sentido nos sentimos muito felizes por ver o avanço que a transformação digital tem feito em empresas gaúchas. Contudo, o setor das pequenas e médias empresas, alvo desta nova pesquisa, é ainda pouco conhecido também para nós. Trata-se de empresas menos conectadas e menos envolvidas nos ecossistemas empresariais, pelo que as informações que recebemos não são tão precisas. Por isso, esta pesquisa é inédita e busca explorar um setor que merece essa atenção, dado a relevância para a economia do Estado e do país. 

IEE: Como a transformação digital pode impactar e qual sua importância para o desempenho das empresas?

AGF: Acredito que a transformação digital nas empresas de pequeno e médio porte tenha um papel muito mais centrado em assistir os trabalhadores para que o trabalho destes seja mais eficiente e eficaz. Essas empresas precisam se manter flexíveis e utilizam muito mais sua mão de obra para atender à flexibilidade necessária. Por exemplo, uma pequena empresa metalúrgica precisa ser capaz de produzir componentes dos mais diversos tipos. Quando um setor cliente está com demanda baixa, ela precisa rapidamente migrar para outro setor com maior demanda. Nesse sentido, essas empresas mantêm funcionários experientes que são capazes de fornecer a flexibilidade necessária. As tecnologias digitais devem ser capazes de auxiliar esse perfil de trabalho, que não é centrado na alta automação, mas na força de trabalho. Contudo, um grande desafio dessas empresas é saber que tecnologia adotar e ter capacidade de investimentos. O projeto pretende analisar essas características para fornecer recomendações de ações públicas para ajudar nesses desafios.

IEE: Resposta livre. Pode citar materiais de estudo com links de acesso, pode tecer comentários sobre o tema da entrevista, descrever agradecimentos e o que considerar importante deixar registrado.

AGF: Recentemente publicamos um estudo sobre a Indústria 4.0 em pequenas e médias empresas do setor de manufatura na Europa. Nosso grupo analisou como as empresas que desenvolvem mais capacidades sociotécnicas conseguem adotar melhor as tecnologias da Indústria 4.0: 

Marcon, É.Soliman, M.Gerstlberger, W. and Frank, A.G. (2021), “Sociotechnical factors and Industry 4.0: an integrative perspective for the adoption of smart manufacturing technologies”, Journal of Manufacturing Technology Management, Vol. ahead-of-print No. ahead-of-print. https://doi.org/10.1108/JMTM-01-2021-0017

Nosso estudo sobre profissões emergentes na era digital também traz uma perspectiva das pequenas e médias empresas:

https://www.portaldaindustria.com.br/publicacoes/2021/7/profissoes-emergentes-na-era-digital-oportunidades-e-desafios-na-qualificacao-profissional-para-uma-recuperacao-verde/

27/9/2021

Professor Sando Campos Amico, vencedor do Prêmio Pesquisador Gaúcho 2021 da Fapergs

Fala sobre a conquista, sobre o presente e o futuro da carreira como engenheiro

Por Paulo Fernando Zanardini Bueno – Agência de Comunicação da EE

O Informativo da Escola de Engenharia entrevistou o professor Sandro Campos Amico, da Engenharia de Materiais da UFRGS que foi escolhido o pesquisador da área das Engenharias para receber o Prêmio Pesquisador Gaúcho 2021. O professor Sandro será um dos entrevistados do Podcast Fala Engenharia no mês de outubro. Confira a seguir a entrevista para o Informativo.

INFORMATIVO DA EE: Como recebeu a escolha do seu nome como pesquisador destaque no Prêmio Fapergs 2021?

Sandro Campos Amico: Recebi a ligação da FAPERGS com grande alegria. São poucas distinções que se pode receber como pesquisador no Brasil e este prêmio é uma excelente iniciativa na valorização dos pesquisadores do RS. A FAPERGS está de parabéns por esta ação que remonta a 1998, pois a pesquisa e a ciência precisam ocupar lugar de destaque na nossa sociedade se quisermos avançar como país e reverter a tendência de desindustrialização.

IEE: Sua indicação e escolha foram realizadas com a participação de instituições da área científica e dessa mesma comunidade de profissionais do estado. Como recebeu esse reconhecimento da sua carreira como engenheiro pelos seus colegas?

SCA: O reconhecimento da comunidade científica é sempre gratificante pois eles estão juntos na luta para desenvolver a ciência no Brasil. Prêmios, convites para bancas, palestras e cursos, citações em artigos científicos, aprovações de projetos, entre outros, são diferentes formas de ser reconhecido pelos colegas de profissão. Também é importante lembrar que os membros dos comitês responsáveis pelas escolhas são profissionais de diferentes instituições no estado, garantido a independência do processo.

IEE: Quais dos seus trabalhos o senhor avalia que possam ter sido considerados para a sua escolha?

SCA: Acredito que foi o conjunto da obra, incluindo a produção e a produtividade. Para ilustrar, defendi o doutorado em março/2000 e, nesses 21 anos, publicamos uma média de 1 artigo/mês em periódicos na grande maioria internacionais e indexados. Mas a quantidade não é o único fator, um Índice-h (ISI-Web of Science) de 35 indica que os artigos estão sendo bem aceitos e referenciados pela comunidade científica.

De qualquer maneira, posso citar a coordenação do 3rd Brazilian Conference on Composite Materials (BCCM-3) e o desenvolvimento de um software de mecânica de compósitos (MECH-Gcomp), registrado no INPI e que conta com mais de 2400 usuários no mundo.

IEE: Como o Laboratório de Materiais Poliméricos e o PPG3M contribuíram para alcançar esse reconhecimento?

SCA: Assim que entrei na UFRGS fui integrado ao Laboratório de Materiais Poliméricos (LAPOL) por iniciativa dos professores Madalena Forte e Carlos Ferreira, portanto já tive acesso imediato à infraestrutura para realizar pesquisa em polímeros e isso fez uma grande diferença para minimizar a inércia natural em razão da mudança de instituição (eu trabalhava na UFPR anteriormente). Com a aprovação de projetos, pude contribuir para aumentar a lista de equipamentos e focar a pesquisa em compósitos e nanocompósitos que é minha área de atuação prioritária.

A formação de recursos humanos em pós-graduação é um dos critérios para a indicação ao prêmio e meu credenciamento ao PPGEM em 2006, um programa reconhecido e com excelente avaliação nacional (conceito CAPES 7, máximo), possibilitou um fluxo considerável de alunos. Neste período, pude orientar 41 Mestrados acadêmicos e 16 doutorados, uma média acima de 3,5/ano. Para um pesquisador que atua em instituições de ensino superior, participar da formação de alunos neste nível é muito gratificante e também fundamental, pois são eles que fazem a maior parte do trabalho em laboratório e produzem os resultados a serem publicados. Mais recentemente, credenciei-me também no PROMEC e devemos formar alunos por lá também no futuro.

IEE: Como o recebimento do Prêmio Fapergs 2021 pode impactar ainda mais a sua carreira?

SCA: Esse ano foi especialmente gratificante pois, além desse prêmio, fomos indicados ao prêmio ANP de Inovação Tecnológica 2020 (Categoria III) e me tornei professor Titular na UFRGS, onde atuo há 16 anos. Espero que esse prêmio possa trazer mais oportunidades de atuar na promoção da atividade científica no Rio Grande do Sul e no Brasil.

IEE: A partir da sua experiência, qual mensagem o senhor deixaria para os jovens estudantes em formação na nossa Instituição e para os já engenheiros recém-formados sobre essa carreira e profissão?

SCA: Considero que a maioria de nós pode alcançar sucesso profissional com suor e persistência, não por lampejos de brilhantismo. Assim, trabalhe construindo, degrau por degrau, seu caminho profissional. Competências técnicas e não-técnicas devem ser promovidas. Identifique suas fraquezas e atue para saná-las. Seja correto e não busque atalhos – você pode conseguir o que almeja mantendo sua integridade e sem bajular ninguém. Vai ser mais difícil, certamente, mas valerá a pena. Um conselho, não durma mais que o necessário para repor a energia, e use essas horas a mais no seu dia para desenvolver atividades pessoais ou novas habilidades.

IEE: Resposta livre. Pode citar materiais de estudo com links de acesso, pode tecer comentários sobre o tema da entrevista, descrever agradecimentos e o que considerar importante deixar registrado.

SCA:É importante lembrar das muitas parcerias nacionais e internacionais que estabeleci ao longo da carreira desenvolvendo projetos em colaboração. Essas parcerias foram, sem dúvida, fundamentais para manter a produção constante. Tenho que agradecer o apoio que obtivemos em diversas iniciativas do grupo nestes anos tanto da UFRGS como de agências de fomento, em especial FAPERGS, CNPq e CAPES. Essas agências devem ser fortalecidas no Brasil”.

Para encerrar, gostaria de agradecer o suporte de sempre da minha família no Rio Grande do Norte e no Rio Grande do Sul”.

Muito obrigado a todos!

22/09/2021

Laura V. Lerman, vencedora do Prêmio Abepro 2021

Fala sobre a conquista e sobre o tema da pesquisa da dissertação de mestrado

Por Paulo Fernando Zanardini Bueno – Agência de Comunicação da EE

Informativo da Escola de Engenharia entrevistou Laura V. Lerman, doutoranda em Engenharia de Produção da UFRGS que recentemente venceu o Prêmio da Associação Brasileira de Engenharia de Produção, o Prêmio Abepro, edição 2021 com sua dissertação de mestrado orientada pelo professor Alejandro G. Frank. Confira a seguir.

Informativo da EE: Como escolheu o tema da tua pesquisa de dissertação de mestrado?

Laura V. Lerman: O tema da minha dissertação foi políticas de inovação para sistemas de energias renováveis. O projeto de pesquisa iniciou quando era bolsista de Iniciação Científica (IC) do Núcleo de Engenharia Organizacional em parceria com um professor que hoje está na Tallin University of Technology. Pesquisando sobre o tema, percebi que poderia ajudar o desenvolvimento de tecnologias mais limpas, minimizando, assim, os impactos no meio ambiente. Como resultado desse trabalho, quando era aluna de graduação, publicamos o primeiro artigo sobre o tema na Energy Policy. Além disso, cada vez que pesquisava sobre o tema me interessava mais sobre o assunto, por isso a escolha foi essa.

IEE: Como foi o trabalho de escrita do texto e de orientação nesse período de pandemia?

LVL: Na realidade, eu defendi minha dissertação no início da pandemia. Mesmo assim, durante o mestrado, as minhas orientações foram feitas por videoconferência, whatsapp ou chamadas, porque meu orientador fez um pós-doutorado no exterior no mestrado, e alguns dos meus parceiros estavam/estão no exterior. Nessas conversas, creio que o importante é esclarecer as decisões prioritárias dos artigos, por exemplo: os modelos que vão ser testados, como construir melhor a argumentação e definir qual teoria será seguida.

Também vou contar como está sendo a escrita do texto no doutorado. Para facilitar a escrita do texto, eu leio bastante sobre os temas antes de começar a escrever. No entanto, também trabalho com diversas parcerias, colegas do NEO e professores nacionais e internacionais, o que facilita o desenvolvimento do texto, porque a gente discute bastante antes de escrever. Essas discussões, mesmo por videoconferência, enriquecem muito e ajudam na qualidade argumentativa do texto.

IEE: Como recebeu a escolha da dissertação na categoria mestrado no Prêmio Abepro 2021?

LVM: Eu vi um post no Instagram, e, quando li, fiquei muito feliz com esse reconhecimento incrível, meu coração saiu pela boca, me senti muito orgulhosa e realizada. Assim que vi, enviei para meu orientador e para meus pais.

IEE: O Brasil vive uma crise hídrica e como consequência avistamos uma crise energética em breve. Por que é um desafio no Brasil implantar projetos de energia renováveis?

LVM: Para o desenvolvimento de um sistemas de energias renováveis, há diversos desafios. Entre eles, financeiros e econômicos; ambientais, sociais e culturais; técnicos e de inovação; regulatórios e administrativos. Dessa forma, como o país possui desafios em diversas áreas para o desenvolvimento de projetos, uma visão holística dos desafios pode ajudar o país a se desenvolver como um todo. Logo, a ideia é criar planos de ações estratégicos e políticas energéticas para minimizar os diversos desafios e possibilitar, consequentemente, o desenvolvimento de projetos de energias renováveis no país. Na verdade, esse é o tema do artigo 3 da minha dissertação de mestrado, que espero que seja publicado em breve.

IEE: Quais são os seus planos para o futuro desse tema da pesquisa?

LVM: Continuo pesquisando sobre o tema da minha dissertação, fiz uma parceria com um novo professor para continuarmos o estudo de sistemas de energias renováveis. Além disso, estamos trabalhando com o tema no contexto da transformação digital (principalmente relacionado à Indústria 4.0), o que chamamos de Smart Consumption, mas o trabalho ainda está na fase inicial. Estou torcendo que, no próximo ano, vamos ter um artigo aceito sobre esse assunto.

IEE: Resposta livre. Pode escrever um comentário ou fazer alguma indicação.

LVM: Só queria agradecer a todos profissionais, amigos e familiares que participaram e me ajudaram no desenvolvimento da dissertação. Se tiverem interesse sobre o tema ou algumas dúvidas, estou à disposição. Podem me adicionar no LinkedIn:

(https://www.linkedin.com/in/laura-v-lerman/).

Além disso, indico alguns artigos do NEO já publicados sobre o tema.

Artigo 1 da dissertaçãohttps://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2214629620304291

How governments, universities, and companies contribute to renewable energy development? A municipal innovation policy perspective of the triple helix

Artigo 2 da dissertaçãohttps://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2210670721006375

Sustainable conditions for the development of renewable energy systems: a triple bottom line perspective

Artigo 0 – antes da dissertaçãohttps://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0301421518300478?casa_token=8diI1G797BMAAAAA:RRk_mU1vybgZbKklWenvK001777X0y0RPw891fqP9ehoBRukFmZnzUbP7xxM0zFGiEh2xXp1_LdV

The contribution of innovation policy criteria to the development of local renewable energy systems

Foi um imenso prazer falar um pouco da minha dissertação de mestrado. Muito obrigada“, finalizou ela.