{"id":6406,"date":"2005-04-29T17:13:40","date_gmt":"1970-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/escoladeadministracao\/prof-edi-no-jornal-da-ufrgs-2\/"},"modified":"2005-04-29T17:13:40","modified_gmt":"1970-01-01T00:00:00","slug":"prof-edi-no-jornal-da-ufrgs-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/escoladeadministracao\/2005\/04\/29\/prof-edi-no-jornal-da-ufrgs-2\/","title":{"rendered":"Prof. Edi no Jornal da UFRGS"},"content":{"rendered":"<p>Confira abaixo a mat\u00e9ria sobre a professora Edi Madalena Fracasso que foi veiculada na edi\u00e7\u00e3o de mar\u00e7o de 2005 do jornal da Universidade.<br \/>\nA reportagem foi publicada na p\u00e1gina 12 e apresenta um perfil da professora.<\/p>\n<p>\n<b> Edi Madalena Fracasso, uma hist\u00f3ria de sucesso<\/b><\/p>\n<p>ADEMAR VARGAS DE FREITAS<br \/>\nJornalista<\/p>\n<p>A vida da professora Edi Madalena Fracasso \u00e9 feita de determina\u00e7\u00e3o, confian\u00e7a, esfor\u00e7o, disciplina e bom-humor, coisas que atraem simpatias, abrem portas e facilitam a boa sorte. Foi com essas armas que a normalista com sotaque de colona saiu de Caxias do Sul, aos 17 anos, iniciando uma carreira que a levou a se tornar a primeira brasileira a doutorar-se em Harvard. Atualmente, ela lidera o N\u00facleo de Gest\u00e3o de Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica (Nitec) da Escola de Administra\u00e7\u00e3o da UFRGS, onde recentemente foi eleita coordenadora da Comiss\u00e3o de Pesquisa.<br \/>\nDesde 1972, a professora Edi Madalena Fracasso leciona m\u00e9todos de pesquisa no mestrado e no doutorado da Escola de Administra\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9 representante da Associa\u00e7\u00e3o dos Antigos Alunos e j\u00e1 foi representante docente. Na gradua\u00e7\u00e3o, vinha lecionando uma disciplina de elabora\u00e7\u00e3o de projetos de trabalho de conclus\u00e3o de curso, mas parou para se dedicar a duas turmas de uma nova disciplina \u2013 Empreendedorismo e Inova\u00e7\u00e3o \u2013 que por sua indica\u00e7\u00e3o foi rec\u00e9m inclu\u00edda no curr\u00edculo do curso de Administra\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEla coordena tamb\u00e9m o Curso de Doutorado Interinstitucional de Administra\u00e7\u00e3o, resultante de um conv\u00eanio com a Universidade de Caxias do Sul. Al\u00e9m disso, trabalha com pesquisa e tem orientandos. \u00c9 muito trabalho? N\u00e3o, \u00e9 puro prazer.<\/p>\n<p> <b> INF\u00c2NCIA E PRAZER <\/b><br \/>\nEdi nasceu no dia 8 de abril de 1936, em Ot\u00e1vio Rocha, um distrito de Flores da Cunha na zona colonial italiana, regi\u00e3o coberta de parreirais cultivados por fam\u00edlias cujos filhos, ainda hoje, s\u00f3 t\u00eam duas op\u00e7\u00f5es de vida: substituir os pais ou ir para a cidade. Assim, a estrutura da terra permanece a mesma, e a localidade n\u00e3o cresce muito.<br \/>\nQuando ela nasceu, Ot\u00e1vio Rocha s\u00f3 tinha uma rua. E continua assim at\u00e9 hoje. \u00c9 um lugar agrad\u00e1vel com o qual Edi n\u00e3o tem grandes liga\u00e7\u00f5es: saiu de l\u00e1 beb\u00ea para morar em Caxias do Sul.<br \/>\nO pai, Eleut\u00e9rio Fracasso, com o segundo ano prim\u00e1rio incompleto, foi comerciante, caminhoneiro, dono de armaz\u00e9m, de posto de gasolina, de pens\u00e3o e de restaurante. A m\u00e3e, Edmea De Marchi Fracasso, com o quarto ano prim\u00e1rio, acompanhava o marido, atuando em seus empreendimentos, que raramente davam certo, e cuidava da casa e dos sete filhos.<br \/>\nEdmea insistia em que todos os filhos estudassem \u201cpelo menos at\u00e9 o Gin\u00e1sio\u201d. Mas todos foram al\u00e9m: Elo\u00e1 formou-se em Direito, Luis Carlos completou Ensino M\u00e9dio, Eunice formou-se em Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, Eni tamb\u00e9m tirou Direito, El\u00f3i formou-se m\u00e9dico e Elenice administradora.<br \/>\nAos onze anos Edi come\u00e7ou a ajudar o pai no balc\u00e3o do bar e restaurante, servindo trago aos fregueses ou trabalhando com a m\u00e3e na cozinha. Quando terminou o Gin\u00e1sio, o pai achou que estava na hora de ela fazer um curso de datilografia e conseguir emprego num escrit\u00f3rio.<br \/>\nAt\u00e9 a d\u00e9cada de 50, em Caxias, s\u00f3 havia Cl\u00e1ssico e Cient\u00edfico em col\u00e9gios masculinos. Para as gurias que terminavam o Gin\u00e1sio e tinham condi\u00e7\u00f5es de continuar estudando, s\u00f3 restava o Curso Normal. Ent\u00e3o, ela prop\u00f4s ao pai: \u201cContinuo te ajudando, mas quero fazer o Normal\u201d.<br \/>\nO col\u00e9gio ficava perto, e o pai montou um ponto para vender sonhos, past\u00e9is e outras comidas \u00e0s estudantes. No recreio, Edi ficava tomando conta. Valeu a pena, a festa de conclus\u00e3o do Normal foi linda. \u201cMeu pai se esfor\u00e7ou, me deu um vestido muito bonito. Eu era a primeira pessoa da fam\u00edlia que ia t\u00e3o longe dentro da escola.\u201d Os primos at\u00e9 brincavam com ela: \u201cMas, tu j\u00e1 n\u00e3o terminou todos os livros?\u201d.<br \/>\nClaro, mas ela queria mais, queria fazer faculdade, queria ser como algumas de suas professoras, que eram de Porto Alegre e davam aula em Caxias. A fam\u00edlia tinha receio de deixar  que \u201cuma menina com 17 anos\u201d fosse para a Capital. Hoje, lhe parece que a maior dist\u00e2ncia que percorreu na vida foram os 150 quil\u00f4metros que separam Caxias de Porto Alegre.<\/p>\n<p><b>CARREIRA METE\u00d3RICA<\/b><br \/>\nEdi chegou a Porto Alegre, em 1953, disposta a fazer vestibular para Pedagogia, \u00fanico curso que poderia tirar tendo feito o Normal. Enfrentou provas escritas e orais, um pouco encabulada com seu sotaque. Mas passou e ficou morando num quartinho de s\u00f3t\u00e3o na casa da tia Vanda e do tio Herm\u00f3genes, irm\u00e3o do pai, na Avenida Cear\u00e1.<br \/>\nO roupeiro era um cabo de vassoura, onde ela pendurava os cabides com as poucas pe\u00e7as de roupa que tinha trazido. O sobretudo preto, que ganhara de um primo em segundo grau, tornou-se seu casac\u00e3o. S\u00f3 precisou trocar de lado os bot\u00f5es e as casas.<br \/>\nO primeiro ano foi brabo: tinha que pagar a hospedagem na casa da tia. Come\u00e7ou o Curso de Pedagogia na UFRGS e a fazer concursos p\u00fablicos. \u201cEstudei como louca. De vez em quando minha tia estranhava ao me ver acordada \u00e0s cinco e meia da manh\u00e3. \u2018U\u00e9, levantou cedo pra estudar?\u2019. Que nada, eu nem tinha ido dormir ainda.\u201d Como era \u201cmenor\u201d, n\u00e3o podia tirar o t\u00edtulo de eleitor, e sem esse documento n\u00e3o podia concorrer a professora estadual. Contentou-se em trabalhar como professora substituta no Col\u00e9gio Navegantes.<br \/>\nNo segundo semestre, recebeu oferta melhor: trabalhar num escrit\u00f3rio de engenharia na Rua da Praia, fazendo o servi\u00e7o de rua, uma office-girl. Aceitou, e ainda conseguiu outra ocupa\u00e7\u00e3o: ajudar um primo, Aurevil De Marchi, na contabilidade de um escrit\u00f3rio de venda de terrenos. E n\u00e3o parou por a\u00ed. As aulas na Pedagogia iam das 16h \u00e0s 20h. Pois ela sa\u00eda da aula e ainda ia fazer ser\u00e3o no escrit\u00f3rio. Com tanto esfor\u00e7o, as coisas come\u00e7avam a melhorar, e ela p\u00f4de comprar um casac\u00e3o novo.<br \/>\nEm seguida, Edi fez concurso para estat\u00edstico do Departamento Estadual de Estat\u00edstica (depois incorporado \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o de Economia e Estat\u00edstica, que ajudou a criar em 1973 e da qual viria a ser a primeira diretora t\u00e9cnica). Foi nomeada em maio de 1954 e a\u00ed, sim, as coisas melhoraram mesmo. Como estat\u00edstica, passou a ganhar mais do que ganharia como professora. J\u00e1 n\u00e3o estava t\u00e3o interessada em voltar para Caxias e ser professora l\u00e1, como era o seu sonho inicial.<br \/>\nDepois, a tia se mudou para a Rua S\u00e3o Carlos, no Bairro Floresta, e ela conseguiu um quartinho melhor, que passou a dividir com uma amiga de Caxias. Por essa \u00e9poca come\u00e7ou a mandar algum dinheiro para casa e a economizar para, no fim do ano, dar um presente para a m\u00e3e: um conjunto de copos de cristal.<\/p>\n<p><b>Abrindo caminhos, de concurso em concurso<\/b><br \/>\nEm 1958, depois de concluir o  Curso de Pedagogia, Edi ganhou uma bolsa para estudar na Escola Nacional de Ci\u00eancias Estat\u00edsticas no Rio de Janeiro, onde passou quase um ano. Na volta, enfrentou outro concurso e foi nomeada para trabalhar como assessora administrativa na Secretaria Estadual de Educa\u00e7\u00e3o (SEC).<br \/>\nPor essa \u00e9poca, come\u00e7ou a namorar um estudante de Medicina. Tinham inten\u00e7\u00e3o de casar, mas s\u00f3 depois que ele se formasse. Como isso ainda ia demorar, ela fez outro vestibular, em 1961, e voltou a estudar na UFRGS, no curso de Ci\u00eancias Sociais.<br \/>\nA\u00ed ficou sabendo de um curso de especializa\u00e7\u00e3o em Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, dado por um grupo de professores do Ponto IV, vindos dos Estados Unidos pelo acordo MEC-USAID. Seguiu o curso e fez uma boa monografia. Isso e a amizade com um professor americano alto e gordo, conhecido entre os alunos como \u201cj\u00f3quei de elefante\u201d, lhe abriram novos caminhos.<br \/>\n\u201cUm dia, o professor Gaylord  Obern me disse que estavam selecionando pessoas para fazer mestrado nos Estados Unidos e que achava que eu deveria me inscrever, era s\u00f3 dar uma acelerada no Ingl\u00eas. Me inscrevi no curso intensivo do Instituto Cultural e fiz o Toefel da \u00e9poca. Passei raspando, mas passei.\u201d Em agosto de 1963, Edi estava viajando para a Calif\u00f3rnia.<\/p>\n<p><b>ALIAN\u00c7A PARA O PROGRESSO<\/b><br \/>\nNa \u00e9poca, John Kennedy era o presidente dos EUA e havia a Alian\u00e7a para o Progresso, segundo a qual os pa\u00edses em desenvolvimento precisavam de uma m\u00e3ozinha para administrar seus recursos naturais. Se houvesse cursos que ensinassem a administrar, o progresso poderia ser acelerado.<br \/>\nEnt\u00e3o, o Ponto IV (depois USAID) oferecia forma\u00e7\u00e3o em Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica na University of Southern California (USC) e em Administra\u00e7\u00e3o de Empresas na Michigan State University.<br \/>\n\u201cDentre os onze alunos da UFRGS selecionados para a USC, eu e mais dois, Ad\u00e3o Raupp e Roberto Fachin, viajamos juntos para a Calif\u00f3rnia. Roberto estava rec\u00e9m casado com a Rosa Maria. No futuro, seriam pais de Maria Paula Fachin e sogros do Rudnei Dias da Cunha, professores do Instituto de Matem\u00e1tica.\u201d O grupo chegou a Miami (na costa leste) com destino a Los Angeles (na costa oeste), trocou as passagens de avi\u00e3o por passagens de \u00f4nibus e atravessou os Estados Unidos.<br \/>\nAl\u00e9m de estudar muito, Edi conheceu bastante os Estados Unidos, em viagens proporcionadas pela USAID. Com os seus colegas de universidade, ficou um tempo em San Francisco para conhecer o sistema prisional de Oakland, esteve no Vale do Tennessee, visitou a barragem Hoover, pr\u00f3ximo a Las Vegas, esteve em Washington e Nova York.<br \/>\nVoltou cheia de entusiasmo e id\u00e9ias, mas teve de adapt\u00e1-las rapidamente \u00e0 realidade do interior do Brasil. Era 1965, e o Instituto de Administra\u00e7\u00e3o tinha feito um conv\u00eanio com a Sudesul para oferecer aulas de administra\u00e7\u00e3o a prefeitos da fronteira sudoeste, do Mato Grosso ao Rio Grande do Sul.<br \/>\nSua primeira atividade foi em Aquidauana (MS). Foi de avi\u00e3o at\u00e9 Campo Grande, de trem at\u00e9 Aquidauana e de charrete at\u00e9 o Hotel Palace, que tinha janelas com peda\u00e7os de madeira no lugar dos vidros, camas patente, colch\u00f5es sujos e marcas de mosquito esmagados nas paredes. Mas o banheiro coletivo, no fundo do corredor, tinha \u00e1gua quente: bastava juntar os dois fios soltos acima do chuveiro.<\/p>\n<p><b>Doutorado? S\u00f3 se for em Harvard!<\/b><br \/>\nNo final da d\u00e9cada de 60, Edi participou de um projeto de pesquisa para a Funda\u00e7\u00e3o Ford sobre Aspectos Pol\u00edticos e Administrativos do Rio Grande do Sul. Esse projeto oferecia duas bolsas de doutorado, uma na \u00e1rea de Pol\u00edtica e outra na \u00e1rea de Administra\u00e7\u00e3o, mas os colegas da Administra\u00e7\u00e3o n\u00e3o se interessaram: \u201c\u00c9 contigo, Edi\u201d. E Edi respondia: \u201cS\u00f3 se for em Harvard!\u201d. Eles davam risada, achavam muito engra\u00e7ada a pretens\u00e3o dela.<br \/>\nN\u00e3o demorou tr\u00eas meses, apareceu em Porto Alegre um professor da Universidade de Harvard, Russell Davis, que estava fazendo um projeto para a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o. Edi trabalhou com ele durante um tempo, porque nessa \u00e9poca se dividia entre a SEC e a UFRGS. Como j\u00e1 dominava bem o ingl\u00eas e conhecia o sistema educacional do Rio Grande do Sul, ficou como assessora e int\u00e9rprete dele. \u201cUm dia, perguntei a ele se eu tinha alguma chance de estudar em Harvard. Ele me deu uma carta de recomenda\u00e7\u00e3o, eu fiz a application e fui admitida.\u201d<br \/>\nEm 1970 ela estava em Massachussets, fazendo o doutorado na Universidade de Harvard, com uma bolsa da Funda\u00e7\u00e3o Ford. \u201cNo Brasil, fui a primeira mulher a fazer o doutorado em Harvard, agora j\u00e1 tem outras, mas no Rio Grande do Sul ainda sou a \u00fanica.\u201d Ter estudado em Harvard lhe abriu outras portas. Em 1971\/1972, o regime militar criou o Projeto Saci, que visava a construir uma rede de telecomunica\u00e7\u00e3o para o Brasil e pretendia lan\u00e7ar um sat\u00e9lite com fins educacionais. Isso foi visto por outros pa\u00edses sul-americanos como uma amea\u00e7a a sua identidade cultural. Eles tamb\u00e9m queriam lan\u00e7ar um sat\u00e9lite.  O projeto para a implanta\u00e7\u00e3o de um sistema regional de tele-educa\u00e7\u00e3o para esses pa\u00edses levou-a a ser convidada a fazer uma consultoria para a Unesco.<br \/>\nEdi passou um ano viajando pela Am\u00e9rica do Sul. O projeto n\u00e3o seguiu adiante, mas  para ela a experi\u00eancia foi muito boa. \u201cPassei a falar espanhol sem sotaque brasileiro e entendi como o Brasil \u00e9 visto pelos pa\u00edses lim\u00edtrofes: um pa\u00eds imperialista.\u201d<\/p>\n<p><b>ALUNOS E BOLSISTAS <\/b><br \/>\n\u201cEm janeiro, terminei o mandato de vice-coordenadora do PPPGA, que ajudei a criar em 1972 e do qual fui coordenadora em dois mandatos. O coordenador do mandato que acabou, professor Paulo Zawislak, foi meu bolsista rec\u00e9m-doutor e \u00e9 filho de uma ex-aluna minha. O professor Luiz Felipe Nascimento, que assumiu o posto, tamb\u00e9m foi meu aluno e bolsista rec\u00e9m-doutor. E a nova vice-coordenadora, professora Lilia Maria Vargas, foi minha aluna. Antes do professor Zawislak, a coordenadora foi a professora Valmiria Piccinini, que tamb\u00e9m foi minha bolsista rec\u00e9m-doutora.\u201d<\/p>\n<p><b>EM CONSTRU\u00c7\u00c3O <\/b><br \/>\n\u201cEmbora passe bastante tempo na Escola de Administra\u00e7\u00e3o, minha vida n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 aqui dentro. N\u00e3o tive filhos, mas tenho 14 sobrinhos com os quais me relaciono muito bem. Minha m\u00e3e tem 92 anos e mora comigo, tenho que cuidar dela. Fui afortunada por ter constru\u00eddo a vida de tal forma que me sinto uma pessoa quase realizada. S\u00f3 estarei realizada mesmo quando morrer, porque estou sempre em constru\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p><b>ROCK E PAGODE <\/b><br \/>\n\u201c Adoro cinema e teatro. Adoro dan\u00e7ar. Em todas as festas da escola, quem come\u00e7a o baile sou eu. Dan\u00e7o muito e dan\u00e7o de tudo: samba, rock, pagode, valsa, junto ou separada. Tamb\u00e9m adoro viajar. Conhe\u00e7o quase todos os pa\u00edses das Am\u00e9ricas, alguns da Europa e da \u00c1frica. Mas nunca tive um m\u00eas inteiro de f\u00e9rias.Viajo quase sempre para congressos, visitas t\u00e9cnicas, programas de interc\u00e2mbio, e tiro uns dias para ver outra cidade.\u201d<\/p>\n<p><b>NOIVA TRANQ\u00dcILA <\/b><br \/>\n\u201cFui noiva diversas vezes. Primeiro, com um estudante de Medicina. Quando eu  quis acabar o noivado, ele ficou t\u00e3o doido que resolvi adiar at\u00e9 viajar para os EUA. Nem assim ele sossegou: envolvia os meus amigos, dizia que ia se matar, fez um drama. Mas o noivado acabou, e ele n\u00e3o se matou. Nos EUA fui noiva de um mexicano, Ernesto, e de um japon\u00eas, Yotaro. Depois, namorei um americano, Bill, num clima de romantismo. Muitas vezes, quando eu viajava, ele ia ao meu encontro. Namoramos em diversos lugares da Europa e da Am\u00e9rica do Sul. Nossa  m\u00fasica era \u2018Strangers in the Night\u2019. Foi lindo, mas acabou, porque o namoro interferia no meu doutorado. De volta ao Brasil, estive noiva outra vez. Nunca me casei, mas foi \u00f3timo ter namorado tanto.\u201d<\/p>\n<p><b>ATR\u00c1S DO SONHO<\/b><br \/>\n\u201cConselhos aos alunos? N\u00e3o te acomodes, vai atr\u00e1s do teu sonho. Nenhuma institui\u00e7\u00e3o est\u00e1 fora de alcance se tiveres intelig\u00eancia e empenho. Tem menos concorrentes por vaga no MIT ou em Harvard do que na UFRGS. H\u00e1 que tentar, e procurar fazer cursos em mais de uma institui\u00e7\u00e3o. Apesar de toda a minha paix\u00e3o pela UFRGS, me considero afortunada por ter feito a gradua\u00e7\u00e3o aqui, o mestrado numa escola e o doutorado noutra.\u201d<\/p>\n<p><b>X\u00d4, APOSENTADORIA<\/b><br \/>\n\u201cGosto de mudan\u00e7a. Por isso coordeno o N\u00facleo de Gest\u00e3o da Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica, uma \u00e1rea nova, que n\u00e3o tinha no programa. Gosto de coisas novas e acho que \u00e9 isso que alimenta a minha vida, que me deixa ativa e sem nenhuma vontade de me aposentar. Eu n\u00e3o gostaria de ser empurrada para fora da Universidade. Gostaria de eu mesma decidir sair. Mesmo que possa ficar como professor colaborador,  n\u00e3o ser\u00e1 a mesma coisa, n\u00e3o estarei no exerc\u00edcio pleno da minha fun\u00e7\u00e3o. Espero que a lei seja mudada ampliando para 75 anos a idade da compuls\u00f3ria.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confira abaixo a mat\u00e9ria sobre a professora Edi Madalena Fracasso que foi veiculada na edi\u00e7\u00e3o de mar\u00e7o de 2005 do jornal da Universidade. A reportagem foi publicada na p\u00e1gina 12 e apresenta um perfil da professora. 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