{"id":616,"date":"2020-06-19T23:17:07","date_gmt":"2020-06-20T02:17:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/escrileiturasrede\/?page_id=616"},"modified":"2020-06-19T23:19:22","modified_gmt":"2020-06-20T02:19:22","slug":"a-bruxinha-dos-telhados-e-o-tigre-aleph-historias-para-os-netos-3-de-sangue-e-de-coracao","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/escrileiturasrede\/a-bruxinha-dos-telhados-e-o-tigre-aleph-historias-para-os-netos-3-de-sangue-e-de-coracao\/","title":{"rendered":"A bruxinha dos telhados e o tigre Aleph [Hist\u00f3rias para os netos 3 &#8211; De sangue e de cora\u00e7\u00e3o]"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Kanka oferece esta hist\u00f3ria para Nina,<br \/>\nneta do cora\u00e7\u00e3o, com amor.<br \/>\nPorto Alegre, 19 de junho de 2020.<br \/>\nQuarentena<\/p>\n<p>Era uma vez uma \u00e9poca, situada no futuro, em n\u00e3o existia mais o maldito Coronav\u00edrus. Nessa \u00e9poca, na Cidade Alegre, vivia uma menina chamada Nina, que tamb\u00e9m era chamada de Felipa ou de Eisinha, dependendo da hora do dia. Ela era muito posicionada e inteligente: sabia desenhar, cantar, dan\u00e7ar e fazer perguntas dif\u00edceis. Nina descendia de uma Ra\u00e7a Antiga, muito importante para a Terra e para a humanidade, que era o Povo das Bruxas. Por haver nascido com um Esp\u00edrito Antigo, Eisinha era uma menina dif\u00edcil, pois tinha um problema, o qual, dependendo como se olhasse, poderia ser visto como uma rara qualidade, que era o seguinte: ela \u201cn\u00e3o gostava de autorizar\u201d. A m\u00e3e de Nina era uma bailarina francesa e o pai era um poeta uruguaio. Quando aconteceu esta nossa hist\u00f3ria, Nina tinha quase 4 anos de idade e muitos segredos, dos quais vou contar s\u00f3 um.<\/p>\n<p>Desde antes de Nina nascer, seus pais tinham duas cachorrinhas, a Nice e a Nicinha. Ent\u00e3o, quando completou dois anos, Felipa disse que queria de presente um animal de estima\u00e7\u00e3o s\u00f3 para si. Ela ganhou um Coelhinho Chin\u00eas, de pelo branquinho, que jogava xadrez, contava at\u00e9 tr\u00eas e s\u00f3 falou uma vez. Esta \u00fanica vez em que o Coelhinho falou foi assim: certa noite, depois do jantar, Nina e o Coelhinho foram dormir. Eles dormiam na cama da menina, cada um com o seu cobertorzinho. Depois de falar, pela primeira vez, no ouvido de Nina \u201cEu te amo\u201d, o Coelhinho desmaiou e morreu do cora\u00e7\u00e3o, de tanto amor. Nina chorou durante muitas horas de saudades do seu amigo. Quando o dia estava quase clareando, e ela estava exausta de tanto chorar, ouviu um barulhinho embaixo da sua cama. Olhou, e, ent\u00e3o, o que a Bruxinha viu?<\/p>\n<p>Ela viu o seu primeiro Amigo Imagin\u00e1rio. Adivinhem qual era ele? Um lindo filhote de Tigre de Bengala, com o pelo formado por listras pretas e amarelas e carinhosos olhos verdes. Era um Tigre que sabia falar com as crian\u00e7as. A primeira coisa que o Tigre disse \u00e0 Nina foi a seguinte: \u2013 Oi, muito prazer. O meu nome \u00e9 Aleph e tenho tr\u00eas tigres irm\u00e3os que comem tr\u00eas pratos de trigo cada um, e eu tamb\u00e9m. Vim para morar contigo e ser o teu Amigo Imagin\u00e1rio, que somente tu ver\u00e1s. Sou um filhote, mas j\u00e1 sei muitas coisas, porque a vida dos Tigres Imagin\u00e1rios \u00e9 muito diferente da vida de todos os outros seres. Ficarei morando contigo e sendo teu Amigo, mediante tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es: a primeira \u00e9 que o teu pai e a tua m\u00e3e n\u00e3o podem saber que eu sou o teu Amigo Imagin\u00e1rio; a segunda \u00e9 que eles n\u00e3o podem nunca perceber que viverei debaixo da tua cama; a terceira \u00e9 que, em alguma noite de algum dia do m\u00eas, quando houver lua cheia, n\u00f3s dois partiremos numa aventura, para aprenderes a coisa mais importante da vida de qualquer pessoa; s\u00f3 que n\u00e3o posso dizer o que ser\u00e1. Quando eu estiver debaixo da tua cama, vou me transformar, ora em um ser invis\u00edvel, ora em uma esfera, de cor indefinida, de 2 a 3 cent\u00edmetros de di\u00e2metro, onde cabem todos os lugares do mundo e \u00e9 poss\u00edvel v\u00ea-los de todos os \u00e2ngulos. Por isso, o meu nome \u00e9 Aleph. Ter\u00e1s de trazer, para eu comer, tr\u00eas pratos de trigo por dia e tr\u00eas bacias de \u00e1gua para eu beber. Queres e consegues fazer isso, Felipa?\u00a0 \u2013 Quero muito, respondeu Nina, que mores comigo e que nunca me deixes, prometes? \u2013 Sim, eu te prometo, pela luz da floresta, respondeu Aleph.<\/p>\n<p>Nina engoliu o choro, que ainda restava, porque ficou faceira pelo Amigo Imagin\u00e1rio. A bailarina, o poeta e Eisinha enterraram o Coelhinho Chin\u00eas no p\u00e1tio da casa e a menina lhe levava uma florzinha todo o dia. Quanto ao novo Amigo, durante o dia, ficava quietinho e quentinho debaixo da cama de Felipa, \u00e0s vezes, invis\u00edvel; e, quando queria visitar os lugares do mundo, entrava na bolinha Aleph. Quando a menina sa\u00eda para passear com os pais ou com os av\u00f3s, Aleph (invis\u00edvel para todos, menos para Eisinha), tamb\u00e9m fazia seus passeios, corridas e exerc\u00edcios, al\u00e9m de visitar os outros Amigos Imagin\u00e1rios, espalhados pelo mundo, e tomar sol no p\u00e1tio. Por\u00e9m, muitas vezes, Aleph tamb\u00e9m ia passear ou viajar junto com a fam\u00edlia de Nina, sob a forma de bolinha, dentro da sua mochila&#8230;<\/p>\n<p>Quando eles retornavam, Aleph voltava ao esconderijo e Nina arrumava um jeito de levar-lhe trigo e \u00e1gua, sem ningu\u00e9m ver. Um dia, sua m\u00e3e disse:\u00a0 \u2013 Felipa, tenho sentido um cheiro estranho de animal em teu quarto&#8230; Nina respondeu: \u2013 M\u00e3e, s\u00f3 pode ser fantasia tua. Vai ver \u00e9 porque eu tenho desenhado muitos felinos da floresta. Deve ser isso&#8230; A m\u00e3e n\u00e3o ficou l\u00e1 muito satisfeita com a explica\u00e7\u00e3o de Felipa, mas fez uma faxina no quarto e, n\u00e3o encontrando nada, achou que fosse impress\u00e3o dela pr\u00f3pria ou que o cheiro viesse das cachorrinhas, que foram eram ent\u00e3o levadas ao banho.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s um m\u00eas, depois de Aleph ter ido morar na casa de Eisinha, o Tigre sussurrou-lhe baixinho: \u2013 Hoje \u00e9 a primeira noite de lua cheia. Por isso, vamos sair juntos, pela primeira vez, para come\u00e7ar a nossa aventura. Nina queria que ele contasse logo o que seria, mas ele disse que n\u00e3o podia. Durante todo aquele longo dia, que n\u00e3o passava nunca, Nina n\u00e3o conseguiu se concentrar em nada, nem nas coisas que mais gostava de fazer, como ir ao clube, sair para comer pizza, escutar e inventar hist\u00f3rias, etc. Estava ultra curiosa para saber qual seria a aventura que Aleph iria ajud\u00e1-la a viver.<\/p>\n<p>Mas, como sempre acontece, o dia acabou passando at\u00e9 chegar no banho, pijama, hist\u00f3ria, desenho, janta, escovar os dentes, xixi, boa noite. Todos da fam\u00edlia foram dormir. Nina deitou, tapou-se e ficou de m\u00e3os dadas com o Tigre. Quando o rel\u00f3gio da casa bateu as 24 badaladas, da meia-noite, Aleph e Nina levantaram-se, p\u00e9-ante-p\u00e9. Nina vestiu um casaco com capuz e, seguindo o conselho do Tigre, ficou de p\u00e9s descal\u00e7os, para n\u00e3o ter perigo de escorregar dos telhados. Um atr\u00e1s do outro, sa\u00edram pela porta da \u00e1rea interna da casa. No meio do p\u00e1tio, existia um imenso p\u00e9 de feij\u00e3o, que a bailarina e o poeta tinham plantado em homenagem \u00e0 Eisinha. A Menina e o Tigre subiram pelos galhos do p\u00e9 de feij\u00e3o at\u00e9 chegar no labirinto dos telhados das casas e dos pr\u00e9dios.<\/p>\n<p>L\u00e1 em cima, Nina e Aleph saltitavam, com p\u00e9s leves e silenciosos, sobre os telhados. De vez em quando, para espantar o medo, Nina chamava o vento ou a \u00e1gua; Aleph chamava o ferro ou o fogo; e, quando o medo era grande, os dois amigos juntos chamavam a madeira ou a pedra. E seus passos mi\u00fados iam longe, mas t\u00e3o longe, at\u00e9 que chegaram no antigo Castelo dos Livros, que ficava num lugar, chamado Ch\u00e1cara das Pedras. L\u00e1, vivia a Bruxa Arcanista, que tinha 370 anos de idade, rodeada por um trilh\u00e3o de livros. O maior poder dessa Bruxa (se voc\u00eas ainda n\u00e3o adivinharam!) era ajudar as crian\u00e7as a ler e a escrever, naquele Castelo dos Livros que, como o nome diz, era todo feito de livros: o ch\u00e3o, os muros, as paredes, as portas, as janelas, as torres, as chamin\u00e9s, os tapetes, as cortinas, os quadros, at\u00e9 mesmo todos os m\u00f3veis, camas, mesas, cadeiras, escadas, arm\u00e1rios, escrivaninhas, prateleiras, banheiros&#8230; tudo.<\/p>\n<p>Aleph e Felipa chegaram, bateram na enorme aldrava de cobre, em formato de Cabe\u00e7a de Urso. E nada, ningu\u00e9m veio atender, n\u00e3o se ouviu nenhuma voz, nenhum som. S\u00f3 restava o sil\u00eancio. A Bruxinha ficou indignada. Quanto mais a Bruxa Arcanista demorava para atender, mais Aleph tinha dificuldade de acalmar Nina que estava muito braba. At\u00e9 que, de tanto baterem a aldrava, a Bruxa veio abrir o port\u00e3o, com uma imensa capa feita de livros. Disse ela, irritada: &#8211; Quem bate com tanta for\u00e7a em meu port\u00e3o, no meio da madrugada, sem ter avisado antes? Quem ousa ficar t\u00e3o furiosa em meu pr\u00f3prio castelo? Felipa disse: \u2013 Vim com o meu Amigo Imagin\u00e1rio, o Tigre de Bengala, de nome Aleph, at\u00e9 aqui, cruzando telhados de meia cidade para lhe pedir um favor. A senhora pode me ensinar a ler e a escrever? N\u00e3o aguento mais de vontade de ler todos os livros de minha casa, de todas as bibliotecas da cidade, do estado, do pa\u00eds, do mundo, de fora do mundo, de todos os Planetas&#8230; Mas todos dizem que ainda sou pequena demais para ler-e-escrever, s\u00f3 que n\u00e3o posso esperar nem um minuto mais! Cansei! E gritando: \u2013 N\u00e3o autorizo que eu n\u00e3o saiba nem ler nem escrever!!!<\/p>\n<p>A Bruxa Arcanista respondeu-lhe, calmamente: \u00a0\u2013 Sim, menina, por que n\u00e3o? Este desejo de ler-e-escrever \u00e9 o mais belo de todos os desejos. \u00a0Se aprenderes o mundo das letras, milh\u00f5es de outros mundos se abrir\u00e3o para ti e para os outros. Eu te ensinarei, sim, com uma condi\u00e7\u00e3o: n\u00e3o podes contar para os teus pais&#8230; \u2013 Mas, por que? Eles iriam ficar t\u00e3o contentes?, perguntou Eisinha. \u2013 Porque, respondeu a Bruxa, \u00e9s ainda muito pequena, n\u00e3o tens nem 4 anos. E se o teu pai e tua m\u00e3e virem que est\u00e1s lendo e escrevendo, transformada numa pequena, por\u00e9m competente escrileitora, eles ficar\u00e3o t\u00e3o, mas t\u00e3o, mas t\u00e3o felizes, que poder\u00e3o arrebentar de felicidade, estourar de alegria e de amor, feitos dois bal\u00f5es.<\/p>\n<p>\u2013 Ai, como o meu Coelhinho Chin\u00eas, que estourou de amor? Isso eu n\u00e3o quero. Eu amo muito a bailarina e o poeta, desde antes de nascer. Fa\u00e7o o qu\u00ea, ent\u00e3o, Bruxa Arcanista?<\/p>\n<p>\u2013 Eu te ensinarei a escrever e ler, em tr\u00eas noites de lua cheia, a come\u00e7ar por hoje. Ent\u00e3o, depois da aula de hoje, voltar\u00e1s para casa, e tu e Aleph lavar\u00e3o os p\u00e9s e as m\u00e3os e se deitar\u00e3o em suas camas, como se nada houvesse acontecido.<\/p>\n<p>\u2013 Ah, falou Nina, acho que n\u00e3o vai dar certo, Arcanista! Porque Aleph, quando chega em casa, mesmo que ele fique quietinho em baixo da minha cama, no canto mais afastado, minha m\u00e3e anda sentindo o cheiro dele de Tigre. Tamb\u00e9m, nos \u00faltimos dias, as duas cachorrinhas, que temos l\u00e1 em casa, de vez em quando, v\u00e3o perto da minha cama, cheirar, mas nada descobrem, o que preocupa mais ainda a minha m\u00e3e. Como ele \u00e9 meu Amigo Imagin\u00e1rio, ningu\u00e9m l\u00e1 em casa, sabe que ele existe, apenas eu. E se, al\u00e9m de cheiro de Tigre, come\u00e7arem a sentir cheiro de letras, de livros, do Castelo e de pr\u00f3pria Bruxa Arcanista, perto de mim e dele?<\/p>\n<p>\u2013 Voc\u00eas ter\u00e3o de encarar os riscos de ficarem com cheiro e com jeito de escrileitores, porque tamb\u00e9m Aleph os adquirir\u00e1, embora ele j\u00e1 saiba ler e escrever, quando est\u00e1 dentro da esfera. Amanh\u00e3, o dia deve come\u00e7ar normal para toda a fam\u00edlia. Voc\u00eas n\u00e3o podem contar as aventuras da noite, nem revelar a minha exist\u00eancia, nem escorregar no p\u00e9 de feij\u00e3o, nem fazer c\u00f3cegas um no outro quando estiverem chegando em casa. Precisam ser discretos. Voltem, ajam normalmente e v\u00e3o descansar. No outro dia, pela manh\u00e3, fa\u00e7am de conta que tudo foi apenas um sonho. Quando chegar a noite novamente, e todos forem dormir, sem ningu\u00e9m ver, voc\u00eas poder\u00e3o come\u00e7ar a ler todos os livros da casa, com uma lanterninha ou com a chama de uma vela.<\/p>\n<p>\u2013 Depois, quando chegar novamente a primeira noite de lua cheia do m\u00eas, e todos forem dormir, \u00e0 meia-noite, Aleph sair\u00e1 da forma esf\u00e9rica, se transformar\u00e1 num Tigre de Bengala, tu botar\u00e1s um casaco de capuz e, caminhando pelos telhados, sem serem vistos, voc\u00eas voltar\u00e3o, pela segunda vez, ao meu Castelo dos Livros. Ent\u00e3o, me contar\u00e3o quais foram as dificuldades que enfrentaram, de quais livros mais gostaram, quais livros n\u00e3o entenderam, quais detestaram, e assim por diante. Teremos nossa segunda aula. E, ap\u00f3s, no terceiro m\u00eas, teremos a terceira e \u00faltima aula.\u00a0 Eu ajudo at\u00e9 tr\u00eas vezes. Depois, voc\u00eas se virar\u00e3o sozinhos.<\/p>\n<p>E assim aconteceu. A Bruxa levou Aleph e Nina para a gigantesca Biblioteca do Castelo. L\u00e1, em meio a dezenas de prateleiras, feitas de livros e cheias de livros, havia um imenso Espelho M\u00e1gico, que se tornava branco quando as pessoas dele se aproximavam. A Bruxa Arcanista abriu um livro na frente do Espelho, jogou, em cima dele, milhares de Formiguinhas M\u00e1gicas das miudinhas e disse o t\u00edtulo do livro que, naquela vez, era <em>O mundo de Sofia: uma aventura na filosofia<\/em>. (N\u00e3o sei se voc\u00eas conhecem!) Ent\u00e3o, as Formiguinhas come\u00e7aram a se organizar por toda a superf\u00edcie do Espelho, formando palavras, frases e par\u00e1grafos, pois elas eram as letras vivas do livro. Ao mesmo tempo, o Espelho M\u00e1gico come\u00e7ava a ler em voz alta a hist\u00f3ria. Nina e Aleph, enquanto isso, maravilhados, olhavam, escutavam e tocavam de leve as palavras e iam aprendendo a escrileitura; pois, \u00e0s vezes, entre um cap\u00edtulo e outro, a Bruxa Arcanista orientava que eles escrevessem, contando com as suas pr\u00f3prias palavras, o que j\u00e1 tinham lido.<\/p>\n<p>Depois da primeira vez, por dois meses seguintes, o Tigre e a Menina voltaram ao Castelo dos Livros, at\u00e9 que a Bruxa deu por encerrada a sua tarefa. Houve uma quarta noite de lua cheia, na qual Felipa e Aleph voltaram para a Ch\u00e1cara das Pedras, mas foi para deixar, no port\u00e3o, uma linda cesta de caf\u00e9 da manh\u00e3, flores e uma carta de agradecimento. No restante do tempo, passavam grande parte das noites lendo. Quando iam na FACED com o poeta, Eisinha botava Aleph no bolso do casaco e, em vez de irem nas aulas ou reuni\u00f5es, escapuliam e se escondiam, num cantinho da Biblioteca da Faculdade para ler todos os livros que pudessem. Depois comentavam entre eles tudo o que tinham lido, traduziam, tomavam notas em suas Cadernetas de Escritor e inventavam novas hist\u00f3rias, com base naquelas que tinham lido.<\/p>\n<p>Por fim, depois de muitos anos, a Menina e o Amigo decidiram que tinha chegado a hora de come\u00e7ar a escrever seus pr\u00f3prios textos e livros. E assim foi. Esta hist\u00f3ria que termina aqui \u00e9 a primeira hist\u00f3ria do primeiro livro, dentre os dez mil livros, que eles escreveram juntos, enquanto duraram as suas vidas, que foram muito longas. Os nomes dos autores, com os quais assinavam todos os livros, davam entrevistas, cursos e aulas, promoviam sess\u00f5es de aut\u00f3grafos, acabaram ficando assim, depois de muita discuss\u00e3o: o dela era assinado NINA FELIPA LAMELA TESTA e o nome dele era assinado ALEPH AD\u00d3.<\/p>\n<p>Era uma vez, uma hist\u00f3ria de dois amigos, que viveram, leram e escreveram juntos, felizes e realizados para sempre. Entrou por uma porta, saiu pela outra, quem quiser que conte outra&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>FIM<\/strong><\/p>\n<p>* <em>Observa\u00e7\u00e3o<\/em>. <em>Se voc\u00ea ficou curioso para saber qual a forma com que Aleph Ad\u00f3 se apresentava, quando os dois autores tinham que estar em p\u00fablico: se era como uma bolinha no bolso de Nina; se era totalmente invis\u00edvel ou com uma capa vermelha nos ombros; se era como um Tigre de Bengala ou como um Coelhinho Chin\u00eas; se era como um Hobbit ou como um Troll; se era como um Bruxo ou como um lindo rapaz de cabelos pretos e olhos amarelos ou de cabelos amarelos e olhos verdes&#8230; Se voc\u00ea quer saber se, algum dia, a m\u00e3e bailarina conseguiu ver Aleph ou se o poeta pai viu o vulto do Tigre subindo pelo p\u00e9 de feij\u00e3o&#8230; Se voc\u00ea quiser saber se a Bruxa Arcanista viveu por mais tempo&#8230; Bem, se voc\u00ea ficou curioso para conhecer esses e outros detalhes e desdobramentos desta hist\u00f3ria, ter\u00e1 de esperar que Nina-Felipa-Eisinha e o seu Amigo \u00a0Imagin\u00e1rio Aleph contem a segunda parte desta hist\u00f3ria, que agora terminananananananananananananananannanananananannanananananananananan&#8230; <\/em><\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1vWMdGaOcpPYHyW_7zyEHt9PyUohRU5K0\/view?usp=sharing\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>PDF<\/strong><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kanka oferece esta hist\u00f3ria para Nina, neta do cora\u00e7\u00e3o, com amor. Porto Alegre, 19 de junho de 2020. Quarentena Era uma vez uma \u00e9poca, situada no futuro, em n\u00e3o existia mais o maldito Coronav\u00edrus. Nessa \u00e9poca, na Cidade Alegre, vivia uma menina chamada Nina, que tamb\u00e9m era chamada de Felipa ou de Eisinha, dependendo da &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/escrileiturasrede\/a-bruxinha-dos-telhados-e-o-tigre-aleph-historias-para-os-netos-3-de-sangue-e-de-coracao\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;A bruxinha dos telhados e o tigre Aleph [Hist\u00f3rias para os netos 3 &#8211; De sangue e de cora\u00e7\u00e3o]&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"class_list":["post-616","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/escrileiturasrede\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/616"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/escrileiturasrede\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/escrileiturasrede\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/escrileiturasrede\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/escrileiturasrede\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=616"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/escrileiturasrede\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/616\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":622,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/escrileiturasrede\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/616\/revisions\/622"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/escrileiturasrede\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=616"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}