novembro 16th, 2012

Falhas na Obra e Soluções Adequadas

As responsabilidades dos eventuais acidentes e atrasos em obra incidem sobre o profissional responsável, que deve manter sempre uma atitude interessada na prevenção e solução dos problemas, muitas vezes decorrentes de aspectos culturais.

Nesta obra, uma residência unifamiliar, não foram utilizadas ferramentas para gerenciamento das atividades no canteiro de obra, o que acabou se refletindo no comportamento e segurança dos operários, e na organização e tratamento dos materiais alí depositados. A seguir serão abordados os principais problemas observados e algumas sugestões de melhorias, adequadas a prazo e porte da construção:

Instalações Provisórias

As instalações sanitárias e das áreas de vivência não estavam concluídas e, o que estava sendo construído não seguia a Norma Regulamentadora 18 (NR-18, artigo 18.4). Também não havia tapumes no entorno do canteiro, contrariando o artigo 18.3 da norma.

Possível solução:
Pode-se prever no contrato que as instalações provisórias fiquem prontas antes do início da construção em si, fazendo com que a montagem dessas áreas faça parte, efetivamente, da etapa em que o local é preparado para receber as atividades do canteiro de obras.

Segurança no Trabalho

Nem todos os equipamentos exigidos por norma eram disponibilizados, e os operários não utilizavam nem os que foram fornecidos. A escada que leva até o pavimento superior não apresentava proteção contra quedas, estando assim fora dos padrões exigidos NR-18 (artigo 18.12).

Possível Solução:
Novamente, fazer constar no contrato inicial o responsável pelo fornecimento de material de EPI aos operários, bem como quem fiscalizará o uso do mesmo. Para controle, deve ser feito um sistema de registro de fornecimento do EPI, identificando o item fornecido, a data, a assinatura de quem recebeu e de quem forneceu o equipamento. Além disso, pode ser utilizado um sistema de advertências com quem não faz o uso correto do EPI. Deve ser fornecido treinamento, conforme previsto pela NR18. O próprio Ministério do Trabalho oferece palestras e treinamentos conscientizando os operários e ensinando o uso correto dos equipamentos.

Limpeza e organização do canteiro

O canteiro era completamente desordenado e apresentava lixo espalhado. O material era estocado e descartado de forma inadequada.

Possível solução:
Cada operário deve ser responsabilizado por manter seu equipamento de trabalho e fazer a posterior limpeza dos procedimentos que executa. A desorganização de um canteiro pode trazer além de prejuízos financeiros significantes, um risco enorme para a saúde dos envolvidos na obra e eventuais usuários das proximidades. É necessário que a empresa disponibilize local adequado para o lixo e os entulhos, bem como as ferramentas necessárias para que a limpeza da obra seja efetuada.

Matéria elaborada a partir de pesquisa e imagens da aluna Priscilla Bittencourt Biassi

 

junho 4th, 2012

Plano de Ataque à Concretagem

O processo de concretagem é uma das etapas mais importantes para o sucesso de uma obra. É necessário elaborar um planejamento detalhado considerando diversos condicionantes e prevendo os seus comportamentos nas atividades. Chamamos este planejamento de plano de ataque à concretagem, o qual consiste em programar desde os movimentos do caminhão até as ações de cada operário.

A obra em questão está situada em um lote de esquina, com facilidade para o acesso de suprimentos, onde foram acompanhadas as etapas referentes ao planejamento da concretagem de uma laje. Primeiramente, foi reservado um espaço nas bandejas de proteção para que o caminhão, ao estacionar, chegasse mais próximo da edificação e se conectasse com a girafa que bombeia o concreto para os pavimentos superiores. Os pilares foram concretados após a colocação prévia das armaduras e fôrmas, de acordo com o diagrama mostrado abaixo (sequência de 1 a 4). As escadas foram concretadas juntamente com os pilares para possibilitar a sua utilização para transporte dos materiais até os pavimentos superiores. Em algumas situações a escada não pode ser concretada juntamente com os pilares por falta de concreto nos caminhões encomendados, o que parece indicar uma falta de planejamento deste processo.

As vigas e as lajes seguiram a mesma seqüência lógica dos pilares, começando pelo lado direito, contornando o núcleo de escadas, e depois deslocando-se para a esquerda até completar o ciclo do diagrama mostrado a seguir. Este processo leva em consideração a localização da girafa, facilitando assim o acesso ao concreto que está sendo bombeado e auxiliando o trabalho dos operários. Observou-se que, após o concreto ser despejado, um operário era o responsável por vibrá-lo, enquanto outro trabalhador utilizava a régua e o prumo para nivelar a superfície, seguido por um operário que molhava o concreto e, por fim, um funcionário alisava a superfície.

Matéria elaborada a partir de pesquisa e imagens da aluna Katiele Tanise Radünz

maio 28th, 2012

Análise de Obra em Conformidade com a NR-18

Nesta obra foi feito um acompanhamento para verificar se estavam sendo cumpridos alguns dos requisitos da Norma Regulamentadora 18 (NR-18), que estabelece diretrizes de ordem administrativa, de planejamento e de organização, que objetivam a implementação de medidas de controle e sistemas preventivos de segurança nos processos, nas condições e no meio ambiente de trabalho na Indústria da Construção.”

O  levantamento de conformidade foi realizado considerando planilhas e, com a análise parcial dos itens verificados, foi gerado um gráfico mostrando a proporção de conformidade com a norma, bem como, os itens  não atendidos.

Concluiu-se que  30,60% de todos os itens analisados não estavam sendo cumpridos. A maior incidência de problemas estava na área de armazenagem,  e a menor, na área de vivência.

Este método de verificação representa uma boa alternativa para controlar as determinações das normas em canteiros de obras. Nas imagens abaixo, observamos os itens incluídos nos levantamentos, bem como as avaliações parciais e a respectiva conclusão a que se chegou.

Matéria elaborada a partir de pesquisa e imagens da aluna Paula Bem Olivo

maio 14th, 2012

Produção de Painéis Pré-fabricados

A tecnologia utilizada nesta obra foi a de painéis portantes, que são estruturas de concreto armado fabricados no próprio canteiro. Este painel sustenta toda a estrutura da edificação e funciona como vedação das habitações. Esta tecnologia trabalha considerando três elementos principais na construção: lajes, escadas e painéis portantes.

A industrialização da construção civil requer controles de qualidade e de produção mais rigorosos. Nesta obra, houve uma constante preocupação com a correta colocação das armaduras durante a concretagem, devido a pouca espessura do painel (cerca de 10 centímetros); e com a rastreabilidade do concreto utilizado.

Os painéis e as lajes foram produzidas no próprio canteiro. O concreto utilizado é o usinado, com FCK 30, e auto-adensável, visto que os painéis são de espessura reduzida e com alta taxa de armadura. Mesmo assim, alguns painéis precisaram ser retocados ou descartados, pois o sistema exige excelente acabamento, restando somente a pintura a como acabamento final.

Preparação para a concretagem

Para garantir a rastreabilidade, a concretagem de cada pavimento foi programada para ser feita de uma única vez, utilizando o concreto usinado de apenas um caminhão. Após a desforma, foi marcado diretamente no painel o número de série do concreto o qual foi devidamente documentado.

O aço foi fornecido dobrado; as armaduras foram montadas em gabaritos, já com os eletrodutos nelas fixados, e depois foram transferidas para as formas metálicas onde foram concretados os painéis. Nos painéis de vedação vertical foram deixados vãos para a colocação de esquadrias. Após 20 horas de cura, foi feita a desforma.

Transporte e montagem

Para o transporte dos painéis portantes, foi montado um pórtico treliçado em estrutura metálica com trilhos e guinchos. Os locais de concretagem e de montagem também foram considerados na logística da obra, para diminuir os deslocamentos.

Na concretagem dos painéis, foram deixados ganchos metálicos para sua manipulação. No momento da montagem, após o devido escoramento, os painéis vizinhos eram solidarizados através da solda de seus ganchos. Após este procedimento, o local da solda era grauteado.

As lajes foram apoiadas em encaixes e ganchos deixados nos topos dos painéis, depois foi executada uma fina capa de concreto moldado in-loco para regularizar a laje, que é originalmente rugosa. Junto à concretagem das lajes foi moldada uma pingadeira em cada pavimento, para evitar uma futura infiltração de água no topo do painel.

A construtora preparou equipes de montagem para cada um dos blocos de edificação, tendo cada um dos chefes recebido treinamento específico, configurando assim seu plano de ataque da obra. Essa tecnologia  apresenta-se como uma opção de sistema de produção para obras de custo controlado e com curto prazo para execução.

Matéria elaborada a partir de pesquisa e imagens da aluna Karina Rosa de Deus

novembro 8th, 2010

Procedimentos para recebimento de concreto usinado em obra

Ao estacionarem os caminhões bomba e betoneira em uma obra, devem ser realizados procedimentos para garantir que o concreto utilizado esteja de acordo com o encomendado à empresa fabricante e com o especificado no projeto. Esta verificação é normatizada pela NBR 12.655 – Norma de Preparo de Controle e Recebimento do Concreto.

A primeira verificação a ser feita é a conferência do lacre do caminhão com o código da nota, em caso de incompatibilidade não são asseguradas as características esperadas e isso justifica a devolução do lote. Além desse código constam na nota fiscal outras informações referentes à resistência, ao abatimento e sua tolerância e traço, assim como o uso de aditivos. Após a checagem desses documentos, o concreto está liberado para ser testado.

O caminhão betoneira é ligado ao caminhão bomba e gera-se um primeiro jato de uma pequena quantidade de concreto, inaproveitado, pois o agregado e o aglomerado não estão bem misturados. Logo após é lançada outra pequena quantidade, com a qual se faz o ensaio de abatimento (“slump test”), que faz uma avaliação da plasticidade do concreto.

O ensaio de abatimento consiste em preencher um cone metálico em três etapas, adensando-o a cada etapa com uma pequena barra de aço. Logo após retira-se vagarosamente o molde em forma de cone, medindo o desnível do concreto em relação à sua altura inicial (altura da forma). O limite para aceitação de deformação da massa depende das especificações do cálculo estrutural, ficando geralmente, entre 8 e 12 cm. Quanto maior a deformação, mais líquido está o concreto, o que pode ser desejado (para melhorar a plasticidade do mesmo) ou não (para não prejudicar sua resistência).

Após o ensaio de abatimento faz-se os corpos de prova, que servirão para testar a resistência do concreto em laboratório. Com uma colher de pedreiro, enchem-se formas metálicas cilíndricas apropriadas para esta finalidade e também se adensa esse concreto com uma barra de aço. Após preencher todo o molde, o operário golpeia suas as laterais para forçar a saída de bolhas, que prejudicam a precisão do resultado do teste de resistência. Após alisar a superfície do concreto, as amostras são identificadas com o nome da obra, a data da concretagem e o número do caminhão de onde procedeu o concreto e estas permanecem em repouso na obra por 24 horas. Após esse período, as amostras são levadas ao laboratório de análises da empresa contratada pela construtora para serem realizados os rompimentos.

O número e as etapas de análise dos corpos de prova podem variar conforme as exigências de cada projeto. Nesta obra, foram produzidos três corpos de prova para cada lote de concreto entregue (a cada caminhão betoneira), que foram rompidos em três momentos: aos 7, 28 e 90 dias, gerando dados para análise e confirmação da resistência do concreto utilizado.

Durante a concretagem, um encarregado anota em que parte da laje foi utilizado o concreto de qual caminhão, pois, caso haja algum problema com os corpos de prova, pode-se localizar o trecho problemático e providenciar sua recuperação.

Matéria elaborada a partir de pesquisa e imagens das alunas Clarissa Meneguzzi e Camila Biavatti

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