junho 23rd, 2011

Paredes Diafragma Moldadas in loco: Etapas de Execução

As paredes diafragma moldadas in loco são formadas por painéis, também chamados de lamelas, que se encaixam uns nos outros através de ranhuras laterais (o chamado sistema “macho-e-fêmea”). As paredes diafragma servem como contenção do solo e têm como vantagens a boa adaptação ao projeto arquitetônico, não causando modificações no terreno – e conseqüentemente não trazendo prejuízo aos vizinhos -, a existência de pouca ou nenhuma vibração durante o processo de construção e o alcance a níveis abaixo da linha do lençol freático ou “linha d’água”.

Os painéis têm dimensões variadas: suas espessuras ficam entre 30 e 120 centímetros e sua profundidade pode alcançar os 50 metros. Na obra em questão, têm espessura de 40 centímetros e atingiram a profundidade de 20 metros. Em relação à largura, as lamelas podem ficar entre 2,50 e 3,20m centímetros. Painéis menores são mais estáveis, necessitam de um tempo menor de escavação e concretagem, e são indicados para solos com baixa capacidade de suporte. Já os painéis mais largos são indicados para paredes diafragma atirantadas – como no caso em questão -, uma vez que, quanto mais largo for o painel, menor a quantidade de juntas e de tirantes necessários.

Etapas de execução:

  1. Execução de “paredes-guia”: muros em concreto armado que percorrem todo o contorno da parede, com a profundidade de 110 cm na obra visitada, servindo de guia para a escavação e dando estabilidade superior aos painéis;
  2. Retirada de terra de dentro dos painéis: escavação através de uma diafragmentadora, constituída por um guindaste equipada com Clam Shell’s com a espessura da lamela, até a altura desejada;
  3. Injeção de lama bentonítica: simultaneamente à retirada de terra, permitindo que o terreno fique estável ao ser escavado e evitando o desmoronamento das paredes da escavação;
  4. Colocação da armadura da parede diafragma;
  5. Concretagem dos painéis: preenchimento dos painéis de baixo para cima, com a conseqüente expulsão da lama bentonítica, que é bombeada de volta aos reservatórios.  Na maioria dos casos, há simultaneidade dos processos de concretagem das lamelas e escavação, realizados em painéis alternados, dividindo o processo em etapas de acordo com a profundidade da parede.
  6. Perfuração da cortina para colocação dos tirantes, através de uma perfuratriz;
  7. Colocação dos tirantes em cordoalhas de aço e seu posterior tensionamento através de macaco hidráulico.

 

Matéria elaborada a partir de pesquisa e imagens dos alunos Maria Lourdes Brizuela de Seadi e Adriano Ledur

maio 22nd, 2011

Atirantamento de cortina de concreto

Os tirantes (Fig. 01) são realizados em cortinas de concreto, com a finalidade de transmitir esforços de tração entre suas extremidades. São constituídos de cordoalhas de aço que resistem 1900 MPa cada, em volta de um tubo de PVC, e ocorrem em cada um dos pavimentos do subsolo do empreendimento.
Os tirantes são montados em cima de uma bancada (Fig. 02), e, neste caso, possuem 19 metros de comprimento: doze metros estão destinados à ancoragem e os sete metros restantes são livres, sendo que um destes fica para fora (Fig. 03), para propiciar a protensão.
Primeiramente uma máquina perfura a cortina de concreto, e outra máquina perfura o solo (Fig. 04, 05, 06 e 07), com auxílio de água, com localização e angulações previstas em projeto. Para tornar possível a locomoção dessa máquina, já que o solo é muito molhado, foi construída uma espécie de balsa, com pedaços de madeira da obra.
Após a realização do furo no solo é colocado manualmente o tirante e, através do tubo de PVC, injeta-se uma nata de cimento (Fig. 08). Essa nata é preparada em uma máquina (Fig. 09) e leva cimento CP V ARI. Este tipo de cimento confere uma alta resistência inicial ao concreto em suas primeiras idades, podendo atingir 26MPa de resistência à compressão em apenas 1 dia de idade. É recomendado o seu uso, em obras onde seja necessário a desforma rápida de peças de concreto armado.
O processo é realizado sem pressão, apenas para preencher o furo e o deixar limpo. Depois é injetado novamente concreto, com a intenção de fixar o tirante. Essa injeção é realizada com pressão e por trechos, fazendo com que os manchetes, que funcionam como uma espécie de válvula, cedam e preencham o bulbo de ancoragem (Fig. 10). A pressão da nata de cimento faz com que a borracha ceda e a calda vaza e forma o bulbo de ancoragem.
A injeção secundária é realizada em dois dias, sendo que em cada dia injeta-se doze metros lineares, ou seja, os doze metros de ancoragem receberão duas cargas compeltas. Quatro dias depois  da última injeção (período para cura do cimento) realiza-se a protensão das cordoalhas, através de macacos hidráulicos. São colocadas as peças que formam a “cabeça” do tirante, constituídas de uma placa de apoio, do bloco de ancoragem e da cabeça de ancoragem (uma espécie de porca).

Referências:

http://www.fundesp.com.br/2009/tirantes_metod.html).

Matéria elaborada a partir de pesquisa e imagens da aluna Natália Saccaro Bassanesi

 

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