junho 23rd, 2011

Paredes Diafragma Moldadas in loco: Lama Bentonítica e Concretagem

A injeção de lama bentonítica é utilizada na construção de paredes diafragmas ou cortinas moldadas no local, estabilizando as paredes dos painéis e evitando que estas desmoronem devido ao empuxo da terra durante o processo da escavação e concretagem.  

A concretagem é feita com concreto usinado, lançado dentro do painel escavado com a ajuda de um funil. Ao ser lançado, por ser mais denso que a lama, ele a expulsa e vai preenchendo as lamelas de baixo para cima. Esta lama é bombeada para fora e passará para um tanque de decantação a fim de ser reaproveitada. Para ocorrer este reaproveitamento, a lama não deve estar contaminada com areia, argila ou silte, devendo, portanto, ser uma mistura somente de água e bentonita. Caso isso ocorrer, ela deve passar por um reciclador, que tem funcionamento semelhante a uma peneira, retirando os resíduos indesejados.  São utilizados dois tipos de formas para a concretagem dos painéis ou lamelas. Estas formas são também chamadas de “chapas”: a chapa-espelho, que estrutura o vazio e dá o acabamento à superfície maior da lamela, e a chapa-junta. Esta última cria reentrâncias côncavas e convexas (tipo “macho-e-fêmea”) para que as lamelas se unam verticalmente, estabelecendo continuidade na parede.

O concreto utilizado em cada lamela deve ser submetido ao teste de slump, para verificar sua plasticidade, e à moldagem de corpos de prova, para controle da resistência da parede diafragma – uma vez que ela tem que resistir às cargas laterais, que são os chamados empuxos de terra.

Após determinado tempo o concreto entra no chamado período da “pega”, ou seja, em que já deve ter começado a endurecer, adquirindo uma estabilidade própria, mas não tendo ainda endurecido totalmente, possibilitando a retirada das formas das lamelas e permitindo seu reaproveitamento.  As formas utilizadas devem ser bem lavadas para que não venham a prejudicar as futuras concretagens.

Matéria elaborada a partir de pesquisa e imagens dos alunos Maria Lourdes Brizuela de Seadi e Adriano Ledur

junho 23rd, 2011

Paredes Diafragma Moldadas in loco: Etapas de Execução

As paredes diafragma moldadas in loco são formadas por painéis, também chamados de lamelas, que se encaixam uns nos outros através de ranhuras laterais (o chamado sistema “macho-e-fêmea”). As paredes diafragma servem como contenção do solo e têm como vantagens a boa adaptação ao projeto arquitetônico, não causando modificações no terreno – e conseqüentemente não trazendo prejuízo aos vizinhos -, a existência de pouca ou nenhuma vibração durante o processo de construção e o alcance a níveis abaixo da linha do lençol freático ou “linha d’água”.

Os painéis têm dimensões variadas: suas espessuras ficam entre 30 e 120 centímetros e sua profundidade pode alcançar os 50 metros. Na obra em questão, têm espessura de 40 centímetros e atingiram a profundidade de 20 metros. Em relação à largura, as lamelas podem ficar entre 2,50 e 3,20m centímetros. Painéis menores são mais estáveis, necessitam de um tempo menor de escavação e concretagem, e são indicados para solos com baixa capacidade de suporte. Já os painéis mais largos são indicados para paredes diafragma atirantadas – como no caso em questão -, uma vez que, quanto mais largo for o painel, menor a quantidade de juntas e de tirantes necessários.

Etapas de execução:

  1. Execução de “paredes-guia”: muros em concreto armado que percorrem todo o contorno da parede, com a profundidade de 110 cm na obra visitada, servindo de guia para a escavação e dando estabilidade superior aos painéis;
  2. Retirada de terra de dentro dos painéis: escavação através de uma diafragmentadora, constituída por um guindaste equipada com Clam Shell’s com a espessura da lamela, até a altura desejada;
  3. Injeção de lama bentonítica: simultaneamente à retirada de terra, permitindo que o terreno fique estável ao ser escavado e evitando o desmoronamento das paredes da escavação;
  4. Colocação da armadura da parede diafragma;
  5. Concretagem dos painéis: preenchimento dos painéis de baixo para cima, com a conseqüente expulsão da lama bentonítica, que é bombeada de volta aos reservatórios.  Na maioria dos casos, há simultaneidade dos processos de concretagem das lamelas e escavação, realizados em painéis alternados, dividindo o processo em etapas de acordo com a profundidade da parede.
  6. Perfuração da cortina para colocação dos tirantes, através de uma perfuratriz;
  7. Colocação dos tirantes em cordoalhas de aço e seu posterior tensionamento através de macaco hidráulico.

 

Matéria elaborada a partir de pesquisa e imagens dos alunos Maria Lourdes Brizuela de Seadi e Adriano Ledur

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