Vernissage e debate no Memorial do Ministério Público: 20/3/2025, 17 horas

Pintura in situ e conversa no Hospital de Clínicas: 27/3/2025, 11 -12,30 e 12.30-13 horas

Evento com artistas e críticos de arte: 26/3/2025: conversa no Memorial

Monika Kus-Picco, nasceu em Viena em 1973, onde a artista com raízes brasileiras vive e trabalha, alternando com estadias em Rio de Janeiro. Kus-Picco estudou pintura na Universidade de Artes Aplicadas em Viena e na Academia de Arte de Düsseldorf. Suas telas de grande formato fazem parte das coleções de museus internacionais, como a coleção do Albertina em Viena, o Osthaus Museum Hagen e a Galeria da Academia de Arte de Düsseldorf. No ano que vem, 2026, está planejada a exposição de uma tela de grande formato no saguão do Multipalco em Porto Alegre; já confirmada é uma grande exposição no Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, com a curadoria de Heidrun Rosenberg e Ana Magalhães.

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Desencadeada pelo diagnóstico precoce de Alzheimer de sua mãe, Monika Kus-Picco começou desde 2018 a trabalhar com material médico -farmacêutico, criando pigmentos com remédios descartados e usando os solventes de praxe também na indústria farmacêutica e na área médica. Com essas técnicas ela pinta telas em grande escala com muitas cores que evocam processos cósmicos e reações bioquímicas. As substâncias dos pigmentos usados carregam, na sua origem medical e farmacêutica, a promessa mudar nossas vidas, manipulando a dor e inúmeras outras formas de mal-estar físico e psíquico, a depressão, ansiedade e demência.

As obras de Mônika Kus Picco têm o objetivo de chamar a atenção para fenômenos que o universo farmacêutico criou – por exemplo, a venda em massa de pílulas de cores vivas, a medicina de gênero – que está ganhando importância apenas de forma hesitante – ou assinalando uma substância que iniciou uma segunda revolução sexual. Em seus trabalhos, ela visualiza processos invisíveis e a maneira como diferentes medicamentos funcionam, além de explorar as conexões entre sistemas sociais, gêneros e diferenças culturais regionais.

Em conversas sobre as pinturas e suas cores, a artista tornar visível para nós certos processos e reações químicas que separam a ciências naturais e a bioquímica das tradicionais regras da Teoria das cores que conhecemos desde Newton e Goethe. Por exemplo: a mistura de substâncias vermelhas e amarelas não necessariamente resulta na cor laranja, mas pode fornecer um verde brilhante.

Pois ela não pinta simplesmente por razões estéticas, cada tela parte de uma diretriz experimental envolvendo os processos químicos que as substâncias na base dos pigmentos provocam – no cromatismo da tela e no dos nossos estados físicos e psíquicos sob sua influência.

Esse aspecto faz da arte de Monika Kus Picco o ponto de partida para a discussão das secretas revoluções que os remédios provocam nas nossas vidas: nos nossos estados e humores individuais, nos modos de relacionamento, status e poder de indivíduos e gêneros que hoje são maciçamente manipuláveis – também e sobretudo por remédios. Contemplando as telas coloridas de Mônica, começamos a nos familiarizar com as reviravoltas da nossa disposição e performance sob a influência de remédios, das alterações dos elos afetivos, eróticos e sexuais que as intervenções medicamentosas põem em movimento. Nas vibrações cromáticas das telas torna-se visível o atrativo estético e imaginário dessas substâncias: suas inúmeras possibilidades atiçando os nossos desejos insaciáveis; e entramos também nos seus avessos e ciladas mais sombrios, capazes de transformar milhões de pessoas em vítimas de uma lógica química secreta e de interesses comerciais malignos.

Endereço: Palácio do Ministério Público, Praça Marechal Deodoro, 110 – esquina da rua Jerônimo Coelho, em Porto Alegre.

Evento com artistas e críticos de arte (26 de março: conversa no Memorial, lugar da exposição) com Eduardo Veras e Marilice Corona

Exposição no Memorial do Ministério Público: vernissage com debate dia 20 de março 2025.

A exposição das telas no subsolo do Memorial vai de 14 de março 2025 – 14 de abril 2025

Participantes:

Lucia Mariano da Rocha Silla. Médica, Doutorado em Genética e Biologias Molecular, Professora Titular da Faculdade de Medicina da UFRGS, Coordena o Centro de Processamento Celular Avançado da Rede Nacional de Terapia Celular no Hospital de Clinicas de Porto Alegre (HCPA). Membro titular da Câmara Técnica para Terapias Avançadas da ANVISA.

José Roberto Goldim. Biólogo, Doutorado em Medicina: Clínica Médica, Professor Titular da Escola de Medicina da PUCRS, Coordena o Núcleo e o Comitê de Bioética Clínica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Pesquisador responsável pelo Laboratório de Pesquisa em Bioética e Ética na Ciência do HCPA.

Kathrin H. Rosenfield. Curadora da exposição, Profa. Titular do Dpto. De Filosofia da UFRGS, Membro fundador do Centro de Estudos Europeus e Alemães, CDEA, Cônsul honorária da Áustria. Atua na interface de filosofia, artes e literatura.

Evento no Hospital de Clínicas, 27 de março, 11h – 13 h: a artista irá pintar uma tela, na presença de público interno e externo, in situ no saguão do Hospital no dia 27 de março, 11h, seguido por uma conversa (das 12.30 -13 h) sobre suas motivações, sensibilidade e trajetória nesta interface da arte, saúde e sociedade

Participantes:

Profa. Leila Beltrame Moreira, que coordena o Mestrado em Pesquisa Clínica do HCPA, é médica, professora da Faculdade de Medicina da UFRGS, farmacologista e epidemiologista.

Márcia Fernandes Santana, advogada, doutora em Direito, Pós-doutora em Ciências Médicas, Professora e Coordenadora Adjunta do Mestrado em Pesquisa Clínica do HCPA.

José Roberto Goldim, Biólogo, Doutorado em Medicina: Clínica Médica, Professor Titular da Escola de Medicina da PUCRS, Coordena o Núcleo e o Comitê de Bioética Clínica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Pesquisador responsável pelo Laboratório de Pesquisa em Bioética e Ética na Ciência do HCPA.

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