{"id":3137,"date":"2025-01-20T14:03:08","date_gmt":"2025-01-20T17:03:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/expedicaoantartica\/?p=3137"},"modified":"2025-01-20T14:03:08","modified_gmt":"2025-01-20T17:03:08","slug":"efeitos-no-presente-impactos-para-o-futuro-o-que-a-pesquisa-cientifica-na-antartica-tem-a-dizer-sobre-as-mudancas-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/expedicaoantartica\/2025\/01\/20\/efeitos-no-presente-impactos-para-o-futuro-o-que-a-pesquisa-cientifica-na-antartica-tem-a-dizer-sobre-as-mudancas-climaticas\/","title":{"rendered":"Efeitos no presente, impactos para o futuro: o que a pesquisa cient\u00edfica na Ant\u00e1rtica tem a dizer sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Sexta reportagem do \u2018Especial Ant\u00e1rtica\u2019, produzido pelo Jornal da Universidade, aponta que os estudos t\u00eam como objetivo avaliar a complexidade e as interconex\u00f5es de fen\u00f4menos, bem como refor\u00e7ar a necessidade de atitudes pr\u00e1ticas e pol\u00edticas urgentes<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o altera\u00e7\u00f5es de longo prazo nas temperaturas e nos padr\u00f5es clim\u00e1ticos do planeta. Elas podem ter causas naturais, como as acarretadas por grandes erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas, ou humanas. Esse \u00faltimo fator tem sido preponderante: a ci\u00eancia aponta que, cada vez mais, desde os anos 1800, a atividade humana tem intensificado as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Relacionado \u00e0 queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, ao desmatamento e ao crescimento urbano desorganizado, entre outros fatores, o aumento de 1,2\u00baC na temperatura m\u00e9dia da superf\u00edcie terrestre \u00e9 destacado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) como o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.un.org\/en\/climatechange\/what-is-climate-change\">maior dos \u00faltimos 100 mil anos<\/a>. Pesquisas mostram que as \u00faltimas quatro d\u00e9cadas foram mais quentes do que qualquer outra anterior a 1850, sendo que o per\u00edodo de 2011 a 2020 foi o de mais altas temperaturas j\u00e1 registradas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA humanidade se empenhou em causar essa mudan\u00e7a, principalmente ao longo dos \u00faltimos 120 a 150 anos. \u00c9 algo que \u00e9 muito mais lento para ser revertido do que foi para ser iniciado\u201d, afirma a climatologista Venisse Schossler, professora do Instituto de Geoci\u00eancias da UFRGS e pesquisadora associada ao&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/inctcriosfera\/\">Instituto Nacional da Ci\u00eancia e Tecnologia da Criosfera<\/a>&nbsp;(INCT Criosfera) e ao&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.centropolar.com\/\">Centro Polar e Clim\u00e1tico<\/a>&nbsp;(CPC\/UFRGS). Juntamente com outros 60 pesquisadores de sete pa\u00edses, ela integra a equipe que realiza desde novembro de 2024 a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/tag\/especial-antartica\/\">expedi\u00e7\u00e3o<\/a>&nbsp;de circum-navega\u00e7\u00e3o costeira da Ant\u00e1rtica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora cita a queda acentuada na concentra\u00e7\u00e3o de oz\u00f4nio, conhecida por \u201cburaco da camada de oz\u00f4nio\u201d, como exemplo da complexidade do processo de regenera\u00e7\u00e3o da atmosfera. Localizada na regi\u00e3o estratosf\u00e9rica, a camada de oz\u00f4nio responde pela absor\u00e7\u00e3o de 90% da radia\u00e7\u00e3o ultravioleta do tipo B (UV-B). A exposi\u00e7\u00e3o a essa radia\u00e7\u00e3o \u00e9 associada, em humanos, ao desenvolvimento de c\u00e2ncer de pele, supress\u00e3o do sistema imunol\u00f3gico e envelhecimento precoce, al\u00e9m de poder causar danos \u00e0 vis\u00e3o. Os raios UV-B tamb\u00e9m prejudicam os est\u00e1gios iniciais do desenvolvimento de v\u00e1rias formas de vida, como os pl\u00e2nctons, base da cadeia alimentar aqu\u00e1tica, provocando desequil\u00edbrios ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.protocolodemontreal.org.br\/site\/quem-somos\/protocolo-de-montreal\/sobre-o-protocolo-de-montreal\">Protocolo de Montreal<\/a>&nbsp;de 1987 determinou o fim da produ\u00e7\u00e3o e do consumo das subst\u00e2ncias respons\u00e1veis pela destrui\u00e7\u00e3o da camada de oz\u00f4nio. Entre elas, os clorofluorcarbonos, ou CFCs, usados maci\u00e7amente como agentes de resfriamento e em recipientes de aeross\u00f3is. Os CFCs podem permanecer ativos na atmosfera de 80 a 100 anos ap\u00f3s sua libera\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, como ressalta Venisse, mesmo com a proibi\u00e7\u00e3o, a recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 lenta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso do aquecimento global, a climatologista aponta que a diminui\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa \u00e9 apenas o in\u00edcio e destaca que uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica \u00e9 urgente. \u201cNenhum climatologista \u00e9 inculto ao ponto de dizer que ela tem de ser instant\u00e2nea. Sabemos que \u00e9 uma transi\u00e7\u00e3o, ou seja, lentamente a sociedade tem de se encaminhar para o fim do uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis\u201d, refor\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um segundo ponto diz respeito \u00e0 constru\u00e7\u00e3o das cidades. O&nbsp; atual modelo verticalizado faz com que se criem ilhas em que o calor se concentra e n\u00e3o consegue escapar. A cientista ainda reflete que a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica necessita de incentivos governamentais para ser adotada, como a diminui\u00e7\u00e3o de impostos sobre a tecnologia e os servi\u00e7os de energia solar.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cMuitos pa\u00edses j\u00e1 est\u00e3o nessa vanguarda, principalmente os europeus e a China. Eles j\u00e1 est\u00e3o correndo nessa frente de transi\u00e7\u00e3o e gerando empregos\u00a0e tecnologias. Isso \u00e9 importante para o mundo inteiro, mesmo para aqueles pa\u00edses em desenvolvimento que n\u00e3o contribuem tanto para emiss\u00e3o de gases de efeito estufa\u201d &#8211; Venisse Schossler<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Teleconex\u00f5es clim\u00e1ticas<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Venisse tamb\u00e9m integra o&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/igeo\/institucional\/organizacao\/laboratorios\/notos\/\">NOTOS \u2013 Laborat\u00f3rio de Climatologia<\/a>, grupo do Centro Polar e Clim\u00e1tico da UFRGS que estuda a rela\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas nas conex\u00f5es entre a Ant\u00e1rtica e os tr\u00f3picos. Um dos objetivos do grupo \u00e9 entender como altera\u00e7\u00f5es na circula\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica do Hemisf\u00e9rio Sul t\u00eam afetado o Brasil e a Am\u00e9rica do Sul como um todo, com enfoque especial no estados da regi\u00e3o sul brasileira.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cRio Grande do Sul e Santa Catarina est\u00e3o exatamente no limiar das entradas de massas de ar polar que v\u00eam da Ant\u00e1rtica e das massas de ar quente carregadas de umidade da regi\u00e3o equatorial. Quando elas se encontram, temos a forma\u00e7\u00e3o das piores tempestades, de ciclones e de eventos extremos\u201d &#8211; Venisse Schossler<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora chama a aten\u00e7\u00e3o para o fen\u00f4meno da teleconex\u00e3o clim\u00e1tica: a liga\u00e7\u00e3o entre eventos que acontecem em um lugar e influenciam outros que est\u00e3o mais distantes. O c\u00e1lculo dessas conex\u00f5es se d\u00e1 por meio de estat\u00edsticas geradas com base em dados atmosf\u00e9ricos e oceanogr\u00e1ficos obtidos em sites especializados. Para que sejam comprovadas, a coleta local de amostras, como as de neve, \u00e9 necess\u00e1ria. \u201cElas servem para interpretarmos os acontecimentos dos \u00faltimos anos, ou seja, como a neve precipita e prende bolhas que s\u00e3o amostras da atmosfera\u201d, conta Venisse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os chamados \u201ctestemunhos de gelo de neve\u201d est\u00e3o sendo colhidos em 16 geleiras que t\u00eam se movimentado muito r\u00e1pido e apresentam perda de massa de gelo. Eles ser\u00e3o derretidos para an\u00e1lise de \u00e1gua, gases e outros elementos. A partir disso \u00e9 poss\u00edvel se identificar, por exemplo, conex\u00f5es com massas de ar quente ou com fuligem das queimadas na Amaz\u00f4nia e no Cerrado. O material tamb\u00e9m servir\u00e1 para compreender a forma como eventos como o El Ni\u00f1o est\u00e3o influenciando o entorno do continente ant\u00e1rtico e, por consequ\u00eancia, o resto do planeta. Ser\u00e1 usado, ainda, para o entendimento das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas associadas ao aumento da temperatura, a emiss\u00e3o de di\u00f3xido de carbono (CO<sub>2<\/sub>) e o buraco da camada de oz\u00f4nio.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEsses dados s\u00e3o fundamentais n\u00e3o apenas para a compreens\u00e3o de eventos extremos no Conesul, mas para a previs\u00e3o de per\u00edodos clim\u00e1ticos que afetam t\u00e3o intensamente a agricultura e o curso dos nossos alimentos, por exemplo. \u00a0Essas conex\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 clim\u00e1ticas, tamb\u00e9m s\u00e3o sociais e econ\u00f4micas\u201d &#8211; Venisse Schossler<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/ICCE_250113_MC_4925.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-105072\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pesquisadores escolhem nas cartas de navega\u00e7\u00e3o os pontos onde ser\u00e3o coletadas amostras. Na foto o professor Jefferson Sim\u00f5es e Francisco Eliseu Aquino, do CPC-UFRGS (segundo e quinto, da esquerda para direita, respectivamente). Foto: ICCE &#8211; Anderson Astor e Marcelo Curia<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/ICCE_AAX_20250106_F03150.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-105077\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: ICCE &#8211; Anderson Astor e Marcelo Curia<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/ICCE_MC_20250107_0194.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-105081\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Venisse Schossler (de azul) e equipe do Centro Polar e Clim\u00e1tico da UFRGS realizam coletas de gelo no Glaciar Mertz. Foto: ICCE &#8211; Anderson Astor e Marcelo Curia<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Bomba biol\u00f3gica de carbono<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Professor do departamento de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Pedro Augusto Mendes de Castro Melo participa pela primeira vez da expedi\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 pesquisador do&nbsp;<a href=\"https:\/\/proantarnordeste.home.blog\/\">Projeto Mephysto<\/a>, esfor\u00e7o conjunto entre 11 institui\u00e7\u00f5es, das quais quatro se localizam no Nordeste, uma no Sul e duas outras no Sudeste brasileiros. A coopera\u00e7\u00e3o envolve tamb\u00e9m duas institui\u00e7\u00f5es estadunidenses, uma japonesa e uma italiana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Mephysto tem como objetivo principal a investiga\u00e7\u00e3o interdisciplinar dos processos f\u00edsico-qu\u00edmicos e biol\u00f3gicos na estrutura\u00e7\u00e3o do ecossistema planct\u00f4nico e nos ciclos biogeoqu\u00edmicos na Conflu\u00eancia Brasil-Malvinas (CBM), considerada um&nbsp;<em>hotspot<\/em>&nbsp;de diversidade fitoplanct\u00f4nica. A pesquisa de Pedro est\u00e1 ligada \u00e0 ecologia de pl\u00e2nctons, tanto os fito quanto os zoo. Fitopl\u00e2nctons s\u00e3o microalgas que produzem energia por meio da retirada de CO<sub>2<\/sub>&nbsp;da atmosfera para a produ\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio, processo denominado fotoss\u00edntese. \u201cA estimativa \u00e9 de que, a cada duas respiradas nossas, uma \u00e9 com o oxig\u00eanio produzido pelo fitopl\u00e2ncton\u201d, relata o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Logo em sequ\u00eancia vem o zoopl\u00e2ncton, organismo que faz a liga\u00e7\u00e3o da energia produzida pelo fitopl\u00e2ncton com os demais na cadeia tr\u00f3fica. Assim, observar como o zoopl\u00e2ncton se apresenta no entorno da Ant\u00e1rtica e como se relaciona \u00e0 quest\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas torna-se fundamental. O conceito de bomba biol\u00f3gica de carbono, ou seja, o sequestro e a retirada de carbono da atmosfera por meio de processos biol\u00f3gicos e sua transfer\u00eancia para as camadas profundas do oceano, \u00e9 o ponto-chave para essa compreens\u00e3o. At\u00e9 30% do excesso de carbono \u00e9 retirado da atmosfera por esse processo. A participa\u00e7\u00e3o do zoopl\u00e2ncton na bomba biol\u00f3gica de carbono se inicia no momento em que ele consome o fitopl\u00e2ncton, utilizando parte da energia gerada pela fotoss\u00edntese.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do tamanho de um gr\u00e3o de arroz, o zoopl\u00e2ncton \u00e9 capaz de realizar grandes migra\u00e7\u00f5es, podendo percorrer at\u00e9 500 mil metros em um dia. \u201c\u00c9 como se a gente fizesse uma prova do desafio Iron Man todos os dias\u201d, compara Pedro. O pesquisador explica que, quando o zoopl\u00e2ncton migra, se alimenta do fitopl\u00e2ncton que ocorre na camada do oceano que tem luz. Quando se desloca para \u00e1guas mais profundas, leva consigo o carbono da superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNosso papel \u00e9 observar a composi\u00e7\u00e3o da estrutura, se tem havido uma mudan\u00e7a e como essa rela\u00e7\u00e3o do zoo com o fitopl\u00e2ncton est\u00e1 acontecendo. Isso serve para entendermos como a bomba de carbono est\u00e1 funcionando e se est\u00e1 sendo afetada pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d &#8211; Pedro Augusto Melo<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na expedi\u00e7\u00e3o, o grupo de Pedro est\u00e1 coletando amostras de zoopl\u00e2ncton para estudar sua taxonomia e ecologia. Tamb\u00e9m realiza experimentos de herbivoria ou&nbsp;<em>grazing<\/em>, termo t\u00e9cnico que, em portugu\u00eas, significa pastagem. \u201cVamos avaliar como est\u00e1 sendo essa intera\u00e7\u00e3o, se esse processo est\u00e1 acontecendo de maneira ideal ou n\u00e3o, e como reflete a composi\u00e7\u00e3o do fitopl\u00e2ncton na taxa de herbivoria\u201d, conta o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/ICCE_MC_20250112_0045.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-105082\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pedro Augusto Mendes de Castro Melo e colegas realizam coletas em esta\u00e7\u00e3o oceanogr\u00e1fica no oceano austral.<br>Foto: ICCE &#8211; Anderson Astor e Marcelo Curia<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro estudo ser\u00e1 o de mortalidade. A partir da aplica\u00e7\u00e3o de um pigmento \u00e9 poss\u00edvel distinguir nas amostras a propor\u00e7\u00e3o de organismos vivos e mortos obtidos no momento da coleta. Com isso, se pode estimar a contribui\u00e7\u00e3o das carca\u00e7as para a bomba de carbono.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pedro destaca que o pl\u00e2ncton \u00e9 um excelente indicador de qualidade e de massa de \u00e1gua. Isso porque a temperatura \u00e9 um fator crucial para a mudan\u00e7a de metabolismo e da taxa de crescimento da comunidade de pl\u00e2nctons. Quanto mais quente, mais estratificada fica coluna d\u2019\u00e1gua, comprometendo a circula\u00e7\u00e3o de nutrientes. Com menos nutrientes, a taxa de crescimento do fitopl\u00e2ncton se torna menor. Consequentemente, sustenta menos zoopl\u00e2nctons, impactando toda a cadeia tr\u00f3fica.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO pl\u00e2ncton, de maneira geral, \u00e9 um excelente indicador porque envolve uma grande diversidade. A gente sai de v\u00edrus e bact\u00e9rias que fazem parte dele at\u00e9 organismos cordados, como peixes e larvas de peixes. Muitos desses organismos t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima com determinada condi\u00e7\u00e3o de temperatura, de salinidade, de profundidade.\u00a0 Assim, conseguimos entender um pouco do que est\u00e1 acontecendo no sistema ou at\u00e9 perceber uma mudan\u00e7a na comunidade a partir de qualquer altera\u00e7\u00e3o f\u00edsico-qu\u00edmica na \u00e1gua\u201d &#8211; Pedro Augusto Melo<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pesquisador salienta que a corrente oce\u00e2nica que desce do Brasil para a Ant\u00e1rtida \u00e9 quente e pobre em nutrientes. J\u00e1 a que sobe das Malvinas \u00e9 fria e rica em nutrientes. Quando elas se encontram, geram um ambiente de grande diversidade, com duas comunidades que se misturam em uma \u00e1rea chamada de&nbsp;<em>hotspot<\/em>&nbsp;de biodiversidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como se trata de uma expedi\u00e7\u00e3o costeira, a ideia dos quatro pesquisadores do Mephysto \u00e9 acessar as zonas em que as principais intera\u00e7\u00f5es est\u00e3o acontecendo, j\u00e1 que o processo de degelo ou de forma\u00e7\u00e3o do gelo e as forma\u00e7\u00f5es de m\u00e1scara d\u2019\u00e1gua ocorrem, sobretudo, nessa regi\u00e3o. Seu projeto se foca na Conflu\u00eancia Brasil-Malvinas e tamb\u00e9m na pen\u00ednsula ant\u00e1rtica para entender como essas mudan\u00e7as est\u00e3o afetando tanto os eventos extremos, como a interrela\u00e7\u00e3o entre o ambiente f\u00edsico-qu\u00edmico e os comportamentos biol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEm Pernambuco, por exemplo, temos um ambiente totalmente diferente. Temos rios chegando, \u00e1gua de chuva, polui\u00e7\u00e3o, cidades. Precisamos observar uma regi\u00e3o oce\u00e2nica o mais est\u00e1vel poss\u00edvel, como a da Ant\u00e1rtica. Assim, o grande ganho desta expedi\u00e7\u00e3o \u00e9 conseguir olhar, avaliar essas comunidades planct\u00f4nicas que est\u00e3o ocorrendo justamente na faixa em que se tem uma maior intensifica\u00e7\u00e3o desse processo\u201d &#8211; Pedro Augusto Melo<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/ICCE_AAX_20241224_F02525.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-105075\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><br>Pesquisador M\u00e1rcio Francelino Rocha cava o solo de Bunger Hills, segundo maior o\u00e1sis da Ant\u00e1rtida. Foto: ICCE &#8211; Anderson Astor e Marcelo Curia<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/ICCE_AAX_20241224_F02534.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-105076\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pesquisador Fabio Leal Viana Bones coletando amostras de musgo no o\u00e1sis de Bunger Hills, continente Ant\u00e1rtico. Foto: ICCE &#8211; Anderson Astor e Marcelo Curia<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/ICCE_MC_20250112_0048.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-105083\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pedro Augusto Mendes de Castro Melo com um \u201ckrill\u201d. Foto: ICCE &#8211; Anderson Astor e Marcelo Curia<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/h5>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.ufrgs.br\/ufrgs\/noticias\/podcast-analisa-as-consequencias-das-mudancas-climaticas-na-antartica\/\">entrevista<\/a>&nbsp;\u00e0 R\u00e1dio da Universidade em 2022, o coordenador da Expedi\u00e7\u00e3o Ant\u00e1rtica, Jefferson Sim\u00f5es, falou sobre os preju\u00edzos que j\u00e1 est\u00e3o sendo sentidos e alertou sobre os impactos que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas podem causar no futuro. Sim\u00f5es citou processos que v\u00eam acontecendo no limite entre o mar congelado e o oceano aberto e que decorrem da absor\u00e7\u00e3o do di\u00f3xido de carbono. Salientou a acidifica\u00e7\u00e3o do oceano, que amea\u00e7a a forma\u00e7\u00e3o de carapa\u00e7as de diferentes formas de microrganismos, e o esfor\u00e7o de adapta\u00e7\u00e3o de muitas esp\u00e9cies a uma \u00e1gua que est\u00e1 ficando mais doce.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim\u00f5es relatou, ainda, que a parte mais ao norte da Ant\u00e1rtica est\u00e1 se tornando mais verde. Com isso, algumas ilhas j\u00e1 apresentam expans\u00e3o de campos de gram\u00edneas, levando esp\u00e9cies de pinguins a migrar para o sul em busca da sobreviv\u00eancia. Al\u00e9m disso, j\u00e1 ocorre a penetra\u00e7\u00e3o no oceano austral de algumas esp\u00e9cies de peixes que n\u00e3o eram encontradas nesse ambiente. \u201cA esp\u00e9cie do pinguim-imperador j\u00e1 \u00e9 considerada amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos 50 a 100 anos. Observam-se ainda mudan\u00e7as na circula\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica, com tend\u00eancia a ventos mais fortes ao redor da Ant\u00e1rtica\u201d, comentou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme Sim\u00f5es, a consequ\u00eancia mais relevante \u00e9 o aumento do n\u00edvel do mar. \u201cO gelo que est\u00e1 sobre o continente \u00e9 o que interessa: com a perda de massa, h\u00e1 cen\u00e1rios at\u00e9 2100 de aumento m\u00e9dio do n\u00edvel do mar ao redor de 30cm at\u00e9 90cm\u201d, destacou. Para Sim\u00f5es, os dois casos representam a melhor e a pior hip\u00f3tese. No entanto, n\u00e3o consideram algum comportamento n\u00e3o linear que possa ocorrer, ou seja, que o processo ocorra em maior velocidade devido \u00e0 desestabiliza\u00e7\u00e3o da Ant\u00e1rtica Ocidental, o que poderia levar a um aumento de alguns metros do n\u00edvel do mar nos pr\u00f3ximos 200 a 300 anos. Para ele, o desafio \u00e9 fazer com que as na\u00e7\u00f5es cumpram o determinado pelo&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.un.org\/pt-br\/88191-acordo-de-paris-sobre-o-clima\">Acordo de Paris<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c[O Protocolo de] Kyoto j\u00e1 est\u00e1 \u2018defunto\u2019 h\u00e1 mais de 10 anos, e Paris corre esse risco. Se nada for feito, a taxa de mudan\u00e7a global do clima ultrapassar\u00e1 as respostas sociais, pol\u00edticas e econ\u00f4micas que facilitam a adapta\u00e7\u00e3o\u201d &#8211; Jefferson Sim\u00f5es<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele refor\u00e7ou que, dependendo do grau das transforma\u00e7\u00f5es, a sociedade humana e as outras esp\u00e9cies t\u00eam uma maior resili\u00eancia ao seu impacto. No entanto, \u00e9 crucial que se siga o que foi negociado globalmente em n\u00edvel pol\u00edtico. Caso contr\u00e1rio, n\u00e3o h\u00e1 como resolver a situa\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o podemos entrar num processo de negacionismo dessas mudan\u00e7as. A Ant\u00e1rtica, devido \u00e0 sua sensibilidade ao clima, funciona como um aviso adiantado dessas mudan\u00e7as que est\u00e3o ocorrendo em escala global\u201d, alertou.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/ICCE_AAX_20241219_F02176.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-105073\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: ICCE &#8211; Anderson Astor e Marcelo Curia<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/ICCE_AAX_20241219_F02180.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-105074\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Equipe do CPC UFRGS realizando perfura\u00e7\u00f5es no gelo. Foto: ICCE &#8211; Anderson Astor e Marcelo Curia<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/ICCE_MC_20250105_0011.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-105079\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: ICCE &#8211; Anderson Astor e Marcelo Curia<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Confira o que foi abordado em cada uma das reportagens da S\u00e9rie:<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">21\/11:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/expedicao-a-antartica-busca-trazer-novos-dados-para-subsidiar-pesquisas-sobre-mudancas-climaticas\/\">Dados de pesquisa sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">28\/11:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/antes-alvo-de-disputas-territoriais-antartica-representa-um-espaco-privilegiado-para-a-cooperacao-cientifica\/\">Conflito e disputas geopol\u00edticas na Ant\u00e1rtica<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">05\/12:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/navio-russo-usado-para-expedicao-a-antartica-tem-estrutura-especial-para-pesquisa\/\">O navio quebra-gelo e seus laborat\u00f3rios<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">12\/12:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/expedicao-a-antartica-e-o-debate-por-uma-ciencia-mais-diversa-e-representativa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cientistas que integram a expedi\u00e7\u00e3o<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">19\/12:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/balanco-do-mar-trocas-culturais-e-alteracoes-psicologicas-marcam-o-cotidiano-dos-pesquisadores-que-estao-circum-navegando-a-antartica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O cotidiano e as curiosidades de estar no navio quebra-gelo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">16\/01: <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/jornal\/efeitos-no-presente-impactos-para-o-futuro-o-que-a-pesquisa-cientifica-na-antartica-tem-a-dizer-sobre-as-mudancas-climaticas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A pesquisa na Ant\u00e1rtica e entendimento sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sexta reportagem do \u2018Especial Ant\u00e1rtica\u2019, produzido pelo Jornal da Universidade, aponta que os estudos t\u00eam como objetivo avaliar a complexidade e as interconex\u00f5es de fen\u00f4menos, bem como refor\u00e7ar a necessidade de atitudes pr\u00e1ticas e pol\u00edticas urgentes As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o altera\u00e7\u00f5es de longo prazo nas temperaturas e nos padr\u00f5es clim\u00e1ticos<span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/expedicaoantartica\/2025\/01\/20\/efeitos-no-presente-impactos-para-o-futuro-o-que-a-pesquisa-cientifica-na-antartica-tem-a-dizer-sobre-as-mudancas-climaticas\/\">Leia mais<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3138,"comment_status":"closed","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[28],"tags":[],"class_list":["entry","author-gerente","post-3137","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/expedicaoantartica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3137","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/expedicaoantartica\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/expedicaoantartica\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/expedicaoantartica\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/expedicaoantartica\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3137"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/expedicaoantartica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3137\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3139,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/expedicaoantartica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3137\/revisions\/3139"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/expedicaoantartica\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3138"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/expedicaoantartica\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3137"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/expedicaoantartica\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3137"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/expedicaoantartica\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3137"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}