A clássica pergunta: Os robôs vão substituir os humanos?
Os seres humanos se distinguem dos outros animais, dentre uma série de fatores, por possuírem um telencéfalo altamente desenvolvido. Com base nessa notável capacidade cerebral, os seres humanos têm sido capazes de desenvolver incontáveis tecnologias. Entretanto, isso seria suficiente para permitir aos humanos serem os primeiros animais a criar uma maquinaria à sua imagem e semelhança?

Frame do filme Blade Runner. Disponibilizado por Screenmusings.
Em 1982, o diretor Ridley Scott embarca nesses questionamentos na renomada obra “Blade Runner”. Ambientada na distópica Los Angeles de 2019, na qual humanoides altamente desenvolvidos são explorados para servir aos humanos em colônias fora do planeta. A premissa do filme ocorre quando o caçador de andróides Rick Deckard é convocado para procurar alguns replicantes que fugiram para a Terra. Em suma, Blade Runner aborda as nuances de identidade e humanidade presentes em inteligências artificiais.

Frame do filme Blade Runner. Disponibilizado por Screenmusings.
Um replicante pode ser definido como uma pseudo pessoa geneticamente engenheirada e biologicamente melhorada a fim de possuir uma performance superior de suas habilidades físicas em relação aos seres humanos. A série de replicantes da “Tyrell Corporation” chamada “Nexus-6” é indiscutivelmente semelhante aos parâmetros humanos, além de desempenhar algumas habilidades de forma superior, como força, velocidade, agilidade, resiliência e inteligência de acordo com o modelo específico.
Entretanto, os replicantes não possuem uma característica essencial presente nos seres humanos: eles não dispõem de empatia. Em decorrência disso, foi criado o teste de Voight-Kampff capaz de detectar um androide. O procedimento envolve uma série de perguntas enquanto monitora-se suas respostas fisiológicas como: dilatação da pupila, enrubescer do rosto, e movimentos involuntários dos olhos. Pretendia-se mensurar as reações emocionais frente a dilemas e provocações a fim de determinar a natureza do indivíduo.

Frame do filme Blade Runner. Disponibilizado por Screenmusings.
Na busca por prolongar seu período de vida, um dos replicantes indaga seu criador quanto à possibilidade de alterar seu DNA por meio de recombinação através de Etil Metano Sulfonato. O EMS é um composto mutagênico, teratogênico e carcinogênico que induz mutações no material genético. Seu grupamento etila reage com o nucleotídeo guanina presente no DNA, formando um nucleotídeo incomum chamado de O6-etilguanina. Durante o processo de replicação, a DNA polimerase faz o pareamento de uma timina com a O6-etilguanina. Com o passar de alguns ciclos de replicação, o par original de G:C pode ser substituído por um par modificado de A:T. No entanto, essa mudança na informação genética geralmente é nociva para as células podendo gerar doenças letais para o organismo.

Mutagênese mediada por EMS. Referência: Kamal S, Junaid M, Ejaz A, Bibi I, Bigiu N. Concepts of Genetics. Prentice-Hall International; 1997.
A imposição de trabalho forçado aos replicantes funciona como uma alegoria impactante, destacando não apenas a opressão estrutural enfrentada pelos androides, mas também as consequências de um sistema fundamentado em eugenia. Ao se deparar com essa realidade, o protagonista é confrontado com questionamentos sobre o significado de ser humano, levando-o até o ponto de contestar sua própria humanidade. Por fim, Blade Runner explora as implicações éticas inerentes ao desenvolvimento de seres artificiais capazes de possuir emoções, memórias e, acima de tudo, um desejo por liberdade.
Referências
Artigo: The End of Genetic Privacy in the Blade Runner Canon
Artigo: The Authenticity of the Replica: A PostHuman Reading of Blade Runner
Artigo: Blade Runner economics: Will innovation lead the economic recovery?
Material de apoio visual
Sreenplays: Blade Runner(1982)
