{"id":232,"date":"2024-06-07T13:13:50","date_gmt":"2024-06-07T16:13:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/falaibiotec\/?p=232"},"modified":"2024-06-26T18:35:15","modified_gmt":"2024-06-26T21:35:15","slug":"teoria-endossimbionte-como-surgiram-as-celulas-eucarioticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/falaibiotec\/2024\/06\/07\/teoria-endossimbionte-como-surgiram-as-celulas-eucarioticas\/","title":{"rendered":"Teoria Endossimbionte: Como surgiram as c\u00e9lulas eucari\u00f3ticas?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00f3s, seres humanos, somos compostos por uma infinidade de c\u00e9lulas. Cada uma dessas c\u00e9lulas pode ser interpretada como uma casa com diferentes c\u00f4modos, chamados de compartimentos. Os c\u00f4modos s\u00e3o divididos por paredes, chamadas de membranas celulares. Essa compartimentaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 o que torna as c\u00e9lulas eucari\u00f3ticas diferentes das c\u00e9lulas procari\u00f3ticas. Sendo assim, as c\u00e9lulas procari\u00f3ticas podem ser interpretadas como um barraca sem nenhum c\u00f4modo, ou seja, as \u00fanicas paredes presentes s\u00e3o as que a separam do ambiente externo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">C\u00e9lula eucarionte gen\u00e9rica<\/h6>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXe-hgAq5JMhgSfRpkQDOF-YHBe2jls_H_YgWbqSyFCJts1HMr59tnFwv9WMCfiaP-viullMyLS6WdTnNgiU1wsGVH4OoYnwCo2fE35L7fa145qe16YU42Gwv1qEWDeohFQPwKYIywuT_JSYZQR08u0WP8Qt?key=eSM8772fQVxxfQnk9W1Hlw\" alt=\"\" style=\"width:509px;height:auto\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">C\u00e9lula procarionte gen\u00e9rica<\/h6>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXclIbCPb77wD8FGc4APN606Zc0R0Mq48v-4V9quoetmVC07VxBjI_RnVDAr-PnzoDzbVJmKOj1sCAUA2mwEomSnvdaZSspOKqNbIWNGOYYazDmpHF3o4TY-dB7eX_j62RLd7S1LJzjiPld6UkKbQxYFBX1z?key=eSM8772fQVxxfQnk9W1Hlw\" alt=\"\" style=\"width:507px;height:auto\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\" style=\"font-size:15px\">Compara\u00e7\u00e3o visual da estrutura de uma c\u00e9lula eucarionte em rela\u00e7\u00e3o a uma c\u00e9lula procarionte. Disponibilizado por BioRender.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os procariotos habitam o planeta h\u00e1 cerca de 3,5 bilh\u00f5es anos, enquanto que os registros de eucariotos datam h\u00e1 cerca de 1,8 bilh\u00f5es de anos. Uma coisa \u00e9 certa: os procariotos s\u00e3o uma forma de vida mais antiga. Mas como ocorreu o salto de uma c\u00e9lula relativamente mais simples como as procari\u00f3ticas para o surgimento de modelos mais complexos e robustos como as eucari\u00f3ticas? A resposta para tal pergunta possui uma rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca com a presen\u00e7a de compartimentos e complexidade dos eucariotos: a teoria endossimbionte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A teoria endossimbionte de c\u00e9lulas eucari\u00f3ticas foi proposta pela pesquisadora Lynn Margulis e revolucionou a forma de compreender como a vida evoluiu no planeta Terra. Em 1967, Margulis publicou o artigo \u201c<em>On the origin of mitosis cells<\/em>\u201d, o qual prop\u00f4s a teoria endossimbionte como origem de organelas de c\u00e9lulas eucari\u00f3ticas. A cientista discutia ideias de simbiose, propondo que uma associa\u00e7\u00e3o entre diferentes organismos poderia desempenhar um papel fundamental para o surgimento de formas de vida com tra\u00e7os mais complexos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A etimologia da palavra endossimbiose tem origem no grego, na qual \u201c<em>endo<\/em>\u201d significa dentro, \u201c<em>sym<\/em>\u201d significa junto e \u201c<em>bios<\/em>\u201d significa vida, cuja interpreta\u00e7\u00e3o pode ser lida como uma associa\u00e7\u00e3o de uma forma de vida dentro de outra. Na pr\u00e1tica, uma c\u00e9lula acabou consumindo outra, mas, nesse caso, n\u00e3o houve continuidade da digest\u00e3o da c\u00e9lula ingerida, muito pelo contr\u00e1rio, ela passou a viver e compartilhar os processos celulares. Portanto, a teoria prop\u00f5e que as organelas eucari\u00f3ticas teriam origem a partir de eubact\u00e9rias que sofreram endocitose por c\u00e9lulas ancestrais, de forma a resultar em endossimbiontes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para exemplificar tal processo pode-se destacar uma organela presente nos eucariotos, a mitoc\u00f4ndria. De acordo com a teoria endossimbionte, a mitoc\u00f4ndria seria derivada de bact\u00e9rias que foram ingeridas pelos ancestrais das c\u00e9lulas eucari\u00f3ticas atuais. As bact\u00e9rias ingeridas receberam nutrientes e prote\u00e7\u00e3o, de forma a se dedicarem a uma retribui\u00e7\u00e3o, gerando energia por meio de fosforila\u00e7\u00e3o oxidativa. Com o passar do tempo, essas bact\u00e9rias se especializaram em produzir energia, perderam a capacidade de sobreviver sozinhas e, finalmente, evolu\u00edram em mitoc\u00f4ndrias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro exemplo capaz de ilustrar o processo de simbiose envolve a organela presente em plantas e algas, o cloroplasto. De forma semelhante ao processo descrito para as mitoc\u00f4ndrias, os cloroplastos s\u00e3o descendentes de cianobact\u00e9rias fotossint\u00e9ticas que eventualmente passaram a residir dentro de ancestrais das c\u00e9lulas vegetais atuais. Tal endossimbiose foi essencial para permitir que plantas desenvolvessem a fotoss\u00edntese, um mecanismo de captura da energia da luz solar, impulsionando rea\u00e7\u00f5es bioqu\u00edmicas e, como resultado, produzindo mat\u00e9ria org\u00e2nica.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXdBZWpCrk1Tm2mUYHyMEbRNCtB3V8kyZnIa0OhSqShlbmXriEG7GcySBjRazNkyX1cBZH2WXRD3BtqkSkqH_GZ4rpj1dzGyeVUmYj_Vy0iOAlacQGu1qnX2XsHL84zuHmPW8lo6Z-rYwY1H2DZ2S1fIJ5g7?key=eSM8772fQVxxfQnk9W1Hlw\" alt=\"\" style=\"width:467px;height:auto\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\" style=\"font-size:15px\">Ilustra\u00e7\u00e3o de apoio para a visualiza\u00e7\u00e3o do processo de engolfamento dos ancestrais de organelas. Disponibilizado por BioRender.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os estudos de diversos pesquisadores, como de Lynn Margulis, foram essenciais para a compreens\u00e3o do impacto significativo que eventos simbi\u00f3ticos tiveram na organiza\u00e7\u00e3o e na complexidade das v\u00e1rias formas de vida. A teoria da endossimbiose possibilitou um novo ponto de vista sobre a intera\u00e7\u00e3o, colabora\u00e7\u00e3o e associa\u00e7\u00e3o entre diferentes c\u00e9lulas, que eventualmente resultaram na evolu\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas eucari\u00f3ticas. Portanto, entende-se que a evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo flex\u00edvel, complexo e influente, al\u00e9m de estar intrinsecamente conectado com a diversidade de vida na Terra.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-1\">Refer\u00eancias<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-2 wp-block-paragraph\">Sagan L. On the origin of mitosing cells. J Theor Biol. 1967 Mar;14(3):255-74. doi: 10.1016\/0022-5193(67)90079-3. PMID: 11541392.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-3 wp-block-paragraph\">David P. Clark, Nanette J. Pazdernik, Chapter 26 &#8211; Molecular Evolution, Editor(s): David P. Clark, Nanette J. Pazdernik, Molecular Biology (Second Edition), Academic Press, 2013, Pages 812-853, ISBN 9780123785947, https:\/\/doi.org\/10.1016\/B978-0-12-378594-7.00026-3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-4 wp-block-paragraph\">LODISH, Harvey; BERK, Arnold; KAISER, Chris A.; et al. Biologia Celular e Molecular. Artmed: Grupo A, 2014. E-book. ISBN 9788582710500. Dispon\u00edvel em: https:\/\/app.minhabiblioteca.com.br\/#\/books\/9788582710500\/<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-accent-color has-text-color has-link-color wp-elements-5 wp-block-paragraph\">S. Garg, V. Zimorski, W.F. Martin, Endosymbiotic Theory, Editor(s): Richard M. Kliman, Encyclopedia of Evolutionary Biology, Academic Press, 2016, Pages 511-517, ISBN 9780128004265, https:\/\/doi.org\/10.1016\/B978-0-12-800049-6.00191-8.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00f3s, seres humanos, somos compostos por uma infinidade de c\u00e9lulas. Cada uma dessas c\u00e9lulas pode ser interpretada como uma casa com diferentes c\u00f4modos, chamados de compartimentos. Os c\u00f4modos s\u00e3o divididos por paredes, chamadas de membranas celulares. Essa compartimentaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 o que torna as c\u00e9lulas eucari\u00f3ticas diferentes das c\u00e9lulas procari\u00f3ticas. 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