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  Ramiro Barcelos, 2400 Santa Cecília Porto Alegre, RS

Perfil do Egresso

De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs), a formação médica deve ser geral, humanista, crítica, reflexiva e ética, capacitar para atuação nos diferentes níveis de atenção à saúde, com ações de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde, nos âmbitos individual e coletivo, com responsabilidade social e compromisso com a defesa da cidadania, da dignidade humana, da saúde integral do ser humano e tendo como transversalidade em sua prática, sempre, a determinação social do processo de saúde e doença.  

Os saberes são distribuídos por áreas e detalhados nos planos de ensino das disciplinas, estágios e internatos. 

I - Atenção à Saúde: considerar sempre as dimensões da diversidade biológica, subjetiva, étnico-racial, de gênero, orientação sexual, socioeconômica, política, ambiental, cultural, ética e demais aspectos que compõem o espectro da diversidade humana que singularizam cada pessoa ou cada grupo social, promovendo:

  1. a) acesso universal e equidade
  2. b) integralidade e humanização do cuidado;
  3. c) qualidade na atenção à saúde, pautada nas melhores evidências científicas e nas políticas públicas vigentes.
  4. d) segurança referenciadas nos mais altos padrões da prática médica
  5. e) preservação da biodiversidade com sustentabilidade;
  6. f) ética profissional fundamentada nos princípios da ética e da bioética
  7. g) comunicação com empatia, sensibilidade e interesse, preservando a confidencialidade, a compreensão, a autonomia e a segurança da pessoa sob cuidado;
  8. h) promoção da saúde,
  9. i) cuidado centrado na pessoa
  10. j) Equidade no cuidado adequado e eficiente das pessoas com deficiência

II - Gestão em Saúde: compreender os princípios, diretrizes e políticas do sistema de saúde, e participar de ações de gerenciamento e administração para promover o bem-estar da comunidade, por meio das seguintes dimensões:

  1. a) Gestão do Cuidado,
  2. b) Valorização da Vida,
  3. c) Tomada de Decisões,
  4. d) Comunicação, incorporando as novas tecnologias da informação e comunicação (TICs), para interação à distância e acesso a bases remotas de dados
  5. e) Liderança
  6. f) Construção participativa do sistema de saúde, de modo a compreender o papel dos cidadãos, gestores, trabalhadores e instâncias do controle social na elaboração da política de saúde brasileira;
  7. g) Participação social e articulada nos campos de ensino e aprendizagem das redes de atenção à saúde.

III -         Educação em Saúde: capacitar-se para formação continuada e em serviço, autonomia intelectual, responsabilidade social, ao tempo em que se compromete com a formação das futuras gerações de profissionais de saúde, e o estímulo à mobilidade acadêmica e profissional, objetivando: 

  1. aprender a aprender com autonomia,
  2. aprender interprofissionalmente,
  3. aprender em situações e ambientes protegidos e controlados, ou em simulações da realidade
  4. comprometer-se com seu processo de formação,
  5. participação em programas de Mobilidade Acadêmica e Formação de Redes Estudantis
  6. dominar língua estrangeira, de preferência língua franca.

As Habilidades e Competências esperadas são:

I - Área de Competência de Atenção à Saúde: subáreas;

  1. Atenção às Necessidades Individuais de Saúde;

a.1. Identificação de Necessidades de Saúde: comporta, entre outros, os seguintes desempenhos: habilidade de comunicação, habilidades cognitivas para a realização de anamnese, exame físico, capacidade de avaliação de risco e habilidades humanísticas que são atentas as singularidades do indivíduo e a capacidade de avaliar evitando julgamentos, habilidades de registro, formulação de hipóteses clínicas e investigação baseados nas melhores evidências clínico-epidemiológicas, considerando a pertinência e o melhor gerenciamento dos custos.

a.2. Desenvolvimento e Avaliação de Planos Terapêuticos: propor um plano terapêutico atento às melhores evidências científicas e respeitando as escolhas e capacidades do paciente e do sistema de saúde.

  1. Atenção às Necessidades de Saúde Coletiva

b.1. Investigação de Problemas de Saúde Coletiva; habilidade de utilizar dados demográficos, epidemiológicos, sanitários e ambientais, considerando dimensões de risco, vulnerabilidade, incidência e prevalência das condições de saúde para diagnóstico da condição de saúde da comunidade

b.2. Desenvolvimento e Avaliação de Projetos de Intervenção Coletiva. Comporta a capacidade de trabalhar em equipe multidisciplinar no desenvolvimento, gerenciamento e avaliação de projetos e ações no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

II - Área de Competência de Gestão em Saúde

  1. Organização do Trabalho em Saúde: ter uma perspectiva histórica das políticas públicas e da organização dos processos de trabalho dentro do SUS e do sistema de saúde complementar, nos vários tipos de serviços e nas redes de atenção à saúde e possa participar da organização/gerenciamento dos processos de trabalho incluindo os diferentes profissionais de saúde e a participação dos usuários.
  2. Acompanhamento e Avaliação do Trabalho em Saúde: ter condições para gerenciamento dos cuidados de saúde incluindo promoção da integralidade da atenção à saúde individual e coletiva, baseadas na melhor evidência disponível, e apoiando a implantação de dispositivos e ferramentas que promovam a organização de sistemas integrados de saúde.

III - Área de Competência de Educação em Saúde.

  1. Identificação de Necessidades de Aprendizagem Individual e Coletiva; ter curiosidade na busca de conhecimentos próprios, da equipe e do usuário necessários ao cuidado das pessoas e as melhorias nos processos de trabalho.
  2. Promoção da Construção e Socialização do Conhecimento: entender o processo de construção do conhecimento baseado na realidade e nos interesses de cada segmento e estar habilitado a compartilhar o conhecimento, aprender, modificar as práticas e participar da formação continuada das equipes de trabalho.
  3. Promoção do Pensamento Científico e Crítico e Apoio à Produção de Novos Conhecimentos: encontrar nos desafios do trabalho estímulo para a busca de novas soluções na análise crítica da bibliografia e na pesquisa

Para cada área os comportamentos também são detalhados nos planos de ensino. 

I - Atenção à Saúde

  1. a) promover e proteger a saúde da gestante, da criança, do adulto e do idoso;
  2. b) prestar assistência aos problemas de saúde de maior prevalência na população e encaminhar, adequadamente, encaminhar os casos mais complexos aos níveis mais especializados;
  3. c) tomar medidas necessárias à preservação da vida em situações de urgência médica;

II - Gestão em Saúde

  1. a) estabelecer uma relação profissional adequada com pacientes, famílias, comunidade e equipe de saúde, respeitando normas éticas;
  2. b) conhecer os princípios básicos de planejamento, organização e direção dos serviços de saúde;

III - Educação em Saúde

  1. a) avaliar trabalhos científicos, elaborar e executar projetos de pesquisa; e
  2. b) continuar sua educação médica de forma autônoma.

IV - Desenvolvimento de Competências

Para desenvolver todas os conhecimentos, habilidades, competências e atitudes elencadas acima, é necessário a criação de uma matriz de competências detalhadas para cada atividade de ensino, incluindo as diversas áreas do conhecimento. Os passos necessários para executar um planejamento curricular baseado em competências são:

* Passo 1: Identificar as necessidades dos aprendizes e onde se pretende chegar.

* Passo 2: Elencar e definir as competências que devem ser desenvolvidas e adquiridas durante e ao final da experiência educacional.

* Passo 3: Descrever as competências na forma de resultados esperados e objetivos específicos.

* Passo 4: Garantir oportunidades de aprendizagem.

* Passo 5: Determinar os métodos de avaliação do estudante.

* Passo 6: Estabelecer como a experiência educacional será avaliada e melhorada.

No início de cada estágio/disciplina, professores e estudantes devem rever o currículo proposto para o estágio e ter clareza sobre objetivos de aprendizagem, estratégias de ensino, métodos de avaliação do desempenho esperado (conhecimento, habilidades e atitudes) e como o estágio será avaliado e melhorado. Essa atividade é essencial para que os estudantes estejam informados e esclarecidos sobre o que devem esperar e o que se espera deles. Assim podemos minimizar desentendimentos futuros, caso o estudante não possa progredir por mau desempenho na avaliação.

Os conhecimentos, habilidades, competências e comportamentos descritos são adquiridos de modo teórico-prático durante os primeiros 4 anos da graduação, e exercitados na etapa final, denominada internato, quando se deve propiciar oportunidades pedagógicas para que as competências sejam exercitadas, consolidadas e novamente avaliadas. Um bom internato deve ter múltiplas oportunidades de aprendizado e múltiplas formas de avaliação.

O perfil descrito está em consonância com as diretrizes curriculares brasileiras (2014).

O curso de Medicina oferece ao estudante oportunidades de treinamento teórico-prático deste a primeira etapa do curso, sendo que o período de internato ocupa 40% da carga horária do curso e se realiza nos últimos 2 anos, em ricos cenários de prática, em ambiente supervisionado e protegido.

O processo de revisão dos planos de ensino ocorre semestralmente, visando a adequação dos mesmos às DCNs. Este é um processo dinâmico e que só é realizado adequadamente mediante a educação continuada dos docentes, processo que a COMGRAD, NAU e NDE estão empenhados, e são descritos nos tópicos sobre avaliação do programa.

A IES e as instituições parceiras oferecem todos os cenários necessários ao desenvolvimento pleno e compatível com as DCNs do graduando em Medicina.

 

 

Ramiro Barcelos, 2400 -Bairro: Santa Cecília | Porto Alegre, RS