{"id":5263,"date":"2022-03-09T17:20:45","date_gmt":"2022-03-09T20:20:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/famed\/?p=5263"},"modified":"2022-03-10T00:18:52","modified_gmt":"2022-03-10T03:18:52","slug":"como-e-a-rotina-na-unidade-com-mais-pacientes-graves-por-causa-do-coronavirus-no-rs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/famed\/como-e-a-rotina-na-unidade-com-mais-pacientes-graves-por-causa-do-coronavirus-no-rs\/","title":{"rendered":"Como \u00e9 a rotina na unidade com mais pacientes graves por causa do coronav\u00edrus no RS"},"content":{"rendered":"\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Hist\u00f3rias de pais e filhos que morreram com minutos de diferen\u00e7a, casais que foram encaminhados para respira\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica juntos e fam\u00edlias arrasadas por uma doen\u00e7a pouco conhecida e sem tratamento comprovado. Quem subestima o coronav\u00edrus deveria passar um dia, um turno ou ao menos uma hora em uma unidade de terapia intensiva que atende infectados para sentir um pouco do que os profissionais da sa\u00fade t\u00eam vivido h\u00e1 mais de tr\u00eas meses. Um trabalho exaustivo de dedica\u00e7\u00e3o e coragem, que tem provado para os pr\u00f3prios funcion\u00e1rios que n\u00e3o h\u00e1 barreiras entre o profissional e o pessoal. O que existe \u00e9 um caminho aberto de travessias constantes, em que as hist\u00f3rias de quem cuida e de quem \u00e9 cuidado se cruzam com um objetivo comum: vencer a doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>No Hospital de Cl\u00ednicas de Porto Alegre (HCPA) \u2013 que atualmente tem o maior n\u00famero de doentes graves internados por causa da covid-19 no Rio Grande do Sul \u2013, investimentos em pessoas, infraestrutura e equipamentos tiveram de ser realizados \u00e0s pressas para que os contaminados pudessem receber atendimento adequado. Das cerca de 150 pessoas que necessitam de terapia intensiva atualmente no estado, em m\u00e9dia 20 (13%) est\u00e3o no Centro de Tratamento Intensivo do HCPA criado para atender pacientes com coronav\u00edrus, chamado pelos profissionais de CTI Covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>Em fevereiro, a institui\u00e7\u00e3o recebeu 57 milh\u00f5es de reais do governo federal para a estrutura\u00e7\u00e3o de 105 novos leitos para casos de coronav\u00edrus. Atualmente, 46 est\u00e3o em funcionamento. \u201cCom esses recursos, somados \u00e0s doa\u00e7\u00f5es, foi poss\u00edvel ofertar rapidamente o atendimento necess\u00e1rio\u201d, afirmaram por e-mail Ana Paula Coutinho, adjunta da Diretoria Administrativa, e Roseli Bortoluzzi, assessora de Gest\u00e3o de Pessoas do HCPA. Segundo elas, at\u00e9 o momento, foram investidos 42 milh\u00f5es em infraestrutura \u2014 exclusivamente para aquisi\u00e7\u00e3o de mobili\u00e1rio e equipamentos, como respiradores, m\u00e1quinas para hemodi\u00e1lise, monitores e bombas de infus\u00e3o \u2014 e 17 milh\u00f5es em equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual, totalizando 59 milh\u00f5es de reais.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem esses novos leitos, conforme a professora da Escola de Enfermagem da UFRGS Karina de Oliveira Azzolin, que tem atuado como assistente na coordena\u00e7\u00e3o do CTI Covid-19 do HCPA, o sistema de sa\u00fade ga\u00facho provavelmente teria entrado em colapso. \u201cEstamos com os leitos normais de UTI lotados. Se tiv\u00e9ssemos destinado 20 para a covid-19, onde estariam as pessoas com outras doen\u00e7as? Temos uma estrutura de refer\u00eancia, recebemos pacientes graves do interior\u201d, argumenta.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"articleTOC_0\">Videochamadas emocionam pacientes, familiares e profissionais<\/h3>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do investimento milion\u00e1rio para criar a CTI Covid-19, um aporte financeiramente menor passou a ter um significado grandioso na unidade: cinco celulares com linhas telef\u00f4nicas. Com as visitas impedidas por causa do risco de contamina\u00e7\u00e3o, esses aparelhos passaram a ser o \u00fanico meio de contato dos familiares com quem est\u00e1 em tratamento. \u00c9 com esses telefones que os profissionais t\u00eam intermediado diariamente videochamadas, liga\u00e7\u00f5es ou mensagens de voz entre parentes e pacientes, momentos em que os trabalhadores passam a fazer parte da intimidade dessas fam\u00edlias. Conforme o m\u00e9dico Jose Augusto Pellegrini, que trabalha no CTI Covid-19, essas videochamadas s\u00e3o importantes porque o coronav\u00edrus imp\u00f4s uma restri\u00e7\u00e3o \u00e0 tend\u00eancia mundial de abertura das unidades de tratamento intensivo, que prev\u00ea deixar o paciente pelo maior tempo poss\u00edvel perto dos familiares.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m em atua\u00e7\u00e3o na unidade, a enfermeira Jaqueline Haas avalia que, embora sem a proximidade f\u00edsica, esse modelo garante maior intera\u00e7\u00e3o entre os profissionais, os internados e os parentes. \u201cAntes da pandemia, os enfermeiros n\u00e3o ficavam junto com todos os pacientes durante as visitas. Agora, participamos de todas as conversas\u201d, comenta. E por acompanhar esses di\u00e1logos, os profissionais do CTI Covid-19 t\u00eam se emocionado diariamente com as hist\u00f3rias que escutam, segundo relata Karina.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cA saudade \u00e9 uma coisa subjetiva, mas naquele momento sinto que estou presencialmente na saudade de algu\u00e9m, compartilhando aquela energia.\u201d<\/p><cite>Karina de Oliveira Azzolin<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Uma das situa\u00e7\u00f5es que mais tocou a docente foi quando ela escutou ao lado de uma paciente entubada e em di\u00e1lise um \u00e1udio enviado pelo filho. A grava\u00e7\u00e3o era t\u00e3o longa que a professora chegou a cansar de segurar o telefone. \u201cM\u00e3e, eu te amo muito. Muito, m\u00e3e\u201d, disse ele no final. \u201cEla estava com o olho aberto e prestou muita aten\u00e7\u00e3o. Quando terminou, tentou falar, mesmo entubada\u201d, lembra Karina. Ao questionar \u00e0 paciente se ela queria dizer algo, a mulher balan\u00e7ou positivamente a cabe\u00e7a. \u201cA senhora quer falar que tamb\u00e9m ama ele?\u201d, perguntou a professora. A paciente indicou novamente que sim e sorriu, apesar de estar com o tubo. \u201cNeste momento, pra mim, bah\u2026 Foi triste demais. Ela n\u00e3o conseguiu falar, mas eu traduzi. S\u00e3o coisas que marcam muito\u201d, revela a profissional.<br><br>Integrante da equipe do CTI Covid-19, a enfermeira Miriane Moretti tamb\u00e9m ter\u00e1 videochamadas marcadas na mem\u00f3ria. Em um dos casos, embora tenha comunicado \u00e0 fam\u00edlia que o paciente estava em uma situa\u00e7\u00e3o muito delicada, com risco de morrer, eles pediram para v\u00ea-lo. \u201cMe doeu muito. \u00c9 um paciente com 51 anos, casado e com dois filhos. Meu pai tem a mesma idade\u201d, relembra. No Cl\u00ednicas desde 2016, a profissional diz que, apesar de mais frequentes por causa do coronav\u00edrus, as videochamadas n\u00e3o s\u00e3o novidade. Ela j\u00e1 tinha intermediado uma entre um paciente da cardiologia e a filha que morava em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cIsso j\u00e1 vinha acontecendo, mas n\u00e3o era t\u00e3o falado quanto na pandemia. Agora, h\u00e1 uma valoriza\u00e7\u00e3o dos enfermeiros, que eu espero que se perpetue. As pessoas perceberam que eles s\u00e3o as engrenagens de qualquer institui\u00e7\u00e3o de sa\u00fade.\u201d<\/p><cite>Miriane Moretti<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m profissional da unidade, a fisioterapeuta Taila Piva relata que acompanhou uma videochamada animadora: de uma av\u00f3 que conheceu o netinho rec\u00e9m-nascido. \u201cA gente sempre se emociona junto, n\u00e3o tem como n\u00e3o se colocar no lugar deles, ser tanto paciente quanto fam\u00edlia nesse momento\u201d, conta. A equipe tamb\u00e9m imprimiu fotos e recados enviados pelos parentes para colar nas paredes. \u201cIsso melhora, sobretudo, o humor dos internados, o afeto\u201d, completa Jose Augusto.<\/p>\n\n\n\n<p>Os profissionais tamb\u00e9m organizam b\u00ean\u00e7\u00e3os virtuais a pedido das fam\u00edlias. Karina conta que fala com o padre por WhatsApp para marcar os hor\u00e1rios e, na hora, fica segurando o celular e rezando junto. Na \u00faltima semana, uma familiar solicitou uma b\u00ean\u00e7\u00e3o, e o religioso sugeriu que fosse feita justamente no hor\u00e1rio em que a professora precisava ir para casa acompanhar uma aula online do filho de quatro anos. \u201cMeu marido tinha reuni\u00e3o e tamb\u00e9m n\u00e3o podia. Eu j\u00e1 tinha me comprometido com a fam\u00edlia, mas e se eu marcasse a b\u00ean\u00e7\u00e3o para depois e o paciente viesse a \u00f3bito? Perder uma aula n\u00e3o vai fazer diferen\u00e7a na vida do meu filho, ent\u00e3o confirmei com o padre. S\u00e3o situa\u00e7\u00f5es em que se mistura o lado profissional com o sentimental. N\u00e3o s\u00f3 eu, as pessoas dentro do hospital est\u00e3o mais sensibilizadas, choram mais facilmente. N\u00e3o \u00e9 uma caracter\u00edstica nossa, mas tem sido uma situa\u00e7\u00e3o intensa\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p>Jaqueline conta que s\u00e3o v\u00e1rios os casos em que os profissionais n\u00e3o seguram as l\u00e1grimas. \u201cTeve um casal, os dois com cerca de 70 anos, que veio de manh\u00e3, respirando sozinhos. Internamos eles lado a lado, mas n\u00e3o se enxergavam; tem uma divis\u00f3ria. A senhora estava muito preocupada com o marido, ent\u00e3o, ao meio-dia, colocamos ele numa cadeira de rodas e o levamos \u00e0 frente da cama dela. Neste momento, tamb\u00e9m ligamos para a filha mais velha, por videochamada. Eles conversaram, choraram, e todo mundo chorou junto\u201d, relembra. Ambos acabaram sendo entubados na mesma noite, mas a mulher teve alta tr\u00eas semanas depois. O homem segue internado, com risco de morrer. \u201cTamb\u00e9m nos emocionamos quando um paciente nosso veio a \u00f3bito com minutos de diferen\u00e7a do pai, que estava internado em Lajeado. Temos v\u00e1rios casos graves de coronav\u00edrus na mesma fam\u00edlia\u201d, lamenta.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"articleTOC_1\">Covid-19 criou novo perfil de pacientes graves<\/h3>\n\n\n\n<p>Antes da pandemia, os pacientes que necessitavam de terapia intensiva eram principalmente pessoas com doen\u00e7as cr\u00f4nicas, que passaram por cirurgias de grande porte ou que sofreram ferimentos graves. Com a covid-19, mais um perfil foi acrescentado: s\u00e3o pacientes que n\u00e3o tinham necessariamente doen\u00e7as cr\u00f4nicas e que apresentaram quadros de extrema gravidade inesperadamente. \u201cAtualmente, temos muito pacientes entubados, com ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica e com insufici\u00eancia renal aguda, que precisam de m\u00e9todo dial\u00edtico. Tamb\u00e9m h\u00e1 um paciente em ECMO [oxigena\u00e7\u00e3o por membrana extracorp\u00f3rea, t\u00e9cnica que permite fornecer oxig\u00eanio ao cora\u00e7\u00e3o e ao pulm\u00e3o]. S\u00e3o demandas dif\u00edceis de atender nas UTIs do interior por falta de equipamentos e profissionais especializados\u201d, informa Karina.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m professora da Escola de Enfermagem da UFRGS, Juliana Petri Tavares, que foi deslocada no in\u00edcio da pandemia para trabalhar com Karina no assessoramento da coordena\u00e7\u00e3o do CTI Covid-19, acrescenta que h\u00e1 frequentemente pacientes que precisam ficar em posi\u00e7\u00e3o \u201cprona\u201d, de bru\u00e7os. A manobra permite respirar melhor, mas exige uma equipe multidisciplinar capacitada para realiz\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da gravidade, o n\u00famero de pessoas nessa condi\u00e7\u00e3o tem deixado as jornadas mais intensas na unidade em compara\u00e7\u00e3o com a terapia intensiva tradicional. \u201cN\u00e3o se tem um momento de descanso, a noite inteira ocorrem interna\u00e7\u00f5es, e os pacientes pioram de forma inesperada. O plant\u00e3o se tornou mais demandante f\u00edsica e mentalmente\u201d, afirma Jose Augusto. Outro aspecto que preocupa os profissionais \u00e9 o maior tempo de interna\u00e7\u00e3o dos contaminados com o coronav\u00edrus. Em casos de pneumonia grave, eles t\u00eam ficado de duas a quatro semanas em terapia intensiva no HCPA, tempo maior do que no CTI n\u00e3o covid.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"articleTOC_2\">Hospital ter\u00e1 mais de 700 novos profissionais para enfrentar o v\u00edrus<\/h3>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio da pandemia, o HCPA j\u00e1 contratou mais de 500 trabalhadores tempor\u00e1rios para atuar no enfrentamento ao coronav\u00edrus, o que demandou esfor\u00e7os de sele\u00e7\u00e3o e treinamento. Em andamento, o processo de contrata\u00e7\u00e3o autorizado pela institui\u00e7\u00e3o contempla ao todo 775 novos profissionais. Nesta semana, por exemplo, entraram cerca de 40 novos funcion\u00e1rios por dia no CTI Covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, os processos de acolhimento, capacita\u00e7\u00e3o e acompanhamento tiveram de ser agilizados. \u201cO Cl\u00ednicas \u00e9 um hospital onde as pessoas trabalham h\u00e1 30 anos. Na UTI, a gente tinha a entrada de um enfermeiro e um ou dois t\u00e9cnicos [de enfermagem] por ano, porque as pessoas s\u00f3 saem quando se aposentam ou por causa de uma situa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade. Ent\u00e3o, tinha todo um treinamento que levava dois ou tr\u00eas meses. Agora, tivemos que acelerar, passou para dois ou tr\u00eas dias. E est\u00e1 dando certo\u201d, comemora Karina. Para dar conta das capacita\u00e7\u00f5es, a equipe fez 11 aulas e dois cursos via web para os novos profissionais \u2013 um sobre parada cardiorrespirat\u00f3ria e outro sobre a posi\u00e7\u00e3o \u201cprona\u201d, ambos com conte\u00fado avan\u00e7ado. Caso n\u00e3o tenham experi\u00eancia em terapia intensiva, eles tamb\u00e9m passam pelo m\u00e9todo de simula\u00e7\u00e3o real\u00edstica do Servi\u00e7o de Educa\u00e7\u00e3o em Enfermagem do hospital.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, nenhum assume os cuidados com os pacientes antes de acompanhar por um per\u00edodo a rotina de funcion\u00e1rios antigos, como a enfermeira Jaqueline Haas, que est\u00e1 h\u00e1 13 anos no HCPA. \u201cMesmo com experi\u00eancia, precisam aprender as rotinas do Cl\u00ednicas e da covid-19. As pessoas est\u00e3o ficando menos tempo acompanhados, mas a gente segura se ainda n\u00e3o estiverem capacitados\u201d, garante.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 na hora de fazer as escalas, a professora Juliana explica que os novos contratados s\u00e3o avaliados e direcionados aos pacientes conforme a capacidade de cuidado. Ou seja: quem tem mais experi\u00eancia fica com os internados mais graves.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"articleTOC_3\">Enxurrada de pesquisas fez equipes criarem combina\u00e7\u00f5es di\u00e1rias<\/h3>\n\n\n\n<p>Com estudos cient\u00edficos sobre o coronav\u00edrus sendo publicados massivamente em todos os pa\u00edses do mundo, a equipe do CTI Covid-19 criou protocolos di\u00e1rios sobre a rotina no local. A professora Karina relata que, no in\u00edcio, a adapta\u00e7\u00e3o a essas constantes atualiza\u00e7\u00f5es foi dif\u00edcil para os profissionais. \u201cMas como assim j\u00e1 mudou? At\u00e9 ontem era de outro jeito\u201d, alguns diziam. A solu\u00e7\u00e3o foi criar o \u201cslogan\u201d de que as combina\u00e7\u00f5es ser\u00e3o v\u00e1lidas apenas pelas pr\u00f3ximas 24h. Depois disso, podem mudar.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das profissionais que t\u00eam sido refer\u00eancia aos mais novos, Miriane conta que sempre gostou de colaborar com as capacita\u00e7\u00f5es e organizar as rotinas. \u201cTrabalhar no CTI Covid-19 est\u00e1 sendo mais tenso, mas era um desafio que eu queria viver. \u00c9 tudo muito novo, temos perguntas ainda sem respostas. Ent\u00e3o, cada dia aparece uma novidade que precisa ser discutida e conversada. A rotina de hoje n\u00e3o \u00e9 a mesma de ontem\u201d, conta a enfermeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o volume de novas pesquisas, Jose Augusto comenta que, embora seja positivo ver esse avan\u00e7o r\u00e1pido da ci\u00eancia, h\u00e1 o aspecto negativo de que algumas publica\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o de qualidade.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cEstamos diante de um fen\u00f4meno que n\u00e3o conhec\u00edamos antigamente, que \u00e9 ter de dar aten\u00e7\u00e3o a textos que nem foram publicados ainda. Ent\u00e3o, \u00e0 medida que se multiplicam os estudos na literatura, \u00e9 papel essencial do m\u00e9dico filtrar os bem conduzidos, que podem nortear as nossas condutas, separar daqueles que foram feitos sem os cuidados metodol\u00f3gicos, que podem conduzir a uma resposta err\u00f4nea\u201d<\/p><cite>Jose Augusto Pellegrini<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O m\u00e9dico acrescenta que o pr\u00f3prio HCPA tem participado de estudos colaborativos sobre o coronav\u00edrus com outros centros do Sudeste e pesquisado localmente. \u201cTemos iniciativas do nosso grupo de pesquisa no sentido de identificar o perfil epidemiol\u00f3gico, os fatores de risco e as principais complica\u00e7\u00f5es associadas \u00e0 covid-19\u201d, informa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"articleTOC_4\">Carga mental tem superado a exaust\u00e3o f\u00edsica na unidade<\/h3>\n\n\n\n<p>Os seis profissionais entrevistados para esta reportagem relataram que, al\u00e9m do cansa\u00e7o f\u00edsico, a rotina intensa e din\u00e2mica do CTI Covid-19 tem exigido deles uma carga psicol\u00f3gica grande. \u201cO cansa\u00e7o mental \u00e9 maior do que o f\u00edsico. E n\u00f3s, professores, ainda acumulamos as atividades da Universidade. Sigo avaliando trabalhos e participando de bancas de conclus\u00e3o de curso, al\u00e9m de fazer aulas remotas com alguns residentes. Chego em casa exausta e n\u00e3o tenho conseguido fazer minhas atividades pessoais\u201d, conta Juliana, que passou o anivers\u00e1rio no plant\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Karina, que compartilha a fun\u00e7\u00e3o docente, tamb\u00e9m teve o volume de trabalho aumentado. \u201cTenho ficado no hospital entre 12 e 14 horas por dia, inclusive algumas noites, para poder conversar com todas as equipes. Concomitantemente, sigo com as atividades da faculdade, como a avalia\u00e7\u00e3o e a orienta\u00e7\u00e3o de projetos de pesquisa e de alunos de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica\u201d, afirma. Em casa, ela passou a usar um quarto e um banheiro separados para diminuir o risco de contamina\u00e7\u00e3o do marido e dos filhos, um adolescente e outro de quatro anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Casado com uma m\u00e9dica intensivista que tamb\u00e9m atua no CTI Covid-19 do HCPA, Jose Augusto conta que, al\u00e9m do cansa\u00e7o do casal no trabalho, que ficou mais intenso, eles precisam dar conta do cuidado e das atividades dos filhos de quatro e seis anos. \u201cPrecisamos de energia para conviver com eles, dar aten\u00e7\u00e3o para as brincadeiras\u201d, afirma. Assim como os m\u00e9dicos, a enfermeira Jaqueline tamb\u00e9m tem dividido a energia entre os plant\u00f5es e as atividades com o filho, de 13 anos. \u201cAs lives da escola ele acompanha sozinho, que s\u00e3o para substituir as aulas presenciais, mas tem uma demanda extra de explicar a mat\u00e9ria\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p>A fisioterapeura Taila tamb\u00e9m tem passado mais tempo no hospital e participado de reuni\u00f5es semanais fora do hor\u00e1rio. \u201cO coronav\u00edrus aumentou bastante a nossa carga de trabalho; estamos sempre envolvidos. Al\u00e9m disso, quando eu ligo a TV, est\u00e3o falando da covid-19. Quando vou no mercado, conversam sobre o v\u00edrus. A impress\u00e3o que eu tenho \u00e9 que estou vivendo isso 24h. Tamb\u00e9m passei a ter dificuldade para dormir\u201d, desabafa. J\u00e1 a enfermeira Miriane relata que tem meditado e feito psicoterapia para lidar melhor com o momento exaustivo. \u201cAs psic\u00f3logas do HCPA tamb\u00e9m t\u00eam nos ajudado bastante e prestado atendimento para os profissionais\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra carga psicol\u00f3gica \u00e9 lidar com o medo da contamina\u00e7\u00e3o. H\u00e1 cerca de duas semanas, o HCPA enfrenta casos de profissionais infectados com o coronav\u00edrus. Atualmente, s\u00e3o pelo menos 14. Com isso, todas as rotinas est\u00e3o sendo revisadas e as \u00e1reas de lazer, lanche e vesti\u00e1rio foram ampliadas. \u201cJ\u00e1 est\u00e1vamos com uma pol\u00edtica de sintoma zero, afastando todos os profissionais com sinais gripais. Agora, intensificamos os afastamentos para todos que tiverem tamb\u00e9m cefaleia ou rinite\u201d, explica Karina.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: UFRGS Not\u00edcias<\/p>\n\n\n\n<p>Foto: Fl\u00e1vio Dutra\/JUTAGS:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/famed\/index.php\/component\/tags\/tag\/faculdade-de-medicina\" class=\"\">Faculdade de Medicina<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/famed\/index.php\/component\/tags\/tag\/ufrgs\" class=\"\">UFRGS<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/famed\/index.php\/component\/tags\/tag\/novo-coronavirus\" class=\"\">novo coronavirus<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/famed\/index.php\/component\/tags\/tag\/covid-19\" class=\"\">covid-19<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/famed\/index.php\/component\/tags\/tag\/educacao\" class=\"\">educa\u00e7\u00e3o<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/famed\/index.php\/component\/tags\/tag\/rotina-uti\" class=\"\">rotina UTI<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/famed\/index.php\/component\/tags\/tag\/rotina-de-pacientes-em-estado-grave\" class=\"\">rotina de pacientes em estado grave<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/famed\/index.php\/component\/tags\/tag\/hcpa\" class=\"\">HCPA<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/famed\/index.php\/component\/tags\/tag\/hospital-de-clinicas-de-porto-alegre\" class=\"\">Hospital de Cl\u00ednicas de Porto Alegre<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/famed\/index.php\/component\/tags\/tag\/pacientes-estado-grave\" class=\"\">pacientes estado grave<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/famed\/index.php\/component\/tags\/tag\/internacao-uti\" class=\"\">interna\u00e7\u00e3o UTI<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/famed\/index.php\/component\/tags\/tag\/leitos-de-uti\" class=\"\">leitos de UTI<\/a>,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/famed\/index.php\/component\/tags\/tag\/saude\" class=\"\">sa\u00fade<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":5370,"comment_status":"closed","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[39],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/famed\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/FAMED.jpeg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/famed\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5263"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/famed\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/famed\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/famed\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/famed\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5263"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/famed\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5263\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5266,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/famed\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5263\/revisions\/5266"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/famed\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5370"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/famed\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5263"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/famed\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5263"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/famed\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5263"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}