{"id":429,"date":"2020-09-03T19:50:54","date_gmt":"2020-09-03T22:50:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/farmacologica\/?p=429"},"modified":"2020-11-11T14:33:30","modified_gmt":"2020-11-11T17:33:30","slug":"plasma-convalescente-e-anticorpos-monoclonais-possibilidades-e-desafios-do-sistema-imune","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/farmacologica\/2020\/09\/03\/plasma-convalescente-e-anticorpos-monoclonais-possibilidades-e-desafios-do-sistema-imune\/","title":{"rendered":"Plasma convalescente e anticorpos monoclonais: possibilidades e desafios do sistema imune"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Por Felipe Schroeder Franke <\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando a pandemia chegou aos Estados Unidos, um grupo de cientistas iniciou um movimento de incentivo \u00e0 pesquisa com plasma convalescente como op\u00e7\u00e3o para a COVID-19. O grupo, consciente dos desafios inerentes ao tratamento de uma infec\u00e7\u00e3o viral nova, antevia que o tratamento \u00e0 base do soro de indiv\u00edduos recuperados do SARS-CoV-2 seria uma op\u00e7\u00e3o importante aos desafios do horizonte pand\u00eamico. Investimentos, estudos e ensaios cl\u00ednicos randomizados, defendiam, eram necess\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quase seis meses depois, a import\u00e2ncia dessa mobiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 mais f\u00e1cil de ser compreendida. Terapias \u00e0 base de plasma convalescente (express\u00e3o que descreve a por\u00e7\u00e3o n\u00e3o-celular do sangue de pacientes que tiveram e superaram uma doen\u00e7a ou infec\u00e7\u00e3o) n\u00e3o s\u00e3o novidade, havendo relatos, pelo menos, desde a pandemia de <em>influenza<\/em> de 1918. Esta hist\u00f3ria centen\u00e1ria \u00e9 repleta de experimentos em outros surtos epidemiol\u00f3gicos, como do v\u00edrus ebola, e das pr\u00f3prias epidemias causadas pelos parentes do SARS-CoV-2 (SARS em 2003 e MERS em 2008).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o desafio est\u00e1 justamente a\u00ed: apesar de a t\u00e9cnica do plasma convalescente ser antiga, sua biografia \u00e9 mais caracterizada por ind\u00edcios e sugest\u00f5es de efic\u00e1cia do que de s\u00f3lidas evid\u00eancias a respeito de quando, como e em que situa\u00e7\u00f5es ela pode e deve ser empregada. Embora o plasma convalescente seja, em v\u00e1rios aspectos, uma op\u00e7\u00e3o satisfatoriamente segura, relativamente pr\u00e1tica e extremamente l\u00f3gica, sua aplicabilidade emp\u00edrica ainda exp\u00f5e muitas lacunas, o que gera bastante incerteza \u2014 sobretudo em tempos de urg\u00eancia sanit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por tudo isso, muitos grupos de pesquisa \u2014 como o liderado por Arturo Casadevall nos Estados Unidos \u2014 v\u00eam se dedicando, desde o in\u00edcio da pandemia, a dirimir estas incertezas. No Brasil, um dos primeiros pesquisadores a se mobilizar foi L\u00e9o Sekine, do Hospital de Cl\u00ednicas de Porto Alegre (HCPA). Estes grupos procuram responder as quest\u00f5es fundamentais que embasariam uma terapia formal \u00e0 base de plasma convalescente: qual quadro de COVID-19 que mais se beneficia do plasma: leve, moderado ou severo? Quando o tratamento deve ser iniciado? Como saber se o plasma doado por um sobrevivente \u00e9 apto a combater a infec\u00e7\u00e3o em um determinado indiv\u00edduo? E sobretudo: qual \u00e9 o benef\u00edcio cl\u00ednico dessa terapia?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estas e muitas outras d\u00favidas ainda n\u00e3o permitem que possamos dizer qual \u00e9 a magnitude da ajuda que o plasma convalescente oferece a pacientes da COVID-19. Assim, enquanto s\u00e3o desenvolvidos os ensaios cl\u00ednicos randomizados necess\u00e1rios para que conhe\u00e7amos o papel desta t\u00e9cnica no enfrentamento da pandemia atual, abre-se tamb\u00e9m um segundo caminho \u2014 mais sofisticado, mais caro e menos acess\u00edvel. Trata-se dos anticorpos monoclonais, tecnologia que consiste em isolar anticorpos comprovadamente \u00fateis no combate a uma infec\u00e7\u00e3o e produzi-los em s\u00e9rie para se obter um fluido purificado, denso e altamente eficaz contra determinado pat\u00f3geno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por\u00e9m, assim como o plasma convalescente carrega consigo importantes lacunas acerca de sua efetividade, h\u00e1 importantes desafios no caminho em dire\u00e7\u00e3o aos anticorpos monoclonais. A promessa de efic\u00e1cia vem com custos. Produzir anticorpos em s\u00e9rie representa uma op\u00e7\u00e3o terap\u00eautica muito mais complexa que a transfus\u00e3o de alguns mililitros de plasma, o que faz dela, tamb\u00e9m, uma op\u00e7\u00e3o muito extremamente cara \u2014 e n\u00e3o sem riscos \u00e0 sa\u00fade dos pacientes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma ponte entre o tratamento e a vacina<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A l\u00f3gica por tr\u00e1s do tratamento com plasma convalescente \u00e9 simples e tentadora. Parte-se do princ\u00edpio de que um indiv\u00edduo que foi infectado e superou uma doen\u00e7a como a COVID-19 desenvolveu anticorpos, os quais foram protagonistas no processo de cura. Assim, se formos capazes de transferir os anticorpos de um indiv\u00edduo convalescente (isto \u00e9, curado) para um indiv\u00edduo infectado, este (talvez ainda sem ter conseguido formar seus pr\u00f3prios anticorpos de maneira suficiente ou adequada) ter\u00e1, em teoria, os elementos necess\u00e1rios para combater o pat\u00f3geno que ainda est\u00e1 ativo em seu organismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os anticorpos s\u00e3o estruturas proteicas produzidas por linf\u00f3citos B, c\u00e9lulas centrais da resposta imune adaptativa. Os linf\u00f3citos B s\u00e3o acionados por linf\u00f3citos TCD4+ (tamb\u00e9m chamados <em>helper<\/em>, ou auxiliares), que s\u00e3o os grandes respons\u00e1veis pela coordena\u00e7\u00e3o da resposta adaptativa. Uma vez ativados pelas c\u00e9lulas T, os linf\u00f3citos B (ou <em>plasm\u00f3citos<\/em>, quando acionados) produzem anticorpos espec\u00edficos contra o pat\u00f3geno. Propriamente falando, os anticorpos s\u00e3o ainda mais espec\u00edficos, pois s\u00e3o direcionados contra uma parte espec\u00edfica do pat\u00f3geno, denominada ep\u00edtopo, e n\u00e3o contra \u201ctodo\u201d o pat\u00f3geno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Anticorpos possuem muitas fun\u00e7\u00f5es. Uma das principais recebe o nome de opsoniza\u00e7\u00e3o: os anticorpos, por terem afinidade bioqu\u00edmica com alguma estrutura do pat\u00f3geno (digamos, a prote\u00edna S, localizada na c\u00e1psula externa do coronav\u00edrus), conseguem se fixar no invasor, tornando-o \u201cmais vis\u00edvel\u201d (e portanto mais vulner\u00e1vel) \u00e0s c\u00e9lulas de ataque do sistema imune. Por\u00e9m, alguns anticorpos conseguem atuar de tal maneira sobre o pat\u00f3geno que acabam por inviabiliz\u00e1-lo, levando-o diretamente \u00e0 morte. Estes anticorpos s\u00e3o denominados neutralizantes, e, costumam ser os mais valorizados quando pensamos em uma resposta imune adaptativa bem sucedida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entende-se que, quando um indiv\u00edduo contrai e supera uma infec\u00e7\u00e3o como a causada pelo SARS-CoV-2, seu sistema imune adaptativo atuou de forma efetiva a ponto de atacar e eliminar o invasor. Isso envolve, em primeiro lugar, diversas linhagens de anticorpos: alguns neutralizantes, outros opsonizantes, muitos com diferentes alvos espec\u00edficos no pat\u00f3geno. Essa diversidade de anticorpos recebe o nome de resposta <em>policlonal<\/em>, pois h\u00e1 c\u00f3pias de <em>tipos diferentes<\/em> de anticorpos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas uma resposta efetiva do sistema imune adaptativo tamb\u00e9m envolve a mobiliza\u00e7\u00e3o de muitas c\u00e9lulas. Um importante exemplo s\u00e3o os linf\u00f3citos TCD8+, que, diferentemente dos TCD4+, conseguem atacar diretamente invasores. Essas c\u00e9lulas, por sua vez, se comunicam entre si e com outros componentes do organismo atrav\u00e9s de mol\u00e9culas mediadoras da processos inflamat\u00f3rios (denominadas citocinas). Uma resposta imune bem sucedida, portanto, envolve tanto elementos humorais (anticorpos e mol\u00e9culas sinalizadoras) e como elementos celulares (linf\u00f3citos e outros leuc\u00f3citos).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que a doa\u00e7\u00e3o de plasma convalescente faz, portanto, \u00e9 fornecer uma esp\u00e9cie de \u201capoio imunol\u00f3gico\u201d (trata-se, em termos t\u00e9cnicos, de uma <em>imuniza\u00e7\u00e3o passiva<\/em>). Como cada indiv\u00edduo possui um perfil pr\u00f3prio de imunidade (resultado, entre outras coisas, de gen\u00e9tica, infec\u00e7\u00f5es passadas, comorbidades, medicamentos, sexo, idade e estado nutricional), cada indiv\u00edduo possui um ritmo pr\u00f3prio de rea\u00e7\u00e3o \u00e0s infec\u00e7\u00f5es. Assim, indiv\u00edduos que recebessem um plasma contendo anticorpos j\u00e1 \u201cprontos\u201d teriam, em tese, maior facilidade em lidar com a infec\u00e7\u00e3o, pois n\u00e3o precisariam esperar que o pr\u00f3prio sistema imune enfrentasse o pat\u00f3geno (batalha que sempre pode vir a ser perdida).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de l\u00f3gica, a terapia \u00e0 base de plasma convalescente \u00e9 relativamente simples de ser executada em hospitais terci\u00e1rios. S\u00e3o necess\u00e1rios doadores que se disponham a passar cerca de uma hora no hospital, num procedimento bastante seguro, similar \u00e0 doa\u00e7\u00e3o de plaquetas. O plasma destes doadores convalescentes \u00e9 filtrado por uma m\u00e1quina (chamada <em>af\u00e9rese<\/em>) e acondicionado em bolsas. Este plasma precisa ser testado para infec\u00e7\u00f5es (como HBV ou HIV), e o tipo sangu\u00edneo do doador precisa ser computado para futura checagem de compatibilidade com o receptor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como um todo, o procedimento n\u00e3o \u00e9 caro, nem demorado. O produto final de cada doa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma bolsa de 300 mL de plasma convalescente retirada de cada doador. Cada bolsa \u00e9 usada, em m\u00e9dia, para tratar um paciente, ainda que isso possa variar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Em busca das evid\u00eancias<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a l\u00f3gica subjacente ao plasma convalescente seja bastante convincente, sua hist\u00f3ria carece de evid\u00eancias mais s\u00f3lidas. H\u00e1 muitos relatos desta terapia, desde antes da pandemia de <em>influenza<\/em> em 1918 at\u00e9 recentes epidemias de ebola na \u00c1frica. Na maioria destas situa\u00e7\u00f5es (cada uma com sua particularidade, pois cada pat\u00f3geno gera um tipo de doen\u00e7a seguida de um tipo de rea\u00e7\u00e3o imune), as experi\u00eancias com plasma foram feitas em estudos pequenos, com baixo grau de evid\u00eancia cl\u00ednica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma grande exce\u00e7\u00e3o parece ser a experi\u00eancia com pacientes de febre hemorr\u00e1gica argentina. Esta doen\u00e7a, causada pelo v\u00edrus jun\u00edn, se disseminou na Argentina no final da d\u00e9cada de 1950, com uma taxa de mortalidade que beirava os 30%. Por\u00e9m, quando os pacientes eram tratados precocemente com plasma convalescente, a taxa ca\u00eda drasticamente para 1%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todavia, nos demais casos, como os registrados com a SARS em 2002 e a MERS em 2012, predomina a <em>sugest\u00e3o<\/em> de que o plasma convalescente auxilia os pacientes que o recebem. H\u00e1 bons ind\u00edcios de que a terapia funciona, mas n\u00e3o se sabe, ao certo, o grau em que isso ocorre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A experi\u00eancia acumulada com plasma convalescente em menos de um ano de pandemia por COVID-19 mostrou, at\u00e9 agora, um panorama similar. H\u00e1 abundantes <em>relatos de casos<\/em>, ou seja: estudos que acompanharam o curso cl\u00ednico de grupos pequenos de pacientes de COVID-19 tratados com plasma convalescente. Como exemplo, um <a href=\"https:\/\/jamanetwork.com\/journals\/jama\/fullarticle\/2763983\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"relato publicado no final de mar\u00e7o observou melhora cl\u00ednica em cinco pacientes (abre numa nova aba)\">relato publicado no final de mar\u00e7o observou melhora cl\u00ednica em cinco pacientes<\/a> em quadro cr\u00edtico de COVID-19 tratados com plasma convalescente. Embora relatos assim sejam extremamente importantes, a aus\u00eancia de grupos-controle e o baixo n\u00famero de participantes impedem que sejam tiradas conclus\u00f5es com poder de generaliza\u00e7\u00e3o acerca da interven\u00e7\u00e3o testada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As informa\u00e7\u00f5es de muitos destes relatos j\u00e1 foram condensadas em revis\u00f5es sistem\u00e1ticas e metan\u00e1lises (estudos que compilam e analisam os dados em conjunto, de modo a deduzir uma conclus\u00e3o \u201cmais forte\u201d). Um exemplo recente \u00e9 a <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"metan\u00e1lise  (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/academic.oup.com\/jid\/advance-article\/doi\/10.1093\/infdis\/jiaa509\/5890481\" target=\"_blank\">metan\u00e1lise<\/a> publicada por um grupo de pesquisadores sob a coordena\u00e7\u00e3o de F\u00e1bio Klamt, professor do Departamento de Bioqu\u00edmica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O estudo conclui que o plasma convalescente \u00e9 eficaz na \u201cmelhora cl\u00ednica\u201d de pacientes da COVID-19. Os autores tamb\u00e9m sugerem que o m\u00e9todo \u00e9 essencialmente seguro e que o plasma deve ser usado t\u00e3o cedo quanto poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como um todo, estes estudos sugerem que o plasma convalescente ajuda pacientes de COVID-19, mas h\u00e1 ainda muita d\u00favida sobre a magnitude exata desta ajuda. Embora haja bonitos e inspiradores casos de pacientes em quadro grave que se recuperaram ap\u00f3s receber o plasma, n\u00e3o se conhecem, ainda, os par\u00e2metros que apontem quais s\u00e3o os tipos de pacientes que mais se beneficiam do tratamento, nem quando deve ser iniciado o tratamento. (Embora a l\u00f3gica diga que \u201cquanto mais cedo, melhor\u201d, a l\u00f3gica nem sempre \u00e9 uma aliada da imunologia.)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 necess\u00e1rio, portanto, avan\u00e7ar para terrenos mais seguros. At\u00e9 agosto de 2020, havia somente um ensaio cl\u00ednico randomizado (ECR) sobre plasma convalescente em contexto de COVID-19 publicado nos principais peri\u00f3dicos internacionais. Trata-se de um <a href=\"https:\/\/jamanetwork.com\/journals\/jama\/article-abstract\/2766943\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"ECR conduzido em Wuhan (abre numa nova aba)\">ECR conduzido em Wuhan<\/a>, epicentro da pandemia na China. Embora o estudo fosse bem planejado, ele precisou ser interrompido na metade de sua execu\u00e7\u00e3o por falta de participantes (a meta eram 200, e o estudo foi interrompido com 103 participantes). Os resultados \u2014 parciais, e portanto de baixa relev\u00e2ncia cl\u00ednica \u2014 indicavam leve vantagem para pacientes tratados com plasma convalescente, em oposi\u00e7\u00e3o aos tratados apenas com suporte hospitalar padr\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, est\u00e1 em curso, no Hospital de Cl\u00ednicas de Porto Alegre, um <a href=\"https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/saude\/noticia\/2020\/07\/hospital-de-clinicas-libera-inicio-de-tratamento-com-plasma-em-pacientes-de-coronavirus-ckcozkdr0006z0147ly7b2jvq.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"ensaio cl\u00ednico randomizado (abre numa nova aba)\">ensaio cl\u00ednico randomizado<\/a>. Sob coordena\u00e7\u00e3o do professor L\u00e9o Sekine, o estudo est\u00e1 previsto para ser realizado at\u00e9 meados de 2021. A meta do estudo \u00e9 contar com 160 pacientes, divididos proporcionalmente em dois grupos. Pacientes no grupo de interven\u00e7\u00e3o recebem o plasma convalescente, al\u00e9m do suporte hospitalar convencional. Os participantes do grupo de controle s\u00e3o tratados apenas com o suporte hospitalar convencional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para mensurar o efeito do plasma, os pesquisadores observam quanto tempo cada grupo leva, em m\u00e9dia, para se independizar dos suportes de oxig\u00eanio, bem como o tempo necess\u00e1rio para eventual alta durante 28 dias de acompanhamento.&nbsp;\u201cNo que tange o plasma convalescente, as evid\u00eancias at\u00e9 o momento dispon\u00edveis apontam para uma terapia com relativa baixa incid\u00eancia de eventos adversos e um poss\u00edvel benef\u00edcio, potencialmente na redu\u00e7\u00e3o de gravidade e tempo de dura\u00e7\u00e3o dos sintomas. Contudo, com o conjunto de evid\u00eancias dispon\u00edveis, ainda seria prematuro adot\u00e1-la como terapia de escolha de forma ampla e abrangente\u201d, disse Sekine ao <em>farmacoL\u00d3GICA<\/em>. \u201cOs principais desafios se encontram na disponibilidade de doadores aptos a doar o plasma convalescente e como inserir esta demanda em meio a uma realidade onde os servi\u00e7os de hemoterapia est\u00e3o j\u00e1 sobrecarregados pela demanda transfusional dos pr\u00f3prios pacientes com COVID-19, as demandas usuais de alta complexidade (transplantes e tratamento onco-hematol\u00f3gico), al\u00e9m dos movimentos de retomada de demandas eletivas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Manipulando o plasma<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Parte das dificuldades enfrentadas pelos pesquisadores do plasma convalescente diz respeito aos desafios gerais enfrentados por todas as pesquisas de medicamentos em meio a uma pandemia: nem sempre \u00e9 f\u00e1cil conseguir formar grupos que aceitem n\u00e3o se tratar com uma interven\u00e7\u00e3o que, como sugerido, tenha <em>algum<\/em> grau de ajuda a oferecer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas tamb\u00e9m h\u00e1 particularidades inerentes \u00e0 t\u00e9cnica. Quando uma bolsa de plasma convalescente \u00e9 obtida de um indiv\u00edduo que superou uma infec\u00e7\u00e3o, este plasma \u00e9 analisado em sua composi\u00e7\u00e3o, pois se espera que haja uma quantidade m\u00ednima de anticorpos presentes. Aqui, por\u00e9m, a t\u00e9cnica esbarra na nossa pr\u00f3pria ignor\u00e2ncia da doen\u00e7a: n\u00e3o se sabe ao certo qual \u00e9 a quantidade m\u00ednima (e m\u00e1xima) desejada de anticorpos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos Estados Unidos, recomenda-se uma titula\u00e7\u00e3o m\u00ednima de 1:160, enquanto que a titula\u00e7\u00e3o m\u00ednima exigida a Europa \u00e9 de 1:320. Por\u00e9m, ainda que houvesse um padr\u00e3o de titula\u00e7\u00e3o, esta medida \u00e9 feita atrav\u00e9s de de uma t\u00e9cnica de imunoensaio denominada ELISA (<em>enzyme-linked immunosorbent assay<\/em>), que n\u00e3o \u00e9 universalmente dispon\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais que isso: tamb\u00e9m n\u00e3o se tem certeza de quais s\u00e3o os anticorpos presentes no plasma convalescente que ter\u00e3o o melhor efeito antiviral, sobretudo em um segundo organismo ainda lutando contra a doen\u00e7a. A t\u00edtulo de exemplo, a incerteza acerca da composi\u00e7\u00e3o do plasma foi um desafio presente no uso de plasma convalescente no tratamento do ebola, o que contribuiu para d\u00favidas quanto \u00e0 real efic\u00e1cia da t\u00e9cnica no contexto dessa doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pelo menos algumas dessas dificuldades poderiam ser, em teoria, superadas com a tecnologia dos anticorpos monoclonais. Os anticorpos monoclonais (express\u00e3o que denota uma quantidade grande de c\u00f3pias de uma mesma linhagem clonal de um tipo de anticorpo) representam uma etapa adiante do plasma convalescente, atrav\u00e9s da qual \u00e9 poss\u00edvel extrair e expandir os elementos mais eficazes do plasma, transformando-o em um f\u00e1rmaco potencialmente muito mais potente e efetivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em si, a l\u00f3gica da tecnologia \u00e9 simples: consiste em identificar e isolar os anticorpos sabidamente mais eficazes contra determinado pat\u00f3geno, e posteriormente manipular c\u00e9lulas em laborat\u00f3rio para produzir tais anticorpos. Fazendo isso, seria poss\u00edvel criar um produto com maior controle da qualidade e da quantidade de anticorpos, o que seria um tratamento potencialmente mais eficaz e que dispensaria a necessidade de doadores de plasma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa simplicidade, por\u00e9m, depende de conhecimentos e procedimentos nada elementares. Em primeiro lugar, \u00e9 necess\u00e1rio conhecer, com exatid\u00e3o, quais s\u00e3o os anticorpos importantes no combate a determinada infec\u00e7\u00e3o. At\u00e9 o momento, entende-se que os anticorpos direcionados contra a prote\u00edna S, do exterior do SARS-CoV-2, sejam os respons\u00e1veis pela neutraliza\u00e7\u00e3o do v\u00edrus. Por\u00e9m, h\u00e1 distintas subunidades proteicas desta estrutura, de modo que h\u00e1 mais de um tipo de anticorpo com afinidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A subunidade S1 da prote\u00edna S (que recebe essa nome da palavra <em>spike, <\/em>ou espinho) se liga \u00e0 enzima conversora de angiotensina 2 (ECA2), presente na superf\u00edcie de c\u00e9lulas humanas. J\u00e1 a subunidade S2 medeia a fus\u00e3o entre a c\u00e9lula e o v\u00edrus, ap\u00f3s a liga\u00e7\u00e3o da por\u00e7\u00e3o S1 \u00e0 ECA2. Portanto, \u00e9 poss\u00edvel que uma combina\u00e7\u00e3o de diferentes anticorpos seja necess\u00e1ria para produzir um soro hiperimune realmente eficaz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em segundo lugar, h\u00e1 o custo, e aqui os mundos come\u00e7am se distanciar. Enquanto o plasma convalescente consiste em uma t\u00e9cnica relativamente simples, que a grande maioria dos hospitais terci\u00e1rios pode aplicar, sem necessidade de patentes ou autoriza\u00e7\u00f5es legais, os anticorpos monoclonais s\u00e3o um artefato criado a partir de tecnologias extremamente avan\u00e7adas e pouco acess\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em outras palavras, os anticorpos monoclonais s\u00e3o f\u00e1rmacos caros e complexos, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 t\u00e9cnica mais democr\u00e1tica e facilmente reproduz\u00edvel do plasma convalescente. Como tais, est\u00e3o sujeitos a legisla\u00e7\u00f5es e normas de patentes, sendo que a maioria dos laborat\u00f3rios que det\u00eam essa tecnologia est\u00e3o localizados na Am\u00e9rica do Norte, na Europa e no Jap\u00e3o. Em um sinal da complexidade do empreendimento, duas empresas optaram por liderar um esfor\u00e7o coletivo, batizado <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"CoVIg-19 Plasma Alliance (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/www.covig-19plasmaalliance.org\/en-us#recruitment\" target=\"_blank\">CoVIg-19 Plasma Alliance<\/a>, que tem como objetivo a elabora\u00e7\u00e3o conjunta de um mesmo fluido hiperimune de globulina para a COVID-19.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim como no caso do plasma convalescente, tamb\u00e9m aqui h\u00e1 ensaios cl\u00ednicos randomizados em curso, e alguns resultados s\u00e3o esperados a partir de setembro de 2020. Conv\u00e9m ter em mente que, nestas pesquisas, entram em jogo todos os pr\u00e9-requisitos do desenvolvimento de um novo f\u00e1rmaco. Faz-se necess\u00e1rio, antes de mais nada, avaliar a seguran\u00e7a dos anticorpos monoclonais, que carregam consigo o risco extra do fen\u00f4meno paradoxal conhecido como <em>antibody-dependent enhancement<\/em>. Nestes eventos, os anticorpos, ao inv\u00e9s de ajudarem a neutralizar o pat\u00f3geno, acabam por maximizar seu potencial infectivo. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Enquanto a vacina n\u00e3o chega<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 certo consenso de que o melhor tratamento perante um v\u00edrus \u00e9 uma boa vacina. No entanto, as estimativas s\u00e3o de que n\u00e3o haja uma vacina segura, efetiva e dispon\u00edvel em massa contra o SARS-CoV-2 antes de meados de 2020. Assim, em que pese o lento avan\u00e7o da imunidade nas popula\u00e7\u00f5es, tratamentos seguros e eficazes se far\u00e3o necess\u00e1rios at\u00e9 l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste cen\u00e1rio, o plasma convalescente e os anticorpos monoclonais ocupam um mesmo lado da l\u00f3gica da pesquisa, ainda que, no mundo real, acabem distantes entre si. Trata-se de op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas que n\u00e3o se anulam, e que inclusive podem vir a ser \u00fateis ap\u00f3s a chegada das vacinas: basta ter em mente que h\u00e1 indiv\u00edduos refrat\u00e1rios a vacinas, como \u00e0s vezes ocorre com pacientes idosos, e nesses casos persistir\u00e1 a demanda por tratamentos. Todavia, as diferen\u00e7as de custo e acessibilidade s\u00e3o brutais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma alternativa intermedi\u00e1ria entre ambos pode vir de um ramo n\u00e3o t\u00e3o distante da pesquisa em imunologia: trata-se das terapias \u00e0 base de soros hiperimunes de origem n\u00e3o-humana. Sob coordena\u00e7\u00e3o de Jerson Lima Silva, pesquisadores do Instituto de Bioqu\u00edmica M\u00e9dica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"obtiveram potentes anticorpos anti-SARS-CoV-2 depois de inocular a prote\u00edna S em cavalos (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/saude\/noticia\/2020-08\/soros-produzidos-por-cavalos-tem-anticorpos-potentes-para-covid-19\" target=\"_blank\">obtiveram potentes anticorpos anti-SARS-CoV-2 depois de inocular a prote\u00edna S em cavalos<\/a>. Os dados iniciais apontam que estes anticorpos equinos seriam at\u00e9 100 vezes mais potentes que sua vers\u00e3o humana. Agora, \u00e9 necess\u00e1rio testar se a efic\u00e1cia laboratorial se traduz em seguran\u00e7a e efetividade cl\u00ednica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, na mesma medida em que avan\u00e7a nosso conhecimento sobre a COVID-19, \u00e9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m avan\u00e7ar sobre o papel destes tratamentos num cen\u00e1rio duradouro de pandemia. Com pouco mais de um semestre de COVID-19 nos Estados Unidos, fala-se em dezenas de milhares de pacientes tratados com plasma convalescente \u2014 sem, todavia, que se saiba, com algum grau de confian\u00e7a, qual o grau dessa ajuda. Cr\u00edticos da situa\u00e7\u00e3o apontam que j\u00e1 dever\u00edamos ter essa resposta. Espera-se que ensaios cl\u00ednicos randomizados, como o em curso no HCPA, possam ajudar a trilhar esse caminho.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fontes:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S1201971220305427\">A potentially effective treatment for COVID-19: A systematic review and meta-analysis of convalescent plasma therapy in treating severe infectious disease<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/jamanetwork.com\/journals\/jama\/fullarticle\/2766940\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"A Randomized Trial of Convalescent Plasma for COVID-19\u2014Potentially Hopeful Signals (abre numa nova aba)\">A Randomized Trial of Convalescent Plasma for COVID-19\u2014Potentially Hopeful Signals<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.wsj.com\/articles\/antibody-drugs-advancing-to-fill-covid-19-treatment-gap-11598175001?mod=hp_lead_pos2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Antibody Drugs Advancing to Fill Covid-19 Treatment Gap (abre numa nova aba)\">Antibody Drugs Advancing to Fill Covid-19 Treatment Gap<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/d41586-020-02360-y?utm_source=Nature+Briefing&amp;utm_campaign=c1e7586db6-briefing-dy-20200812&amp;utm_medium=email&amp;utm_term=0_c9dfd39373-c1e7586db6-43273669\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Antibody therapies could be a bridge to a coronavirus vaccine \u2014 but will the world benefit? (abre numa nova aba)\">Antibody therapies could be a bridge to a coronavirus vaccine \u2014 but will the world benefit?<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2020\/08\/04\/health\/trump-plasma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"As Trump Praises Plasma, Researchers Struggle to Finish Critical Studies (abre numa nova aba)\">As Trump Praises Plasma, Researchers Struggle to Finish Critical Studies<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/jid\/advance-article\/doi\/10.1093\/infdis\/jiaa509\/5890481\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Convalescent Plasma Therapy on Patients with Severe or Life-Threatening COVID-19: A Metadata Analysis (abre numa nova aba)\">Convalescent Plasma Therapy on Patients with Severe or Life-Threatening COVID-19: A Metadata Analysis<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Convalescent serum lines up as first-choice treatment for coronavirus (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/d41587-020-00011-1\" target=\"_blank\">Convalescent serum lines up as first-choice treatment for coronavirus<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.covig-19plasmaalliance.org\/en-us#recruitment\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"CoVIg-19 Plasma Alliance (abre numa nova aba)\">CoVIg-19 Plasma Alliance<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/jamanetwork.com\/journals\/jama\/article-abstract\/2766943\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Effect of Convalescent Plasma Therapy on Time to Clinical Improvement in Patients With Severe and Life-threatening COVID-19 - A Randomized Clinical Trial (abre numa nova aba)\">Effect of Convalescent Plasma Therapy on Time to Clinical Improvement in Patients With Severe and Life-threatening COVID-19 &#8211; A Randomized Clinical Trial<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.nejm.org\/doi\/full\/10.1056\/NEJMc1609116\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Efficacy of Convalescent Plasma in Relation to Dose of Ebola Virus Antibodies (abre numa nova aba)\">Efficacy of Convalescent Plasma in Relation to Dose of Ebola Virus Antibodies<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/coronavirus\/base\/grupo-de-pesquisadores-da-ufrgs-mostra-em-artigo-a-eficacia-do-uso-do-plasma-convalescente-no-tratamento-de-pacientes-com-covid-19\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Grupo de pesquisadores da UFRGS mostra, em artigo, a efic\u00e1cia do uso do plasma convalescente no tratamento de pacientes com covid-19 (abre numa nova aba)\">Grupo de pesquisadores da UFRGS mostra, em artigo, a efic\u00e1cia do uso do plasma convalescente no tratamento de pacientes com covid-19<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/d41586-020-00895-8\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"How blood from coronavirus survivors might save lives (abre numa nova aba)\">How blood from coronavirus survivors might save lives<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/saude\/noticia\/2020\/07\/hospital-de-clinicas-libera-inicio-de-tratamento-com-plasma-em-pacientes-de-coronavirus-ckcozkdr0006z0147ly7b2jvq.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Hospital de Cl\u00ednicas libera in\u00edcio de tratamento com plasma em pacientes de coronav\u00edrus (abre numa nova aba)\">Hospital de Cl\u00ednicas libera in\u00edcio de tratamento com plasma em pacientes de coronav\u00edrus<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.wired.com\/story\/97000-people-got-convalescent-plasma-who-knows-if-it-works\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"97,000 People Got Convalescent Plasma. Who Knows if It Works? (abre numa nova aba)\">97,000 People Got Convalescent Plasma. Who Knows if It Works?<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41577-020-0365-7\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Passive antibody therapy in COVID-19 (abre numa nova aba)\">Passive antibody therapy in COVID-19<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/saude\/noticia\/2020-08\/soros-produzidos-por-cavalos-tem-anticorpos-potentes-para-covid-19\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Soros produzidos por cavalos t\u00eam anticorpos potentes para covid-19 (abre numa nova aba)\">Soros produzidos por cavalos t\u00eam anticorpos potentes para covid-19<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.medscape.com\/viewarticle\/935812?src=soc_tw_200818_mscpedt_news_mdscp_plasma&amp;faf=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Study Hints, Can't Prove, Survivor Plasma Fights COVID-19 (abre numa nova aba)\">Study Hints, Can&#8217;t Prove, Survivor Plasma Fights COVID-19<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2020\/08\/05\/magazine\/covid-drug-wars-doctors.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"The Covid Drug Wars That Pitted Doctor vs. Doctor (abre numa nova aba)\">The Covid Drug Wars That Pitted Doctor vs. Doctor<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/jamanetwork.com\/journals\/jama\/fullarticle\/2763983\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Treatment of 5 Critically Ill Patients With COVID-19 With Convalescent Plasma (abre numa nova aba)\">Treatment of 5 Critically Ill Patients With COVID-19 With Convalescent Plasma<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/ciencia\/uma-chance-para-a-vida-pesquisa-da-ufrgs-analisa-tratamento-com-plasma-convalescente\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"Uma chance para a vida: pesquisa da UFRGS analisa tratamento com plasma convalescente (abre numa nova aba)\">Uma chance para a vida: pesquisa da UFRGS analisa tratamento com plasma convalescente<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.medscape.com\/viewarticle\/936203?src=soc_tw_200824_mscpedt_news_mdscp_plasma&amp;faf=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"U.S. FDA Authorizes Use of Blood Plasma to Treat Coronavirus (abre numa nova aba)\">U.S. FDA Authorizes Use of Blood Plasma to Treat Coronavirus<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Felipe Schroeder Franke Quando a pandemia chegou aos Estados Unidos, um grupo de cientistas iniciou um movimento de incentivo \u00e0 pesquisa com plasma convalescente como op\u00e7\u00e3o para a COVID-19. O grupo, consciente dos desafios inerentes ao tratamento de uma infec\u00e7\u00e3o viral nova, antevia que o tratamento \u00e0 base do soro de indiv\u00edduos recuperados do SARS-CoV-2 seria uma op\u00e7\u00e3o importante aos desafios do horizonte pand\u00eamico. Investimentos, estudos e ensaios cl\u00ednicos randomizados, defendiam, eram necess\u00e1rios. Quase seis meses depois, a import\u00e2ncia dessa mobiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 mais f\u00e1cil de ser compreendida. Terapias \u00e0 base de plasma convalescente (express\u00e3o que descreve a por\u00e7\u00e3o n\u00e3o-celular [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":430,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-429","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/farmacologica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/429","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/farmacologica\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/farmacologica\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/farmacologica\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/farmacologica\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=429"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/farmacologica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/429\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":441,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/farmacologica\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/429\/revisions\/441"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/farmacologica\/wp-json\/wp\/v2\/media\/430"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/farmacologica\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=429"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/farmacologica\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=429"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/farmacologica\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=429"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}