{"id":443,"date":"2020-11-25T14:33:16","date_gmt":"2020-11-25T17:33:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/farmacologica\/?p=443"},"modified":"2022-01-24T10:41:03","modified_gmt":"2022-01-24T13:41:03","slug":"anti-inflamatorios-acao-farmacologica-sobre-um-dos-fenomenos-mais-complexos-do-corpo-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/farmacologica\/2020\/11\/25\/anti-inflamatorios-acao-farmacologica-sobre-um-dos-fenomenos-mais-complexos-do-corpo-humano\/","title":{"rendered":"Anti-inflamat\u00f3rios: a\u00e7\u00e3o farmacol\u00f3gica sobre um dos fen\u00f4menos mais complexos do corpo humano"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Por Felipe Schroeder Franke<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Suponhamos que voc\u00ea esteja se sentindo resfriada ou resfriado. Ontem, os espirros come\u00e7aram ao longo do dia, ao que se sucedeu um quadro de dor de garganta e febre ao entardecer. O cansa\u00e7o \u00e9 grande, de modo que voc\u00ea vai dormir mais cedo que o normal e acorda hoje em situa\u00e7\u00e3o similar: a febre persiste com fadiga corporal e um desconforto geral que amea\u00e7a prejudicar suas atividades di\u00e1rias. J\u00e1 com um pouco de preocupa\u00e7\u00e3o e de olho na pandemia, procura ent\u00e3o atendimento m\u00e9dico, onde faz o teste para COVID-19, que resulta negativo. Ap\u00f3s o exame f\u00edsico, no qual n\u00e3o se constata qualquer sinal de infec\u00e7\u00e3o bacteriana (o que justificaria um antibi\u00f3tico), voc\u00ea volta para casa com o diagn\u00f3stico de uma virose e com indica\u00e7\u00e3o de descanso, ingest\u00e3o de muita \u00e1gua, alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel \u2014 e a prescri\u00e7\u00e3o de um anti-inflamat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"> Esse cen\u00e1rio imaginado descreve uma situa\u00e7\u00e3o extremamente recorrente em postos de sa\u00fade ou consult\u00f3rios de otorrinolaringologia, e \u00e9 bastante prov\u00e1vel que voc\u00ea j\u00e1 tenha passado por algo similar alguma vez na vida. Na grande maioria dos casos, o que est\u00e1 havendo \u00e9 uma infec\u00e7\u00e3o viral indeterminada, quase sempre autolimitada e muito pouco amea\u00e7adora. De fato, o conceito um tanto famigerado de virose, que culturalmente conota ignor\u00e2ncia m\u00e9dica, justamente indica que, nessas situa\u00e7\u00f5es, nem \u00e9 necess\u00e1rio identificar qual \u00e9 o v\u00edrus envolvido. Assim, tirando casos em que coexistem condi\u00e7\u00f5es importantes (como uma doen\u00e7a pulmonar pr\u00e9via ou um tratamento oncol\u00f3gico concomitante), o tratamento se resume a descanso, hidrata\u00e7\u00e3o e alimenta\u00e7\u00e3o, ou seja: deixar o corpo lidar sozinho com a infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 nesse momento que entram em cena os anti-inflamat\u00f3rios \u2014 e, com eles, uma curiosa ironia. Clinicamente falando, tomamos anti-inflamat\u00f3rios em uma situa\u00e7\u00e3o assim com o objetivo de nos sentirmos melhor: temos como meta a redu\u00e7\u00e3o do desconforto corporal e da febre, para que n\u00e3o nos sintamos t\u00e3o abatidos e, assim, consigamos at\u00e9 mesmo cumprir com alguns dos nossos compromissos do dia. H\u00e1 tamb\u00e9m certo efeito placebo envolvido: na nossa sociedade, o ato de \u201ctomar um rem\u00e9dio\u201d est\u00e1 psicologicamente relacionado \u00e0 cren\u00e7a de que estamos sendo cuidados, o que comprovadamente melhora nossa rea\u00e7\u00e3o frente a uma doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ironicamente, por\u00e9m, o que os anti-inflamat\u00f3rios fazem \u00e9 justamente atenuar os mecanismos fisiol\u00f3gicos respons\u00e1veis por superar uma infec\u00e7\u00e3o. Genericamente, esses mecanismos residem sob o amplo e antigo conceito de \u201cinflama\u00e7\u00e3o\u201d e est\u00e3o relacionados a todo e qualquer processo de rea\u00e7\u00e3o imunol\u00f3gica a uma infec\u00e7\u00e3o. A rea\u00e7\u00e3o inflamat\u00f3ria da resposta imune mobiliza um arsenal de c\u00e9lulas e mol\u00e9culas para combater o organismo invasor, e parte dessa mobiliza\u00e7\u00e3o redunda na febre, no cansa\u00e7o e na fadiga que sentimos quando ficamos resfriados. Tomamos anti-inflamat\u00f3rios, portanto, para reduzir essa rea\u00e7\u00e3o imunol\u00f3gica de tal maneira que n\u00e3o anule nossa rea\u00e7\u00e3o imunol\u00f3gica e, ao mesmo tempo, nos fa\u00e7a sentir menos os efeitos desagrad\u00e1veis da inflama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a inflama\u00e7\u00e3o, se \u00e9 famosa pelos anti-inflamat\u00f3rios das viroses, vai muito al\u00e9m da resposta imunol\u00f3gica a infec\u00e7\u00f5es. Existem exemplos h\u00e1 muito conhecidos, como os mecanismos inflamat\u00f3rios que est\u00e3o intimamente relacionados com as doen\u00e7as autoimunes (como l\u00fapus ou artrite reumatoide), bem como os processos inflamat\u00f3rios subjacentes ao desenvolvimento de doen\u00e7as altamente prevalentes (como hipertens\u00e3o arterial sist\u00eamica e diabetes <em>mellitus<\/em>). Atualmente, sabe-se tamb\u00e9m que a inflama\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionada ao processo de surgimento de muitos tumores e, mais modernamente, evid\u00eancias crescentemente sustentam o papel da inflama\u00e7\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas (como epilepsia e doen\u00e7a de Alzheimer), neuropsiqui\u00e1tricas (como depress\u00e3o e transtornos de ansiedade) e metab\u00f3licas (com especial destaque para obesidade). <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><em>Fisiologia da inflama\u00e7\u00e3o: c\u00e9lulas e mol\u00e9culas, vasos e tecidos<\/em><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aquilo que chamamos genericamente de \u201cinflama\u00e7\u00e3o\u201d descreve um complexo arranjo de mecanismos que s\u00e3o respons\u00e1veis por manter a integridade do organismo. Do ponto de vista te\u00f3rico, um organismo \u201csem inflama\u00e7\u00e3o\u201d implicaria uma situa\u00e7\u00e3o em que n\u00e3o h\u00e1 nenhum tipo de dano, amea\u00e7a ou dist\u00farbio fisiol\u00f3gico em curso, de modo que todas as fun\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas (como fluxo sangu\u00edneo, digest\u00e3o de alimentos, trocas gasosas e sinapses cerebrais) ocorreriam de modo ideal. Os mecanismos de inflama\u00e7\u00e3o entram ent\u00e3o em cena no caso de ocorrer qualquer perturba\u00e7\u00e3o nessa harmonia, o que pode se dar por est\u00edmulos externos (como uma infec\u00e7\u00e3o ou um trauma) ou internos (como o crescimento de um tumor ou doen\u00e7as autoimunes).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os processos inflamat\u00f3rios s\u00e3o mediados, essencialmente, por c\u00e9lulas e mol\u00e9culas. As c\u00e9lulas envolvidas nestes processos s\u00e3o as c\u00e9lulas do sistema imune, denominadas leuc\u00f3citos (\u201cc\u00e9lulas brancas\u201d, devido ao seu car\u00e1ter opaco na microscopia e em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s hem\u00e1cias, que s\u00e3o marcadamente vermelhas). Alguns dos principais leuc\u00f3citos s\u00e3o os macr\u00f3fagos (respons\u00e1veis por literalmente comer e mastigar corpos estranhos), neutr\u00f3filos (encarregados de uma a\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e altamente destrutiva, como uma esp\u00e9cie de bomba explosiva), as c\u00e9lulas <em>natural killer<\/em> (capazes de detectar e atacar c\u00e9lulas tumorais) e os muitos subtipos de linf\u00f3citos (protagonistas da resposta adaptativa e do estabelecimento de imunidade).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todo o trabalho dos leuc\u00f3citos, por sua vez, \u00e9 realizado, direta ou indiretamente, atrav\u00e9s de mol\u00e9culas de sinaliza\u00e7\u00e3o. Essas mol\u00e9culas (denominadas citocinas \u2014 literalmente, \u201cmovimentadoras das c\u00e9lulas\u201d) podem ser produzidas pelos pr\u00f3prios leuc\u00f3citos ou por tecidos e \u00f3rg\u00e3os do corpo humano e t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de comunicar, orientar e executar as a\u00e7\u00f5es do sistema imunol\u00f3gico. As citocinas podem ser genericamente divididas entre aquelas que possuem atividade pr\u00f3-inflamat\u00f3ria (como a interleucina 2, o fator de necrose tumoral ou o interferon \u03b3) e as que atuam com efeito anti-inflamat\u00f3rio (como a interleucina 10 e o fator de transforma\u00e7\u00e3o do crescimento \u03b2). Estas citocinas atuam sobre c\u00e9lulas, tecidos e \u00f3rg\u00e3os, controlando a express\u00e3o de outros compostos (como as prostaglandinas) e causando altera\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas (como a prolifera\u00e7\u00e3o de vasos sangu\u00edneos).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Juntos, leuc\u00f3citos e citocinas coordenam nossos mecanismos inflamat\u00f3rios. No caso de uma infec\u00e7\u00e3o, leuc\u00f3citos s\u00e3o mobilizados e, atrav\u00e9s de citocinas pr\u00f3-inflamat\u00f3rias, provocam processos fisiol\u00f3gicos com o objetivo de controlar e superar a infec\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m do ataque aos organismos invasores, a inflama\u00e7\u00e3o gera importantes altera\u00e7\u00f5es no corpo, como o aumento da temperatura corporal e a dilata\u00e7\u00e3o dos vasos sangu\u00edneos, o que facilita o trabalho das c\u00e9lulas de defesa e justamente gera os conhecidos sintomas (febre, cansa\u00e7o e dor). Uma vez superada a infec\u00e7\u00e3o, a atividade dos leuc\u00f3citos volta ao normal, e os n\u00edveis de citocinas pr\u00f3-inflamat\u00f3rias s\u00e3o reduzidos. Isso cessa&nbsp; a atividade inflamat\u00f3ria, e assim voltamos a nos sentir bem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processos similares ocorrem nas outras linhas de atua\u00e7\u00e3o do sistema imunol\u00f3gico. No caso de um trauma (como um corte na m\u00e3o causado por uma faca na cozinha), os agentes inflamat\u00f3rios entram em cena para conter os danos: o incha\u00e7o, o calor e a vermelhid\u00e3o que rapidamente sentimos ap\u00f3s o corte s\u00e3o reflexo da a\u00e7\u00e3o de leuc\u00f3citos e citocinas atuando para conter o sangramento, minimizar a exposi\u00e7\u00e3o do corpo a corpos estranhos e \u201climpar\u201d o ferimento para que os tecidos lesados possam se regenerar o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Al\u00e9m de cortes e acidentes, outra fun\u00e7\u00e3o primordial do sistema imune \u00e9 controlar o crescimento desenfreado de c\u00e9lulas mutantes com potencial de transforma\u00e7\u00e3o tumoral; neste processo, as citocinas anti-inflamat\u00f3rias s\u00e3o fundamentais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De um ponto de vista ideal, esses mecanismos inflamat\u00f3rios seriam ativados somente quando houvesse algum tipo de dano ou amea\u00e7a, e de fato \u00e9 isso que ocorre na maioria das vezes. No entanto, h\u00e1 importantes exce\u00e7\u00f5es em que a inflama\u00e7\u00e3o sai de controle e atinge n\u00edveis muito altos ou se mant\u00e9m permanentemente elevada. Isso pode ocorrer durante uma infec\u00e7\u00e3o de dif\u00edcil controle, como se d\u00e1 em alguns casos graves de COVID-19, e tamb\u00e9m ocorre no caso de doen\u00e7as autoimunes (nas quais o sistema imune percebe uma parte do pr\u00f3prio corpo como estranha e passa a atac\u00e1-la).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A complexidade dos processos inflamat\u00f3rios \u00e9 um dos grandes incentivadores de pesquisas na \u00e1rea biom\u00e9dica, e os estudos v\u00eam fornecendo fartas evid\u00eancias de que processos inflamat\u00f3rios s\u00e3o subjacentes ao surgimento ou desenvolvimento de muitas doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o t\u00e3o obviamente relacionadas ao sistema imune. Hoje, sabe-se que condi\u00e7\u00f5es como hipertens\u00e3o arterial sist\u00eamica, diabetes <em>mellitus<\/em>, obesidade e ansiedade possuem um componente inflamat\u00f3rio, o que aumenta em muito o escopo da import\u00e2ncia da inflama\u00e7\u00e3o no corpo humano e na promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade. Ainda assim, se por um lado dispomos de um vasto arsenal de f\u00e1rmacos com a\u00e7\u00e3o anti-inflamat\u00f3ria, por outro tamb\u00e9m sabemos que o controle de processos inflamat\u00f3rios n\u00e3o \u00e9 tarefa simples. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><em>Classes de f\u00e1rmacos com atividade anti-inflamat\u00f3ria<\/em><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A vastid\u00e3o do significado biol\u00f3gico dos processos inflamat\u00f3rios repercute nas op\u00e7\u00f5es medicamentosas com propriedades anti-inflamat\u00f3rias. H\u00e1 desde f\u00e1rmacos rotineiros, simples, antigos, baratos e populares, at\u00e9 compostos extremamente modernos, espec\u00edficos, caros, complexos e controlados. Sua import\u00e2ncia cl\u00ednica tamb\u00e9m varia bastante: enquanto alguns anti-inflamat\u00f3rios podem ser utilizados em diversas situa\u00e7\u00f5es (desde infec\u00e7\u00f5es at\u00e9 doen\u00e7as autoimunes), outros s\u00e3o altamente orientados (como em alguns tumores ou casos de transplante de \u00f3rg\u00e3os). Em ess\u00eancia, todavia, qualquer f\u00e1rmaco com propriedade anti-inflamat\u00f3ria ir\u00e1, por defini\u00e7\u00e3o, agir em alguma etapa ou fator da cascata inflamat\u00f3ria, e com isso modular a inflama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um bom exemplo para entender a complexidade e diversidade dos anti-inflamat\u00f3rios \u00e9 o \u00e1cido acetilsalic\u00edlico (AAS). Esse f\u00e1rmaco (tamb\u00e9m chamado culturalmente de aspirina) atua sobre duas enzimas centrais da resposta inflamat\u00f3ria: as ciclo-oxigenases 1 e 2 (COX-1 e COX-2, como s\u00e3o abreviadas). Essas enzimas, presentes em muitas c\u00e9lulas do nosso corpo, reagem ao est\u00edmulo pr\u00f3-inflamat\u00f3rio das citocinas e sintetizam mais mol\u00e9culas com poder inflamat\u00f3rio, entre as quais se destacam as prostaglandinas e os tromboxanos. Por\u00e9m, diferentemente das citocinas (que s\u00e3o comunicadores inflamat\u00f3rios que viajam no sangue), as prostaglandinas e tromboxanos atuam localmente na resposta inflamat\u00f3ria, promovendo uma s\u00e9rie de altera\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas (como aumento do fluxo sangu\u00edneo, da temperatura e da sensa\u00e7\u00e3o de dor).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vez ingerido, o AAS viaja pela corrente sangu\u00ednea e atinge nossas c\u00e9lulas, nas quais inibe as enzimas COX-1 e COX-2. Isso provoca uma redu\u00e7\u00e3o das prostaglandinas e tromboxanos celulares, resultando em uma diminui\u00e7\u00e3o dos efeitos locais provocados pelas citocinas. Sua capacidade de interagir com ambas as enzimas faz dele um f\u00e1rmaco extremamente vers\u00e1til, cujos efeitos variam de acordo com a dose utilizada. Em doses baixas, o AAS possui uma a\u00e7\u00e3o essencialmente antiplaquet\u00e1ria (ou seja, atua na tarefa de impedir a forma\u00e7\u00e3o de trombos e, com isso, pode prevenir eventos tromb\u00f3ticos, como infarto do mioc\u00e1rdio); em doses intermedi\u00e1rias, seu efeito se torna analg\u00e9sico e antit\u00e9rmico; por fim, em doses altas, ele passa a atuar tamb\u00e9m como um anti-inflamat\u00f3rio. Essa pluralidade de efeitos explicita a complexidade dos mecanismos inflamat\u00f3rios e sua rela\u00e7\u00e3o com processos fisiol\u00f3gicos essenciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro exemplo rotineiro \u00e9 o ibuprofeno. Enquanto o AAS possui uma a\u00e7\u00e3o preferencial sobre a COX-1, o ibuprofeno atua de modo gen\u00e9rico sobre ambas as enzimas. O resultado disso \u00e9 que o efeito antiplaquet\u00e1rio do AAS (resultado da inibi\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel da COX-1) n\u00e3o \u00e9 obtido pelo ibuprofeno. Por outro lado, o bloqueio da COX-2 promovido pelo ibuprofeno faz dele um potente f\u00e1rmaco anti-inflamat\u00f3rio, e portanto muito utilizado em infec\u00e7\u00f5es ou traumas. De modo similar, o paracetamol \u2014 extremamente popular e muito utilizado para quadros virais leves ou cefaleias simples \u2014 tamb\u00e9m atua sobre a via das COX, embora de tal maneira que praticamente n\u00e3o possui efeito anti-inflamat\u00f3rio, sendo portanto essencialmente empregado como analg\u00e9sico e antit\u00e9rmico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de AAS e ibuprofeno, que possuem muitas similaridades farmacol\u00f3gicas, um important\u00edssimo grupo de anti-inflamat\u00f3rios s\u00e3o os corticoides. Estes f\u00e1rmacos s\u00e3o compostos de esteroides bioquimicamente aparentados ao cortisol, um dos horm\u00f4nios mais fundamentais do corpo humano. Tal como o cortisol, os corticoides atuam sobre receptores celulares que controlam a transcri\u00e7\u00e3o de genes e, com isso, modulam in\u00fameras a\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas que v\u00e3o desde a prolifera\u00e7\u00e3o celular at\u00e9 altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas. Entre os muitos efeitos dos corticoides est\u00e1 sua ampla a\u00e7\u00e3o anti-inflamat\u00f3ria, decorrente da supress\u00e3o da atividade de c\u00e9lulas de defesa e da redu\u00e7\u00e3o da resposta inflamat\u00f3ria, o que faz dele uma alternativa eficaz em casos de infec\u00e7\u00f5es e doen\u00e7as autoimunes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As duas classes cl\u00e1ssicas de f\u00e1rmacos com propriedades anti-inflamat\u00f3rias s\u00e3o, justamente, os esteroides (ou corticoides) e os anti-inflamat\u00f3rios n\u00e3o-esteroides (ou AINES, como s\u00e3o comumente chamados). Por\u00e9m, a pesquisa da fisiopatologia dos processos inflamat\u00f3rios promoveu impressionantes revolu\u00e7\u00f5es nas \u00faltimas d\u00e9cadas, descobrindo novos medicamentos e mudando radicalmente o curso de doen\u00e7as inflamat\u00f3rias, em especial doen\u00e7as autoimunes. O que h\u00e1 em comum entre estes novos f\u00e1rmacos \u00e9 sua crescente complexidade e especificidade. Enquanto AINES e corticoides possuem a\u00e7\u00e3o anti-inflamat\u00f3ria gen\u00e9rica, estes novos f\u00e1rmacos atuam de modo marcadamente mais orientado na cascata inflamat\u00f3ria, como \u00e9 o caso do tocilizumab (um inibidor da interleucina 6, que \u00e9 uma potente citocina pr\u00f3-inflamat\u00f3ria).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A alt\u00edssima especificidade de f\u00e1rmacos como o tocilizumab se justifica. Algumas doen\u00e7as complexas e cr\u00f4nicas podem n\u00e3o ser bem controladas com anti-inflamat\u00f3rios gen\u00e9ricos como o ibuprofeno, pois seus efeitos s\u00e3o imprecisos e, a longo prazo, potencialmente delet\u00e9rios. Assim, quando pensamos em doen\u00e7as que acompanham a vida dos pacientes, fazem-se bem-vindas alternativas que consigam atuar da maneira mais espec\u00edfica poss\u00edvel sobre a origem do dist\u00farbio inflamat\u00f3rio, minimizando os efeitos colaterais indesejados dos anti-inflamat\u00f3rios tradicionais. O tocilizumab, no caso, \u00e9 uma boa op\u00e7\u00e3o para pacientes com artrite reumatoide, doen\u00e7a autoimune cr\u00f4nica marcada por n\u00edveis elevados de interleucina 6.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><em>Evid\u00eancias sobre o uso de glicocorticoides na COVID-19<\/em><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em que pesem as dificuldades e perdas impostas pela pandemia, a COVID-19 n\u00e3o deixa de ser bom caso de estudo das rela\u00e7\u00f5es entre infec\u00e7\u00f5es e anti-inflamat\u00f3rios. Ao longo de 2020, muitos tratamentos foram propostos e testados, mas pouqu\u00edssimos se comprovaram eficazes. Talvez o f\u00e1rmaco mais promissor do primeiro ano de pandemia seja a dexametasona, um antigo anti-inflamat\u00f3rio esteroide, cujo uso em quadros graves causados pelo SARS-CoV-2 mostrou-se vantajoso em alguns estudos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que fundamenta a hip\u00f3tese de prescri\u00e7\u00e3o de um corticoide em um quadro grave de COVID-19 \u00e9 o entendimento de que os casos complicados t\u00eam como principal mecanismo patol\u00f3gico a exacerba\u00e7\u00e3o do processo inflamat\u00f3rio. Esses casos s\u00e3o marcados por uma infec\u00e7\u00e3o persistente que foge ao controle do sistema imune, que passa a promover um quadro sist\u00eamico de inflama\u00e7\u00e3o generalizada. De acordo com o entendimento atual neste curto espa\u00e7o de tempo de conviv\u00eancia com o SARS-CoV-2, \u00e9 esta inflama\u00e7\u00e3o descontrolada (muitas vezes descrita pelo po\u00e9tico, conquanto contestado, conceito da \u201ctempestade de citocinas\u201d) a respons\u00e1vel pela maior morbidade e mortalidade dos casos graves de COVID-19.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 neste cen\u00e1rio que atuaria a dexametasona. Diferentemente do caso de uma simples virose em que podemos lan\u00e7ar m\u00e3o de um ibuprofeno para luxuosamente nos sentirmos melhor, a inflama\u00e7\u00e3o nos casos graves de COVID-19 \u00e9 altamente delet\u00e9ria, inviabilizando tecidos e provocando perda de fun\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os como pulm\u00e3o e rins. A dexametasona possui a habilidade de reduzir essa inflama\u00e7\u00e3o generalizada ao se ligar aos receptores corticoides das c\u00e9lulas, controlando assim fatores de transcri\u00e7\u00e3o e induzindo um quadro de imunossupress\u00e3o. Isso envolveria uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es, entre as quais se destacam a redu\u00e7\u00e3o dos leuc\u00f3citos circulantes, a queda das citocinas pr\u00f3-inflamat\u00f3rias (com a consequente baixa das prostaglandinas) e tamb\u00e9m o aumento da interleucina 10, uma potente citocina anti-inflamat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dexametasona j\u00e1 havia sido proposta como tratamento para as condi\u00e7\u00f5es irm\u00e3s da COVID-19 (SARS e MERS), embora sem dados conclusivos. Na pandemia atual, o estudo RECOVERY forneceu evid\u00eancias de que o uso de corticoide \u00e9 ben\u00e9fico em casos graves de infec\u00e7\u00e3o por SARS-CoV-2 ao mostrar que a mortalidade de pacientes j\u00e1 em suporte ventilat\u00f3rio ca\u00eda em um ter\u00e7o. O fato de que pacientes em quadros leves n\u00e3o foram beneficiados pela dexametasona permite raciocinar, pelo menos teoricamente, que a a\u00e7\u00e3o anti-inflamat\u00f3ria s\u00f3 \u00e9 \u00fatil na COVID-19 quando a infec\u00e7\u00e3o sai de controle \u2014 e que, enquanto o corpo ainda est\u00e1 combatendo o v\u00edrus de modo eficaz, o efeito anti-inflamat\u00f3rio n\u00e3o \u00e9 ben\u00e9fico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m da dexametasona, o tocilizumab \u2014 que, como vimos, \u00e9 um f\u00e1rmaco de atividade anti-inflamat\u00f3ria altamente espec\u00edfica por inibi\u00e7\u00e3o da interleucina 6 \u2014 tamb\u00e9m foi estudado na COVID-19. Partindo da hip\u00f3tese de que a tempestade de citocinas \u00e9 um eixo central da patog\u00eanese dos quadros graves de COVID-19 e unindo isso ao fato de que a interleucina 6 desempenha, pelo menos em teoria, um papel importante neste desbalan\u00e7o inflamat\u00f3rio, testou-se o tocilizumab. Dados preliminares fornecidos pelo estudo internacional REMAP-CAP sugerem que o tocilizumab estaria associado a redu\u00e7\u00e3o de mortalidade e de tempo de interna\u00e7\u00e3o nas unidades de tratamento intensivo, embora mais evid\u00eancias ainda sejam necess\u00e1rias para determinar o papel deste f\u00e1rmaco \u2014 ademais caro e menos acess\u00edvel que a dexametasona \u2014 nos quadros de COVID-19.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><em>A inflama\u00e7\u00e3o como horizonte de entendimento do processo de sa\u00fade-doen\u00e7a<\/em><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O reconhecimento de mecanismos inflamat\u00f3rios em condi\u00e7\u00f5es que v\u00e3o muito al\u00e9m de infec\u00e7\u00f5es ou autoimunidades sugere um papel protagonista dos agentes de modula\u00e7\u00e3o da inflama\u00e7\u00e3o no nosso horizonte de entendimento do processo sa\u00fade-doen\u00e7a. Mais que isso, o fato de a inflama\u00e7\u00e3o ser uma resposta frente a amea\u00e7as permite a interpreta\u00e7\u00e3o de que algumas doen\u00e7as cr\u00f4nicas podem envolver algum tipo de dist\u00farbio no nosso processo de reconhecimento dos inimigos e dos perigos. Evolutivamente, poder\u00edamos estar trilhando um estilo de vida potencialmente incompat\u00edvel com o que nosso organismo considera uma homeostase saud\u00e1vel e segura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso se traduz farmacologicamente. Em alguns aspectos, as estatinas \u2014 f\u00e1rmacos empregados para reduzir a quantidade de colesterol no sangue \u2014 podem ser vistas como compostos anti-inflamat\u00f3rios, uma vez que o colesterol, em excesso, exerce propriedades inflamat\u00f3rias. Racioc\u00ednio similar poderia ser feito com os hipoglicemiantes, que, ao reduzir a glicose circulante em pacientes diab\u00e9ticos, contribuem para uma redu\u00e7\u00e3o do estado inflamat\u00f3rio induzido pela hiperglicemia. At\u00e9 mesmo algumas doen\u00e7as psiqui\u00e1tricas, como transtornos de ansiedade, est\u00e3o relacionadas a estados permanentes de t\u00eanue inflama\u00e7\u00e3o, de modo que ansiol\u00edticos nos ajudariam a reduzir o estresse inflamat\u00f3rio causado pelo tensionamento mental e corporal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda assim, isso n\u00e3o significa que todas essas condi\u00e7\u00f5es relacionadas a processos inflamat\u00f3rios possam necessariamente ser manejadas com anti-inflamat\u00f3rios. H\u00e1 ind\u00edcios, por exemplo, de que a doen\u00e7a de Alzheimer est\u00e1 relacionada a n\u00edveis elevados de citocinas no sistema nervoso central \u2014&nbsp; o que todavia n\u00e3o prova que a mera administra\u00e7\u00e3o permanente de um anfi-inflamat\u00f3rio controlaria a progress\u00e3o dessa condi\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, os casos de doen\u00e7as cr\u00f4nicas tratadas a longo prazo com anti-inflamat\u00f3rios demonstraram os riscos envolvidos nesta abordagem terap\u00eautica, que, dependendo da situa\u00e7\u00e3o, pode conduzir a quadros como insufici\u00eancia hep\u00e1tica e queda dos n\u00edveis das c\u00e9lulas sangu\u00edneas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Justamente por sua onipresen\u00e7a, a cascata da inflama\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno complexo, composto por in\u00fameros elementos e processos, e a altera\u00e7\u00e3o de um \u00fanico componente pode ter efeito sin\u00e9rgico sobre o todo. Os anti-inflamat\u00f3rios s\u00e3o aliados revolucion\u00e1rios neste processo, mas, como ocorre com os outros f\u00e1rmacos, devem ser usados com racionalidade e preferencialmente sob orienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fontes:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/ni.3798\">A current view on inflammation<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41577-020-00421-x\">After 62 years of regulating immunity, dexamethasone meets COVID-19<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC3752337\/\">Anti-inflammatory Agents: Present and Future<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.covid19treatmentguidelines.nih.gov\/immune-based-therapy\/immunomodulators\/corticosteroids\/\">Corticosteroids \u2014 NIH COVID-19 Treatment Guidelines<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/jamanetwork.com\/journals\/jama\/fullarticle\/2770275\">Corticosteroids in COVID-19 ARDS Evidence and Hope During the Pandemic<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.nejm.org\/doi\/full\/10.1056\/NEJMoa2021436\">Dexamethasone in Hospitalized Patients with Covid-19 \u2014 Preliminary Report<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.pharmaceutical-journal.com\/news-and-analysis\/news\/early-trial-results-suggest-tocilizumab-significantly-improves-outcomes-for-critically-ill-covid-19-patients\/20208570.article?firstPass=false\">Early trial results suggest tocilizumab significantly improves outcomes for critically ill COVID-19 patients<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.frontiersin.org\/articles\/10.3389\/fphys.2018.01741\/full\">Editorial: The Physiology of Inflammation\u2014The Final Common Pathway to Disease<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.nejm.org\/doi\/full\/10.1056\/NEJMoa2028836\">Efficacy of Tocilizumab in Patients Hospitalized with Covid-19<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.health.harvard.edu\/staying-healthy\/foods-that-fight-inflammation\">Foods that fight inflammation<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.frontiersin.org\/articles\/10.3389\/fmed.2018.00316\/full\">Inflammation \u2014 Nature&#8217;s Way to Efficiently Respond to All Types of Challenges: Implications for Understanding and Managing \u201cthe Epidemic\u201d of Chronic Diseases<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC3887148\/\">Inflammation and Alzheimer\u2019s disease<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC6214864\/\">Inflammation as a central mechanism in Alzheimer&#8217;s disease<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC5805548\/\">Inflammatory responses and inflammation-associated diseases in organs<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC3011108\/\">Natural anti-inflammatory agents for pain relief<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/nature07201\">Origin and physiological roles of inflammation<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s00134-020-06223-y\">The ten reasons why corticosteroid therapy reduces mortality in severe COVID-19<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.who.int\/publications\/i\/item\/the-use-of-non-steroidal-anti-inflammatory-drugs-(nsaids)-in-patients-with-covid-19\">The use of non-steroidal anti-inflammatory drugs (NSAIDs) in patients with COVID-19<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/lanrhe\/article\/PIIS2665-9913(20)30173-9\/fulltext\">Tocilizumab in patients with severe COVID-19: a retrospective cohort study<\/a><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Felipe Schroeder Franke Suponhamos que voc\u00ea esteja se sentindo resfriada ou resfriado. 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