Litoral

A região fisiográfica dos Campos Litorâneos corresponde à unidade geomorfológica da Planície Costeira. Esta formação se estende desde Torres (Brasil) até La Coronilla (Uruguai) e no Rio Grande do Sul, apresenta as escarpas do Planalto Meridional na região norte e as bordas dos Planalto Sul-rio-grandense na região centro-oeste. A Planície apresenta principalmente Planossolos na regiões planas ou onduladas e Neossolos em faixas de restinga.
Os Campos Litorâneos apresentam altitudes inferiores a 50 m e sequências de ambientes fluvio-marinhos paralelos ao mar com cordão de dunas, banhados, lagoas, matas de restinga e campos arenosos. O solo, por sofrer forte influência marinha, costuma ter alta salinidade. Sendo arenoso e pouco estruturado, é pobre e facilmente encharcado. A vegetação campestre é composta principalmente por espécies herbáceas estoloníferas e/ou rizomatosas que cobrem densamente o solo. Ao longo da faixa de vegetação campestre, as gramíneas costumam ocorrer em áreas de solo mais seco e as ciperáceas, de solo mais úmido (mal drenado). Devido à diversidade de condições físicas presente nessa região, existem entre as formações campestres, manchas de vegetação arbustiva e arbórea (mata de restinga, mata paludosa, butiazal).
A mata de restinga é formada principalmente por espécies que migraram para a região costeira e que têm como característica principal a capacidade de estabelecimento em áreas de solos pobres, como as dunas marítimas. Essas formações criam barreiras de proteção contra o vento, que é um fator abiótico muito importante para a modificação do relevo e para o estabelecimento de espécies na região. Além disso, as matas de restinga tendem a facilitar a drenagem do solo e são importantes para a fauna endêmica e migratória. Ao norte do RS, pode-se encontrar áreas de butiazais, formadas por grandes comunidades de Butia capitata e, ao sul, áreas de mata paludosa. Áreas de banhados e lagoas presentes entre as dunas frontais e marítimas costumam conter espécies como o maricá (Mimosa bimucronata) nos banhados, sarandi (Cephalanthus glabratus) e juncus (Scirpus californicus) nas lagoas.
Os Campos Litorâneos apresentam poucas espécies endêmicas devido à idade jovem da formação geológica da Planície Costeira e à alta taxa de migração de espécies de áreas próximas (principalmente por dispersão anemocórica). Torres (RS) é um importante canal de migração destas espécies. Muitos animais vivem nessa região do Estado. Tuco-tucos, Morcegos e incríveis mamíferos marinhos como os Leões-marinhos, Elefantes-marinhos, Golfinhos, Orcas, Cachalotes e outros animais. As principais atividades econômica nos campos litorâneos são a pecuária em pastagens naturais e a rizicultura. Atualmente, o cultivo de soja também cresce na região.

 

Referências Bibliográficas:

BONILHA, Camila Leal. Campos da planície costeira: avaliação da estrutura e atributos funcionais em áreas com diferentes históricos e distúrbio. 2013.

BRACK, Paulo. Vegetação e paisagem do litoral norte do Rio Grande do Sul: patrimônio desconhecido e ameaçado. ENCONTRO SOCIOAMBIENTAL DO LITORAL NORTE DO RS, v. 2, p. 46-71, 2006.

CARNEIRO, A. M. et al. Cactos do Rio Grande do Sul. Porto Alegre. Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. 227p, 2016.

SANTOS, Robson et al. Florística e estrutura do componete arbustivo-arbóreo de mata de restinga arenosa no Parque Estadual de Itapeva, Rio Grande do Sul. Revista Árvore, v. 36, n. 6, 2012.

 

Autora: Rafaella Marchioretto
Revisor: Filipe Ferreira

Este projeto procurará proporcionar a todos os cidadãos interessados informações de qualidade referentes as espécies da fauna do Rio Grande do Sul.