{"id":11798,"date":"2019-06-10T17:48:37","date_gmt":"2019-06-10T20:48:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/?p=11798"},"modified":"2019-06-12T17:49:22","modified_gmt":"2019-06-12T20:49:22","slug":"estudo-revela-perfil-socioeconomico-de-refugiados-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/estudo-revela-perfil-socioeconomico-de-refugiados-no-brasil\/","title":{"rendered":"Estudo revela perfil socioecon\u00f4mico de refugiados no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>A Ag\u00eancia da ONU para Refugiados (ACNUR) e a C\u00e1tedra S\u00e9rgio Vieira de Melo (CSVM) lan\u00e7aram no final de maio o estudo <em>Perfil socioecon\u00f4mico dos refugiados no Brasil: subs\u00eddios para elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas<\/em>. A pesquisa, que contou com a participa\u00e7\u00e3o do N\u00facleo de estudos, pesquisa e extens\u00e3o sobre migra\u00e7\u00f5es (Nepemigra) e da CSVM UFRGS, surge como um marco na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento tanto sobre o ref\u00fagio no Brasil quanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 integra\u00e7\u00e3o social, educacional e econ\u00f4mica de uma popula\u00e7\u00e3o que se encontra em situa\u00e7\u00e3o de alta vulnerabilidade.<\/p>\n<p>O trabalho de campo foi realizado entre os dias 13 de junho de 2018 e 20 de fevereiro de 2019, per\u00edodo em que foram entrevistadas cerca de 500 pessoas refugiadas reconhecidas pelo Comit\u00ea Nacional para Refugiados (CONARE) que residem atualmente no Brasil, a fim de analisar vari\u00e1veis sociodemogr\u00e1ficas e laborais. O levantamento, realizado em 14 cidades distribu\u00eddas em 8 unidades da federa\u00e7\u00e3o, resultou em um relat\u00f3rio que apresenta dados a respeito de escolaridade, perfil laboral, integra\u00e7\u00e3o social, obst\u00e1culos \u00e0 integra\u00e7\u00e3o e perspectivas futuras da popula\u00e7\u00e3o pesquisada.<\/p>\n<p>O estudo aponta que os refugiados demonstraram capital lingu\u00edstico e capital escolar considerados acima da m\u00e9dia brasileira geral e muito acima da m\u00e9dia em rela\u00e7\u00e3o a da popula\u00e7\u00e3o brasileira negra e parda. Contudo, a pesquisa tamb\u00e9m indica que essa condi\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 sendo traduzida em capital econ\u00f4mico, sob a forma de emprego e renda, visto que quase 80% dos entrevistados apresentam renda familiar mensal inferior a 3 mil reais, sendo que 95 deles t\u00eam renda inferior a mil reais por m\u00eas em seu domic\u00edlio. Al\u00e9m disso, mais de 90% das pessoas que responderam sobre sua condi\u00e7\u00e3o de resid\u00eancia afirmaram que est\u00e3o vivendo em moradias alugadas.<\/p>\n<p>Ao considerar o uso das habilidades profissionais no mercado de trabalho, a pesquisa tamb\u00e9m revela o fen\u00f4meno de desclassifica\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica a que s\u00e3o submetidos refugiados e imigrantes em geral. Esse fen\u00f4meno, que indica queda no status socioecon\u00f4mico dos sujeitos envolvidos, pode ser observado pelo fato de os refugiados entrevistados n\u00e3o estarem conseguindo utilizar suas compet\u00eancias profissionais nos atuais trabalhos. M\u00faltiplas raz\u00f5es podem ser respons\u00e1veis por esse resultado, como a falta de oportunidades e de informa\u00e7\u00f5es ou a dificuldade que a grande maioria dos refugiados encontra para revalidar seus diplomas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_11802\" aria-describedby=\"caption-attachment-11802\" style=\"width: 424px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/escolaridade.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-11802\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/escolaridade.png\" alt=\"\" width=\"424\" height=\"451\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-11802\" class=\"wp-caption-text\">Gr\u00e1fico do resumo executivo da pesquisa<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_11803\" aria-describedby=\"caption-attachment-11803\" style=\"width: 426px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/renda.png\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-11803\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/renda.png\" alt=\"\" width=\"426\" height=\"377\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/renda.png 907w, https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/renda-300x265.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/renda-768x679.png 768w\" sizes=\"(max-width: 426px) 100vw, 426px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-11803\" class=\"wp-caption-text\">Gr\u00e1fico do resumo executivo da pesquisa<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Saiba mais detalhes sobre o perfil socioecon\u00f4mico dos refugiados no Brasil acessando o <a href=\"https:\/\/www.acnur.org\/portugues\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Resumo-Executivo-Versa%CC%83o-Online.pdf\">resumo executivo da pesquisa<\/a> publicado na p\u00e1gina da ACNUR.<\/p>\n<p><strong><br \/>\nSobre a C\u00e1tedra S\u00e9rgio Vieira de Melo<\/strong><\/p>\n<p>Desde 2003, o ACNUR implementa a C\u00e1tedra S\u00e9rgio Vieira de Mello em coopera\u00e7\u00e3o com centros universit\u00e1rios nacionais e com o Comit\u00ea Nacional para Refugiados (CONARE). A CSVM visa difundir o ensino universit\u00e1rio, a pesquisa e a extens\u00e3o acad\u00eamica sobre temas relacionados ao ref\u00fagio, promover a forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e a capacita\u00e7\u00e3o de professores e estudantes, al\u00e9m de apoiar diretamente refugiados em projetos comunit\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>Sobre refugiados no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com os dados do CONARE, do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, at\u00e9 o fim de 2018, o Brasil j\u00e1 havia reconhecido mais de 10 mil refugiados provenientes de 105 pa\u00edses, como S\u00edria, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Col\u00f4mbia, Palestina e Paquist\u00e3o. O reconhecimento como refugiado \u00e9 fundamentado por situa\u00e7\u00f5es de fundado temor, persegui\u00e7\u00e3o relacionada a ra\u00e7a, religi\u00e3o, nacionalidade, pertencimento a determinado grupo social ou opini\u00e3o pol\u00edtica. Destes, cerca de 5 mil continuam no pa\u00eds na condi\u00e7\u00e3o de refugiados, sendo que 52% moram em S\u00e3o Paulo, 17% no Rio de Janeiro e 8% no Paran\u00e1. Atualmente, a popula\u00e7\u00e3o s\u00edria representa 35% da popula\u00e7\u00e3o refugiada com registro ativo no Brasil.<\/p>\n<p>Para obter mais informa\u00e7\u00f5es, entre em contato com a professora Ver\u00f4nica Korber Gon\u00e7alves, que coordena a C\u00e1tedra S\u00e9rgio Vieira de Melo na UFRGS, pelo e-mail <a href=\"mailto:veronica.goncalves@ufrgs.br\">veronica.goncalves@ufrgs.br<\/a>.<\/p>\n<p>Foto: ACNUR\/L. Leite<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Ag\u00eancia da ONU para Refugiados (ACNUR) e a C\u00e1tedra S\u00e9rgio Vieira de Melo (CSVM) lan\u00e7aram no final de maio o estudo Perfil socioecon\u00f4mico dos refugiados no Brasil: subs\u00eddios para elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas. A pesquisa, que contou com a participa\u00e7\u00e3o do N\u00facleo de estudos, pesquisa e extens\u00e3o sobre migra\u00e7\u00f5es (Nepemigra) e da CSVM UFRGS, surge como um marco na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento tanto sobre o ref\u00fagio no Brasil quanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 integra\u00e7\u00e3o social, educacional e econ\u00f4mica de uma popula\u00e7\u00e3o que se encontra em situa\u00e7\u00e3o de alta vulnerabilidade. O trabalho de campo foi realizado entre os dias 13 de junho de 2018 e 20 de fevereiro de 2019, per\u00edodo em que foram entrevistadas cerca de 500 pessoas refugiadas reconhecidas pelo Comit\u00ea Nacional para Refugiados (CONARE) que residem atualmente no Brasil, a fim de analisar vari\u00e1veis sociodemogr\u00e1ficas e laborais. O levantamento, realizado em 14 cidades distribu\u00eddas em 8 unidades da federa\u00e7\u00e3o, resultou em um relat\u00f3rio que apresenta dados a respeito de escolaridade, perfil laboral, integra\u00e7\u00e3o social, obst\u00e1culos \u00e0 integra\u00e7\u00e3o e perspectivas futuras da popula\u00e7\u00e3o pesquisada. O estudo aponta que os refugiados demonstraram capital lingu\u00edstico e capital escolar considerados acima da m\u00e9dia brasileira geral e muito acima da m\u00e9dia em rela\u00e7\u00e3o a da popula\u00e7\u00e3o brasileira negra e parda. Contudo, a pesquisa tamb\u00e9m indica que essa condi\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 sendo traduzida em capital econ\u00f4mico, sob a forma de emprego e renda, visto que quase 80% dos entrevistados apresentam renda familiar mensal inferior a 3 mil reais, sendo que 95 deles t\u00eam renda inferior a mil reais por m\u00eas em seu domic\u00edlio. Al\u00e9m disso, mais de 90% das pessoas que responderam sobre sua condi\u00e7\u00e3o de resid\u00eancia afirmaram que est\u00e3o vivendo em moradias alugadas. Ao considerar o uso das habilidades profissionais no mercado de trabalho, a pesquisa tamb\u00e9m revela o fen\u00f4meno de desclassifica\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica a que s\u00e3o submetidos refugiados e imigrantes em geral. Esse fen\u00f4meno, que indica queda no status socioecon\u00f4mico dos sujeitos envolvidos, pode ser observado pelo fato de os refugiados entrevistados n\u00e3o estarem conseguindo utilizar suas compet\u00eancias profissionais nos atuais trabalhos. M\u00faltiplas raz\u00f5es podem ser respons\u00e1veis por esse resultado, como a falta de oportunidades e de informa\u00e7\u00f5es ou a dificuldade que a grande maioria dos refugiados encontra para revalidar seus diplomas. &nbsp; &nbsp; Saiba mais detalhes sobre o perfil socioecon\u00f4mico dos refugiados no Brasil acessando o resumo executivo da pesquisa publicado na p\u00e1gina da ACNUR. Sobre a C\u00e1tedra S\u00e9rgio Vieira de Melo Desde 2003, o ACNUR implementa a C\u00e1tedra S\u00e9rgio Vieira de Mello em coopera\u00e7\u00e3o com centros universit\u00e1rios nacionais e com o Comit\u00ea Nacional para Refugiados (CONARE). A CSVM visa difundir o ensino universit\u00e1rio, a pesquisa e a extens\u00e3o acad\u00eamica sobre temas relacionados ao ref\u00fagio, promover a forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e a capacita\u00e7\u00e3o de professores e estudantes, al\u00e9m de apoiar diretamente refugiados em projetos comunit\u00e1rios. Sobre refugiados no Brasil De acordo com os dados do CONARE, do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, at\u00e9 o fim de 2018, o Brasil j\u00e1 havia reconhecido mais de 10 mil refugiados provenientes de 105 pa\u00edses, como S\u00edria, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Col\u00f4mbia, Palestina e Paquist\u00e3o. O reconhecimento como refugiado \u00e9 fundamentado por situa\u00e7\u00f5es de fundado temor, persegui\u00e7\u00e3o relacionada a ra\u00e7a, religi\u00e3o, nacionalidade, pertencimento a determinado grupo social ou opini\u00e3o pol\u00edtica. Destes, cerca de 5 mil continuam no pa\u00eds na condi\u00e7\u00e3o de refugiados, sendo que 52% moram em S\u00e3o Paulo, 17% no Rio de Janeiro e 8% no Paran\u00e1. Atualmente, a popula\u00e7\u00e3o s\u00edria representa 35% da popula\u00e7\u00e3o refugiada com registro ativo no Brasil. Para obter mais informa\u00e7\u00f5es, entre em contato com a professora Ver\u00f4nica Korber Gon\u00e7alves, que coordena a C\u00e1tedra S\u00e9rgio Vieira de Melo na UFRGS, pelo e-mail veronica.goncalves@ufrgs.br. Foto: ACNUR\/L. Leite<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11807,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[21,4,410],"tags":[],"class_list":["post-11798","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-boletim","category-noticias","category-pesquisa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11798","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11798"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11798\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11807"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11798"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11798"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11798"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}