{"id":14494,"date":"2019-12-06T17:56:41","date_gmt":"2019-12-06T20:56:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/?p=14494"},"modified":"2019-12-10T18:02:52","modified_gmt":"2019-12-10T21:02:52","slug":"no-mundo-inteiro-reina-a-perplexidade-com-o-que-esta-acontecendo-no-brasil-alerta-paulo-nogueira-batista-jr","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/no-mundo-inteiro-reina-a-perplexidade-com-o-que-esta-acontecendo-no-brasil-alerta-paulo-nogueira-batista-jr\/","title":{"rendered":"\u201cNo mundo inteiro reina a perplexidade com o que est\u00e1 acontecendo no Brasil\u201d, alerta Paulo Nogueira Batista Jr."},"content":{"rendered":"<p>Em palestra de lan\u00e7amento do livro <em>O Brasil n\u00e3o cabe no quintal de ningu\u00e9m<\/em>, o economista Paulo Nogueira Batista Jr. narrou ao p\u00fablico os bastidores de parte das experi\u00eancias vividas junto ao FMI e aos Brics, de 2007 a 2017. Ao falar sobre nacionalismo, economia, pol\u00edtica e soberania nacional, salientou o tom de perplexidade com que a comunidade internacional tem enxergado o Brasil recentemente: \u201cPara os estrangeiros, o Brasil est\u00e1 irreconhec\u00edvel. Um pa\u00eds que sempre irradiou di\u00e1logo e abertura est\u00e1 agora tomado por uma onda de obscurantismo\u201d, pontuou. A atividade aconteceu na tarde do dia 4 de dezembro, no audit\u00f3rio da Faculdade.<\/p>\n<p>Para o economista, o fato de o Brasil ser um dos cinco pa\u00edses que fazem parte das listas dos dez maiores territ\u00f3rios, das dez maiores popula\u00e7\u00f5es e das dez maiores economias, garante o poder de n\u00e3o se alinhar pol\u00edtica e economicamente a outras na\u00e7\u00f5es. E, segundo Nogueira Batista, o Brasil tem se engajado demasiadamente em pautas ben\u00e9ficas aos Estados Unidos, sem defender seus pr\u00f3prios interesses \u2013 o que chamou de \u201centreguismo quase sem disfarces\u201d.<\/p>\n<p>Como justificativa, o economista listou uma <a href=\"https:\/\/epocanegocios.globo.com\/Brasil\/noticia\/2019\/10\/serie-de-concessoes-feitas-pelo-brasil-aos-eua-em-troca-de-apoio-entrada-na-ocde.html\">s\u00e9rie de concess\u00f5es<\/a> do governo brasileiro aos Estados Unidos, na expectativa de uma indica\u00e7\u00e3o para a OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico). Entre as medidas, destacou a prorroga\u00e7\u00e3o da isen\u00e7\u00e3o da tarifa de 20% sobre a importa\u00e7\u00e3o de etanol americano, a isen\u00e7\u00e3o de vistos para turistas estadunidenses sem reciprocidade para brasileiros e a ren\u00fancia brasileira ao status de pa\u00eds em desenvolvimento nas negocia\u00e7\u00f5es junto \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC). Os Estados Unidos, por outro lado, <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/mundo\/noticia\/2019\/10\/10\/governo-dos-eua-desiste-de-apoio-a-brasil-na-ocde-diz-agencia.ghtml\">n\u00e3o oficializaram o apoio \u00e0 candidatura do Brasil para ingressar no \u00f3rg\u00e3o<\/a>, priorizando Argentina e Rom\u00eania, e anunciaram novas tarifas sobre exporta\u00e7\u00f5es de a\u00e7o e alum\u00ednio do Brasil. \u201cSe h\u00e1 amor, \u00e9 um amor n\u00e3o correspondido\u201d, brincou o economista.<\/p>\n<p>Nogueira Batista citou ainda o voto contr\u00e1rio do Brasil \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o que condena o embargo econ\u00f4mico, comercial e financeiro a Cuba na Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). Ao votar a favor do embargo imposto pelos Estados Unidos ao pa\u00eds caribenho, o Brasil alterou uma posi\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica adotada desde 1992. Apenas Estados Unidos, Israel e Brasil validaram o embargo. Outros 187 pa\u00edses condenaram a medida na Assembleia-Geral da ONU, que aconteceu no dia 7 de novembro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_14498\" aria-describedby=\"caption-attachment-14498\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-14498 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4280.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4280.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4280-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4280-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14498\" class=\"wp-caption-text\">Palestra lotou o audit\u00f3rio da Faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas da UFRGS<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Perda de relev\u00e2ncia do Brasil nos Brics<\/strong><\/p>\n<p>Em raz\u00e3o da experi\u00eancia como vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento de 2015 a 2017, Nogueira Batista relatou algumas das dificuldades enfrentadas pelo Brasil e por outros pa\u00edses emergentes ao buscar maior protagonismo no mundo de hoje e testemunhou as resist\u00eancias, por parte das pot\u00eancias tradicionais, a esse movimento. \u201cFoi a dificuldade dos Brics em obter mais espa\u00e7o no FMI que levou o grupo a fundar um banco e um fundo monet\u00e1rio pr\u00f3prios\u201d, explicou o palestrante.<\/p>\n<p>Por outro lado, o economista desmistificou a ideia de que o grupo tenha se formado com o objetivo de contestar o ocidente e institui\u00e7\u00f5es como o Fundo Monet\u00e1rio Internacional e o Banco Mundial: \u201cBrasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China, \u00e0 \u00e9poca, se uniram pelo sentimento de insatisfa\u00e7\u00e3o com a ordem estabelecida, mas nunca fizeram discurso incendi\u00e1rio, n\u00e3o buscavam a competi\u00e7\u00e3o. Eles buscavam a cria\u00e7\u00e3o de mecanismos complementares \u00e0s entidades monet\u00e1rias existentes\u201d, detalhou.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, o Brasil foi conquistando cada vez mais import\u00e2ncia junto aos Brics. Contudo, desde 2017, h\u00e1 um apagamento do pa\u00eds junto ao grupo, segundo Nogueira Batista. O que pode ser justificado, conforme o palestrante, em raz\u00e3o de um maior alinhamento do Brasil em rela\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos, posi\u00e7\u00e3o criticada pelo autor.<\/p>\n<p>Apesar de descrever um cen\u00e1rio dif\u00edcil, o economista afirmou ter esperan\u00e7a de que o Brasil possa encontrar o caminho do desenvolvimento \u2013 com justi\u00e7a social, democracia, independ\u00eancia. \u201cEstamos vivendo uma situa\u00e7\u00e3o dur\u00edssima, h\u00e1 raz\u00f5es para acreditar que os ventos est\u00e3o mudando. A nossa voz se far\u00e1 ouvir de novo em todos os cantos do mundo, e mais forte, em defesa de valores humanos que o brasileiro, talvez como ningu\u00e9m, tem condi\u00e7\u00f5es de vivenciar e transmitir: a do\u00e7ura, a versatilidade, a criatividade, a imagina\u00e7\u00e3o, a alegria de viver\u201d, concluiu.<\/p>\n<p><strong>Sobre a obra \u2013 <\/strong><a href=\"http:\/\/leya.com.br\/o-brasil-nao-cabe-no-quintal-de-ninguem\/\"><em>O Brasil n\u00e3o cabe no quintal de ningu\u00e9m<\/em><\/a>, de Paulo Nogueira Batista Jr., \u00e9 o relato dos bastidores da passagem de um economista brasileiro por duas institui\u00e7\u00f5es internacionais, o FMI e o banco de desenvolvimento criado pelos BRICS \u2013 o grupo de pa\u00edses emergentes. Durante mais de dez anos no exterior, ele participou da luta pela reforma da arquitetura financeira internacional ap\u00f3s a crise de 2008 e enfrentou a resist\u00eancia de representantes de na\u00e7\u00f5es ricas. Assim, com estilo leve, em que alterna humor e emo\u00e7\u00e3o, ironia e an\u00e1lise, narra embates entre pa\u00edses e mesmo dentro do governo brasileiro em temas como crises econ\u00f4micas e a organiza\u00e7\u00e3o do sistema financeiro global, abordando ainda o nosso conhecido complexo de vira-lata. O que une essa grande variedade de assuntos \u00e9 o Brasil, o nacionalismo e, segundo ele, \u201cuma certa tend\u00eancia a acreditar que nosso pa\u00eds tem um valor muito especial \u2013 ainda que n\u00f3s, brasileiros, nem sempre estejamos \u00e0 sua altura\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_14501\" aria-describedby=\"caption-attachment-14501\" style=\"width: 2560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-14501 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4303-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"2560\" height=\"1708\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4303-scaled.jpg 2560w, https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4303-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4303-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4303-768x512.jpg 768w, 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2560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-14503 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4323-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"2560\" height=\"1707\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4323-scaled.jpg 2560w, https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4323-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4323-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4323-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4323-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4323-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14503\" class=\"wp-caption-text\">Obra foi lan\u00e7ada pela editora LeYa em outubro de 2019<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_14504\" aria-describedby=\"caption-attachment-14504\" style=\"width: 2560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-14504 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4291-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"2560\" height=\"1708\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4291-scaled.jpg 2560w, https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4291-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4291-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4291-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4291-1536x1025.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4291-2048x1367.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14504\" class=\"wp-caption-text\">Professor da FCE Henrique Morrone mediou o debate com o economista convidado<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_14505\" aria-describedby=\"caption-attachment-14505\" style=\"width: 2560px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-14505 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4328-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"2560\" height=\"1707\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4328-scaled.jpg 2560w, https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4328-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4328-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4328-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4328-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/DSC_4328-2048x1366.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14505\" class=\"wp-caption-text\">Palestrante narrou viv\u00eancias junto ao FMI e aos Brics entre 2007 e 2017<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em palestra de lan\u00e7amento do livro O Brasil n\u00e3o cabe no quintal de ningu\u00e9m, o economista Paulo Nogueira Batista Jr. narrou ao p\u00fablico os bastidores de parte das experi\u00eancias vividas junto ao FMI e aos Brics, de 2007 a 2017. Ao falar sobre nacionalismo, economia, pol\u00edtica e soberania nacional, salientou o tom de perplexidade com que a comunidade internacional tem enxergado o Brasil recentemente: \u201cPara os estrangeiros, o Brasil est\u00e1 irreconhec\u00edvel. Um pa\u00eds que sempre irradiou di\u00e1logo e abertura est\u00e1 agora tomado por uma onda de obscurantismo\u201d, pontuou. A atividade aconteceu na tarde do dia 4 de dezembro, no audit\u00f3rio da Faculdade. Para o economista, o fato de o Brasil ser um dos cinco pa\u00edses que fazem parte das listas dos dez maiores territ\u00f3rios, das dez maiores popula\u00e7\u00f5es e das dez maiores economias, garante o poder de n\u00e3o se alinhar pol\u00edtica e economicamente a outras na\u00e7\u00f5es. E, segundo Nogueira Batista, o Brasil tem se engajado demasiadamente em pautas ben\u00e9ficas aos Estados Unidos, sem defender seus pr\u00f3prios interesses \u2013 o que chamou de \u201centreguismo quase sem disfarces\u201d. Como justificativa, o economista listou uma s\u00e9rie de concess\u00f5es do governo brasileiro aos Estados Unidos, na expectativa de uma indica\u00e7\u00e3o para a OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico). Entre as medidas, destacou a prorroga\u00e7\u00e3o da isen\u00e7\u00e3o da tarifa de 20% sobre a importa\u00e7\u00e3o de etanol americano, a isen\u00e7\u00e3o de vistos para turistas estadunidenses sem reciprocidade para brasileiros e a ren\u00fancia brasileira ao status de pa\u00eds em desenvolvimento nas negocia\u00e7\u00f5es junto \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC). Os Estados Unidos, por outro lado, n\u00e3o oficializaram o apoio \u00e0 candidatura do Brasil para ingressar no \u00f3rg\u00e3o, priorizando Argentina e Rom\u00eania, e anunciaram novas tarifas sobre exporta\u00e7\u00f5es de a\u00e7o e alum\u00ednio do Brasil. \u201cSe h\u00e1 amor, \u00e9 um amor n\u00e3o correspondido\u201d, brincou o economista. Nogueira Batista citou ainda o voto contr\u00e1rio do Brasil \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o que condena o embargo econ\u00f4mico, comercial e financeiro a Cuba na Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). Ao votar a favor do embargo imposto pelos Estados Unidos ao pa\u00eds caribenho, o Brasil alterou uma posi\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica adotada desde 1992. Apenas Estados Unidos, Israel e Brasil validaram o embargo. Outros 187 pa\u00edses condenaram a medida na Assembleia-Geral da ONU, que aconteceu no dia 7 de novembro. &nbsp; &nbsp; Perda de relev\u00e2ncia do Brasil nos Brics Em raz\u00e3o da experi\u00eancia como vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento de 2015 a 2017, Nogueira Batista relatou algumas das dificuldades enfrentadas pelo Brasil e por outros pa\u00edses emergentes ao buscar maior protagonismo no mundo de hoje e testemunhou as resist\u00eancias, por parte das pot\u00eancias tradicionais, a esse movimento. \u201cFoi a dificuldade dos Brics em obter mais espa\u00e7o no FMI que levou o grupo a fundar um banco e um fundo monet\u00e1rio pr\u00f3prios\u201d, explicou o palestrante. Por outro lado, o economista desmistificou a ideia de que o grupo tenha se formado com o objetivo de contestar o ocidente e institui\u00e7\u00f5es como o Fundo Monet\u00e1rio Internacional e o Banco Mundial: \u201cBrasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China, \u00e0 \u00e9poca, se uniram pelo sentimento de insatisfa\u00e7\u00e3o com a ordem estabelecida, mas nunca fizeram discurso incendi\u00e1rio, n\u00e3o buscavam a competi\u00e7\u00e3o. Eles buscavam a cria\u00e7\u00e3o de mecanismos complementares \u00e0s entidades monet\u00e1rias existentes\u201d, detalhou. Nesse cen\u00e1rio, o Brasil foi conquistando cada vez mais import\u00e2ncia junto aos Brics. Contudo, desde 2017, h\u00e1 um apagamento do pa\u00eds junto ao grupo, segundo Nogueira Batista. O que pode ser justificado, conforme o palestrante, em raz\u00e3o de um maior alinhamento do Brasil em rela\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos, posi\u00e7\u00e3o criticada pelo autor. Apesar de descrever um cen\u00e1rio dif\u00edcil, o economista afirmou ter esperan\u00e7a de que o Brasil possa encontrar o caminho do desenvolvimento \u2013 com justi\u00e7a social, democracia, independ\u00eancia. \u201cEstamos vivendo uma situa\u00e7\u00e3o dur\u00edssima, h\u00e1 raz\u00f5es para acreditar que os ventos est\u00e3o mudando. A nossa voz se far\u00e1 ouvir de novo em todos os cantos do mundo, e mais forte, em defesa de valores humanos que o brasileiro, talvez como ningu\u00e9m, tem condi\u00e7\u00f5es de vivenciar e transmitir: a do\u00e7ura, a versatilidade, a criatividade, a imagina\u00e7\u00e3o, a alegria de viver\u201d, concluiu. Sobre a obra \u2013 O Brasil n\u00e3o cabe no quintal de ningu\u00e9m, de Paulo Nogueira Batista Jr., \u00e9 o relato dos bastidores da passagem de um economista brasileiro por duas institui\u00e7\u00f5es internacionais, o FMI e o banco de desenvolvimento criado pelos BRICS \u2013 o grupo de pa\u00edses emergentes. Durante mais de dez anos no exterior, ele participou da luta pela reforma da arquitetura financeira internacional ap\u00f3s a crise de 2008 e enfrentou a resist\u00eancia de representantes de na\u00e7\u00f5es ricas. Assim, com estilo leve, em que alterna humor e emo\u00e7\u00e3o, ironia e an\u00e1lise, narra embates entre pa\u00edses e mesmo dentro do governo brasileiro em temas como crises econ\u00f4micas e a organiza\u00e7\u00e3o do sistema financeiro global, abordando ainda o nosso conhecido complexo de vira-lata. O que une essa grande variedade de assuntos \u00e9 o Brasil, o nacionalismo e, segundo ele, \u201cuma certa tend\u00eancia a acreditar que nosso pa\u00eds tem um valor muito especial \u2013 ainda que n\u00f3s, brasileiros, nem sempre estejamos \u00e0 sua altura\u201d. &nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14495,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[21,9,4],"tags":[],"class_list":["post-14494","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-boletim","category-eventos","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14494","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14494"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14494\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14495"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14494"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14494"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14494"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}