{"id":22458,"date":"2021-05-03T13:51:29","date_gmt":"2021-05-03T16:51:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/?p=22458"},"modified":"2021-08-05T16:48:35","modified_gmt":"2021-08-05T19:48:35","slug":"programa-medusa-promove-espaco-para-conversas-sobre-saude-mental-na-universidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/programa-medusa-promove-espaco-para-conversas-sobre-saude-mental-na-universidade\/","title":{"rendered":"Programa Medusa promove espa\u00e7o para conversas sobre sa\u00fade mental na Universidade"},"content":{"rendered":"<p>\u201cSe voc\u00ea tivesse a oportunidade de falar sobre sa\u00fade mental na universidade, o que voc\u00ea diria aos professores, orientadores e t\u00e9cnicos?\u201d Essa pergunta \u00e9 parte de uma das a\u00e7\u00f5es do programa de extens\u00e3o Movimento Educa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade Mental, Medusa. Criada em 2020, a iniciativa voltada a estudantes tem como principal objetivo construir espa\u00e7os de acolhimento.<\/p>\n<p>Inicialmente, o Instituto de Psicologia e a Casa do Estudante (CEU) foram pensados como locais de acompanhamento dos estudantes, mas, em fun\u00e7\u00e3o da pandemia, o Medusa teve que migrar para o ambiente virtual. Para Grace Tanikado, psic\u00f3loga na Divis\u00e3o de Moradia Estudantil da Pr\u00f3-Reitoria de Assuntos Estudantis, a ideia \u00e9 ter um espa\u00e7o para conversar sobre sa\u00fade mental. \u201cA ideia \u00e9 de alguma forma ter o espa\u00e7o para estudantes falarem disso, porque n\u00e3o existe um espa\u00e7o dentro da Universidade que trate do tema, que n\u00e3o seja quando o estudante j\u00e1 est\u00e1 adoecido\u201d, explica a psic\u00f3loga, uma das idealizadoras do programa.<\/p>\n<p>Preven\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o s\u00e3o as palavras-chave da iniciativa, que busca promover a\u00e7\u00f5es de sa\u00fade para prevenir adoecimentos. Mas, apesar de o Grupo Virtual Medusa ser um ambiente em que se discute sa\u00fade mental, ele n\u00e3o tem fun\u00e7\u00e3o terap\u00eautica, como explica Moises Romanini, professor do Departamento de Psicologia Social e Institucional e coordenador do projeto: \u201cA gente n\u00e3o busca diagn\u00f3sticos. Buscamos estudantes que queiram conversar e gostariam de ter algum tipo de acompanhamento nesse per\u00edodo da pandemia. N\u00e3o \u00e9 grupo de tratamento\u201d.<\/p>\n<p>Ao longo de 25 encontros em 2020, os estudantes compartilharam no grupo virtual suas ang\u00fastias e frustra\u00e7\u00f5es. Foram abordados temas como sobrecarga, elitismo, um novo perfil de aluno-trabalhador, e, \u00e9 claro, a pandemia. O docente conta que a pandemia trouxe tamb\u00e9m novos questionamentos:<\/p>\n<p>\u201cO grupo corroborou com dados da literatura, mas, al\u00e9m disso, trouxe outras quest\u00f5es por causa da pandemia. Por exemplo: conflitos familiares envolvendo a tem\u00e1tica da polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Brasil ou como usar ou n\u00e3o usar m\u00e1scara durante a pandemia. Estudantes relatando brigas hom\u00e9ricas dentro de casa. Isso acaba gerando muito sofrimento e atrapalhando efetivamente o andamento do semestre letivo.\u201d<\/p>\n<p>Compartilhar experi\u00eancias produz um lugar-comum entre os estudantes, de saberem que n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos que est\u00e3o passando por determinada situa\u00e7\u00e3o. Para Moises, quando um estudante encontra algu\u00e9m que o escute e o acolha, ele consegue falar. \u201cO Medusa se prop\u00f5e a ser esse algu\u00e9m, porque n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a Grace e eu, o grupo escuta, \u00e9 o grupo que acolhe. E \u00e9 essa a produ\u00e7\u00e3o comum, que no primeiro momento s\u00f3 parece mera semelhan\u00e7a\u201d, relata.<\/p>\n<p>O n\u00famero de estudantes que participaram dos encontros foi variando entre dois e oito, conforme foram passando as semanas. Segundo Moises, alguns participantes precisavam de um ou dois encontros para desabafar, e o grupo compreendia isso. Ele comenta, tamb\u00e9m, que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pela semelhan\u00e7a que o grupo se desenvolve. \u201cAlgu\u00e9m da Engenharia El\u00e9trica vai trazer um t\u00f3pico que, para o aluno de Psicologia, n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pela semelhan\u00e7a que o grupo vai avan\u00e7ar, mas tamb\u00e9m com a dessemelhan\u00e7a. E tu pensar: \u2018Essa universidade tamb\u00e9m existe\u2019.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Abranger o coletivo<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o se espera que a Universidade seja um local de adoecimento. Partindo desse pressuposto, o projeto compreende que \u00e9 preciso pensar aspectos estruturais quando o assunto \u00e9 a sa\u00fade dos estudantes. Moises conta que eles previam, inicialmente, que as Comiss\u00f5es de Gradua\u00e7\u00e3o (Comgrads) pudessem chamar o Medusa quando precisassem tratar de quest\u00f5es de sa\u00fade mental dentro dos cursos. Por conta da pandemia, entretanto, a ideia precisou ser adiada.<\/p>\n<p>Para Grace, as Comgrads precisam se comprometer com a sa\u00fade de seus estudantes. Ela entende que n\u00e3o \u00e9 necessariamente o encaminhamento de um aluno para terapia que vai ser efetivo:<\/p>\n<p>\u201cOs elementos que levam ao adoecimento s\u00e3o mais sistem\u00e1ticos e estruturais. Toda a quest\u00e3o do Ensino Remoto Emergencial, o acirramento pol\u00edtico, al\u00e9m de quest\u00f5es sobre racismo, homofobia, machismo\u2026 Tudo isso acontece dentro dos cursos, ent\u00e3o n\u00e3o adianta a gente tratar as pessoas.\u201d<\/p>\n<p>O ano passado, para o Medusa, foi de ouvir os estudantes para preparar a\u00e7\u00f5es que consigam, de alguma forma, chegar aos espa\u00e7os e que possam propor interven\u00e7\u00f5es que n\u00e3o sejam apenas individuais, mas coletivas. \u201cA ideia \u00e9 pensar sa\u00fade mental como uma quest\u00e3o n\u00e3o individual, esse \u00e9 o diferencial do Medusa. A gente escuta os estudantes individualmente, no grupo, mas a gente sabe que n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 eles que est\u00e3o passando por isso. Precisamos pensar em uma forma mais sistem\u00e1tica e menos individualista\u201d, reflete Grace.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que voc\u00ea diria?<\/strong><\/p>\n<p>Por meio da <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/medusaufrgs\/\">p\u00e1gina do Instagram<\/a>, o Medusa perguntou aos estudantes o que eles diriam, caso tivessem a oportunidade, para professores, t\u00e9cnicos e orientadores sobre sa\u00fade mental na Universidade. Sem precisar se identificar, eles podiam responder enviando um e-mail para o endere\u00e7o do programa ou participando de um encontro online. Essa a\u00e7\u00e3o foi realizada com o objetivo de elaborar materiais de educa\u00e7\u00e3o permanente sobre sa\u00fade mental na universidade:<\/p>\n<p>\u201cTem algo nessa pergunta que convoca as pessoas. A gente partiu de um pressuposto de que os alunos que respondessem isso n\u00e3o tiveram a oportunidade de falar. De fato, quem respondeu a essa pergunta ou quem participou dos encontros online, todos, sem exce\u00e7\u00e3o, tiveram momentos em que foram barrados, em que n\u00e3o puderam falar.\u201d<\/p>\n<p>No final dessa a\u00e7\u00e3o, o Medusa elaborou cards informativos contendo depoimentos de estudantes e dois v\u00eddeos. Nos cards e nos v\u00eddeos havia frases de alunos relatando abuso dos professores na entrega de notas, aspectos did\u00e1ticos e pedag\u00f3gicos, sofrimento ps\u00edquico, machismo, homofobia, entre outras quest\u00f5es que fizeram parte da trajet\u00f3ria universit\u00e1ria dos participantes. Contudo, uma quest\u00e3o que se destaca e que gera muito silenciamento entre os estudantes \u00e9 a hierarquia acad\u00eamica. \u201cTem ainda um lugar hier\u00e1rquico dentro da Universidade. Uma hierarquia n\u00e3o s\u00f3 entre professores e alunos, mas entre professores, t\u00e9cnicos administrativos, profissionais terceirizados; numa escala bem definida de quem vale mais e quem vale menos\u201d, conta Moises, que refor\u00e7a a exist\u00eancia de um lugar de impossibilidade de fala dentro da Universidade. \u201cO professor doutor que sabe in\u00fameras l\u00ednguas estrangeiras, que sabe de tudo que t\u00e1 falando. Esse lugar do suposto saber tira a fala do aluno, que se entende entendedor de nada. Quando eu imponho a um t\u00e9cnico que ele me chame de senhor ou doutor, acabou qualquer possibilidade de fala, di\u00e1logo e escuta\u201d, enfatiza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Potencializando a Universidade<\/strong><\/p>\n<p>\u201cQuando falamos de sa\u00fade mental, tamb\u00e9m precisamos falar sobre o que produz sa\u00fade mental na Universidade\u201d, afirma Moises. De acordo com o professor, o Medusa n\u00e3o pretende, de maneira alguma, procurar culpados ou atribuir todo o sofrimento a um lugar. Pelo contr\u00e1rio, o que o projeto n\u00e3o quer \u00e9 naturalizar o sofrimento dos estudantes, de que \u00e9 normal se sentir mal por n\u00e3o dar conta do plano de ensino ou ficar ansioso por n\u00e3o receber determinada nota.<\/p>\n<p>O programa entende que a competitividade, os preconceitos, a hierarquia e outros problemas s\u00e3o reflexos da sociedade. Segundo Grace, a UFRGS \u00e9, muitas vezes, um fator de prote\u00e7\u00e3o social para os estudantes. \u00c9 um espa\u00e7o no qual muitos jovens ter\u00e3o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, um espa\u00e7o seguro atrav\u00e9s de coletivos; al\u00e9m de existirem diversas a\u00e7\u00f5es de acolhimento \u00e0 diversidade. \u201cQueremos levar de uma forma espargida a quest\u00e3o da sa\u00fade mental na Universidade para todo mundo. A gente quer potencializar a Universidade\u201d, sintetiza Grace.<\/p>\n<p>O grupo \u00e9 aberto a todos os estudantes da UFRGS, com encontros nas segundas-feiras, \u00e0s 17h, pela <a href=\"https:\/\/mconf.ufrgs.br\/spaces\/programa-de-extensao-medusa\">sala do programa no Mconf<\/a>.\u00a0Novidades sobre o projeto podem ser acompanhadas pelas plataformas <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/medusaufrgs\/\">Instagram<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UC_7TTKa9VaBATQuPCGEvVzQ\">YouTube<\/a>. Mais informa\u00e7\u00f5es pelo <a href=\"mailto:medusaufrgs@gmail.com\">medusaufrgs@gmail.com<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>*Texto de Leonardo Machado, extra\u00eddo do site da <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/prorext\/programa-medusa-promove-espaco-para-conversas-sobre-saude-mental-na-universidade\/\">Prorext\/UFRGS<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Encontros s\u00e3o abertos a todos os estudantes da UFRGS e acontecem nas segundas, \u00e0s 17h<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22797,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[21,405,4],"tags":[],"class_list":["post-22458","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-boletim","category-extensao","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22458","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22458"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22458\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22797"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22458"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22458"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/fce\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22458"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}